Wolfmother foram os “Victorious” no sábado de Febras

A comunhão entre os Wolfmother e o público | mais fotos clicar aqui

A segunda jornada do Rock no Rio Febras na Quinta da Ponte, em São Salvador de Briteiros foi mais longa tendo-se iniciado cerca de duas horas mais cedo comparativamente ao dia anterior. Neste passado sábado, dia 26 de julho, tivemos um sábado com o calorzinho bom, não comparável às temperaturas acima dos 30 graus registados no segundo dia do festival em 2025.

Tal como na jornada de sexta-feira, os horários divulgados não foram cumpridos à risca devido aos atrasos nos soundchecks. Desta vez os Noise At Valve entraram 30 minutos depois da hora prevista, somente às 17:30h. Álvaro Mendes (guitarrista e vocalista), Mário Teixeira (baixista e segundas vozes) e João Piairo (baterista) são os três amigos que formam este projeto. Mais uma banda taipense com três jovens músicos a demonstrarem o seu trabalho.

Noise At Valve, uma banda jovem com potencial | foto de Bruno Ferreira @ bjsf_photography

Mostraram um pop rock algo estandardizado porém a revelarem potencialidades para algo mais diferenciado. Álvaro é a voz principal, revelou vocais um bocadinho crus e despretensiosos. A nível técnico os três mostraram ter a “escola toda” e não acusaram a responsabilidade de tocar perante um público ainda em número relativamente tímido contudo com alguns amigos e familiares na fila da frente.

Para os Noise At Valve foi “um prazer estar convosco à hora do lanche” numa atuação que durou 40 minutos em que tocaram três temas novos dos quais se destacou “You Could Be The One”, single já lançado oficialmente e disponível para audição nas plataformas de streaming do costume.

Seguiram-se os Correr Andar às 18:32h. Mais uma banda com selo made in Taipas de rock alternativo de batidas intensas da bateria e acordes sensuais do baixo e da guitarra. Diogo Silva (bateria), Luís Rocha (voz e baixo) e Carlos Cardoso (guitarra) são os três membros que constituem este projeto.

Luís, um cicerone bem humorado | mais fotos clicar aqui

Luís entrou logo a arrasar “é para andar, toca a cortar a Ivete”. Já com a banda em palco tocava a canção mais conhecida de Veveta. Ele esteve sempre com uma atitude arrojada vocalizada de uma forma bem curiosa e engraçada. Às vezes ligeiramente irritante diga-se em abono da verdade…

A performance dos Correr Andar surpreendeu-me. Gostei bastante do seu repertório alicerçado em música sobretudo instrumental de ritmo bem acelerado. Em alguns temas houve vocais por intermédio de Luís Rocha, ele que também tem um projeto a solo chamado Luís Contrário.

Carlos,  guitarrista estiloso | mais fotos clicar aqui

A banda contou com muitos amigos na plateia e eles ajudaram a criar uma vibe positiva. A malta esteve mesmo sempre muito animada. Numa fase em que o recinto já estava a ficar mais composto houve espaço para um moche bastante descontraído. Numa das passagens aconteceu um momento curioso em que Luís pediu às pessoas para se dividirem. Ao som da música cumpriram o desejo do artista e foram de um lado ao outro darem abraços às pessoas que tinham à sua frente. Foi um momento bem castiço.

“João Pedro Pais”, “Mini-trem da Penha”, “Toutaver” e “Jorge” foram os temas interpretados de maior impacto numa atuação bem conseguida. Revelou-se ser memorável para a banda por ser um palco de sonho, inclusive Luis afirmou ser o melhor dia da sua vida.

