A maravilhosa surpresa Friko na noite de reverência aos Hermanos Gutiérrez

Niko Kapetan dos Friko | mais fotos clicar aqui

A opção de regresso a casa a Guimarães no fim de cada noite é uma decisão encarada com muita seriedade e segurança. Devido a essa opção a hora limite para ficar no recinto do Vodafone Paredes de Coura é as 2 da manhã. Ficam por checkar os últimos dois concerto da jornada, é bem como o povo diz na sua gíria popular: “não há bela sem senão”.

Ambiente do palco Coura Sem Paredes durante Friko | mais fotos clicar aqui

Fica aqui em modo de reclamação pública… A autoestrada entre a saída de Paredes de Coura e a zona de Braga não tem estado iluminada e em noites com aparição de nevoeiro a volta a casa tem obrigado a esforços redobrados de atenção. Ao final de longas horas de concertos e com cansaço acumulado não é uma tarefa fácil. O serviço de autoestrada é pago, bem pago diga-se em abono da verdade, e por todos os motivos as vias deviam ter mais iluminação e outros meios de auxilio à viagem nocturna.

Dia 2 – quinta-feira, 13 de agosto

Por motivos de agenda e de um interesse menor de minha parte não agendei visualizar os concertos de Milhanas e d’ A Garota Não, da setubalense ainde espreitei um bocadinho… Quanto ao projeto de Cátia Mazari Oliveira, já o tinha visto neste mesmo festival e igualmente noutras ocasiões já tendo escrito sobre a artista. Com toda a certeza numa próxima oportunidade voltarei ao teclado do computador para fazer uma nova resenha d’ A Garota Não.

Deste modo a primeira curiosidade a ser desfeita foi pelas 18 horas com o projeto que se apresentou pelas 18 horas no palco Coura Sem Paredes. A esta hora já estava bastante gente pelo recinto pelo que o cenário secundário estava muito bem preenchido.

Carl dos Tomode no teclado | mais fotos clicar aqui

Carl Leandersson e Viktor Westerberg são os Tomode e os seus nomes não enganam: são oriundos da Suécia. Estes amigos de infância trabalham a partir de Estocolmo, local aonde criam uma mistura original de melancolia sueca e euforia disco.

Começaram a participação no festival com uma atuação numa Vodafone Music Session ocorrida nos renovados coretos do Santuário de Nossa Senhora da Pena de Paredes de Coura.

Viktor dos Tomode no teclado | mais fotos clicar aqui

Carl e Viktor trouxeram  três músicos para ajuda com a bateria, para uma das guitarras e para o baixo. O duo ocupou-se do teclado e da outra das guitarras. Uma formação em quinteto que deu muito boa conta de si. Por várias vezes o vocalista expressou o seu contentamento por este concerto em Portugal, o uso de vários “fucking” foi a nota característica no seu discurso.

Um estilo sonoro bastante chill com um groove bem funk perfeitamente oportuno para a faixa horária das 18h às 19h. Relaxamento puro com um som a puxar um pézinho de dança. Quanto forte adesão de público: vieram pela curiosidade, ficaram a curtir o som. Na parte final deu até para uma coreografia bem conseguida em que o pessoal colaborou a preceito.

Os Tomode apresentaram novos temas, além de outros já editados. Fizeram-no de forma bem relaxada, feliz e de sorriso na cara. A estreia em Portugal foi, sem margem para dúvidas, um êxito.

Viktor dos Tomode no teclado | mais fotos clicar aqui

Hannah Harding é mais conhecida mundialmente por Aldous Harding, o seu nome artístico. Esta neo-zelandesa é filha de músicos e o seu debute num estúdio teve lugar aos 13 anos cantando num disco de sua mãe.

Um regresso ao norte de Portugal depois da aparição no NOS Primavera Sound no Porto em 2019.

Trouxe o seu folk gótico indie e a sua banda com 4 elementos. Eles auxiliaram na percussão, guitarras, teclados, harpa entre outros instrumentos. Uma atuação ocorrida no palco principal cujo inicio teve lugar às 19 horas.

A concentração de Aldous Harding | mais fotos clicar aqui

‘Train on the Island’ é o seu mais recente registo discográfico, editado a 8 de maio deste ano, foi o natural foco da performance. Vários temas foram interpretados como, por exemplo, “Worms”, “San Francisco” ou “What Am I Gonna Do?”.

De outras mais recentes fica a nota para “One Stop” e “Passion Babe”, esta última das mais animadas, bem ritmada.

“Fever”, foi uma das poucas mais conhecidas, foi tocada para uma encosta bastante bem preenchida com imensas pessoas em modo de sala de estar.

