Wavves, roda-punk e boa disposição: perfeito sábado à noite

Nathan Williams extremamente vibrante | mais fotos clicar aqui

A sala de espetáculos do M.Ou.Co. Hotel foi, mais uma vez, o destino do headLiner neste sábado passado, 28 de fevereiro. O piso inferior desta unidade hoteleira, dedicado à música, promete ter a nossa visita recorrente em reportagem. Desta vez o motivo foram os Wavves que estiveram de regresso a Portugal. Um retorno saudado 13 anos depois da atuação anterior registada no nosso país, mais particularmente em Lisboa. Ao Porto esta foi a segunda passagem, a estreia aconteceu no Optimus Primavera Sound de 2012.

A primeira parte foi assegurada pelos Caustic, Babe!, uma formação indie rock cuja génese situa-se em Coimbra. São cinco os elementos que constituem estes destemidos rockeiros: Maria Rui Cunha ocupa-se dos sintetizadores; Carlos Neves toca conta do baixo; Miguel Cordeiro é o responsável pela guitarra; Filipe Fidalgo toca saxofone sendo que também canta e finalmente temos o Hugo Umbelino igualmente com dupla função: bateria e voz. De ressalvar que Carlos e Miguel fizeram também contribuições vocais.

Quinteto Caustic, Babe! em palco | mais fotos clicar aqui

Às 20:39h, quando deu-se o debute dos Caustic, Babe!, a presença de público era ainda bastante tímida. Felizmente com o passar do tempo e a aproximação do cabeça-de-cartaz da noite a lotação atingiu um número bastante razoável.

As vozes masculinas, as duas principais, demonstraram-se pouco polidas e cruas encaixam-se muito bem neste garage rock com uma alma punk que habita de forma um pouquinho desenfreada. Destaque para os “detalhes”: os sintetizadores dão um retoque modernista ao passo que o saxofone (quando surge) dá aquela pitada suada e sensual.

 

Filipe e Miguel dos Caustic, Babe! | mais fotos clicar aqui

Ao todo foram 32 minutos de atuação, por isso a banda fez questão de ser frontal e generosa. No final de “So Loud”, a primeira faixa interpretada, percebemos imediatamente a personalidade musical, realmente bem intensa. Tão intensa que ao segundo tema, nomeadamente em “Trainspotting”, já o baterista estava em tronco nu.

Estes dois temas fazem parte do EP ‘Cheap Moralisms’ que os Caustic, Babe! editaram a 5 de setembro de 2025 através da Lux Records. Os restantes quatro temas também foram interpretados, foco para “Should I Dream” dado ter sido o single de estreia. A performance terminou com dois temas ainda não editados: “Medidate” e “Caustic Babe”.

Para uma banda que deu apenas o seu quinto concerto de sempre há que “tirar-lhes o chapéu”. A descontração com que se apresentaram, visível nas interações entre os cinco, bem com o modo focado com que tocaram não fez transparecer demasiado essa falta de experiência.

Pessoalmente desconhecia por completo este projeto conimbricense até à semana passada, altura em que foram anunciados como banda de suporte para o concerto portuense dos Wavves. Não costumo falhar as bandas das primeiras partes por uma razão muito simples: é nestas alturas em que costumo descobrir talentos emergentes incríveis. Efetivamente os Caustic, Babe! entram para esse rol pois proporcionaram uma atuação bem cativante, podendo-os facilmente rotular de novidade bem refrescante.

Maria e Carlos dos Caustic, Babe! | mais fotos clicar aqui

Embora os Wavves sejam conhecidos como um quarteto norte-americano da Califórnia, as rédeas desta formação existente desde 2008, estão ao encargo de Nathan Williams. Além de ser o vocalista, é guitarrista e também o letrista. Atualmente os seus outros companheiros são o baterista Ross Traver, o guitarrista Alex Gates e o baixista Stephen Pope. Fica o registo importante: todos colaboraram vocalmente com desempenhos bastante robustos.

As fãs femininas na primeira fila foram as primeiras demonstrarem-se mais imbuídas do espírito do surf rock, foram elas as primeiras a descontrair: dançavam e cantavam palavra a palavra. Os fãs masculinos foram aos poucos e poucos tendo uma participação mais vigorosa, em crescendo.

As primeiras quatro tocadas foram de álbuns menos recentes: “Way Too Much”, “Idiot”, “King Of The Beach” e “Tarantula”. Nesta última houve os primeiros coros vigorosos. A “onda certa” estava definitivamente instalada.

Quarteto Wavves em palco | mais fotos clicar aqui

A setlist percorreu muitos temas antigos e teve também alguns lançados no ano passado. O álbum ‘Spun’ teve lançamento a 27 de junho de 2025 numa edição da Ghost Ramp. Destaque então para “Goner”, Busy Sleeping” e “Spun”. Já “Bozo”, tema fresquinho na discografia, editado há poucos dias foi igualmente tocado com primazia.

Williams não foi de muitas palavras, demonstrou-se relaxado e sorridente. Fez um pedido especial antes de “So Bored”. Pediu para a sala ficar dividida a meio e para aos primeiros rufos da bateria irem todos uns de encontro aos outros. A partir daí a roda-punk ficou instalada e praticamente não parou até final.

A loucura sã do público | mais fotos clicar aqui

Já dentro da segunda metade do concerto surgiu “Demon To Lean On” em que os coros continuavam auditivamente bem afinados. Outra que não faltou foi “Nine Is God”, música original dos Wavves escrita para o videojogo Grand Theft Auto V, acolhida com bastante entusiasmo. A última foi mesmo “Green Eyes”, mais uma do álbum de 2010, num encerramento bonito. Relembrar que esse álbum, apelidado de ‘King of the Beach’, foi o que lhes trouxe reconhecimento geral. Curiosamente a pandemia impediu que celebrassem o seu 10º aniversário, a tournée norte-americana forçosamente adiada ocorreu somente em 2022.

Alex e Stephen dos Wavves | mais fotos clicar aqui

Nathan Williams tinha ido ao médico dois dias antes e aconselhado a não prosseguir com a tournée devido um problema de saúde. O concerto não foi cancelado foi, no entanto, uma possibilidade. A performance do músico parece não ter sido demasiadamente afetada. Deu para apreciar o seu timbre tipicamente norte-americano com aquela profundidade de graves muito própria.

O vocalista fez questão de agradecer a todos os presentes, visivelmente agradado pelo modo como decorreu a performance e pelo feedback caloroso dos fãs. Ao fim de quase uma hora terminou o concerto sem direito a encore. Boa disposição, uma roda-punk enérgica e o surf rock dos Wavves proporcionaram um sábado à noite perfeito.

Reportagem fotográfica Completa:  clicar aqui

Texto:
– Edgar Silva

Fotografia:
– Vítor Neves @ vitor_m_neves (Instagram)

Edgar Silva

Administrador de página e de conteúdos do HeadLiner

Adoro ouvir música. Ir a concertos é mesmo onde me sinto no meu elemento, é como um peixe na água. No headLiner junto ambos os gostos adicionando o gosto pela escrita: com artigos sobre música (bandas e eventos) e também umas coisitas acerca de alguns dos concertos a que assisto.

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