Correr Andar atuaram para uma audiência bem simpática | mais fotos clicar aqui

Foram só 20 minutos de intervalo entre o fim dos Correr Andar e o arranque da banda que seguiu cujas raízes estão em Coimbra. São já 10 anos de atividade para os The Twist Connection, eles que têm tocado, no seu percurso, entre clubes de rock de matriz underground e festivais de maior dimensão. Já os vi no no Vodafone Paredes de Coura em 2022 e no Maus Hábitos do Porto em 2023. A vez anterior aconteceu em 2025 no CAAA em Guimarães, um concerto integrado na digressão que os The Twist Connection fizeram e que teve o apoio do headLiner como media partner.

Tal como nas ocasiões referidas, apreciei igualmente bastante esta performance de 50 minutos realizada pelo trio composto por Carlos “Kaló” Mendes (bateria e voz), Samuel Silva (guitarra) e Pedro Chau (baixo).

Curiosamente este foi um regresso a esta zona do concelho de Guimarães depois de terem atuado no aniversário do O’Cunha no ano passado cuja reportagem pode ser lida aqui.

Twist Connection sempre incríveis | mais fotos clicar aqui

O seu rock ‘n roll “bebe” em diversas influências sendo uma das mais notórias no rockabilly dos anos 50. Um dos temas que aprecio imenso “Anywhere But Here” surgiu logo na abertura com uma “roupagem” ligeiramente diferente com resultado igualmente de belo efeito.

A dinâmica efervescente de Carlos é uma constante e nunca descola da sua personalidade. Ele que canta e toca bateria/percussão com uma energia contagiante. Já Samuel Silva, é um complemento a Kaló, com uma espécie de passos de twist enquanto toca de forma exímia os acordes na sua guitarra. Pedro Chau é mais sóbrio na sua pose com discrição total.

Kaló dá sempre o seu máximo | mais fotos clicar aqui

Carlos desafiou as pessoas a ficarem a assistir ao concerto dizendo que estavam a ver a “melhor banda de rock & roll” do mundo. A “barra” ficou elevada e o vocalista não regateou esforços. Veio até à grade para “abrir o coração” e nesse momento tão emocional teve o azar do seu microfone sem fios estar a falhar. Depois de trocado por um microfone com fio terminou a sua sentida mensagem de agradecimento aos seus dois parceiros de palco.

“Nite Shift” do álbum ‘Stranded Downtown’ de 2016 e “Concentrate” do álbum ‘Concentrate, Give it up, It´s too late’ de 2025 foram dois dos temas interpretados numa performance intensamente enérgica e que também teve um momento de homenagem aos The Sound. Um desempenho fabuloso de 50 minutos, encerrado às 20:30h. Os The Twist Connection são uma banda que me habituei a admirar e cuja estima mantêm-se de ano para ano, de concerto para concerto.

Pedro Chau, um baixista bem compenente | mais fotos clicar aqui

Meia hora mais tarde e já com a bela da bifana no estômago foi tempo para uma dupla missão: apreciar os Dapunksportif, uma banda orgulhosamente oriunda de Peniche. João Guincho (guitarra) e Paulo Franco (voz e guitarra) são o núcleo duro deste projeto que existe desde 2004. Neste concerto no Rock no Rio Febras contaram com o apoio de José Carlos Duarte na bateria, João Leitão no baixo e Vicente Santos nos teclados.

‘Rock’n’Roll Salvation’ é o registo discográfico mais recente e a faixa que dá nome a este álbum foi devidamente apresentada. Foi nesta altura em que Franco assumiu que é o Rock que nos salva. Efetivamente depois de duas jornadas de imensa vitalidade rockeira neste festival em Briteiros isso é algo que não me deixa a mínima dúvida.

O Rock’n’Roll dos Dapunksportif foi muito bem recebido | mais fotos clicar aqui

Deste disco tocaram também as faixas “Analog Player In A Digital World”, “Chumocracy” e “Liar’s Game”.  O resto da discografia foi também devidamente abordada, fica aqui o destaque para a interpretação de “World Needs Therapy” e “Friends (come and go).

