
Patrick Watson ao piano | mais fotos clicar aquiSou fã assumido de Patrick Watson. Já desde os longínquos tempos entre 2006 e 2009, época em que foram editados ‘Close to Paradise’ em 2006 e ‘Wooden Arms’ em 2009. Guimarães em 2011 e Paredes de Coura em 2012 marcaram o início da minha história de concertos ao vivo com o artista canadiano. Do concerto festivaleiro recordo um ambiente fervilhante num palco secundário do festival a abarrotar.
Novamente em Guimarães em 2018, a terceira vez, num concerto novamente ocorrido no CAE São Mamede e no qual o headLiner esteve presente, a reportagem pode ser lida aqui. Esta atuação marcou a minha memória de forma indelével, tal como esta performance ocorrida na passada segunda-feira no Hard Club do Porto na qual tive a fortuna de marcar presença.
Sei sim, deixei passar demasiado tempo entre todas as atuações, o Patrick Watson vem amiúde a Portugal e já soma duas dezenas de concertos no nosso país. É já um músico de culto, bastante apreciado pelos portugueses, com uma base de fãs imensamente devotos.
15/04/2024, segunda-feira presenteada com um clima fantástico permitindo a um passeio pela belíssima Cidade Invicta, cada vez mais cosmopolita e metrópole mundial, na antecâmara dessa atuação esgotadíssima do músico nascido em Montreal no Canadá. Ao contrário das duas datas lisboetas nos dias prévios, a norte o concerto esgotou quase num ápice.
Com sala esgotada e já totalmente preenchida, já era sentida no ar, em modo brando, uma determinada impaciência. Com a entrada da artista da primeira parte tais ânimos serenaram bastante.
Este “aquecimento” ficou a cargo de Ella Hohnen-Ford, em termos artísticos adota apenas a nomenclatura Hohnen Ford,e aproveitou a oportunidade para mostrar-se ao público português. Fez a sua visita inaugural a território nacional. A britânica deu entrada às 21:14h e seguiu diretamente para o piano. Durante os 20 minutos em que atuou empreendeu uma viagem pelo seu, ainda curto, repertório.

Hohnen Ford em estreia absoluta no Porto | mais fotos clicar aqui
Logo de entrada mostrou-nos a canção “Infinity” do seu EP de 2023, o público portuense assistiu ao batismo ao vivo do mais recente single “Honest Mistake” numa estreia mundial e pelo meio proporcionou-nos uma cover bem simpática de “No Surprises” dos Radiohead. A atuação foi bastante agradável, claro enfoque para a sua voz dócil desta cantora apaixonada pelo já referido instrumento de teclas. Se Watson apadrinha então é motivo mais do que suficiente para ficarmos com o seu nome no nosso radar musical.
Às 21:50h verifica-se o inicial momento, entre muitos, de êxtase. Entrada em cenário de Patrick Watson. Fez-se acompanhar por Mishka Stein (baixo e guitarra clássica), musico habitual colaborador na banda do canadiano. Outros três músicos fizeram companhia: Olivier Fairfield na bateria, Ourielle Auvé no violoncelo e uma artista feminina nas teclas. Certamente terão sido todos escolhidos à medida. Pela sua competência e pelo perfeito e visível entendimento com o “maestro” fazem um emparelhamento como uma luva.

Mishka Stein, um dos fiéis “escudeiros” de Patrick Watson | mais fotos clicar aqui
Com “Lost With You” começamos a vaguear num planetário musical sui generis, pode-se dizer que entramos no universo de Watson ao qual aderimos durante 2 deliciosas e mágicas horas. Fez-se silêncio completo até às palmas no final da música.
Focos de luz, colocados estrategicamente na parte frontal do palco, iam sendo acesos em determinados momentos. Revelou-se uma coreografia simples e de eficácia máxima, executada de forma muito prática. Resultou bem no impacto extra pretendido.
“We Love You” foi gritado por elementos do público no intermédio de canções, na fase inicial, tendo o artista devolvido a gentiliza por entre um semblante meio tímido. É este o nível de comprometimento dos fãs lusitanos, tal como referido neste anteriormente neste texto.
Na sequência “Dream for Dreaming” e “Wave” saiu do piano e deambulou, com azáfama, entre o seu instrumento predileto desta noite e o microfone colocado dois passos em frente situado na parte central do cenário. Neste quarto tema escutamos “Wooden Arms” e a performance seguia em ritmo ascendente de emotividade.

