
Nesta última sexta-feira, 27 de fevereiro, os Terno Rei regressaram à Cidade Invicta para o primeiro concerto de uma curta tournée europeia com ‘Nenhuma Estrela’ na bagagem. Trata-se do mais recente registo discográfico deste projeto editado através da Balaclava Records a 16 de abril de 2025. Este é um quarteto brasileiro oriundo do Brasil orgulhosamente pertencente a São Paulo.
Este concerto, em nome próprio, surgiu em boa hora, veio compensar de forma plena a oportunidade que perdi no Vodafone Paredes de Coura do ano passado. Na agenda do segundo dia da edição de 2025 do festival minhoto decidi um roteiro que não os incluiu. Em festivais é complicado, há sempre decisões difíceis. Há que fazer opções…

Antes de mais considerações sobre os Terno Rei aproveitarei as próximas linhas para falar um pouco sobre Gabre que tocou na primeira parte. Este é o projeto do multi-instrumentista Gabriel Fetzner, artista brasileiro oriundo do Rio Grande do Sul, radicado em Lisboa. Em palco além de utilizar a sua voz, tocou guitarra e fez uso da sua parafernália eletrónica com a qual reproduziu samplers e backing tracks. Esteve apoiado por João Carvalho na bateria e Gabriel Sauer no baixo. A boa disposição do artista foi visível no decurso dos 35 minutos da atuação e a concentração foi a nota dominante deste power trio.
Nesta sua apresentação nortenha focou-se no seu álbum ‘arquipélago de ilhas surdas’ editado pela lusitana Maternidade a 16 de maio de 2025 cujo lançamento ocorreu simultaneamente no Brasil e Portugal. Este trabalho discográfico é o terceiro da sua carreira e navega por um estilo indie pop no qual a inclusão de alguma experimentação eletrónica proporciona uma estética bem específica e ligeiramente psicadélica.
Gabre com João (bateria) e Gabriel (baixo) | mais fotos clicar aqui
Gabre e seus parceiros surgiram em palco às 21h, rigorosamente à hora previamente definida. Começou com um dos seus temas mais antigos, nomeadamente com “mula sem cabeça” de 2020. Um arranque muito prometedor, felizmente com o decorrer do show as boas indicações confirmaram-se.
Do álbum do ano passado, já citado anteriormente, tocou alguns temas com os quais deixou um excelente cartão-de-visita. Falo, por exemplo, de “i’m just like”, “jesus is not around” ou “lisboa completamente debaixo d’água”. Uma das minhas preferidas, das que mais apreciei, foi “o tempo é delicado” e uma das mais fixes foi, sem dúvida, “quando vejo o meu amor”. Fiquei bastante surpreendido de forma bastante positiva por esta performance. Devo dizer que fiquei fã de Gabre e irei acompanhar mais atentamente o seu percurso.

De regresso ao menu principal, ou seja, aos Terno Rei. Vim até à Sala 2 do Hard Club no Porto com o bom feeling daquilo que vi deles na performance no Primavera Sound do Porto em 2023.
Terno Rei são formados por Ale Sater, Bruno Paschoal (guitarra), Greg Maya (guitarra e teclado) e Luis Cardoso (bateria). Sater, além de vocalista principal, tocou também baixo. Os outros três elementos também participaram vocalmente, uns mais expressivamente e mais vezes do que outros.
Esta foi a quarta aparição, creio que Ale referia-se a vindas ao norte de Portugal. Ele que esteve sempre muito sorridente e deu para perceber que curtiu a atuação e todo o entusiasmo do público que lotou a sala. Um público jovem adulto com muitas fãs femininas, sobretudo elas, a cantarem as letras com bastante devoção.

Após entrarem em palco ao som da mítica canção dos anos 80 “Take My Breath Away” dos Berlin debutaram com “Viver de Amor” e “Próxima Parada”, temas desse mais recente registo discográfico ‘Nenhuma Estrela’.
A fase de “aquecimento” terminou bem rapidinho, aconteceu durante “Difícil”, a terceira faixa, durante a qual ouviu-se muitas palmas. A partir a altíssima vibe calorosa e positiva manteve-se até final.
A faixa “Medo” foi a quarta tocada. Trata-se de uma canção especial pois na versão de estúdio contam com a colaboração vocal de Samuel Rosa, membro da lendária banda brasileira Skank. Foi um momento mais sereno para acalmar as hostes, apenas por breves instantes, pois no tema seguinte, em “Estava Ali” os coros dos fãs foram altamente empolgantes.
O vocalista Ale e o guitarrista Bruno | mais fotos clicar aqui
Sater foi quem fez as principais despesas de comunicação com o público e no decorrer da noite questionou quem estava a vê-los pela primeira vez e quem já os tinha visto. A resposta foi algo do tipo “meio meio”, metade já tinha visto outra metade a fazer a sua estreia. Isso demonstra bem o poder que a banda tem, ao fim de 16 anos de atividade, de conseguir captar novas audiências.
“Casa Vazia”, “Programação Normal” ou “Peito” foram outros dos temas mais recentes apresentados. Estão incluídas num álbum que merece ser escutado e que marca uma nova fase deste projeto de indie rock brasileiro.

Alguns dos temas mais ouvidos, reconhecidos e celebrados fizeram também parte da setlist, falo de “Yoko” ou “Dia Lindo” por exemplo. Noutro dos temas menos recente e também significativo foi vivido com coros apaixonados e vibrantes: aconteceu durante “Luzes de Natal”.
Em nome próprio, fora da participação num festival, os Terno Rei quiseram dar um “um show mais longo” do que nas vezes anteriores. Ao fim de quase 1 hora e 15 minutos de performance a atuação terminou sem direito a encore. Deu para sentir quase de forma palpável que o público ansiava por mais. Ainda assim foi um concerto marcante: um dia lindo, lindo demais para todos os fãs dos Terno Rei que marcaram presença.

Esta atuação foi vivida à boa maneira brasileira com um ambiente fervoroso e gostoso em que houve click entre os fãs e os Terno Rei. A banda em palco retribuiu com sorrisos e uma atuação bastante descontraída e competente.
Reportagem fotográfica Completa: clicar aqui
Texto:
– Edgar Silva
Fotografia:
– Juliano Mattos @ julianji.matti (Instagram)






Acerca do show de abertura, notei que tiveram duas partes boas, a que o baterista e o baixista carregaram, e a parte em que a abertura acabou, não se percebia nada do que o cantor estava a dizer entre as músicas, tampouco o que o mesmo estava a cantar.