E o tempo vem atrás de nós, traz de nós @ A segunda noite

Homem Em Catarse fazendo jus ao seu nome artístico | mais fotos clicar aqui

Rumei a Braga a partir de Guimarães, bem mais tarde do que é-me habitual, pois estive a assistir à final da Taça da Liga em que o meu Vitória saiu triunfante. Nem parei muito tempo para celebrações pois tinha de fazer a deslocação e o clima estava algo nublado. Corremos sempre atrás do tempo não é?

A noite para mim tinha duas curiosidades maiores: ver pela primeira vez os Monstro e assistir à versão de Homem em Catarse na sua estreia em formato banda.

Jornada 2 – 10 de janeiro (sábado)

Ao contrário da noite transata, a deste sábado, não foi banhado por uma onda de público. O sábado costuma ser uma noite fortíssima. Terá a desilusão dos adeptos braguistas feito com que alguns tenham desistido de ir à ‘Noite dos Reis da Bazuuca’? Acredito que alguns possam ter renunciado porém o ambiente esteve festivo e com uma boa adesão de público. Ao contrário da primeira jornada não existia um “nome âncora”, talvez isso, realmente, explique a menor afluência…

Felizmente a noite começou pouco depois das 23h, com um ligeiro atraso, com a atuação de Tomás Alvarenga. Este multi-instrumentista é um dos fundadores dos OCEPSIEA. A sua participação a solo permitiu-nos vivenciar a sua prospeção experimentalista de universos eletrónicos. O Salão Mozart e um público vigilante foram uma combinação positiva. Atualmente há muitos músicos bracarenses com esta veia exploratória e curiosidade inquisitiva pelas infinitas possibilidades da música eletrónica. Com muitas boas produções, diga-se em abono da verdade.

Isaac e Gonçalo bem sorridentes | mais fotos clicar aqui

Às 23:40h, apenas com 10 minutos de atraso, tivemos um dos momentos mais porreiros da noite com a atuação dos Monstro em versão quinteto. Este é o projeto de Gonçalo Ferreira (vocalista/guitarrista e que faz parte dos Travo) com Isaac Oliveira, ele que toca teclado. Nesta versão de cinco tiveram a colaboração de David Ferreira (dos Travo) no baixo, Mafalda Silva esteve nos synths, teclados e apoio vocal. Já Tomás Alvarenga ocupou-se da bateria.

Ao vivo e neste modelo de banda mais alargada os temas de ‘Unborn Love’ ganham uma robustez de indie rock bastante consistente. Este trabalho discográfico contou com o apoio do ‘Trabalho da Casa’ do gnration e trata-se do álbum de estreia editado no passado dia 28 de novembro de 2025.

Foi bom ver Gonçalo Ferreira num registo bem diferente dos Travo e perceber que a sua voz assenta bastante bem num patamar diverso, não está revestida de artifícios digitais. Apreciei imenso os Monstro e, com toda a certeza, quererei vê-los ao vivo novamente.

Monstro em versão quinteto | mais fotos clicar aqui

Já a atuação dos Navegantes da Rua surpreendeu-me pela sua frescura, pela sua fusão furiosa de rock com jazz, as claras influências deste último estilo referido são notórias. Os três músicos que compõem este projeto bracarense são Israel Machado no baixo, André Mendes na bateria e David Machado no saxofone (com uma maior exposição pública por ser um dos membros dos José Pinhal Post-Mortem Experience). A força motriz deste trio é a bateria, a vibração do André e das suas batidas era quase palpável.

Com o Salão Mozart preenchido, revelou-se a deixa deixa perfeita para um elemento afeto à banda vender CDs no meio do pessoal. Sem dúvida uma oportunidade dourada e engraçada.

O álbum ‘Velocidade Furiosa’, editado em 2024, foi mostrado com faixas como, por exemplo, “dos Chão” ou “do souto”. Do EP ‘Pontas Soltas’ o público pôde escutar “Baião” e “Alburquerque”, por exemplo. Atuação bem sólida e bastante prazerosa destes Navegantes da Rua.