Pelo recinto sentia-se uma boa vibe, com muita gente de todas as idades, a prestar atenção ao concerto. Mesmo mais de longe, em diversos locais, haviam zonas com excelentes ângulos de visualização de todo o palco. O terreno tem um pouco de declive por isso é, obviamente, uma questão de estratégia

Paulo, a voz dos Dapunksportif | mais fotos clicar aqui

Paulo Franco recordou ainda passagens pela zona, de boa memória, pelo Barco Rock Fest em 2008 e pelo Bar N101, entretanto extinto. Caldas das Taipas, Briteiros, Barco e São Martinho de Sande são freguesias contíguas e de imenso historial ligado aos sons alternativos cuja história continua a ser escrita por gente resiliente e apaixonada por música.

Para o final ficou guardada “Summer Boys”, um tema dedicado aos nadadores salvadores, surtiu de belo efeito. Um fecho com roda-viva e animação a rodos bem lá na zona frontal do palco.

Os Dapunksportif mostraram o seu puro rock & roll de traço másculo tendo-se revelado do agrado de muitas pessoas. Uma boa aposta para o cartaz deste 2026 e que realmente fez “a cara” do evento.

Uma atuação sólida dos Dapunksportif | mais fotos clicar aqui

Às 23 horas estava mais gente relativamente ao mesmo momento da noite transata. Notava-se facilmente o recinto mais preenchido. Quatro minutos depois entraram em palco os Blind Zero, banda que só tinha visto anteriormente ao vivo uma vez, aconteceu em Guimarães no ano de 2018.

São já mais de 30 anos de carreira para esta formação originária do Porto. Em palco, Miguel Guedes (vocalista/guitarrista), Nuxo Espinheira (baixo), Pedro Guedes (bateria) e Vasco Espinheira (guitarra) contaram com o contributo de dois músicos convidados: Pedro Vidal (guitarra) e Sérgio Alves (teclado).

Miguel Guedes e os seus Blind Zero proporcionaram nostalgia | mais fotos clicar aqui

Inicialmente o som não estava bem calibrado estando demasiado potente. Melhorou o suficiente com o avançar do concerto e foi possível desfrutar melhor da experiência. O concerto foi visualmente bastante apelativo pois os Blind Zero fizeram um excelente uso do ecrã gigante no qual deram apoio às canções com recursos visuais e multimédia com bastante impacto.

‘Courage and Doom’ é o nono álbum da carreira e o último lançado em 2024, não foi aprofundado, “I Only Miss You When I’m Breathing” foi o único tema interpretado desse registo. A banda deu prioridade a revisitar os temas marcantes da sua discografia tais como “Shine On”, “Snow Girl”, “Recognize” ou “Slow Time Love”.

Vasco Espinheira, um expressivo guitarrista | mais fotos clicar aqui

Creio que foi uma escolha excelente para muitas das pessoas presentes, agora na faixa dos quarentas e cinquentas anos, aproveitarem para revisitar canções que se habituaram ouvir desde a adolescência. Um mar de gente no recinto, esta atuação teve o pico de assistência da noite.

Houve um momento de vénia aos The Waterboys com a interpretação de “The Whole Of The Moon” antes do encerramento com os temas “Palm” e “Wish Tonight”.  A veia rockeira dos Blind Zero ficou bem vincada para gáudio de muita gente. A energia destes portuenses continua vibrante conforme foi possível ver nesta atuação sólida.

Miguel Guedes, um vocalista enérgico com um timbre reconhecível | mais fotos clicar aqui

Teve início às 0:58h, já madrugada de domingo, o concerto dos Wolfmother, a última banda a tocar Rock no Rio Febras. Saiu triunfante a todos os níveis. A razão passou muito pelo vocalista Andrew Stockdale, ele que é a trade mark visual e musical deste projeto. É também o único membro que sempre esteve neste projeto australiano. O baixista foi James Wassenaar e o baterista Brett «Wolfie» Wolfenden.

