Sempre a abrir a noite toda, sempre a rock & rollar @ A primeira noite

Adolfo Luxuria Canibal, o mítico vocalista dos Mão Morta | mais fotos clicar aqui

A ‘Noite de Reis da Bazuuca’ é um acontecimento que acompanho presencialmente desde 2019 por isso tal tem-me permitido vivenciar, em primeira mão, as noites intensas e calorosas que ele proporciona. Tem sido para mim um privilégio acompanhar a sua evolução positiva bem como o seu crescimento de notoriedade. Repito este parágrafo em relação à reportagem escrita do ano passado de forma a reforçar a relevância que tal tem para mim bem como para o headLiner como parceiro media de forma recorrente, algo que muito nos orgulha.

Tal como em 2023, 2024 e 2025 voltou a acontecer em duas noites consecutivas neste presente ano de 2026. Definitivamente solidificado este molde. O Dia de Reis foi a 6 de janeiro, segunda-feira, sendo que o evento teve lugar nos passados dias 9 e 10, respetivamente sexta-feira e sábado. Celebrou-se a 6ª edição de uma ‘Noite de Reis da Bazuuca’ a demonstrar um amadurecimento natural: com público fiel e ao mesmo tempo conseguindo captar novas audiências. Igualmente já com o seu espaço mediático como foi possível visualizar tanto em canais televisivos como em algumas das publicações escritas de relevância deste país.

As salas da discoteca Lustre, um dos espaços culturais de referência situado mesmo no coração da cidade ao lado dos Paços do Concelho de Braga, tem sido o local privilegiado para este festão. Nestas noites foi novamente o local escolhido.

As reportagens realizadas pelo headLiner em edições anteriores pode ser lidas e/ou recordadas aqui.

A frontline durante o concerto dos Mão Morta | mais fotos clicar aqui

Em 2025 aquele típico ambiente festivo não esteve no seu apogeu, ainda assim manteve uma onda bem calorosa. Este ano a intensidade subiu a máximos sobretudo devido a uma majestosa atuação dos Mão Morta, naquela que foi a estreia destes bracarenses no evento.

A ‘Noite de Reis’ já não destaca somente as bandas e artistas agenciadas pela Bazuuca, tornou-se mais abrangente e alargada à colaboração com outras agências, proporcionando uma reunião de músicos bracarenses ou com uma forte ligação à Cidade dos Arcebispos. Ao todo foram novamente 16 projetos, aqueles que tiveram a oportunidade de dar o brilho a esta, já tradicional, noite de música sem fronteiras, em termos de géneros musicais.

A primeira noite – 9 de janeiro (sexta-feira)

Ao circular pelo espaço logo nos primeiros minutos deu para visualizar algumas caras conhecidas. Além de músicos de projetos da região houve também gente de outras latitudes. Este é o sinal que a comunidade musical não falta à “festa de família”. Aconteceu isto em todas as edições anteriores.

Com acessos ao Lustre libertos alguns minutos antes das 23 horas, houve uma afluência fortíssima logo nos primeiros 20 minutos. A performance dos Mão Morta, marcada para as 23:30 horas, era a razão de tal ter acontecido. Desde logo houve muita gente a “marcar lugar” na sala dos espelhos, local aonde estava instalado o Palco Bazuuca.

Em palco os Mão Morta | mais fotos clicar aqui

Antes de Adolfo Luxúria Canibal e seus comparsas iniciarem a sua performance, a abertura do certame coube a Cody XV & Tiago Sampaio no Palco Salão Mozart. A atuação desta dupla debutou com um assinalável atraso de 20 minutos devido a problemas técnicos. Devido a esta delonga e a um concerto mais esticado dos Mão Morta, os horários derraparam significativamente com o avançar na noite…

Onda experimentalista entre sons eletrónicos dinamizados pelo sintetizador de Cody XV e a guitarra, hipérbole cheia de efeitos, executada por Tiago Sampaio. Este músico, conhecido pelos projetos St. James Park e Grandfather’s House utilizou um arco por diversas vezes para extrair determinados efeitos sonoros da guitarra. Efetivamente foram sons etéreos e atmosféricos de belo efeito a ressoarem pelo bonito Salão Mozart. Uma maré sonora refrescante que contou com um público em modo atento, curioso e interessado.