Perspetivas de Patrick Watson | mais fotos clicar aqui
Patrick Watson exteriorizou a sua boa disposição e comunicou num inglês, às vezes, debitado demasiado rápido. Apesar de ele ter essa noção, ainda perguntou ao público nortenho se o entendiam bem porém ninguém se queixou, isto tudo entre risos. As próprias risadas de Patrick Watson, bem particulares, animavam e divertiam toda a gente.
Antes da interpretação muito bonita de “Ode to Vivian” ouvimos a explicação para a existência do tema. Seguiu-se “To Build a Home” dos The Cinematic Orchestra editado em 2007, no qual Watson contribuiu generosamente com sua voz. Este é já um tema épico e embora não faça parte oficial da sua discografia, não costuma faltar ao vivo, pelo seu profundo impacto emocional.
Revistos os problemas com os seus in ear, segundo confessou o músico, há sempre algo que não corre bem nos seus concertos, chegamos a “Melody Noir”. Numa interpretação junto do microfone e com Mishka Stein na viola, ao lado de Patrick Watson, fomos brindados com mais um momento fantástico e arrepiante.

Mais perspetivas de Patrick Watson | mais fotos clicar aqui
“Love Songs for Robots” e ‘Places You Will Go” emergiram antes de outro momento áureo: o da presença de Gisela João. Tal como nos concertos lisboetas, a barcelense apresentou-se também a norte para dar uma ajudinha para “A Mermaid in Lisbon”. Brilhante e singela interpretação pela nortenha, não ficando em nada atrás da performance original na voz de Teresa Salgueiro. A cumplicidade entre Watson e Gisela foi gira de visualizar. Durante a pandemia sentiu a falta de Portugal mais do que outro país, confessou Patrick Watson antes do dueto.
Por esta altura no Hard Club registava uma temperatura bastante elevada, os corpos já suavam, efeito de uma sala bem quente. Fazia falta uma climatização proporcional à casa cheia registada. O público fez por não importar-se demasiado dada a elevada intensidade emocional com que decorria o concerto.
Em “Drifters” e “Je te laisserai des mots” as letras foram sendo sussurradas com extrema vontade e quando chegamos a “Big Bird in a Small Cage” o comunicativo e simpático Watson desvendou a história por detrás de mais este emblemático tema. Provavelmente o público portuense não terá sido melhor do que Lisboa no concurso dos assobios… Tal não afetou a brilhante ponta final de concerto com um encore fantástico.

O inevitável sorriso de Patrick Watson | mais fotos clicar aqui
No regresso a palco Hohnen Ford entrou com Mishka e Patrick e os três conjuraram uma belíssima interpretação de “Slip Into Your Skin”. Com “Lighthouse” o preço do bilhete estava mais do que pago só que ainda havia um trunfo extra para ser jogado…
Mishka equipado com um sistema de luzes às costas e a sua viola nos seus braços seguiu com Patrick e ambos passearam pelo meio do público para catarse coletiva. Saíram pela entrada principal do recinto após uma emocionante interpretação de “Sit Down Beside Me”. As pessoas ficaram meio sem saberem como proceder. Eram já 23:50h e a saciedade pelo universo de Watson parecia ainda por satisfazer… Para esta noite as altas expetativas foram cumpridas numa viagem musical, emocionante e emocional que teve “paragens” em quase todos os álbuns de Patrick Watson. A exceção foi ‘Just Another Ordinary Day’, editado em 2003.
Brilhante performance de Watson e seus pares, mais uma vez, saí desarmado de um concerto seu. Deu tudo em palco, o seu génio e a sua personalidade sui generis completam o ramalhete de um artista fabuloso.
Queremos mais, muito mais Sr. Watson!
Reportagem fotográfica completa: Clicar Aqui

A concentração total de Patrick Watson | mais fotos clicar aqui
Texto: Edgar Silva
Fotografia: Nuno Coelho
