
Não são precisas muitas palavras para dar a conhecer o duo lusitano Dead Combo. São um dos projetos musicais mais refrescantes no panorama musical deste século. Criaram música instrumental de poderio assente na guitarra e no contrabaixo. Em outubro do ano
passado anunciaram o fim da sua história. A celebração da carreira deste duo está a acontecer desde final de 2019 e continuará neste 2020 com uma tournée precisamente
“Tour Fim”. Foram 7 álbuns desde o primeiro lançado em 2004.
Fazem uma junção de fado com rock adicionando os blues pelo meio, tudo sem letras nem
voz transportando-nos para universos cinéfilos e para diversas dimensões bastando para isso fechar os olhos e deixar-nos levar pelo seu som.

Palco devidamente preparado para os dois artistas [Mais fotos aqui]
Tó Trips (guitarras) e Pedro Gonçalves (guitarras, contrabaixo e melódica) são os responsáveis por esta formação ímpar a nível nacional sempre reconhecida pela sua valia por fãs (mesmo bastantes de lés a lés) e pela crítica. Ao longo destes anos tocaram também com banda mais alargada tendo tido a colaboração ao vivo de Alexandre Frazão (bateria) e João Cabrita (sopros) citando só alguns.
Na passada noite de 28 de fevereiro tocaram no Porto, mais propriamente, no Bairro
da Pasteleira na Associação da Pasteleira Torres Vermelhas num concerto promovido pela “Cultura em Expansão” promovido pela Câmara Municipal do Porto. Com o intuito de descentralizar na Cidade Invicta este programa levará a cultura a diversos pontos da cidade menos habitados a terem estas performances. A entrada para o concerto foi livre.
Logo ali que cheguei deparei-me com uma fila já considerável à porta do espaço do
evento, apesar de gratuito estava limitado à capacidade do espaço. Não será difícil de intuir que teve lotação esgotada por entre plateia de cadeias e pessoas de pé.
À hora certa (21:30 horas) começaram a soar os primeiros acordes estando a cortina ainda fechada (lógica foi a interpretação de “Janela”) e com luzes desligadas para um impacto mais forte. Para esta noite prepararam uma setlist abrangendo a discografia total da banda, na qual não faltaram aqueles temas de maior impacto.

Tó Trips na guitarra e Pedro Gonçalves no contrabaixo [Mais fotos aqui]
Notável foi a concentração do público conseguindo fazer um silêncio total durante a interpretação dos temas, sendo apenas quebrado para calorosas e efusivas palmas no fim.
O primeiro duelo de guitarras aconteceu com “A Menina Dança” quando Pedro Gonçalves
pela primeira vez tocou guitarra. Aí foi um mote para uma excelente e marcante apresentação portuense.
“Putos A Roubar Maças” não faltou naquela que Tó Trips disse ter sido composta durante a “dita crise”. Em “Deus Me Dê Grana” outro belíssimo momento de duelo de guitarras.
“O Assobio” ; “Mr. Snowden’s Dream” ; “Cachupa Man” ; “Lisbon / Berlin Flight
(TP1001)” ; “Miúdas e Motas” ou “Rodada” foram tocadas comprovando a excelência musical ao longo da carreira dos Dead Combo.
Após “Lisboa Mulata” e a saída do duo de palco o público fez questão de vibrar e puxar pelo regresso pois claramente não estavam satisfeitos. Acedendo ao pedido, no encore tocaram três belíssimos temas. Primeiro foi “Povo que Cais Descalço” seguindo-se “Esse
Olhar Que Era Só Teu” para finalizarem com “Eléctrica Cadente”.

Boa disposição de Pedro Gonçalves [Mais fotos aqui]
Realçar a intervenção de Pedro Gonçalves na parte final do concerto para agradecer por “muitos de vocês nos ouvirem por 15/16 anos” e a apelar para o público contribuir para um grupo de voluntários que salvam vidas de refugiados no mar Mediterrâneo. Fez questão de frisar que parte do cachet será para ser doado a esta organização. Já Tó Trips foi fazendo algumas intervenções minimalistas ao longo da performance, apenas
algumas adendas às canções.
Resta-me agradecer aos Dead Combo por nos terem proporcionado belíssimos temas ao longo da sua carreira e que perdurarão no tempo!
Setlist
- Janela
- Rumbero
- Sopa de Cavalo Cansado
- Quando a Alma não é Pequena
- A Menina Dança
- O Assobio
- Zoe Llorando
- Rodada
- Manobras de Maio
- Mr. Snowden’s Dream
- Pacheco
- Lisbon / Berlin Flight (TP1001)
- Putos a Roubar Maçãs
- Deus Me Dê Grana
- Cachupa Man
- Mr. Eastwood
- Miúdas e Motas
- Lisboa Mulata
– Encore –
- Povo que Cais Descalço
- Esse Olhar Que Era Só Teu
- Eléctica Cadente
Vejam toda a foto-reportagem pelo Jorge Nicolau: clicar aqui

Texto: Edgar Silva
Fotografia: Jorge Nicolau
