Suave Fest demarcado pela velocidade intrépida dos Expresso Transatlântico e das Lesma (2ª parte)

Rita Mira, a baixista das Lesma © foto de Rui Torres // @cadernetamusical_

Este ano o Suave Fest esteve de regresso ao Pátio e Largo da Misericórdia  em pleno o coração de Guimarães. A 10ª edição teve lugar no ano passado em que os nossos destaques foram os concertos de Surma, Ana Lua Caiano e Cassete Pirata. A reportagem desta edição pode ser recordada aqui.

Agora em 2026 aconteceu a 11ª edição. Como habitualmente, teve chancela da Associação Convívio, uma entidade de cariz cultural e recreativa, sem fins lucrativos, fundada em 1961. Tem sido uma agregadora de público através das suas iniciativas, tem dinamizado o setor cultural na Cidade Berço. Aconteceu nos dias 3, 4 e 5 de setembro de 2026.

5 de setembro, sábado

Leonor Casimiro (voz e guitarra), Rita Mira (baixo) e Beatriz Sobralinho (bateria e voz secundária) são o trio Lesma oriundo da área metropolitana de Lisboa e arredores. Estas três jovens dão-nos alento e fazem-nos ver que o punk e o riot grrrl não se desvanece. Enquanto houver jovens artistas com este espírito temos a certeza que o mundo não está irreversivelmente perdido…

Elas entraram em palco apenas dois minutos após a hora prevista, às 21:47h. Este passado sábado teve mais uma noite bastante quente contudo sem aquele  travo agreste no que diz respeito ao clima quente/abafado.

Lesma na abertura da noite de sábado © foto de Gonçalo Fontes // __goncalof__

“Maria” foi a faixa de abertura. Logo aí no decurso da interpretação vi novamente, como já tinha presenciado na Blackbox do CAAA em abril de 2025, três jovens mulheres bem-dispostas com um humor relaxado e dispostas a curtir a performance sem stresses. Essas são suas características imutáveis e que tornam um concerto das Lesma numa experiência divertida e descontraída.

‘É Mentira’, lançado em abril de 2025, é o álbum de estreia deste trio teve selo editorial da responsabilidade da Saliva Diva. Durante os 40 minutos de atuação foi, evidentemente, o foco total da performance.

Leonor, a vocalista das Lesma © foto de Rui Torres // @cadernetamusical_

“Everyday (oh yeah)” marcou o compasso de uma atuação que teve momentos de interlúdios instrumentais em que Leonor, Rita e Beatriz revelaram-se estilosas e refrescantes. “Eu sou uma (colher)” foi incrível, trata-se do meu tema preferido das Lesma. Tal como a vocalista fez durante o concerto, também eu estou a repetir o nome da banda várias vezes.

Antes do encerramento da atuação, cantamos os parabéns ao Eurico, elemento do Convívio que estava de parabéns. Em sua honra as Lesma tocaram a faixa “Barreiro” num final bem divertido. Nota para o público: claramente desfrutou da atuação tendo boa parte das pessoas terminado com um sorriso na face.

Leonor, a baterista das Lesma © foto de Gonçalo Fontes // __goncalof__

Bruno Monteiro é o baterista dos Stone Dead contudo no seu projeto a solo intitulado Mr. Gallini dá uso à sua incrível voz e também toca guitarra. Veio até Guimarães bem acompanhado com banda: Rodrigo Correia na bateria, Daniel Costa nos teclados/percussão e Leonardo Batista na guitarra.

Em 2025 editou ‘Já Ninguém Vai Mudar o Mundo’, o seu primeiro disco cantado em português, demonstrando assim uma mudança de rumo. Este seu último registo discográfico é banhado por uma energia rock’n’roll bem pujante e elétrica. Há igualmente umas pinceladas de folk, algo que tem acompanhado o trajeto a solo de Bruno Monteiro desde o início em 2016.

Bruno Monteiro com o seu projeto a solo Mr. Gallini © foto de Rui Torres // @cadernetamusical_

Mr. Gallini esteve sempre arrojado em palco, basicamente uma extensão da sonoridade elétrica dos seus temas, foi uma “Big Sensation” tal como o tema com que abriu a sua atuação. Finalmente vi ao vivo o artista originário de Alcobaça, já o pretendia há bastante tempo.

Sempre ritmado a rock’n’roll, o concerto teve um ou outro momento de feeling veraneante, o caso de “Sunny Days”, um tema de banda sonora para a praia. Seguiu-se “Fogo no Cu”, um dos singles deste último registo discográfico.

