
Cal, o vocalista dos DITZ em modo crowdsurf | mais fotos clicar aqui
Neste presente ano de 2025 estou a dar prioridade à estreia em alguns eventos. Há poucas semanas estive no Rock no Rio Febras em Briteiros (concelho de Guimarães) e agora, finalmente foi a tão esperada ocasião de presenciar o Sonic Blast Fest. Já há alguns anos que tenho vindo a tentar marcar presença neste festival e só agora este ano consegui este almejado objetivo. Várias pessoas foram-me falando, ao longo dos anos, tão bem deste festival, reforçando o quão diferenciado e incrível em termos do ambiente e do power das atuação. Fui ficando com o “bichinho” durante bastante tempo…
A Praia da Duna do Caldeirão é um local prazeroso e muito bonito, um cenário completamente e atípico para um festival de shopping do rock. Efetivamente é um “caldeirão” agregador dos mais dispares estilos rockeiros, há rock psicadélico, progressivo, hard, punk, garage… Há ainda stoner e doom, por exemplo. Com bandas mais ou menos específicas de cada género ou outras que misturam um pouco de tudo. O destino predileto de muitos fãs por ser uma espécie de Rockaíso dos Rockeiros, diga-se assim deste modo.

Crowdsurf, uma constante no festival | mais fotos clicar aqui
Celebrou-se a 13ª edição do Sonic Blast Fest ocorrida entre os dias 6 e 9 de agosto, entre a última quarta-feira e sábado. Com 3 palcos tudo foi pensado para a inexistência de sobreposição e menor tempo de espera entre concertos.
Devido a restrições pessoais e profissionais, tanto minhas como do meu parceiro fotógrafo, não foi-nos possível vivenciar de forma mais alargada o festival contudo conseguimos praticamente ver todas as bandas que tínhamos pré-definido e que mais queríamos ver. Por isso esta reportagem foca-se sobretudo nelas.
Dia 1 – quinta-feira, 7 de agosto
Chegamos ao recinto por volta das 18h numa altura de enorme azáfama na troca dos bilhetes por pulseiras. Como é natural, no primeiro dia o ambiente efervescente dos fãs é a nota dominante e o que toda a gente quer é fazer o processo de adesão ao recinto o mais rapidamente possível.
No decurso de todo esse procedimento fui escutando a atuação dos Slomosa, eles que tinham começado a tocar uns minutos antes da nossa chegada. O som que escutava serviu de bálsamo durante todos aqueles momentos de espera enquanto não tive a pulseira colocada. Uma tarefa sem stress.

Marie Moe dos Slomosa | mais fotos clicar aqui
Eles regressaram ao norte de Portugal depois de uma passagem pelo Hard Club em 2023 em que realizaram primeiras partes dos concertos dos King Buffalo em Portugal. A reportagem deste evento pode ser lida aqui.
Este quarteto chama à sua música de Tundra Rock; um reflexo das paisagens geladas que os rodearam enquanto cresciam. Eles que cresceram igualmente sob influências do grunge, do desert rock e do skate punk.
O stoner destes noruegueses oriundos de Bergen não desapontou uma “multidão” ávida de três dias repletos de concertos pujantes e memoráveis.

Tor Erik Bye e Benjamin Berdous dos Slomosa | mais fotos clicar aqui
A primeira atuação que teve a minha completa e total atenção foi a dos DITZ e ocorreu no Main Stage 2. Para quem não está familiarizado com o Sonic Blast Fest os dois principais palcos estão lado a lado. À esquerda o Main Stage 2 e à direita o Main Stage 1.
Primeiro país em que os DITZ estiveram como banda fora do seu país foi em Portugal, nomeadamente em Guimarães, decorria o ano de 2018. Desde então, estes britânicos já vieram ao nosso país diversas vezes, eles já começam a chamar Portugal a sua segunda casa.
Agora foi a vez do Alto Minho para Cal Francis (vocalista), Caleb Remnant (baixista), Anton Mocock (guitarrista), Jack Looker (guitarrista) e Sam Evans (baterista) para uma amostra do mais recente registo discográfico ‘Never Exhale’ editado no passado mês de janeiro.

Cal, o vocalista dos enérgicos DITZ f | mais fotos clicar aqui
Nesta primeira vez no Sonic Blast Fest o vocalista britânico quis, desde logo, deixar a sua marca indelével. Cal, personalidade exuberante, veio logo nos primeiros instantes para a grade com uma garrafa de espumante dando-o a beber a alguns fãs que estavam na “linha da frente”. Ele que vagueava pelo palco alguns minutos antes da atuação com uma cerveja em lata. Certamente já fã da marca lusitana.
Os ânimos subiram dos 0 aos 100 em pouco mais de 1 segundo com os habitués crowdsurf, moche e rodas vivas a surgirem naturalmente.
Em palco, fora dele também, andou descalço e até se aventurou a subir a uma das estruturas que alberga o sistema de som. A pedido de Francis todos se baixaram na última música e fez-se uma festa exuberante.

