
A 4ª edição do Mel – Piquenique das Artes está a realizar-se este ano num contexto diferente das anteriores. Neste ano o evento não privilegia o fator de proximidade e realiza-se adaptado às circunstâncias atuais num mundo a viver uma pandemia. A programação do festival foi integrada no vasto “Anima-te”, o recurso programático do Município de Famalicão no regresso à atividade cultural na fase pós-confinamento.
Outro evento integrado no “Anima-te” é o Devesa Sunset, no qual também estamos a marcar presença: podem ler as reportagens do concerto do Noiserv e da Márcia no HeadLiner. As foto-reportagens completas estão na nossa página de Flickr.
A organização do Mel – Piquenique das Artes está a cargo da Elogio Vadio, uma associação ligada a um local bem conhecido da cidade de Famalicão, falo pois claro da Cru :: Espaço Cultural.
A edição deste ano realiza-se nos dias 13, 15, 16, 22 e 29 de agosto, no Parque da Devesa com as presenças, respetivamente, dos Fatspoon, Holy Nothing, The Last Internationale, Barry White Gone Wrong e Dapunksportif.
Neste último domingo, dia 16 de agosto, o motivo da deslocação a Famalicão foi o concerto dos The Last Internationale. A formação norte-americana entrou à última hora para o cartaz devido à impossibilidade da presença dos AYOM.

Desta forma foi a minha segunda presença num concerto dos The Last Internationale este ano, a primeira (a estreia também) aconteceu no Theatro Circo em Braga e a reportagem está disponível aqui. Nesse artigo podem também saber o porquê da forte ligação que têm com Portugal.
O primeiro concerto dos The Last Internationale no período pós-confinamento realizou-se em Ponte de Lima a 6 de agosto no evento “Ponte de Lima é Uma Surpresa”. Em Famalicão realizaram a sua segunda performance na qual seguiram as mesmas premissas. Delila Paz e Edgey Pires prometeram nos dias anteriores uma performance especial em formato acústico. Prometeram e cumpriram em belíssimo estilo!
A instabilidade no clima com promessa de chuva a qualquer momento aliado a algum vento acabou por afastar algum público do bonito recinto famalicense. Ainda assim, aqueles bravos resistentes e que marcaram presença não se arrependeram, certamente! Pode-se dizer que foi um concerto exclusivo!
Delila e Edgey foram pontuais na entrada em palco, mesmo às 19h. Logo para abertura tocaram três excelentes temas do seu projeto: começaram com “Hard Times” tendo prosseguido com “We Will Reign” e “ Wanted Man”. Um início fortíssimo e logo aí deu para perceber a indelével e poderosa voz de Delila. Já Edgey, embora menos expansivo, esteve sempre concentrado na sua guitarra clássica ao invés da habitual elétrica. Durante o concerto foi puxando pelas reações do público tendo as pessoas respondido à medida e sempre com muito entusiasmo. Delila revelou estar feliz por “despir” as canções e mostra-las com esta versão “crua e acústica”.

O roadie de serviço Miguel entrou à quinta e tocou duas com o duo incluído a “Hit Em With Your Blues”. Em seguida os homens saíram ficando Delila a solo para uma bonita e incrível interpretação ao piano de “Running for a dream”, uma canção ainda não lançada oficialmente.
Delila continuou ao piano no regresso de Edgey ao palco e tocaram “Need Somebody” em
mais uma transformação incrível para acústico. Aliás, todos os temas em versão acústica são igualmente poderosas às suas versões originais, pese embora, com um nível diferente pois claro.
A chuva ia caindo a espaços, às vezes até com alguma intensidade, porém a maioria do público não arredou pé e desfrutou de um belíssimo fim-de-tarde musical.
Como forma de agradecimento Delila cantou junto aos fãs. A artista não se fez rogada nem quando o cabo do microfone estava curto. Deixou o microfone para trás, desceu o palco e cantou a cappella já junto do público. Durante alguns momentos toda a gente sorriu. Ninguém ficou indiferente à postura de Delila: pelo seu alcance vocal e pela sua forma descomprometida da sua atitude rockeira. Entretanto os roadies lá conseguiram alongar o cabo e a vocalista terminou “A Change Is Gonna Come” já com recurso ao
microfone.

Após as despedidas e ainda insatisfeito o público quis “mais uma”. O duo norte-americano não rejeitou o pedido e no encore terminaram a sua performance com “Redeption Song”, uma canção do eterno Bob Marley.
A programação do Mel – Piquenique das Artes terá ainda mais dois concertos nos sábados que restam deste mês de agosto. Dia 22 com os White Gone Wrong e dia 29 com Dapunksportif.
Reportagem fotográfica Completa: clicar aqui

Texto:
Edgar Silva
Fotografia:
João Machado