Adolfo Luxúria Canibal na voz, Miguel Pedro na bateria, Vasco Vaz na guitarra,  António Rafael nos teclados, Ruca Lacerda na guitarra e Rui Leal no baixo foram os seis músicos como Mão Morta. O início da atuação deu-se somente às 23:52h, passando a curiosidade e ansiedade dos fãs a laivos de êxtase. A frontline sempre vibrante, o restante público de sorriso na cara acompanhava igualmente extremamente participativo. Público mais maduro com muitos fãs da banda a marcarem forte presença.

Adolfo Luxuria Canibal, o mítico vocalista dos Mão Morta | mais fotos clicar aqui

Tivemos direito a uma setlist personalizada com alguns dos temas épicos dos Mão Morta. Devido ao formato showcase tivemos uma performance mais curta naquela que foi pausa dos concertos de apresentação do mais recente álbum ‘Viva La Muerte!’.

“Passo o Dia a Olhar o Sol” seguido pelas épicas “Novelos da Paixão” e “Budapeste” foram as três primeiras num crescendo de união entre público e músicos em palco. Aquele timbre é brutal e inconfundível, Adolfo continua a marcar muitos pontos pela sua irreverência e enorme estilo. A voz ainda em pujança, não tem diminuído com o passar dos tempos. Ultrapassadas as dificuldades físicas que Luxúria Canibal teve, sobretudo no decurso de 2024, vemos um músico novamente totalmente solto em cima do cenário.

“Música mais bracarense não há” referia-se o vocalista acerca de “1º de Novembro”. Ambiente escaldante e em plena ebulição continuava no decurso do resto da performance aonde escutei os temas “Tu Disseste”, “Barcelona”, “Vamos Fugir” e “Anarquista Duval”.

“Não façam disparates, comportem-se como se tivessem em casa” alertava Adolfo já na fase final pois junto ao palco estava uma senhora com mobilidade condicionada, munida de muletas e a sofrer um pouco com toda a euforia.

Ambiente durante os Mão Morta | mais fotos clicar aqui

“Amesterdão” surgiu num encore bastante solicitado, o que esticou a atuação dos Mão Morta para quase 50 minutos de performance quando o tempo máximo estimava cerca de 30 minutos para cada showcase. Esta atuação foi épica e fica registada de forma indelével na história da ‘Noite dos Reis da Bazuuca’.

Tricla repetiu a presença depois de ter estado no ano passado. Uma jovem com bastante energia e cuja identidade está mascarada (literalmente) por entre imensa irreverência, quase do estilo juvenil. Um tutu dá-lhe um impacto extra, um visual infantil que nada tem a ver com algumas das suas letras merecedoras de bolinha vermelha. Ela teve a companhia de Ana Gonçalves das aMijas como musa das batidas.

Tricla em palco © Adriano Ferreira Borges // Foto Oficial da Bazuuca

“Upa Upa”, “Como Ser”, “Estik’ Malhas” ou “Passat dos Cornos” foram temas que ela apresentou numa mistura de rap com hip hop em que as letras foram devidamente debitadas na língua de Camões.

Pelo meio houve “RIP Bracalândia”, um tema de homenagem à Bracalândia, local icónico da cidade de Braga desaparecido há bastantes anos.

Este ano a sua atuação foi mais fluida. Repito as palavras de 2025: Tricla tem piada, tem carisma e tem ainda swag suficiente para fazer musicalmente umas coisas giras.

Tricla em palco © Paulo Homem de Melo // Glam Magazine

No regresso ao palco principal vi Palas em versão quarteto com Sérgio Freitas no teclado, João Costeira na bateria e Giliano Boucinha nos sintetizadores. Durante 30 minutos Filipe Palas e seus comparsas proporcionaram uma performance calorosa com o seu indie-synth-pop maioritariamente instrumental.