Trio Navegantes da Rua no Salão Mozart | Mais fotos clicar aqui

Já a passos largos para a uma da manhã foi a vez de Afonso Dorido com o seu projeto a solo Homem Em Catarse com uma nova roupagem e em estreia total: em versão banda. Afonso contou com José Rios no baixo/guitarra (ele que faz parte dos Semivitae) e ainda de Carolina Gomes, uma jovem e talentosa baterista.

Quem já conhece ou viu Afonso Dorido ao vivo sabe utiliza sempre um boné. Desta vez tanto ele como os seus parceiros entraram todos com bonés iguais. Tudo uma questão de identidade visual.

Homem Em Catarse com plena concentração | mais fotos clicar aqui

Durante cerca de 30 minutos tocaram 6 temas, abriu a performance com “Hotel Saturnyo” e continuou com “O Tempo vem Atrás de Nós”. Logo aí percebeu-se a positividade superior da simplicidade dos arranjos e a beleza extra que as camadas proporcionadas pelos instrumentos adicionados proporcionam às canções. Essa beleza extra foi particularmente sentida em “Mergulho no Cávado” com uma belíssima versão a três.

“Eu Não Serei” foi um momento sonoro pacífico e introspetivo, um tema que o artista não costuma tocar ao vivo. Em “Hipoteca” o músico voltou a falar da gentrificação, fazendo o seu “grito” de atenção. Para o final ficou “Gueto da Paz”, um tema de união. Nesse espírito Afonso Dorido desceu do palco trazendo a sua guitarra, tocando no meio da plateia e arrancando muitos sorrisos. Uma atuação francamente bem conseguida e um debute bem auspicioso neste modo banda. Oxalá seja para repetir no futuro.

Afonso, Carolina e José: o trio Homem em Catarse | mais fotos clicar aqui

Alcrud3 é o alter-ego utilizado por Sérgio Alves, ele que toca baixo nos Quadra. Com o apoio de Becas na bateria faz uma performance do seu projeto a solo bastante auspiciosa. Sérgio além do sintetizador, fez uso de guitarra e da sua voz.

Destaque para o “pequeno improviso”, uma jam session interativa apelidada de “Grito”, em que o pessoal poupou uns trocos em terapias.

Alguns dos acordes fizeram-me recordar o tema “Sail” dos AWOLNATION, já não me lembrava desta formação norte-americana há bastante tempo.

A última banda a tocar na ‘Noite dos Reis da Bazuuca’ em 2026 foram os Travo, os intervenientes certos para a jarda final do costume. O ambiente esteve em “ponto de rebuçado” para a sua psicadélica rockeira. O público, esse estava “mortinho” por fazer moche e crowdsurf de forma extremamente festiva. Foram cerca de 50 minutos de uma relação simbiótica de fogo em que os Travo e os seus fãs celebraram em família o excelente ano de 2025 que eles tiveram. Nada como reunir os indefetíveis e extravasar com pompa e circunstância. A banda não desilude e os fãs também não.

Travo em simbiose com os seus fãs | mais fotos clicar aqui

O set mais longo de todos os concertos terminou com “Turn to The Sun” num encore ainda mais suado em que Gonçalo Ferreira foi embalado num crowdsurf relativamente suavezinho.

A noite terminou com as DarkSessions Takeover proporcionadas pela DJ Princesa e Dingo na Sala dos Espelhos.

Foi um gosto enorme pela parte do headLiner termos sido, em mais uma edição, Media Partners da ‘Noite dos Reis da Bazuuca’ e gostamos bastante termos feito parte desta festa. Oxalá seja parte integrante da oferta cultural bracarense por muitos e bons anos, algo que não irei cansar-me de afirmar.

Reportagem fotográfica Completa:  clicar aqui

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Texto:
– Edgar Silva

Fotografia:
– Ricardo Costa @ ricardojosecosta (Instagram)

Edgar Silva

Administrador de página e de conteúdos do HeadLiner

Adoro ouvir música. Ir a concertos é mesmo onde me sinto no meu elemento, é como um peixe na água. No headLiner junto ambos os gostos adicionando o gosto pela escrita: com artigos sobre música (bandas e eventos) e também umas coisitas acerca de alguns dos concertos a que assisto.