
A incrível Emma Ruth Rundle a solo | mais fotos clicar aqui
Neste presente ano de 2025 estou a dar prioridade à estreia em alguns eventos. Há poucas semanas estive no Rock no Rio Febras em Briteiros (concelho de Guimarães) e agora, finalmente foi a tão esperada ocasião de presenciar o Sonic Blast Fest. Já há alguns anos que tenho vindo a tentar marcar presença neste festival e só agora este ano consegui este almejado objetivo. Várias pessoas foram-me falando, ao longo dos anos, tão bem deste festival, reforçando o quão diferenciado e incrível em termos do ambiente e do power das atuação. Fui ficando com o “bichinho” durante bastante tempo…
A Praia da Duna do Caldeirão é um local prazeroso e muito bonito, um cenário completamente e atípico para um festival de shopping do rock. Efetivamente é um “caldeirão” agregador dos mais dispares estilos rockeiros, há rock psicadélico, progressivo, hard, punk, garage… Há ainda stoner e doom, por exemplo. Com bandas mais ou menos específicas de cada género ou outras que misturam um pouco de tudo. O destino predileto de muitos fãs por ser uma espécie de Rockaíso dos Rockeiros, diga-se assim deste modo.

Frontline no concerto dos Gnome | mais fotos clicar aqui
Celebrou-se a 13ª edição do Sonic Blast Fest ocorrida entre os dias 6 e 9 de agosto, entre a última quarta-feira e sábado. Com 3 palcos tudo foi pensado para a inexistência de sobreposição e menor tempo de espera entre concertos.
Devido a restrições pessoais e profissionais, tanto minhas como do meu parceiro fotógrafo, não foi-nos possível vivenciar de forma mais alargada o festival contudo conseguimos praticamente ver todas as bandas que tínhamos pré-definido e que mais queríamos ver. Por isso esta reportagem foca-se sobretudo nelas.
Dia 2 – sexta-feira, 8 de agosto
Eles foram a segunda banda lusitana a tocar nesta segunda jornada de Sonic Blast Fest. Os Sunflowers rubricaram uma performance bem entretida.
Carolina Brandão, uma baterista expressiva e imperiosa ao centro. Carlos de Jesus, borbulhante na guitarra e na voz. Frederico Ferreira, estiloso e impecável a manejar o baixo. Um trio admirável cujos temas entram bem no ouvido.

Carolina a baterista dos Sunflowers | mais fotos clicar aqui
“Chameleon Kid”, o single editado esta semana, foi devidamente tocado. Este é o primeiro tema conhecido do próximo álbum cujo título está já devidamente escolhido: ‘You Have Fallen… Congratulations!’. Terá uma repercussão superior ao habitual já que este trabalho discográfico será apadrinhado pela Fuzz Club, uma editora de alcance mundial.
Eles unem diversos géneros musicais e brotam cá para fora a melhor mistura possível de psych-punk, rock, punk-rock e garage. Já partilharam palco com bandas como Black Lips, Moon Duo ou Oh Sees (agora conhecidos como OSEES).
Sunflowers são a força viva do punk rock à moda do Porto. De alcance europeu e quiçá mundial.

Trio Sunflowers em palco | mais fotos clicar aqui
Ondas entre o stoner e o doom aquelas que os Gnome navegam e trouxeram ao Sonic Blast Fest.
Trio composto por Rutger Verbist (voz e guitarra), Egon Loosveldt (bateria) e Geoffrey Verhulst (baixo) atuaram todos com chapéus de gnomo vermelho. Na plateia vários fãs também os envergavam, alguns em cor-de-rosa e azul-bebé.
De uma plateia bem preenchida em Sunflowers passamos para uma presença mais compacta de público, bem cedo antes das 19h. Esta tarde já não existia azáfama na bilheteira…

Rutger Verbist o vocalista dos Gnome | mais fotos clicar aqui
“Old Soul”, “The Ogre” ou “Golden Fool”, foram tocados e serviram como belíssima apresentação de ‘Vestiges of Verumex Visidrome’, o mais recente álbum editado em 2024.
Originários da Bélgica, mais uma formação deste país a marcar presença, adotaram uma postura sóbria e empenhada durante cerca de 1 hora.

