Algures Sob o Arco-íris – Dia 2 do NOS Alive 2023 | Reportagem

Alex Turner com carisma ao nível das melhores estrelas rock // Foto oficial NOS Alive @ Arlindo Camacho
Tal como no dia de abertura, o dia do meio do NOS Alive teve igualmente lotação esgotada. Nem só de música vive um festival. Além do usufruto de concertos incríveis, as pessoas aproveitaram o tempo da melhor maneira possível: conviveram com amigos e familiares. Passaram bons momentos num mix genuíno de amor, amizade, bebida e excelente música. Há igualmente a habitual caça aos brindes (nada comparável com a oferta existente nos primeiros anos de festivais), a visita aos stands dos patrocinadores e a possibilidade de outras atividades no recinto. Por exemplo para umas jogatanas de matraquilhos. Andei também a deambular pelo recinto e captei alguns desses momentos.

Uma perspetiva diferente do NOS Alive | mais fotos clicar aqui
Se no primeiro dia havia um denominador comum o segundo dia pautou-se pela diversidade. A irreverência e liberdade estiveram presentes por todo o recinto, hoje todas as cores coabitaram no mesmo espaço de forma autêntica e sem preconceitos. O segundo dia do NOS Alive é uma lição a levar para fora daqui e fazer deste respeito mútuo uma realidade.

A oferta musical para este segundo dia no NOS Alive foi extensa e para todos os gostos. Em qualquer dos palcos pudemos assistir a estilos musicais completamente diferentes. Talvez tenha ajudado na hora de decisão.

A dupla Miramar composta por Frankie Chavez e Peixe // Foto oficial NOS Alive @ José Fernandes

Comecemos pelo Palco Fado Café, onde ao segundo dia consegui ir espreitar. Fiquei contente por lá ter ido, porque mal entro é como se alguém me tivesse colocado um casaco pelos ombros para me aconchegar, tal é o tom acolhedor que o espaço tem. Encontrei lá a dupla Peixe (também guitarrista dos Ornatos Violeta, Pluto, entre muitos outros) e Frankie Chavez (nome bem conhecido da nossa praça) que se dá pelo nome Miramar. Um projeto de duas guitarras que produzem melodias que se entrelaçam e se transformam numa voz única. Belo momento!

Bem perto, o Palco WTF Clubbing, com sons que convidam a dançar, onde a Dominicana Yendry reinou com a sua sensualidade e ritmo latino. No mesmo espaço apresentou-se também um dos MC’s portugueses mais promissores com batidas fortes a bater na alma de quem por ali passava e acabou por ficar.

O lusitano Jorge Palma uma força da natureza em palco // Foto oficial NOS Alive @ Hugo Macedo
Já no Palco Heineken não houve qualquer dúvida sobre quem conseguiu chamar mais gente para lá, Jorge Palma, esse nome incontornável na história pop-rock portuguesa. E ele nem precisa de comunicar muito com o público, basta cantar, sucesso atrás de sucesso, com toda a gente a sorrir e cantarolar em uníssono. Até digo mesmo que talvez o palco pareceu pequeno para ele, porque o espaço estava a transbordar, literalmente.

Ainda neste palco, uma palavra de apreço para a Girl In Red que trouxe na bagagem uma enorme paixão e energia para o concerto no NOS Alive. A norueguesa Marie Ulven Ringheim inclusive fez crowdsurf enquanto cantava, numa passagem de imensa coragem perante o enorme magote de jovens fãs ávidos pela sua atuação. Efetivamente “we feel in love in october” e “i wanna be your girlfriend” foram canções essenciais na sua performance.

Girl In Red deu tudo o que tinha para dar, artisticamente falando // Foto oficial NOS Alive @ Hugo Macedo

O folk rock à moda antiga do canadiano veio pela voz de Dallas Green e do seu projeto City And Colour, que tiveram uma falha técnica no início do concerto, que levou 10 minutos a ser resolvido. Nada que os intimidasse, o rock pode esperar e quando chega é sempre bom!

