
Grian Chatten dos Fontaines DC | mais fotos clicar aqui
Sábado, 17 de agosto, foi o dia de encerramento do evento em 2024, tal como noutras ocasiões, a última jornada traz consigo um acentuado sentimento nostálgico. A minha aventura de assistir a todos os dias do festival iniciou-se na edição de 2019 e desde então tem sido um carrossel de emoções musicais fortes. Já na edição de 2022 assumi outro desafio, o de escrever reportagens diárias nos dias seguintes. Tem sido uma missão extremamente exigente, à qual já tomei o gosto.
Mais uma vez, o compromisso assumido em nome do headLiner, foi cumprido com bastante qualidade e empenho. Neste particular fica, desde já, um enorme agradecimento à Ana Lourenço por ter aceitado o desafio de fotografar o Vodafone Paredes de Coura e ter cumprido a sua tarefa com nota altíssima. Foi a sua primeira vez nesta empreitada tendo concretizado um trabalho fotográfico fabuloso. Se não viram ainda as galerias de fotos aconselho a que deem uma vista de olhos aqui.

Valter Lobo no seu Paredes du Coeur | mais fotos clicar aqui
Jorge Moura na guitarra, Pedro Santos no baixo e Pedro Oliveira na bateria acompanharam Valter Lobo de forma indelével nesta histórica atuação do artista fafense em Paredes de Coura. A adesão ao seu concerto no palco secundário foi massiva e teve vários momentos impactantes.
“Fizeste-me Sonhar” teve o primeiro momento de interação com o imenso público cantarolando. De seguida, em “Quem Me Dera”, interpretada num registo acústico, foi acompanhada de forma belíssima pelo público com coros perfeitos. Em “Guarda-me Esta noite” teve intensos coros e uma tremenda ovação no final. Já “Oeste” ficou guardada para fecho de atuação com chave de ouro.
“Gostava de poder ficar por aqui a tocar toda a tarde” afirmou Valter e certamente os fãs não se teriam negado minimamente a tal experiência. Tremenda e emocionante abertura da última jornada do festival em 2024. Ficará marcada na história de Valter Lobo para todo o sempre.

Valter Lobo guardou uma atuação bem especial para esta tarde | mais fotos clicar aqui
Hurray for the Riff Raff é o projeto de Alynda Segarra, uma cantora e compositora norte-americana e fez-se acompanhar da sua banda. Estreou-se em Portugal no Theatro Circo em Braga decorria o ano de 2018 e regressou para a sua segunda aparição no norte.
“A minha primeira vez no Porto”, Alynda não é a primeira artista a cometer o erro e não será última com toda a certeza. O pessoal já está acostumado à gaffe por artista estrangeiros porém, diga-se em abono da verdade, já muitos músicos forasteiros sabem bem o valor intrínseco de Paredes de Coura, do seu festival e a sua precisa localização.

Alynda Segarra com o seu projeto Hurray for the Riff Raff / mais fotos clicar aqui
Já muito bem preenchido, o anfiteatro natural da Praia Fluvial do Taboão, esteve em modo de sala de estar, as pessoas optaram pelo usufruto do espaço de modo sentado. Neste dia houve imensa gente a entrar logo depois da abertura de portas.
Ao quarto dia de evento tivemos a maior enchente com 25 mil pessoas, dados oficiais, ser sábado e ter um cartaz apelativo a jovens e a pessoas de faixas etárias acima dos 40 anos terá ajudado a bastante à heterogeneidade de públicos entre os 6 e os 60 anos.

Hurray for the Riff Raff em palco / mais fotos clicar aqui
‘The Past Is Still Alive’, editado no passado mês de fevereiro, teve apresentação por intermédio de canções como “Colossus of Roads” ou “Hawkmoon”. O seu som de estilo Americana com um travo de Country e Blues foi o encaixe perfeito para faixa horária da sua atuação ocorrida entre as 18:10h e as 18:56h.
Palehound é o projeto musical de El Kempner e atuou a solo no Palco Yorn, o cenário secundário.
Logo aí uma pequena desilusão, contava que ela atuasse com banda completa, algo que não aconteceu. Ela atuou a solo e dedilhou a sua guitarra clássica.
“Os meus amigos disseram que o público do Porto era incrível por isso vinha com grandes expetativas” afirmou a cantora oriunda dos Estados Unidos da América. “País lindíssimo e comida muito boa” foi o que artista descobriu nesta sua primeira passagem por Portugal. Kempner teve de puxar pelo seu lado comunicativo durante a sua performance acústica.