A formação completa de Aldous Harding em palco | mais fotos clicar aqui

Esta performance parou devido a motivos técnicos por longos instantes devido à guitarra clássica usada por Harding. Aconteceu na transição para “Treasure”. Acabou por ter uma atuação pouco conseguida e até algo enfadonha em diversos momentos. As pausas algo silenciosas e ligeiramente demoradas não ajudaram a conectar com o público e a mantê-lo ligado.

Uma belíssima tarde de verão contrastou com a intensa melancolia do repertório da neo-zelandesa.

Visão da encosta durante o concerto de Aldous Harding | mais fotos clicar aqui

O vocalista e guitarrista Niko Kapetan, a baterista Bailey Minzenberger, o guitarrista Korgan Robb e o baixista David Fuller são os quatro elementos dos Friko, uma das mais recentes coqueluches do indie rock dos Estados Unidos da América.

“Olá Portugal” foi a saudação de Kapetan em português perfeitamente perceptível logo na abertura, ele revelou-se um frontman brutal, e tremendamente enérgico.

Os Friko exploram sonoridades que vão do noise rock à música clássica de vanguarda e às baladas sinfónicas dos anos 70.

David Fuller dos Friko em palco | mais fotos clicar aqui

Estava com alguma expetativa acerca desta banda cujos temas captaram a minha atenção nos últimos meses. Daí também a publicação, em forma de antevisão, de um artigo especial ‘Ouve Hoje, o headLiner de amanhã’ no site.

“Guess” e “Still Around” marcaram uma entrada de “fininho” no palco Vodafone Sem Paredes. Aos poucos ia-se sentindo o fervilhar do que ia ser uma atuação fantástica. Efetivamente confirmou-se

“Seven Degrees” e “Choo Choo” não faltaram no alinhamento e soaram mesmo fabulosas ao vivo.

Korgan Robb dos Friko em palco | mais fotos clicar aqui

As guitarras exaltadas dos Friko e o seu indie rock de traços altamente vanguardistas foi adequadamente comprovado nesta performance indelével de transições deliciosamente diabólicas.

Um dos momentos diferenciados teve lugar com a interpretação de “Certainty” em que com Nico cantou e tocou teclado e a Bailey veio para a frente da sua bateria e tocou baixo, esteve sentada enquanto tocada e cantava. Aliás, este foi um tema cantado a 4 vozes com os quatro alinhados na frente do palco na horizontal.

“Crashing Through” e “Something Worth Waiting For” foram outros temas indispensáveis nesta estreia auspiciosa e altamente dinâmica em Portugal que promete dar-nos muita coisas boas daqui em diante.

Quarteto Friko em palco | mais fotos clicar aqui

Kurt Vile veio até Paredes de Coura com os seus The Violators. Foi a primeira data da atual digressão europeia, primeiro concerto de Vile na Europa em 5 anos. Na banda contou com o apoio de vários músicos: na bateria, teclados e guitarras. Desta vez não veio o seu amigo J Mascis, líder dos Dinosaur Jr, que costuma acompanhá-lo

Este foi um regresso ao Vodafone Paredes de Coura 15 anos depois da sua estreia, no já longínquo ano de 2011 em que o atual mega main sponsor ainda não tinha entrada.

Kurt Vile de regresso a Coura | mais fotos clicar aqui

O cantautor norte-americano trouxe a sua mistela de indie rock com folk rock e rock psicadélico. Uma atuação no palco principal com público numa dualidade: uns expectantes, outros a balancearam o corpo e a curtirem o som. Tive a sensação que foi uma performance em modo “lume brando”.

A performance contou com “Pretty Pimpin” na fase final da atuação, um dos temas mais reconhecidos da carreira a solo de Kurt Vile. Uma atuação competente deste artista e dos seus The Violators porém não fez “levantar pó” nem exacerbar ânimos em hora nobre.

Kurt Vile no palco principal 15 anos depois | mais fotos clicar aqui

Os Hermanos Gutiérrez são um duo formado pelos irmãos suíços-equatorianos Alejandro e Estevan Gutiérrez. Regressam à Europa para mais uma ronda por vários países, o ponto de partida foi Paredes de Coura e terá também passagens por Lisboa e Porto mais à frente neste mês de agosto.

A sonoridade instrumental que produzem invoca guitarras latinas, western, surf music e influências do deserto.

Um arranque com “Hijos del sol”, bem suave e relaxante perante uma muitos fãs. Uma plateia a revelar imensa reverência a este duo mantendo-se concentrado e em silêncio a escutar os temas.

