Nesta edição do ‘Foco headLiner aos Talentos Emergentes’ vamos falar de uma banda recente no nosso radar. Surpreendeu-nos seu potencial nomeadamente devido ao seu mais recente registo discográfico ‘Unamused’ editado já no decorrer deste 2026. Chamam-se Bilrus e neste artigo podem ficar a conhecê-los bem melhor!
~ Biografia Artística (até ao momento) dos Bilrus
O trio Bilrus é uma formação lusitana que explora os lados mais alternativos e experimentais do rock, caracterizada pela forte presença de elementos de produção eletrónica
Oriundos de Vila Nova de Famalicão os três elementos que compõem o projeto são o João Robim (guitarra elétrica, bateria e voz), o Márcio Silva (guitarra elétrica, guitarra acústica, piano, baixo e voz) e o Nuno Biltes (guitarra elétrica, sintetizadores e voz). O que os uniu foi a música clássica tendo sido este o seu ponto de partida. Desde o inico do projeto que exploram novas fronteiras sonoras, inspirados por bandas de renome internacional como Radiohead ou Sigur Rós e também pelo compositor e pianista de jazz arménio Tigran Hamasyan.

O seu rock alternativo com guitarras bem presentes tem traços muito característicos e inspirados em vertentes como o post-rock e rock progressivo onde elementos sonoros atmosféricos são imprescindíveis. As vozes não são permanentes, surgem em momentos particulares de alguns temas, acrescentando uma camada de dualidade suave e profunda ao mesmo tempo.
‘I Just Want To Be David’ é o trabalho discográfico de estreia em formato de EP editado em 2024. São quatro faixas merecedoras de serem escutadas das quais destacamos a faixa “Are We Real”.
O mais recente registo discográfico trabalho dos Bilrus banda é o álbum ‘Unamused’ lançado a 20 de março de 2026 e conta com nove faixas incríveis das quais destacamos “Not All Wings Fly”.
Pelo meio, em janeiro do ano passado, ficou a edição de ‘Live at Maus Hábitos’. A banda já tocou nessa lendária sala portuense por duas vezes, em 2023 e 2026. O Teatro Diogo Bernardes em Ponte de Lima e o Teatro Narciso Ferreira em Riba De Ave foram outros locais por onde já passaram.
O ponto mais alto em termos de atuações ao vivo foi a presença no festival Sons de Vez e nesse concerto realizado a 1 de fevereiro de 2025 no auditório da Casa das Artes de Arcos de Valdevez fizeram a primeira parte, o nome principal dessa noite foram os Capitão Fausto.
A próxima aparição ao vivo acontecerá a 7 de agosto no Festival de Arronches.
A carreira dos Bilrus promete coisas boas para um futuro a medio prazo. A chancela de talento emergente é, por todas as razões, bem aplicada ao seu caso.
~ Entrevista aos Bilrus
headLiner (Edgar) – Como surge o projeto Bilrus?
Bilrus – Mais no final de 2022, o Nuno Biltes decidiu começar um projeto a solo e convidou o João Robim para gravar, produzir e misturar os primeiro temas em que estava a trabalhar. Ao longo desse processo, foi-se naturalmente tornando num projeto dos dois. Uns meses mais tarde, o Márcio Silva juntou-se também à banda e, já com três elementos, continuamos o processo criativo que levaria ao lançamento dos primeiros singles, aos primeiros concertos e ao EP “I Just Want To Be David”, de 2024. Para dar algum contexto, apesar de sermos os três do Norte, ficámos amigos durante os anos em que estudámos guitarra clássica, em Évora. Alguns anos após esses tempos intensos de universidade, este projeto acaba por surgir da vontade de explorar outros territórios musicais e dar mais espaço à criatividade, sendo que o nosso percurso marca, naturalmente, a identidade da banda e a nossa abordagem à criação.
headLiner (Edgar) – ‘Unamused’ lançado este ano é o vosso primeiro álbum de longa duração. Para quem não vos conhece o que podem esperar escutar neste disco? O que podem dizer para “abrir o apetite”?