A mítica canção “Woman” surgiu logo na fase inicial, foi a terceira tocada. Trata-se da canção mais conhecida. Curiosamente foi lançada duas vezes, a primeira em 2004. A segunda aconteceu em 2006 e revolucionou a vida da banda. Ganhou destaque mundial por ter vencido um Grammy para melhor performance Hard Rock. A interpretação foi uma brutalidade, muito bem recebida e vivida intensamente.

Andrew Stockdale, um vocalista e guitarrista com um timbre irrepetível | mais fotos clicar aqui

A banda alterou a setlist para satisfazer a solicitação do Vicente Ribeiro (@vice.drums), um menino de 10 anos, que queria tocar bateria em “Victorious”. Até tinha com ele um cartaz bem catita com o pedido. Stockdale chamou o rapaz a palco. Incrível terem deixado um miúdo baterista de 10 anos tocar com eles um tema completo. Foi mesmo bonito e o seu desempenho foi muito positivo.

O crowdsurf surgiu naturalmente e aquela zona em frente ao palco estava totalmente on fire. A intensidade foi permanente num fecho de noite bem vibrante em que temas como “Midnight Train”, “New Moon Rising”, “Colossal” ou “Joker & the Thief” foram brutais no desfruto de uma discografia poderosa e imperdível. A voz inconfundível de Andrew é marcante e mistura-se perfeitamente com a mescla sonora de metal alternativo com hard rock.

A poderosa e memorável atuação terminou com “Love Train” e temas de Black Sabbath e Led Zeppelin respetivamente “Paranoid” e “Rock and Roll”. Um bis claramente esticado por causa da vitalidade do público que só ficou plenamente satisfeito às 2:36h.

James Wassenaar, um baixista bastante competente | mais fotos clicar aqui

Resta fazer uma pequena análise dos dois dias de Rock no Rio Febras:

– Na edição de 2025 houve problemas técnicos e sonoros em vários concertos. Felizmente este ano, a esse respeito, foi totalmente diferente para bem melhor.

– O Parque Florestal da Quinta da Ponte é um incrível espaço, dos melhores que já tive oportunidade de usufruir em contexto de festival. Sem dúvida é uma das mais-valias do evento, tem todas as condições e torna-se numa espécie de bosque mágico totalmente rodeado de árvores.

– Ao contrário do ano passado, senti e registei que houve menos gente a “fazer sala” e mais atentas aos artistas em cima do palco. Há muita gente que vai pelo facto de ser um evento com este enquadramento específico e não pelas bandas.

O crowdsurf foi nota dominante durante Wolfmother | mais fotos clicar aqui

– Cartaz bem equilibrado no que diz respeito às bandas com o devido foco no rock. Quanto aos DJ sets, primeiro estranhei a ideia destes sets entre concertos, agora já entranhei. Uma pausa mais longa entre concertos é bem-vinda: permite beber, comer, ir ao WC e descontrair sem stress. Acaba por ser bem positiva. Provavelmente uma hora de set será demais, 30 a 40 minutos parece-me uma duração mais acertada.

Resta dizer que o Rock no Rio Febras é uma organização da Casa do Povo de Briteiros e contou com o apoio do Município de Guimarães bem como de imensos parceiros nomeadamente de estabelecimentos comerciais da área envolvente a Briteiros. Este ano foi integrado programação da Guimarães 26 – Capital Verde Europeia.

Reportagem fotográfica Completa:  clicar aqui

Noite público bastante entusiasta | mais fotos clicar aqui

Texto:
–  Edgar Silva

Fotografia:
– Maria Vilaça @ mgvertex_ (Instagram)

Edgar Silva

Administrador de página e de conteúdos do HeadLiner

Adoro ouvir música. Ir a concertos é mesmo onde me sinto no meu elemento, é como um peixe na água. No headLiner junto ambos os gostos adicionando o gosto pela escrita: com artigos sobre música (bandas e eventos) e também umas coisitas acerca de alguns dos concertos a que assisto.

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