Sam Evans, o baterista dos enérgicos DITZ | mais fotos clicar aqui
Faixas como “Señor Siniestro” ou “Ded Würst” serviram perfeitamente de aperitivo para quem ainda não tinha escutado esta incrível banda britânica. O post-punk misturado com uma pitada de hardcore e a irreverência do seu vocalista fazem deste projeto oriundo de Brighton no Reino Unido um projeto excitante.
Os Earthless são norte-americanos do rock psicadélico instrumental de onda massiva por entre os riffs arrepiados de Isaiah Mitchell na guitarra, o desenfreado ritmo de Mario Rubalcaba na bateria e os decisivos acordes de Mike Eginton no baixo.

Isaiah Mitchell dos Earthless | mais fotos clicar aqui
Com o público, ora em tempo de jantar ou a ver e ouvir com toda a atenção a banda de San Diego, certo é que o ambiente estava em modo relaxado. Ainda assim, o modo headbanging esteve ativo.
Trio bem compenetrado nos seus instrumentos não se revelaram com apetência comunicativa tendo rubricado uma performance bem sólida por entre a neblina de palco.

Earthless em palco | mais fotos clicar aqui
King Woman começou por ser, em 2009, o projeto a solo da vocalista Kristina Esfandiari. Evoluiu para formato banda. Em Vila Praia de Âncora apresentou-se com mais quatro elementos: uma baterista, dois guitarristas e uma baixista. Nesta vinda à Europa apenas para 4 concertos, a primeira data foi esta no Sonic Blast Fest.
Inicio de atuação com cerca de 6 minutos de uma torrente sonora de reverberação sem ninguém em palco, a princípio. Terminou já com os músicos em palco.
“Schwein” (significa em alemão porco) aparecia na vestimenta de couro preta de Kristina. Certamente com algum significado que a cantora não revelou durante a atuação.

Kristina Esfandiari, a mentora do projeto King Woman | mais fotos clicar aqui
Após a saída dos fotógrafos do fosso, Esfandiari veio à grade pela primeria vez durante a interpretação de “Coda”. Algo que repetiu durante a performance.
“Celestial Blues” foi a primeira, “Morning star” a balada que faltava, e para o final apoteótico de Kristina junto dos fãs tivemos “I Wanna Be Adored”.
Na sua voz carrega uma sensualidade algo obscura e ao mesmo aconchegante, em conjunto com as paisagens sonoras, formam um poderoso som de doomgaze. Em conjunto com a sua banda King Woman rubricou uma atuação que me apanhou desprevenido e que adorei imenso. A partir de agora é mais um nome fixado no meu radar musical.

Um dos elementos da banda de King Woman | mais fotos clicar aqui
Vindos da Bélgica, os Amenra, eles também habituados ao nosso belo Portugal, trouxeram a sua liturgia despojada e pujante. Não deixam ninguém indiferente.
Projeto com 26 anos de existência e dono de uma discografia bastante prolifera não deixou os seus muitos fãs desiludidos. Eles proporcionaram nesta edição do Sonic Blast um momento simultaneamente introspectivo e vibrante.

Colin, o vocalista dos Amenra | mais fotos clicar aqui
A banda Fu Manchu, uma das mais aguardadas da noite, não deixou os seus créditos por palcos alheios. O foco e a entrega do público eram totais.
Chegaram à Praia da Duna do Caldeirão com um álbum gravado ao vivo acabado de editar, precisamente no primeiro dia deste mês de agosto. Trata-se do primeiro em 20 anos e inclui algumas dos temas preferidos dos fãs como, por exemplo, “Eatin’ Dust” ou “Hell On Wheels”.
Esta formação norte-americana é composta por Scott Hill (vocalista e guitarrista), Bob Balch (guitarra principal e voz secundária), Brad Davis (baixo e voz secundária) e por Scott Reeder (bateria e voz secundária) suportada por riffs rockeiros bem poderosos. Mostraram toda a sua energia e cabelos no ar à boa moda do rock.

Scott Hill, o vocalista dos Fu Manchu | mais fotos clicar aqui
Neste concerto não faltaram temas como “Loch Ness Wrecking Machine”, “Evil Eye”, “Hands of the Zodiac” ou “California Crossing” só para citar quatro de uma setlist bem composta.
Esta formação norte-americana tem um som suportado por riffs rockeiros bem poderosos. Mostraram toda a sua energia com os cabelos a esvoaçarem à boa moda do rock.
Veteranos de largo historial e precursores do stoner rubricaram uma atuação bastante segura e eficaz que ficou para memória futura.

Bob Balch, o vocalista dos Fu Manchu | mais fotos clicar aqui
Já de coração bem cheio e uma fantástica primeira jornada em que consegui ver praticamente tudo o que desejava, ficou apenas um travo ligeiramente amargo por termos conseguido estar presentes em Hoover III, a equipa do headLiner regressou às respetivas casas com satisfação pelo trabalho realizado e atuações incríveis que tivemos a oportunidade de visualizar.
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Público sempre com a “ficha ligada” e sempre “elétrico” | mais fotos clicar aqui
Texto: Edgar Silva
Fotografia: Nuno Coelho @ nunomscoelho (Instagram)
