
A minha história de concertos ao vivo de Angel Olsen iniciou-se no Festival Manta em Guimarães em 2015, numa bonita e bem agradável noite de setembro. Nessa altura, o Centro Cultural Vila Flor recebeu a
artista norte-americana nos jardins do espaço cultural vimaranense, numa
altura em que festejava 10 anos de existência. Boas e calorosas memórias retenho
daquele concerto em formato banda. O incrível
álbum ‘Burn Your Fire for No Witness’ com
canções memoráveis como “Unfucktheworld” , “Forgiven/Forgotten” e “Windows” foi o mote daquela visita ao norte de Portugal, concerto que marcou a
sua estreia a solo no país. Já cá tinha passado como apoio vocal de Bonnie “Prince” Billy em 2011.
O reencontro aconteceu em 2017 no NOS Primavera Sound, num final de tarde solarengo numa performance
mais reduzida no palco principal.
A primeira e única vez a solo (para já) foi em Guimarães, só
que desta vez Angel Olsen teve a
honra de esgotar o Grande Auditório do Centro Cultural Vila Flor. Na memória, retenho uma singela e descontraída performance numa noite em que o público se mostrou bastante cerimonioso, como quem assiste a uma atuação
inebriante de fado.

Pormenor do calçado de Angel Olsen [mais fotos aqui]
À quarta oportunidade finalmente consegui assistir a um
concerto de Angel Olsen acompanhada de
banda num espaço fechado. Aconteceu na passada noite de sexta-feira, dia 24 de
janeiro, no espaço portuense Hard Club
com organização da barcelense Lovers
& Lollypops. O evento esgotou com mais de 1 mês de antecedência, prova
evidente do hype que a cantora tem
neste momento no nosso país. Assim que cheguei ao local pelas 20:15 horas deparei-me desde logo com alguns fãs à espera e a fila foi engrossando
rapidamente. As portas abriram pontualmente às 21 horas.
Antes de falarmos do “prato principal” desta noite, vale a
pena escrever algumas palavras sobre a apresentação da primeira parte. Coube a Meg Duffy e ao seu projeto Hand Habits, que durante 30 minutos nos apresentou algumas das canções, sendo o mais recente trabalho discográfico, ‘placeholder’, o mote principal. Em
formato trio apresentou-nos a sua melodiosa indie pop carregada de uma generosa
porção bucólica.

Meg Duffy como Hand Habits na primeira parte da noite [mais fotos aqui]
Acabada de fazer 33 anos, somente dois dias antes do
concerto portuense, Angel e os seus
6 acompanhantes subiram ao palco à hora certa (22:30 horas) marcada para o
início do seu espetáculo. Todos a condizer, vestidos de negro. Na bagagem, a
artista oriunda de Saint Louis, estado do Missouri nos Estados Unidos, trouxe-nos a apresentação do seu mais recente álbum. ‘All Mirrors’ foi lançado no final do
ano passado mais precisamente em outubro. A faixa que dá título a esse disco
foi a canção escolhida para início de concerto. A setlist foi composta
maioritariamente por canções desse trabalho, como era esperado, tais como “Spring”, “Impasse”, “Summer” ou “Endgame”. A quarta canção tocada “Lark” trouxe a primeira reação mais
enérgica do público. A assistência esteve sempre entusiasta (não em demasia) e
compenetrada, desde o primeiro minuto até perto da meia-noite, altura em foram
dados os últimos acordes.
Canções marcantes da sua carreira não faltaram tais como “Shut Up and Kiss Me” ou “Windows”, esta última interpretada de
forma solene e a dois tempos. Antes do encore, Angel ficou a solo, para de
seguida os seus companheiros de palco retornarem para “Chance” num final bastante taciturno. A vontade era de continuar
madrugada adentro a ouvir outras das suas canções.

O olhar atento de Angel Olsen para o público nortenho
[mais fotos aqui]
A performance teve momentos mais serenos e intimistas e
alguns outros em que foi preciso elevar o nível das guitarras. A cantora norte-americana
alternou entre o teclado e guitarra, estando muito bem acompanhada, especialmente
pela secção de cordas que se revelou bastante preciosa na sua colaboração.
Esteve sempre bem disposta, de sorriso largo, e comunicativa tendo
inclusive respondido a algumas tiradas do público. De corpo franzino com curvas
bem femininas, deixa transparecer toda a sua atitude rock sobretudo pela sua
majestosa voz.
Não foi propriamente um concerto transcendental, contudo
foi uma apresentação bem polida, confirmando-nos todas as potencialidades da
cantora e demonstrando o quão marcante é este seu último registo discográfico
para a sua carreira. Canções que versam a incerteza da vida, das paixões,
amores e desamores sempre sob uma incerteza ora passiva ora ativa. Foi como andar
numa montanha russa ao contrário, do querer entrar na aventura e sentir toda a
adrenalina só que nem sempre encarar de frente o que se seguirá.
Nota final positiva para este evento organizado pela Lovers & Lollypops pois cumpriu os
todos horários propostos à risca algo não tão habitual em eventos musicais
decorrendo num ambiente bem agradável.
Vejam toda a foto-reportagem pelo João Machado: clicar aqui

Texto: Edgar Silva
Fotografia: João Machado
