O Diabo esteve à solta e nós dançamos com ele – Dia 3 do NOS Alive 2023 | Reportagem

Josh Homme e os seus QOTSA no último dia // Foto oficial NOS Alive @ João Silva
Enquanto o diabo esfregava o olho, eis que o último dia do NOS Alive chegou. Não interessa se o corpo começa a queixar-se, não há tempo para ouvi-lo, é tempo de viver e aproveitar o último dia do Alive. Nós queremos o mesmo que Josh Homme, neste momento não queremos saber o que acontece com o resto do mundo, apenas queremos dançar como uma cobra gigante!
Nem só de música vive um festival. Além do usufruto de concertos incríveis, as pessoas aproveitaram o tempo da melhor maneira possível: conviveram com amigos e familiares. Passaram bons momentos num mix genuíno de amor, amizade, bebida e excelente música. Há igualmente a habitual caça aos brindes (nada comparável com a oferta existente nos primeiros anos de festivais), a visita aos stands dos patrocinadores e a possibilidade de outras atividades no recinto.

Além da música há mais diversão no recinto | mais fotos clicar aqui
Para o último dia do NOS Alive (oficialmente não teve lotação esgotada) estava reservado o pop e muita música de dança nas suas variadas ramificações nos três principais palcos do evento. Pelo meio havia umas pitadas de rock, que viriam a ser alguns dos momentos altos do festival.
No Palco WTF Clubbing foi um dia forte, sempre que por lá passava, ecoava uma batida poderosa que fazia estremecer os ossos e que obrigava os presentes a acompanharem o ritmo, ninguém conseguia estar quieto, o movimento era constante. O britânico Third Son, o DJ irlandês Krystal Klear e ainda o germano-israelita Alex Ridha com o projecto Boys Noize trouxeram a paixão dançável e foram os destaques da noite neste palco.
Já no palco secundário, o Palco Heineken, não havia um fio condutor, havendo uma variedade de estilos entre a pop, rock e dance music. A nova-iorquina King Princess transforma-se ao vivo deixando para trás o pop, abraçando o rock e foi com ela que a intensidade chegou a este palco para nunca mais o abandonar.

Angel Olsen a encantar a plateia // Foto oficial NOS Alive @ Hugo Macedo
O momento alto da noite neste palco e de todo o festival seria o concerto da compositora americana Angel Olsen. É difícil de explicar o que se passa quando ouvimos Angel, é algo tão bonito e mágico que durante o concerto duas perguntas surgiam simultaneamente na minha cabeça: “Como ela consegue encantar-nos esta forma? Será uma super-heroína?”… Só pode ser essa a explicação. Couberam na setlist a incontornável “Shut Up Kiss Me” e algumas das mais recentes como “Ghost On” (a 2ª interpretada) e “All The Good Times” (a penúltima). Concerto encantado e maravilhoso!
Mais tarde, Branko, um dos fundadores dos Buraka Som Sistema, aproveitou esse encantamento e não deixou goradas as expectativas dos seus seguidores e levou à loucura quem por lá se encontrava.
O palco onde todos os caminhos do recinto vão dar, o Palco NOS, foi também ele lugar de desfile de vários estilos musicais. Ainda o sol brilhava bem forte quando Bárbara Tinoco e Carolina Deslandes deram início às suas canções numa entoada juvenil e cor-de-rosa, para todas as idades. Um momento bonito.

Colson Baker dos Machine Gun Kelly // Foto oficial NOS Alive @ Arlindo Camacho
O cor-de-rosa deu lugar a tons mais escuros e negros que vestem o corpo de Machine Gun Kelly (MGK) e a sua banda. É a primeira pitada de rock no palco principal e o primeiro chamamento do diabo, curiosamente um dos temas interpretados por Colson Baker foi “el Diablo”. Mais tarde juntou a nós outro chamamento bem mais poderoso. Rap, nu-metal, emo é tudo aquilo que MGK nos oferece, ou podemos arranjar um rótulo novo para o seu som? Certo é que MGK sabe o que faz e o rock percorre as suas veias, ele só quer por toda a gente a saltar!
Antes uns minutos da hora marcada, as luzes apagaram-se e anunciaram o início do concerto tão esperado por muitos (eu incluído) dos Queens Of The Stone Age. Enquanto uma música soava dos altifalantes os californianos começam a surgir no palco. Josh Homme já de guitarra ao ombro olha sedutoramente para o público e atira-se ao riff bem conhecido de todos de “No One Knows”. Estava dado o mote para todo o concerto, o público estava conquistado e nada mais haveria a fazer. Agora era saltar, levantar os braços e gritar a plenos pulmões as letras de todas as músicas. O chamamento do diabo estava completo, ele estava à solta e nós dançamos com ele! E que bom foi dançar com ele!

Josh Homme a deliciar os seus fãs // Foto oficial NOS Alive @ João Silva
Seguiu-se uma lista de músicas antigas (por exemplo: “Go With the Flow” e “I Sat By the Ocean”) e outras do novíssimo disco ‘In Times New Roman…’, casos de “Emotion Sickness” e “Carnavoyeur”. Em nenhuma faz descer a intensidade que permaneceu até ao fim, com o apogeu a acontecer com aquela que seria a última música “A Song For The Dead” com o público a cantar continuamente o refrão. Josh Homme é um rock star sedutor com um carisma só ao alcance dos deuses. Para mim, um dos momentos altos do festival, quiçá o mais demoníaco!
Destaque para um momento especial quando Josh Homme chamou ao palco uma espectadora com uma bodycam e pediu ao público que enviasse o seu amor para José, que estava em casa a assistir ao concerto graças à tecnologia 5G. José não pôde ir ver a sua banda favorita ao NOS Alive deste ano devido a tratamentos médicos que está a realizar para tratamento da doença neurológica degenerativa de que sofre: ELA (Esclerose Lateral Amiotrófica) O público acedeu e gritou bem alto o seu nome “José!”
Por muito que não se queira é tempo de ouvir o corpo e dar-lhe o devido descanso. Terminou a 15ª do NOS Alive e a saudade já aperta, mas levo no coração o prazer de ter vivido intensamente estes três dias. A vontade é regressar dentro de um ano! As datas de 11, 12 e 13 de julho já estão reservadas na minha agenda!
Foto-reportagem do ambiente, dia 8: Clicar Aqui

“De pequenino é que se torce o pepino” | mais fotos clicar aqui
Texto: Jorge Resende (Revisão e apoio de texto genérico por Edgar Silva)
Fotografia: Jorge Resende e fotos oficiais