Estevan e Alejandro Gutiérrez na estreia em Coura | mais fotos clicar aqui

Durante os últimos 11 anos estes irmãos lançaram 6 álbuns. O seguinte será editado já neste próximo mês de setembro e chama-se ‘Los Ojos Del Cóndor’. Dos temas menos recentes pudemos escutar, por exemplo, “Sonido Cósmico” e “Tres Hermanos”.

Os irmãos Gutiérrez apresentaram simplicidade sem artifícios e um à vontade na comunicação, liderada por Estevan.

Alejandro, uma das metades dos Hermanos Gutiérrez  | mais fotos clicar aqui

Em abono da verdade a experiência deste concerto tem todo o potencial para ser mais intensa e profunda numa sala de espetáculos fechada com toda a devida acústica. Ainda assim foram muitos aqueles que fecharam os olhos e deixaram-se levar por paisagens encantadas que o som dos Hermanos Gutiérrez nos fazem alcançar.

Dois solitários condores conquistaram os milhares da plateia de Coura com o seu vibrante instrumentalismo durante 1 hora e 15 minutos.

Estevan, a outra metade dos Hermanos Gutiérrez  | mais fotos clicar aqui

Regressei ao palco Coura Sem Paredes 30 minutos depois da meia noite para descobrir os World Unite Lucifer Youth Foundation (WU LYF), este é um quinteto oriundo de Manchester em Inglaterra.

O projeto existe desde 2008 contudo os seus elementos deixaram os WU LYF em modo de hiato durante um longo período. Regressaram em 2025 e prometem álbum novo para breve 15 anos depois do último lançamento.

Ellery Roberts, o vocalista dos WU LYF | mais fotos clicar aqui

Mesmo assim tornaram-se uma banda de culto ao longo dos anos pois nunca houve muita informação sobre eles e têm um histórico regular de recusa dos pedidos de entrevistas.

O vocalista é Ellery Roberts e foi ele o elemento mais destacado de entre os cinco Woo Life (assim é pronunciado o nome da banda) que estiveram em cima do palco.

Destacaram-se em termos sonoros devido ao seu rock incandescente com traços de post-punk em que a voz crua e desalinhada do seu vocalista Ellery Roberts demarca fortemente o traço sonoro dos temas dos WU LYF.

Ambiente do palco Coura sem Paredes durante os WU LYF | mais fotos clicar aqui

Os Underworld estão em atividade há 46 anos. Atualmente continuam como duo composto por Rick Smith e Karl Hyde. Naturalmente tiveram logo o epíteto de headliner desta segunda jornada devido ao seu enorme e relevante histórico no mundo da música eletrónica.

Este projeto tem ao todo 11 aparições no nosso país contudo não tocavam no norte de Portugal desde 2019 no Neopop de Viana do Castelo. Estiveram no Sónar de Lisboa no ano passado.

Karl Hyde dos Underworld | mais fotos clicar aqui

“Born Slippy” foi a faixa de abertura para esta tão aguardada estreia no Vodafone Paredes de Coura.  Ao segundo e terceiro temas, “Pearls Girl” e “Dark & Long”, as coordenadas estavam dadas e bastava seguir pelo planeta alucinante da discografia destes músicos oriundos de Inglaterra e do País de Gales.

Pleno recuo aos anos 90s e ao aparecimento em força do house progressivo e do techno. Não sou fã destes géneros eletrónicos, assumidamente. Fiquei pelo recinto para testemunhar as reações das pessoas e para eu próprio tomar pulso à obra musical. Efetivamente não fiquei com vontade em explorar a sua discografia.

Rick Smith dos Underworld | mais fotos clicar aqui

Hyde tirou a temperatura às primeiras filas enquanto cantava. Tornou-se o dinamizador da plateia. Apesar disso o foco esteve mais em toda a componente visual de luzes e projeções coloridas.

A música eletrónica dos Underworld transformou a encosta numa gigante pista de dança. Sei que estavam bastantes fãs destes britânicos na plateia e pelo que vi do ambiente terão desfrutado da experiência.

Reportagem fotográfica Completa:  clicar aqui

Visão da encosta durante Underworld | mais fotos clicar aqui

Texto:
–  Edgar Silva

Fotografia:
– Ana Lourenço @ blackphant.stage (Instagram)

Edgar Silva

Administrador de página e de conteúdos do HeadLiner

Adoro ouvir música. Ir a concertos é mesmo onde me sinto no meu elemento, é como um peixe na água. No headLiner junto ambos os gostos adicionando o gosto pela escrita: com artigos sobre música (bandas e eventos) e também umas coisitas acerca de alguns dos concertos a que assisto.

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