A JAM dos Blood Red Shoes revelou-se uma paranormalidade musical

Laura-Mary Carter, a parte feminina dos Blood Red Shoes | mais fotos clicar aqui

Laura-Mary Carter e Steven Ansell formam o duo Blood Red Shoes e regressaram ao Porto na passada terça-feira, dia 29 de setembro. Um concerto que marcou o arranque da atual tournée que também passou por Lisboa no dia seguinte.

Uma data marcada pelo regresso da chuva e a zona da Campanhã, aonde está situado o JAM Mouco, sentiu também a intempérie e a paranormalidade musical.  Este foi um regresso à mesma sala aonde o duo atuou em 2022, desta vez pela mão da Crowdmusic. A banda de Brighton tem já um histórico de 22 anos de existência com diversas passagens pelo nosso país em variadas cidades e eventos.

Este foi o meu reencontro com estes britânicos, foi a segunda vez que os vi ao vivo. A ocasião anterior tinha ocorrido em 2010 nos jardins do Centro Cultural Vila Flor em Guimarães, nessa altura tocaram inseridos no Festival Manta.  Diga-se em abono da verdade, longos dezasseis anos de diferença são demasiados, efetivamente valeu totalmente a pena revê-los. Antes de mais considerações sobre os Blood Red Shoes ficam agora algumas palavras sobre a banda de abertura.

Perspetivas de Manuel Casanova | mais fotos clicar aqui

A banda portuguesa Bad Tomato foi convidada especialmente pelos britânicos para ambas as datas em solo luso. Eles também continuaram para as performances em solo espanhol. Esta formação lisboeta é composta por Manuel Casanova (vocalista e programações), Jantonio Silva (baterista) e Miguel Albino (guitarrista) e são ainda relativamente recentes no panorama nacional alternativo. Ele tiveram o apoio de um quarto elemento, a baixista Ana Monteiro, cuja colaboração apenas acontece ao vivo.

A sala já estava muito bem composta ainda não tinha começado a primeira parte, o início deu-se precisamente em ponto às 21h. Durante 28 minutos eles proporcionaram um cartão-de-visita sólido. Manuel, o vocalista, foi o sempre mais expansivo dando inclusive saltos fazendo tremer o palco. Esteve sempre muito ativo, o palco revelou-se pequeno para tanta inquietação. Já os restantes músicos demonstraram-se mais compenetrados.

Manuel Casanova no meio da plateia | mais fotos clicar aqui

Com Ansell a espreitar do backstage certamente sentiram nos ombros um pouco da responsabilidade. Casanova agradeceu às pessoas por terem vindo mais cedo e estes Bad Tomato não se revelaram um tomate podre. Foram mesmo uma boa surpresa, pessoalmente ainda não os tinha visto ao vivo, já o procurava há algum tempo. O seu som “bebe” de influências variadas como post-punk, electro wave, rock alternativo e metal e, pelas reações, foi do agrado do público.

Pelo meio houve uma música nova bem porreira com uma vibe incrível, chama-se “NPC”. Das restantes interpretadas ficam como destaque “No Fun” e “Bodybag”, nesta última o vocalista veio até à plateia para um mosh pit em modo bem fofinho. Cumpriram a missão de aquecimento do público portuense com uma performance certinha e animadas.

Manuel Casanova e Ana Monteiro em destaque | mais fotos clicar aqui

Duas semanas após a edição discográfica de ‘Stay Lonely’, eis que os Blood Red Shoes estão na estrada numa digressão para promoção deste que é o seu sétimo álbum de estúdio. Apesar disso a setlist que trouxeram ao Porto incluiu poucos temas recém-editados. A este respeito dizer que fizeram a estreia absoluta de “2020 On TV”, “Start To End” e “Useless Sentiment” ao vivo.

Laura-Mary Carter ficou ao centro do palco e Steven Ansell do lado direito. Ela tocou guitarra e cantou, ele tocou bateria e cantou igualmente. O desempenho vocal é dividido pelos dois. Ambos optaram por um vestuário em tons de negro. Ansell fez mesmo questão de agradecer por os recebermos de novo no Porto. Foram só quatro anos de ausência. Disse-o antes de “I Wish I Was Someone Better” (lançada em 2008) tendo sido o tema em que os ânimos começaram verdadeira a aquecer, cânticos e palmas reforçaram o momento.

Laura-Mary Carter dos Blood Red Shoes | mais fotos clicar aqui

“Light It Up”, editada em 2010, continua a ser arrebatadora e foi uma maravilha ouvi-la ao vivo. Esta é a faixa que me fez ficar ligado a estes britânicos. Seguiu-se “God Complex” e a subida a palco do roadie de serviço como terceiro elemento no baixo. Foi só a primeira em formato trio, houve outra circunstância neste modo.

Vi fãs da primeira fila bem ávidos a divertirem-se a debitarem as letras dos temas com afinco e alegria. Estavam vários equipados a rigor com t-shirts alusivas aos Blood Red Shoes. Nesta noite tinham uma banda de merchandising com uma variedade produtos bem bonitos e com toda a certeza alguns fãs ampliaram as suas respetivas coleções.

Público efusivo e vestido a rigor | mais fotos clicar aqui

A setlist percorreu um pouco pela discografia da banda, outros destaques, além das já referidas, ficam para os temas “Boring By The Sea” de 2007, “This is Not For You” de 2008 e “An Animal” de 2014 ou “Eye To Eye” de 2019. O seu noise rock, com claras dicas punk, continua bem refrescante sendo que o duo parece continuar numa trajetória segura e com uma evolução positiva.

O último tema interpretado foi “Morbid Fascination” e soou pujante. Lá surgiu um tímido crowdsurf, mal ensaiado na verdade, não tendo surtido efeito. Eram praticamente 23 horas e o encore não estava programado. O público puxou pelo duo e eles regressaram para mais duas interpretações.

Steven Ansell, a parte masculina dos Blood Red Shoes | mais fotos clicar aqui

Em “Screams” um fã foi convidado a subir ao palco, debitou a letra do tema enquanto fez uso de uma pandeireta. Teve o seu momento de glória com nota máxima. O fecho teve lugar com “Elijah”, faixa bastante penetrante às 23:11h.

Laura-Mary Carter e Steven Ansell revelaram em palco uma presença muito sóbria e controlada, no melhor dos sentidos possíveis. Competentes e felizes proporcionaram aos fãs portuenses um concerto memorável.

Perspetivas de Laura-Mary Carter | mais fotos clicar aqui

Mais uma vez revelou-se um enorme gosto regressar a esta confortável sala JAM Mouco que proporciona uma boa experiência, acusticamente aprazível. Em 2026 vi lá Wavves em fevereiro, Maruja em maio e agora Blood Red Shoes em setembro. Mais uma experiência sónica fantástica e que faz-me querer regressar novamente em breve.

Reportagem fotográfica Completa:  clicar aqui

Perspetivas de Steven Ansell | mais fotos clicar aqui

Texto:
– Edgar Silva

Fotografia:
– Simão Costa @ simaocsta (Instagram)

Edgar Silva

Administrador de página e de conteúdos do HeadLiner

Adoro ouvir música. Ir a concertos é mesmo onde me sinto no meu elemento, é como um peixe na água. No headLiner junto ambos os gostos adicionando o gosto pela escrita: com artigos sobre música (bandas e eventos) e também umas coisitas acerca de alguns dos concertos a que assisto.

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