Foram cinco os temas tocados por Palas: “Sou Quem Sou”, “Esplanada”, “Bagaço” (um dos últimos singles, de 2023), “Prazer” e “Sigo”.

O artista, na aparição do ano passado afiançou lançar com a sua banda um álbum novo. Continuamos a aguardar, pelas impressões ao vivo, direi que promete ser um trabalho discográfico de qualidade.

Palas em formato banda © Adriano Ferreira Borges // Foto Oficial da Bazuuca

Mais uma moedinha, mais uma voltinha… No regresso ao Salão Mozart foi a altura para ouvir e ver o coletivo hip-hop Purple Mob composto por 4 elementos. Um deles ficou encarregue da parte eletrónica e proporcionar os beats enquanto os restantes debitavam as suas letras. Registo curioso para um destes três elementos: estava mais interessando a cultivar a sua pinta fornecendo uns passos de dança do que a fazer uso do microfone…

A noite respeitante aos concertos terminou com os Quadra cujo concerto teve início às 2:28h, praticamente uma hora depois da hora prevista. Vi novamente Gonçalo Carneiro a tocar com Quadra, na ocasião anterior no Sonus em Guimarães no passado mês de outubro o guitarrista estava ao serviço do outro projeto em que participa: os Travo.

Logo no início o sexteto estava com completa concentração no manuseamento de cada um dos seus próprios instrumentos. Miguel Santos mais compenetrado do que em outras ocasiões.

Quadra em palco © Adriano Ferreira Borges // Foto Oficial da Bazuuca

Depois de termos ouvido “Perto” e “Tanto Faz”, o público reclamou a seguir a “Tigre de Papel”, o terceiro tema interpretado. Várias pessoas diziam, de viva voz, que não se ouvia a voz do vocalista. Realmente notei que não estava tão percetível, ainda pensei que fosse por opção da banda. Efetivamente não foi o caso. Depois de uns ajustes a atuação ganhou outro ímpeto nos temas seguintes, especialmente no decurso de “Sozinho”. Atitude reciproca: tanto público como banda puxavam uns pelos outros. Uma boa vibe era sentida e a curtição era enérgica.

O vocalista Miguel acabou por perder a voz. Os restantes elementos da banda, de forma solidária, pediram apoio para ele antes de “Tropicalia”. Com a ajuda generosa dos fãs a parte vocal foi assegurada um pouco por todos. Uma palavra para Hugo Couto, o baterista, procurou transmitir a sua energia a Miguel e dar a sua parte para que a atuação continuasse vigorosa.

Miguel, o vocalista, um dos protagonistas da noite  © Paulo Homem de Melo // Glam Magazine

Gonçalo, Sílvio, Sérgio, Lucas, Hugo e Miguel regressaram para o encore aonde tocaram “Mais e Mais”. Nota digna de registo para o vocalista: ainda conseguiu esboçar vocalmente a letra pese embora as dificuldades.

A programação da Bazuuca terminou com o Wav. In Takeover proporcionado por küiã e PRAGA na Sala dos Espelhos

Esta sexta-feira teve uma adesão em número bem impressionante, muito por culpa da presença dos Mão Morta, altura do pico de assistência de toda a noite. Uma noite histórica e que teve aquela chancela a que nos habituamos nesta ‘Noite dos Reis da Bazuuca’.

Reportagem fotográfica dos Mão Morta:  clicar aqui

Mão Morta, Noite dos Reis da Bazuuca - Braga [09JAN2026] © Ricardo Costa

Texto:
– Edgar Silva

Fotografia:
– Ricardo Costa @ ricardojosecosta (Instagram)
– Adriano Ferreira Borges @ adriano_ferreira_borges (Instagram) // fotos oficiais da Bazuuca
– Paulo Homem de Melo da Glam Magazine @ glammagazine.pt (Instagram)

Edgar Silva

Administrador de página e de conteúdos do HeadLiner

Adoro ouvir música. Ir a concertos é mesmo onde me sinto no meu elemento, é como um peixe na água. No headLiner junto ambos os gostos adicionando o gosto pela escrita: com artigos sobre música (bandas e eventos) e também umas coisitas acerca de alguns dos concertos a que assisto.