O sítio do asterisco vermelho – Dia 1 do NOS Alive 2023 | Reportagem

Red Hot Chilli Pepers, os headLiners da noite // Foto oficial NOS Alive @ Arlindo Camacho
Uma voz soa nos altifalantes da estação de Aveiro e anuncia que está prestes a dar entrada na linha número 4 o comboio intercidades vindo do Porto e com destino a Santa Apolónia. Boa, estou no local certo, pensei eu. Agora é só estar atento e entrar na carruagem 21. Instantes depois, missão concluída com sucesso.
São 13:31 horas e o comboio dá início à sua marcha e eu, ainda, procuro o lugar número 18. Isto de viver numa cidade onde a falta de transportes públicos é gritante, tem as suas desvantagens. Quando posso usar o comboio, pareço uma barata tonta, mas nada que não se resolva!
Finalmente, encontro o lugar, sento-me, acomodo-me e respiro. Agora é desfrutar o melhor possível a viagem e daqui a umas horas chegarei ao tão aguardado destino: Passeio Marítimo de Algés. Sim, isso mesmo, rumo em direção ao NOS Alive.

Ambiente em frente ao Palco NOS | mais fotos clicar aqui
Esta será a minha segunda vez no NOS Alive, mas será uma experiência completamente diferente. A primeira vez foi no longínquo ano de 2010, fui com a minha alma gémea e fomos de propósito para ver umas das nossas bandas preferidas, precisamente a banda que inspirou o nome do Alive, os Pearl Jam. Desta vez, rumo sozinho e fui em representação da headLiner (com acreditação oficial), para a qual escreverei alguns textos que pretendem ser a minha perspetiva sobre este festival, um dos maiores do nosso país.
A experiência será diferente, mas sei que o mundo Alive será idêntico ao de 2010, muita música, muitos rostos diferentes, felicidade, boa disposição, amor. Serão três dias onde farei uma pausa da minha vida quotidiana e mergulho no mundo encantado do rock n’ roll. Assim o esperava, poucas horas antes de fazer a minha entrada no recinto.

O símbolo do dia, o asterisco vermelho | mais fotos clicar aqui
Quinta-feira, dia 06
Já tinha percebido na carruagem 21 (a que me trouxe até Lisboa) qual o principal motivo das muitas das pessoas que rumavam este ano ao NOS Alive. Assim que me fui aproximando e depois quando entrei no recinto, as t-shirts com um grande asterisco vermelho dissiparam qualquer dúvida que tivesse. Grande parte dos milhares de pessoas que se encontravam no Passeio Marítimo de Algés estavam lá por uma razão bem forte: o quarteto californiano Red Hot Chilli Peppers, um dos headLiners deste ano.
Mas nem só dos RHCP se alimentam os que pelo recinto passeiam. A variedade é enorme e o mais difícil mesmo é escolher qual concerto ver a seguir. A qualidade não é um fator eliminatório até porque nesse campo está tudo muito equilibrado, num nível elevado. A escolha, deste ou daquele, prende-se mais com o gosto pessoal de cada um e/ou a vibe que cada um está a sentir no momento. O melhor é deixar-se seguir pela batida, riff ou energia que irradia de cada palco deixando-se levar pelo momento, é garantidamente uma opção acertada.

Afonso Dorido como Homem em Catarse // Foto oficial NOS Alive @ Mariana Silva
Entre tudo aquilo que aconteceu no primeiro dia do NOS Alive, destaque inicial para o concerto intimista do Homem em Catarse no Palco Coreto, projeto a solo do multi-instrumentista e compositor Afonso Dorido.
A contagiante melodia dos Club Makumba, banda formada por Tó Trips (guitarra), João Doce (bateria), Gonçalo Prazeres (saxofone) e Gonçalo Leonardo (baixo e contrabaixo) animou imenso todos aqueles, e foram muitos, os que marcaram presença no Palco WTF Clubbing.

Club Makumba para uma imensa plateia // Foto oficial NOS Alive @ Sara Falcão
Yaya Bey uma artista, ainda pouco conhecida, de R&B mostrou os seus ritmos sedutores. Já os Throes + The Shine, com a sua batida louca e constante e Jacob Collier com a sua surpreendente energia explosiva no Palco WTF Clubbing também brilharam.
O rock delicioso dos Spoon no Palco Heineken era imperdível, eles que tocaram temas incontornáveis como “Wild” e “Inside Out”.
No palco principal, já só ouvi um pouco dos The Driver Era, duo norte-americano composto pelos irmãos Rocky Lynch e Ross Lynch mas do que ouvi gostei, espero poder encontrá-los em breve. Os Puscifer, formação que conta com o bem conhecido Maynard James Keenan (dos Tool e A Perfect Circle), chegaram divertidos mas levam muito a sério o rock n’ roll que nos dão.

Dan Auerbach e Patrick Carney, os The Black Keys // Foto oficial NOS Alive @ Arlindo Camacho
The Black Keys distribuíram riffs perfeitos por todos, Dan Auerbach e Patrick Carney tocaram temas de vários álbuns percorrendo a sua vasta discografia. São já mais de 20 anos de The Black Keys. “Lonely Boy”, a última tocada, não faltou nem podia. “Fever”, “Weight of Love” e “Gold on the Celing” entraram igualmente na setlist de 16 temas.
Red Hot Chilli Peppers provaram que velhos são os trapos, dando um concerto delicioso. Mostraram que são uma banda que não ficou presa no sucesso do passado, tendo trazido algumas músicas mais recentes, casos de "Black Summer” e “The Heavy Wing” do álbum ‘Unlimited Love’ de 2022.

Anthony Kiedis, o incrível vocalista dos Red Hot Chilli Peppers // Foto oficial NOS Alive @ Arlindo Camacho
Claro que, todos os grandes hits do passado foram tocados e fizeram vibrar os milhares que viajaram até Lisboa para os ver, com um destaque para o “Under the Bridge” já tocado no encore. Realce especial por me ter “teleportado” até ao longiquo ano de 1991.
Para muitos a noite não acabou aqui e continuaram a abanar o corpo até que a energia acabasse. O primeiro dia está feito e foi louco. Que venha o próximo.
Foto-reportagem do ambiente, dia 6: Clicar Aqui

Texto: Jorge Resende (Revisão e apoio de texto genérico por Edgar Silva)
Fotografia: Jorge Resende e fotos oficiais
