
Primeiro
foi a presença da equipa do HeadLiner
nos eventos de curadoria pelo Triciclo
nos concertos de Baleia Baleia Baleia, White Haus e Homem em Catarse cuja reportagem pode ser acedida aqui.
Na
passada sexta-feira, dia 14 de agosto, regressei a Barcelos para mais um
concerto integrado na extensa programação do evento “Prá Frente Barcelos” criado pelo município local para o período de
retoma cultural pós-confinamento.
Desta
vez o motivo foi o concerto de Tó Trips integrado
no Ciclo Jazz Largo, uma ideia da Burgo Divertido Associação e que tem
vindo a animar esta cidade minhota nos últimos anos. Esta associação além de
concertos (o ponto mais visível das suas atividades) tem também promovido
exposições, cinema, workshops, atividades para concertos e talks.

Tó Trips tem a sua carreira associada aos Dead Combo e aos
sucessos que tem produzido com o seu parceiro Pedro Gonçalves. São já quase 20 anos que os Dead Combo não saem dos nossos ouvidos. Antes desta bem-sucedida
aventura iniciada em 2003 já Tó Trips
marcava a sua carreira musical e o panorama nacional fazendo parte dos Lulu Blind durante 10 anos a partir de
1991.
Além
da música criada em duo com Pedro
Gonçalves, o artista lusitano tem vindo também a criar música a solo. ‘Guitarra 66’ marca
o seu primeiro álbum a solo em 2009 e o último registo é a banda sonora do
filme ‘Surdina’ editada no decorrer
deste invulgar ano.
A
guitarra sempre foi e sempre será a fiel companheira de Tó Trips e foram os temas desta discografia a solo que o
guitarrista apresentou na Frente Ribeirinha em Barcelinhos. Entrou em palco 10
minutos depois da hora marcada e logo aí informou que ia tocar algumas
composições antigas e outras ainda nem sequer editadas.

“Península” e “Rua Escura”
foram duas das primeiras num início acolhedor. Apesar do recinto ao ar livre
não estar totalmente preenchido, as pessoas que fizeram questão de assistir ao
concerto fizeram-no de um modo compenetrado. Iam mostrando o seu apreço com efusivas
palmas nas pausas.
À
passagem de “Processo de uma Aparição”
revela que é um tema acerca do Porto, não sendo a única com cunho inspiracional
naquela cidade nortenha.
Não
deixou igualmente de fazer uma passagem pelo ‘Surdina’. A banda sonora deste filme do vimaranense Rodrigo
Areias é totalmente original e criada por Tó
Trips. Pelo meio houve igualmente uma referência ao trompetista
norte-americano Chet Baker e ao
impacto que a música jazz deste artista lhe provoca.

O jogo
de luzes durante a performance teve sempre uma expressividade forte. Ora tanto
tons de roxo conjugados com um laranja arrojado ou ainda tons de
cor-de-rosa ou de verde conjugaram uma cenografia luminosa. Algo até invulgar
para uma atuação a solo…
“Trips”,
como quem diz em português, viagens. O nome artístico é, sem dúvida, logo aí
uma revelação. De ondas sonoras mais modernas a outras mais ecléticas e até
tradicionais… A viagem que o guitarrista propõe-nos inicia-se algures no Bairro Alto em Lisboa porém percorre
o globo inteiro no dedilhar dos seus acordes. Até bandas sonoras de westerns spaghetti pudemos escutar bastando
fechar os olhos para visualizar cenas de míticos filmes de Hollywood.
Assisti
à mestria de domar a guitarra em todo o seu esplendor, como poucos o fazem. Já
o tinha feito em concertos de Dead Combo
por diversas vezes, esta foi a primeira com o guitarrista a solo.
Esta
noite em Barcelos foi bastante bem passada pese embora o uso de camisola, estas
últimas noites de verão têm sido bem frescas. Ainda assim, um programa musical
deste calibre é habitualmente apetecível.
O
evento ‘Prá Frente Barcelos’
continua e vai prolonga-se até ao mês de setembro com diversas expressões
culturais, um programa deste calibre é habitualmente imperdível.

Texto: Edgar Silva
Fotografia: João Machado