Bilrus – Podemos dizer que é um álbum que passa por ambientes sonoros bastantes diversos, que tanto procura criar momentos mais contemplativos cheios de pequenos pormenores tímbricos, como irrompe na energia própria do rock, chegando até um certo caos. Podem esperar uma música que apesar de contar com vários momentos vocais, diríamos que tem um foco essencialmente instrumental. Serve-se de uma instrumentação muito alargada para criar texturas que consideramos interessantes, incluindo desde os instrumentos mais óbvios até pequenas intervenções da viola amarantina. No fundo, um álbum que representa bem a natureza do nosso projeto.
headLiner (Edgar) – O vosso som é realmente muito bem trabalhado: pujante e emocionante. As linhas mestras estão assentes em diversas “fações” do rock com uma veia eletrónica. Quais são as bandas que vos inspiram?
Bilrus – O maior ponto de contacto entre os três elementos da banda é notoriamente o trabalho dos Radiohead, a partir do álbum Kid A, quando deixaram de ser puramente uma banda de guitarras e começaram a privilegiar mais sintetizadores, drum machines e sampling, por exemplo. Existe também um lado mais ligado ao pós-rock e às paisagens sonoras, mais próximo de projectos como Sigur Rós e Alex Somers. Temos tendência para gostar de experimentar muito com a manipulação de todos os sons, desde as vozes, aos sintetizadores e guitarras, e nesse sentido, em Portugal, admiramos também especialmente o trabalho dos First Breath After Coma. Talvez o músico contemporâneo com o qual mais temos vibrado seja o Tigran Hamasyan e vão havendo algumas influências disso no nosso processo criativo, embora se calhar não seja o mais evidente. Claro que estas são só algumas referências mais imediatas, e não estando limitados a uma estética musical muito estreita, acabamos por nos deixar influenciar por muita música diferente.
headLiner (Edgar) – Pesquisei online e não descobri nenhuma referência a que estejam a trabalhar com alguma agência de promoção ou agenciamento. São vocês que estão a
gerir ambas as situações?
Bilrus – Sim, temos feito esse trabalho contando também com a ajuda dos nossos amigos André Silvestre e Marcelo Oliveira da Nordiberia. Os concertos que conseguimos em teatros e no Festival Sons de Vez só foram possíveis graças ao trabalho deles. No entanto, em grande medida, temos feito também esse trabalho que se tem revelado bastante complicado e desgastante. Um dos nossos objetivos, nesta fase, passa precisamente por conseguir mais apoio nestes processos.
headLiner (Edgar) – No ano passado partilharam o palco com os Capitão Fausto no festival Sons de Vez. Como foi essa experiência de tocarem na mesma noite com essa banda de referência?
Bilrus – Foi uma experiência muito boa! Para além de abrirmos para uma das bandas portuguesas que melhor tem criado o seu espaço no panorama nacional, pudemos fazê-lo num festival com tanta história como o Sons de Vez.
Evidentemente, a sala estava cheia para ouvir Capitão Fausto e ninguém nos conhecia, à parte de alguns amigos que conseguiram bilhetes com muito esforço! Ainda assim, e apesar da nossa música estar bastante afastada estilisticamente, o público foi espetacular e acabamos por chegar a muita gente que, de outra forma, dificilmente nos iria ouvir
headLiner (Edgar) – Este ano já tocaram no Teatro Diogo Bernardes em Ponte de Lima e no Maus Hábitos do Porto. Como está a vossa agenda de concertos para o que resta do ano?
Bilrus – Por agora, está bastante mais livre do que gostaríamos! Mas pouco a pouco, as boas notícias vão chegando. Estamos muito contentes com a confirmação na 3.ª edição do Festival de Arronches, que se realiza de 7 a 9 de agosto. Além disso, temos mais dois ou três concertos em vista, mas ainda sem datas fechadas.
~ Links dos Bilrus
Instagram: @bilrus_band
Spotify: https://open.spotify.com/intl-pt/artist/2X8hqb8akpRp0dU6fuQEDg?si=oZwXx5tqRmOLSJNJfLPuQw
Bandcamp: https://bilrus.bandcamp.com
YouTube: https://www.youtube.com/@bilrus_band
### ‘Foco headLiner aos Talentos Emergentes’ é uma rubrica iniciada em 2016 com o intuito de dar ênfase a projetos musicais, tanto em formato banda como artistas a solo, cujo selo de “talento emergente” é perfeitamente ajustado. ###

