Magia etérea e exótica de Arooj Aftab em Guimarães

Num exclusivo para Portugal o Centro Cultural Vila Flor em Guimarães recebeu Arooj Aftab. Este concerto único por terras lusas, no decurso de 2023, teve lugar na passada noite de terça-feira. Um regresso ao nosso país depois de apresentações em Lisboa, no Porto e Braga em 2022.

A artista paquistanesa teve um maior reconhecimento à escala global com o seu álbum ‘Vulture Prince’ editado em abril de 2021. The Guardian, NPR, Pitchfork, ou a TIME foram alguns dos mais prestigiados meios de comunicação a incluírem este trabalho discográfico nas suas listas de melhores do ano em 2021. Tanto a NPR Music e a KEXP, meios radiofónicos norte-americanos, fizeram questão de receber Arooj nos seus showcases. Para quem conhece sabe que são acompanhados avidamente por milhões de pessoas globalmente. As atuações são disponibilizadas nos seus sites e canais de YouTube.

Com tanto buzz a única forma de “tirar a limpo” se tantos elogios e citações positivas são verdadeiramente merecidas só mesmo escutando a sua discografia, especialmente esse LP ‘Vulture Prince’. Efetivamente escutei, com aquela dedicação auditiva consentânea. Resultado? Fiquei rendido ao seu misticismo musical.

Reconhecimento esse amplamente amplificado com a edição 64 dos Grammys, realizada no ano passado, na qual Arooj Aftab venceu a categoria ‘Melhor Performance de Música Internacional’ por conta do seu tema “Mohabbat”.

Estavam lançado todos estes ingredientes certos para uma noite de verão ainda mais calorosa. Vimaranense de gema, para mim, é sempre especial, entrar no Centro Cultural Vila Flor ainda mais em ocasiões como esta. Com artistas assim tão diferenciadas. Ao longo dos anos, cada vez menos têm-se proporcionado estas ocasiões… Daí que procuro vivenciar ao máximo estas belíssimas oportunidades.

A presença de Arooj Aftab pouco iluminada.

As pessoas foram chegando maioritariamente em cima da hora, filas para entrar formaram-se de forma natural. Nada de muito aborrecido já que o processo de entrada, por duas portas, era simples e rápido. Um público de diversas faixas etárias, bem heterogéneo. Apesar de termos tido um Grande Auditório Francisca Abreu muito bem composto, na realidade não teve todos os assentos preenchidos.

Arooj Aftab logo de início revelou-se “Muito feliz por estar de volta” tendo feito referência às suas atuações no ano passado. ‘Adoro este país mais do que outro país europeu qualquer” também fez questão de frisar, algo que deve-se a um conhecido seu chamado Luís. Referia-se a Luís Viegas da produtora ‘Ao Sul do Mundo’. Ela estava mesmo muito bem-disposta, divertida e comunicativa. O vinho que bebeu no dia anterior terá ajudado a tal predisposição…

Arooj estava de saltos altos, algo que não lhe foi benéfico pois não sabia se tinha o balanço adequado para oferecer as rosas que estavam à beira dela. Arriscou a atirar algumas para a audiência. “Atirar rosas não é tão romântico como imaginei” disse no final da canção. A experiência não correu assim tão bem. A pouca luz, uma constante em toda a performance, não ajudou em nada ao processo. Não conseguia ver facilmente para quem atirava. Pelos vistos, nem todos estavam interessados em recebê-las…

Arooj Aftab e Gyan Shankar Riley, o duo em palco.

Luzes minimais em laranja, vermelho e roxo não permitiram ver bem os rostos dos músicos, mesmo para quem estava mais próximo do palco. Algo que foi estranho e um bocadinho incompreensível. Percebe-se pelo ponto de vista artístico de criar alguma misticidade, de forma a coadunar-se com as canções.

“Estou também um pouco triste. Mandei uma mensagem a alguém que gosto há dias e não me respondeu…” disse em tom de desabafo. Em seguida afirmou “que ia deixar-se de coisas parvas”. Em tom de resposta apresentou-nos “Saans Lo” e logo de seguida encantou-nos igualmente com “Mohabbat”. Foram as passagens mais fortes de uma atuação em que a setlist foi focada no álbum ‘Vulture Prince’. A cantora paquistanesa revelou que o seu novo álbum está a caminho e talvez seja editado no próximo ano.

Gyan Shankar Riley rubricou uma belíssima atuação.

O duo regressou para um último tema, a pedido do público acabou por entregar as rosas restantes às pessoas que se deslocaram à frente do palco.

Sonoramente a música de Arroj Aftab é um “cozinhado” que incorpora orientações bastante diversas: da world music às “pepitas” de jazz até ao neoclassicismo. A pontinha de “sal” que proporciona essa magia etérea e exótica é a inspiração em sons geograficamente balizados da zona asiática entre o Paquistão e a Índia.

Arooj Aftab com a sua vibrante e exótica voz em consonância com a exuberante performance do seu companheiro de palco Gyan Shankar Riley na guitarra acústica e “caixinha de sons” proporcionaram um belíssimo momento.

Arooj Aftab no pós concerto num meet & greet com os seus fãs. Quem apostou na ida ao espetáculo saiu bastante satisfeito. No pós concerto a artista foi bastante solicitada e as vendas dos seus vinis foram também um sucesso.

Texto:
Edgar Silva

Fotografia:
Jorge Nicolau

Edgar Silva

Administrador de página e de conteúdos do HeadLiner

Adoro ouvir música. Ir a concertos é mesmo onde me sinto no meu elemento, é como um peixe na água. No headLiner junto ambos os gostos adicionando o gosto pela escrita: com artigos sobre música (bandas e eventos) e também umas coisitas acerca de alguns dos concertos a que assisto.

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