El Kempner como Palehound / mais fotos clicar aqui
Teve uma missão bastante espinhosa, o público português foi generoso e lá foi ajudando a artista neste seu desafio acompanhando-a com palmas. Pese o esforço, a atuação El Kempner não ficou registada para memória futura desta jornada…
A irreverência do britânico Baxter Dury nunca passa despercebida e assim foi no palco principal rubricando uma atuação que permitiu animar as hostes com a sua performance bastante expressiva.

Baxter Dury proporciona sempre agitação / mais fotos clicar aqui
Final de tarde bem fresco, o sol e aquele calorzinho bom deixaram a zona do recinto, fazendo deste modo um enorme contraste com os dias anteriores.
Contou com a sua banda: na bateria esteve Adam Falkner, teve também um guitarrista e ainda Fabienne Debarre como parceira teclista, ela que deu também apoio vocal como, por exemplo, em “Miami” . Destaque igualmente para a interpretação de “Prince of Tears”.

Baxter Dury numa performance irrequieta / mais fotos clicar aqui
Hotline TNT é o projeto do cantor e guitarrista Will Anderson. Curiosamente foi o único que não usou chapéu nesta performance no Vodafone Paredes de Coura, data marcante por ter sido a última da tournée europeia.
Uma sonoridade melódica de rock alternativo alicerçado no som das três guitarras com a indispensável ajuda da bateria. Estavam de mãos largas, um dos guitarristas até ofereceu uma sweat no decurso da performance.

Will Anderson, o vocalista dos Hotline TNT / mais fotos clicar aqui
A sua formação vai tendo variações com o decorrer do tempo. Existe uma rotação de músicos. Destaque para um dos guitarristas que atuou sentado, no final do concerto deu para visualizar que tem uma perna engessada. Teve de recorrer a muletas para fazer a sua retirada de palco.
Iniciaram a performance com “Protocol”, faixa de abertura do álbum ‘Cartwheel’ de 2023. Deste mesmo LP tocaram também “Son in Law”, “Sport me 100” e “I Thought You’d Change”, por exemplo. Já do disco ‘Nineteen In Love’ de 2021 interpretaram, por exemplo, “Had 2 Try” tendo sido a última.

Dois dos quatro elementos dos Hotline TNT / mais fotos clicar aqui
A atuação animou bastante quando o vocalista promoveu alguma interação com o público. Feedback final francamente positivo. Agora há que dizer, para memória futura, que o seu repertório não tem nada de inovador existindo outros tantos projetos dentro do mesmo estilo musical.
Os Slowdive regressaram a Portugal dois anos volvidos da sua atuação no então NOS Primavera Sound. Rachel Goswell (voz e teclado), Nick Chaplin (baixo), Neil Halstead (guitarra e voz), Christian Savill (guitarra) e Simon Scott (bateria) fizeram também o seu regresso ao Vodafone Paredes de Coura depois de terem atuado na edição de 2018.

Rachel Goswell dos Slowdive / mais fotos clicar aqui
As músicas foram sempre acompanhadas por vídeos com animações bastante sugestivas, coloridas intensas e psicadélicas. Duas das interpretações mais açucaradas foram “Crazy for You” e “Sugar for the Pill” fazendo desse modo complemento ideal às opções visuais que encheram os ecrãs vídeos de palco. As sensações melancólicas produzidas pelos temas destes britânicos são, efetivamente, bastante positivas.
“When The Sun Hits” e “Alison” dois dos temas que fizeram as delícias dos fãs que marcaram presença, alguns dos quais fizeram questão de estarem identificados com t-shirts alusivas à banda.