E, no local para onde todos os caminhos vão dar, o Palco NOS, prometia muita coisa e de lá muita coisa boa foi atirada ao público. Começamos com os filhos da casa, os Linda Martini bem conhecidos de muito boa gente que por lá rumou e que acenderam o rastilho para o resto da noite. É sempre tão bom ver estes senhores e senhora!

Se os Linda Martini acenderam o rastilho, a bomba estourou com os senhores que se seguiram, Idles! Os britânicos já não são uns perfeitos desconhecidos dos portugueses, são já 7 concertos ao todo no nosso país. Porém muitos que estavam a assistir ao concerto deles, não eram propriamente fãs da banda nem sequer do rock raivoso do quinteto. No entanto, acredito piamente que ninguém que ali estava ficou indiferente aos riffs ruidosos e dilacerantes dos Idles, que cortavam o ar e se amarravam ao nosso corpo.“Mr. Motivator”, “The Beachland Ballroom” ou  "Danny Nedelko" foram interpretadas e alguns dos exemplos disso mesmo. A energia deles nunca acaba, dura e dura, como as pilhas de outrora. Numa palavra: brutal-estrondoso-poético-sujo-perfeito!

Idles iguais a si mesmos com a habitual energia // Foto oficial NOS Alive @ Arlindo Camacho
A energia que os Idles deixaram no ar é a mesma da senhora que se segue. Para mim, uma bela surpresa, alguém que conhecia muito pouco e que apesar de fugir aos meus gostos pessoais, no que ao estilo musical diz respeito, posso dizer que adorei. Lizzo, tem uma voz demoniacamente bela e poderosa, não deixa ninguém indiferente, o discurso da igualdade e respeito mútuo é verdadeiro e a música, bem, faz que ninguém consiga ter os pés assentes no chão. Um concerto, um espetáculo, um musical, tudo no mesmo palco e ao mesmo tempo.

Foi muito bom, mas voltemos à Grã-Bretanha e ao rock. Arctic Monkeys, um dos nomes grandes do rock atual, um dos headLiners do segundo dia do Alive e mostraram o porquê de o serem. Se em alguns temas dos seus álbuns os acho um pouco mornos, ontem a coisa não foi bem assim, ao vivo, eles são bem diferentes. Não há tempo para relaxamento e as guitarras são quem comandam as hostes e os riffs e solos que dali saem é o que queremos ouvir. Alex Turner está um verdadeiro showman e o seu carisma está a chegar ao nível das maiores estrelas rock.

Arctic Monkeys num dos momentos indeléveis do NOS Alive 2023 // Foto oficial NOS Alive @ Arlindo Camacho
À hora marcada para o último concerto do Palco NOS deste dia ainda montam os adereços gigantes e surreais do cenário do próximo artista, Lil Nas X. Pouco sei dele, mas não será preciso ser génio algum para prever o que dali virá. Não é apenas um concerto, é um verdadeiro espetáculo de dança, coreografias, música, tudo estudado ao milímetro. É um pouco demais para mim, mas muitos dançavam sorridentes ao som da música de Lil Nas X.

E como é sabido, o último concerto no Palco NOS não é sinónimo de término da festa. Não, essa prossegue e enquanto caminho em direção à porta de saída, para recarregar baterias, oiço a batida constante e poderosa vinda do Palco Coreto de Trafulha.

Dou por terminado o meu segundo dia e a pensar já que no dia seguinte termina esta festa. A saudade, esse sentimento maldito, já começa a sentir-se.

Foto-reportagem do ambiente, dia 7: Clicar Aqui

Panorâmica da área do Palco NOS | mais fotos clicar aqui

Texto: Jorge Resende (Revisão e apoio de texto genérico por Edgar Silva)
Fotografia: Jorge Resende e fotos oficiais

Edgar Silva

Administrador de página e de conteúdos do HeadLiner

Adoro ouvir música. Ir a concertos é mesmo onde me sinto no meu elemento, é como um peixe na água. No headLiner junto ambos os gostos adicionando o gosto pela escrita: com artigos sobre música (bandas e eventos) e também umas coisitas acerca de alguns dos concertos a que assisto.

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