Músicos da banda de Mr. Gallini © foto de Rui Torres // @cadernetamusical_

Já com mais público do que no concerto prévio, a boa vibe do público passou para cima do palco tendo retornado em efeito boomerang. A onda positiva de Mr. Gallini permitiu uma atuação arrojada e de efeito proveitoso. O artista alternou entre temas cantados em inglês e português. Diga-se, em abono da verdade, as suas letras em português mesclam perfeitamente com o seu timbre bem assertivo.

A incrível malha “Primavera”, que tem estado em alta rotação na Antena3 (por exemplo), surtiu de belo efeito num concerto que gostei imenso e que encerrou com “Já Ninguém Vai Mudar o Mundo”, a faixa que dá o título ao seu mais recente álbum. A qualidade deste Suave Fest 2026 esteve sempre em alta e esta atuação de Mr. Gallini foi a prova de uma curadoria 100% acertada.

Daniel Costa no apoio a Mr. Gallini © foto de Gonçalo Fontes // __goncalof__

Os Três Tristes Tigres são Ana Deus e Alexandre Soares. Formados em meados dos anos 90, o duo continua a dar muito boa conta de si. Donos de um longo repertório elaboraram um alinhamento muito focado nos dois álbuns mais recentes: ‘Mínima Luz’ de 2020 e ‘Arca’ de 2025. Se calhar nem era necessário dizer que não escutamos “Zap Canal” ou “O Mundo A Meus Pés”, houve algumas pessoas que saíram do concerto um pouco desiludidas…

Neste concerto vimaranense Ana e Alexandre tiveram o apoio de Fred Ferreira na bateria, Miguel Ferreira nos teclados (na noite anterior tinha atuado com os Clã em Faro) e Rui Pedro Martelo no baixo. Um plantel de luxo com toda a certeza, garantia de excelência musical.

Ana Deus na voz dos Três Tristes Tigres © foto de Rui Torres // @cadernetamusical_

O pico de público desta última jornada registou-se à meia-noite e nove minutos, altura em que o concerto dos Três Tristes Tigres teve inicio. Gente cativada pelo som desta mítica banda nacional, com algumas caras conhecidas na audiência, do mundo da música e cinema. Uma assistência particularmente zelosa e dedicada a escutar as canções e a visualizar a performance atenciosamente.

“Galanteio” foi a canção de abertura. Já o primeiro momento mais interativo por parte de Deus foi na introdução para a quarta canção. A vocalista explicou ser um tema que versava sobre quando estamos mais frustrados, surgiu então “À Tona”. Ela que manteve o seu particular estilo de estar em palco, com in ears de estilo de auscultadores, e o seu balanceio de um lado ao outro. Foi recorrendo a folhas A4 com as letras para não errar. Na penúltima canção, “Ruído Rosa”, expressou verbalmente essa particularidade pois não queria falhar a letra.

Alexandre Soares na guitarra dos Três Tristes Tigres © foto de Gonçalo Fontes // __goncalof__

Já Soares, um guitarrista deveras expressivo, dominou a sua guitarra com mestria e foi um dos pontos de interesse da performance em palco. Sempre expressivo no seu jeito gingão. Foi bonito ver o sorriso de Fred numa espécie de reverência à atuação do parceiro de palco. Os restantes três músicos foram mais discretos e sempre nivelando a performance para cima.

O lado mais nostálgico e melancólico despontou em várias ocasiões, em todo o caso, a esperança espreitou sempre em todos os acordes. Um desses casos surgiu com “Ninguém é uma ilha”, letra com tradução/adaptação por Regina Guimarães.

Martelo e Fred no apoio aos Três Tristes Tigres © foto de Rui Torres // @cadernetamusical_

O concerto terminou com “Olho da Rua” ao fim de cerca uma hora e 5 minutos de atuação, altura em que o quinteto recebeu a merecida reverência no seguimento de uma performance sólida e deveras competente.

Fotografia:
– Rui Torres @ cadernetamusical_ (Instagram)

– Gonçalo Fontes @ __goncalof__ (Instagram)
(fotos oficiais gentilmente cedidas pela organização)

Edgar Silva

Administrador de página e de conteúdos do HeadLiner

Adoro ouvir música. Ir a concertos é mesmo onde me sinto no meu elemento, é como um peixe na água. No headLiner junto ambos os gostos adicionando o gosto pela escrita: com artigos sobre música (bandas e eventos) e também umas coisitas acerca de alguns dos concertos a que assisto.

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