O poderio dos instrumentos de cordas dos Slowdive / mais fotos clicar aqui
Um dos concertos mais sólidos e melhor construídos de todo o festival, rubricaram uma atuação bastante aconchegante. A maturidade destes veteranos do indie-rock/shoegaze é um posto que se deve respeitar e apreciar.
Greg Hughes e Tessa Murray são o duo responsável pelo projeto Still Corners e neste concerto tiveram a colaboração de Jim Wallis na bateria.

Tessa Murray dos Still Corners / mais fotos clicar aqui
Sobretudo na primeira parte da atuação, o ambiente esteve algo morno com o público mais introspetivo e contemplativo. Felizmente a situação alterou-se na segunda metade da performance pois o trio realizou uma atuação cativante e personalizada.
“Strange Pleasures” foi a canção de abertura sendo que “White Sands”, uma das faixas de óbvia evidência do duo foi imprescindivelmente interpretada.
“Today is the Day” a primeira em que Tessa se aventurou pelo palco só a cantar durante algum tempo saindo assim do seu posto mais fixo perante o teclado. Ela que ofereceu algumas rosas aos fãs atirando-as para a plateia.

Greg Hughes dos Still Corners / mais fotos clicar aqui
“The Dream” terá sido o momento mais significativo de toda a atuação em que se viram imensos corpos a quererem levitar. Já aquele momento de lives para as redes sociais aconteceu, em “The Trip”, o último tema interpretado e provavelmente o mais conhecido destes britânicos.
Os Still Corners de tudo o que pude ver rubricaram uma das melhores surpresas de toda esta derradeira jornada. O seu dream pop fez sonhar e transportou os fãs a um estado etéreo e sereno.

A sensualidade impregnada de Tessa Murray / mais fotos clicar aqui
Para quem quiser repetir a experiência fica a dica de que os Still Corners vão regressar a Portugal já neste próximo mês de setembro para um concerto no Festival Manta em Guimarães.
Os The Jesus and Mary Chain liderados pelos irmãos Jim Reid e William Reid tiveram honras de cenário principal.
O êxito deste projeto escocês advém, essencialmente, de três faixas reconhecidas mundialmente: “Just Like Honey”, “Sometimes Always” e “April Skies”.

Jim Reid, o vocalista dos The Jesus and Mary Chain / mais fotos clicar aqui
O seu rock alternativo não criou ânimos muito elevados no público, eles que até tocaram um pouco além do que era suposto…
Os Superchunk liderados por Mac McCaughan, vocalista e guitarrista, fizeram a sua estreia no Vodafone Paredes de Coura. Começaram mais tarde o seu concerto propositadamente dado o estender do concerto dos The Jesus and Mary Chain no Palco Vodafone.

Superchunk em palco / mais fotos clicar aqui
Além de Mac, fizeram parte da banda a baterista Laura King, o guitarrista Jim Wilbur com o apoio da baixista Betsy Wright. 35 anos passaram desde o início do projeto e ainda estão aí para as curva mesmo que os seus membros não sejam sempre os mesmos…
O seu punk rock/rock alternativo (da pesada) surgiu mesmo como aquecimento para Fontaines DC. Sem dúvida no momento certo, toda aquela vivacidade sonora bem acelerada proporcionada por estes norte-americanos veteranos.
Os Fontaines DC são um quinteto composto pelo vocalista Grian Chatten, na guitarra principal Carlos O’Connell, como segundo guitarrista Conor Curley, Conor Deegan III no baixo e Tom Coll na bateria. Foram apresentados como um dos nomes maiores para a edição deste ano do Vodafone Paredes de Coura e por isso mesmo “arrastaram” bastantes fãs até ao Alto Minho muitos dos quais visivelmente identificados.