Gnome a fazer as delícias dos fãs | mais fotos clicar aqui
Mais uma “voltinha” para Emma Ruth Rundle em Portugal. Ela já atuou imensas vezes no nosso país ao longo dos anos, a primeira vez remonta em 2017.
Um silêncio imenso e intenso durante os primeiros acordes desta performance no Sonic Blast Fest. Soa a absurdo neste universo sónico explosivo, só que não o é.
Num final de tarde belíssimo com o sol a espreitar e já com um ar fresquinho, a artista norte-americana apresentou-se a solo em palco, ao centro. Acompanhada apenas por vídeos e sons de fundo com temáticas da natureza.

Emma Ruth Rundle num brutal solo | mais fotos clicar aqui
Destaque para a interpretação de “Citadel”, um tema que versa sobre encontrar o conforto interior do próprio. A determinada altura, na fase final, ia sair de palco quando notou que ainda algum tinha tempo e continuou com o seu belíssimo recital. A sua performance foi tocante e recebida por milhares como se fosse um forte abraço coletivo. Assumo a vergonha de nunca a ter visto anteriormente, fiquei com imensa vontade de a rever, agora numa sala fechada com uma acústica mais dimensionada para um impacto mais assombroso.
A folk melancólica e sombria desta cantautora tem muitos fãs pelo nosso país e proporcionou a ocasião mais diferenciada de todo o festival. Arrepiante, introspetiva, delicada e emocional: assim foi esta atuação de Emma Ruth Rundle.

Perspetiva de Emma Ruth Rundle | mais fotos clicar aqui
A banda Chalk fez a sua estreia em Portugal no ano passado no Festival Ecos do Lima. Neste regresso ao Alto Minho a banda composta pelo vocalista Ross Cullen, pelo guitarrista Benedict Goddard (ele que também dá conta do sintetizador) e pelo baterista Luke Niblock veio este ano com um hype mais elevado. Um trio oriundo de Belfast na Irlanda do Norte.
A pose teatral de Cullen deu uma pincelada extra de expressividade às interpretações, ele que se mostrou sempre irrequieto e eloquente.
“Static” foi o tema inicial de uma setlist que incluiu temas como “Bliss”, “Pool Scene” ou “Kevlar”.
A eletrónica de noise rock experimentalista deste trio irlandês surgiu de modo antagonista ao momento minimalista anterior com Rundle. Permitiu alguns passos de dança aos mais ligados à performance.

Ross Cullen, o vocalista dos Chalk | mais fotos clicar aqui
My Sleeping Karma é uma banda germânica instrumental de rock psicadélico com umas pepitas de shoegaze. A entrada em palco registou uns minutos de atraso por causa das últimas afinações.
Matthias Vandeven (baixo), Seppi (guitarra), Norman Mehren (teclados) e André (baterista) são os quatro elementos que compõem, atualmente, esta formação germânica.
Abraço de união, como habitualmente, no meio do palco antes do início com “Brahama”. “Ephedra” e “Maya Shakti” entraram igualmente na setlist.

My Sleeping Karma em palco | mais fotos clicar aqui
Esta foi uma atuação emocional já que a aparição anterior no Sonic Blast Fest foi em 2022 tendo ficado na história da banda como a última com o seu anterior baterista Steffen. O músico faleceu devido a um cancro em 2023.
Uma experiência simultaneamente sonora e visualmente apelativa com o auxílio dos vídeos animados que iam sendo transmitidos. Atraiu um interesse massivo.
São já 20 anos de carreira e 6 registos discográficos dos My Sleeping Karma cuja relação com os fãs é bastante próxima.

André, o baterista dos My Sleeping Karma em palco | mais fotos clicar aqui
A performance foi, sem margem para dúvidas, uma atuação extremamente significativa e marcante.
Reportagem Fotográfica completa: Clicar Aqui

O efervescente público do Sonic Blast Fest | mais fotos clicar aqui
Texto: Edgar Silva
Fotografia: Nuno Coelho @ nunomscoelho (Instagram)