Conor Deegan III dos Fontaines DC em palco / mais fotos clicar aqui
Tiveram uma bandeira da Palestina pendurada num sintetizador. Pela primeira vez assisti a um festival de música com todo este impacto político, durante todo o festival houve diversos shout-outs acerca da causa palestiniana.Há que afirmar, de modo muito positivo, que os músicos sempre foram dos primeiros a apelar para a paz mundial nos seus concertos. Pessoalmente só estranho o foco único no caso Israel/Palestina. A atenção geral pelos conflitos armados devem também ter modas…
“Romance” e “Jackie Down the Line” foram as duas primeiras numa altura em que a encosta estava plenamente repleta sem espaço para mais ninguém. A maior enchente do festival. Sem grandes alaridos lá surgiram os tradicionais mosh pits e a correria aérea de crowdsurf sem que o concerto ainda estivesse a puxar por tanto… A este respeito da vivência do momento e da paixão penso que o público teve um desempenho bem mais elevado do que a banda…

Carlos O’Connell dos Fontaines DC em palco / mais fotos clicar aqui
Sinceramente acho que parte do desempenho dos Fontaines DC foi imensamente morno. Não basta ser-se competente tecnicamente, o que foram em nível elevado, há que ter também atitude mais desgarrada (eles são uma banda de punk rock, certo?) e um bocadinho de foco na interação com o público. A meu ver, terá faltado um bocadinho de fator wow. Basta olhar para a brutal atuação do dia anterior dos Idles e vê-la como exemplo.
Grian Chatten tem espaço de manobra para melhorar a sua neste aspeto da interatividade com os seus fãs. Caso isso aconteça, acredito que isso dará mais-valia à banda dando uma intensidade extra aos concertos.

Grian Chatten dos Fontaines DC | mais fotos clicar aqui
Efetivamente houve alguns momentos uns pontos acima na intensidade dos quais posso destacar durante “In the Modern World” altura em que as pessoas ligaram algumas lanternas sobretudo no cimo da encosta ou em “Favourite” quando os ânimos finalmente demonstraram-se arrebitados.
A banda dos incríveis temas “Big” e de “Boys in the Better Land”, ambos tocados na noite courense está realmente destinada a feitos maiores. Como diz a sabedoria popular o “caminho se faz caminhando” e estes irlandeses, que até tiveram um enorme letreiro luminoso com o seu nome por detrás de si e que a determinado momento pintou-se com as cores irlandesas, hão-de lá chegar.
Como é habitual no final do último concerto no Palco Vodafone foi altura para ver o filme com imagens gravadas durante o festival, algo que demorou uns minutos e que acabou por demover várias pessoas na espera. Em 2025 o Vodafone Paredes de Coura regressa entre os dias 13 e 16, respetivamente entre quarta-feira e sábado como tem sido a norma.
— Considerações finais
– Tal como o festival nos habituou, desde os WCs à restauração, os espaços funcionaram bem e notou-se uma melhoria significativa nas casas de banho. A sexta (dia 16) e o sábado (dia 17) foram os dias com mais gente, por inerência, houve uma maior dificuldade de movimentação e acesso aos respetivos serviços.
– O novo paradigma dos artistas sem horários sobrepostos deixou-me com sentimentos contraditórios. Se na teoria parece ótimo, na prática já não senti que assim fosse. Fisicamente é demasiado exigente uma jornada que arranca com o primeiro concerto às 17.30h e termina já depois na madrugada seguinte muito depois das 4h. Do ponte de vista de um melómano é desapontante.

Ambiente no rio neste último dia | mais fotos clicar aqui
– Continuo a repetir a ideia de anos transatos. Há demasiadas bandas/artistas por dia. Menos bandas e mais tempo de atuação pode ser positivo, do ponto de vista dos festivaleiros. HeadLiners tocarem apenas 1 hora é escasso, eles são as referências âncora e as razões principais que levam milhares de pessoas ao festival.
– Alguns horários são muito tardios, ter headLiners entrarem quase às 2 da manhã é efetivamente exagerado. O horário ideal para um headLiner é, na minha modesta opinião, é algo do tipo entre 22:30h à meia-noite para o arranque.
– Este ano ter atuações de bandas com bastante interesse depois das 4 da manhã é igualmente muito puxado e até desinteressante. Há pessoas que vão só pelos concertos e no final têm de regressar a casa. Nem todos estão de férias ou têm disponibilidade temporal por causa de afazeres pessoal e/ou laborais.
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Reportagem fotográfica rio : Clicar Aqui

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Texto: Edgar Silva
Fotografia: Ana Lourenço @ blackphant (Instagram)
