Glyders na Lovers: uma experiência física e envolvente

Eliza Weber, a baixista dos Glyders | mais fotos clicar aqui

Os Glyders passaram pelo espaço da Lovers & Lollypops, no Porto, na passada segunda-feira, dia 20 de abril, num final de tarde que se transformou gradualmente numa experiência física e envolvente. Estão no Velho Continente a apresentarem ‘Forever’, o mais recente disco do trio de Chicago.

Quando se chegava ao nº 143A da Rua de São Victor, por volta das 18:15 horas, já se fazia ouvir a Rádio Temporária do Bonfim, instalada no próprio espaço. Entre emissões e ambiências sonoras, o ambiente ia-se construindo de forma orgânica, antecipando o que viria a seguir. Uma espécie de extensão natural daquilo que a própria Lovers & Lollypops tem vindo a promover: cruzamento entre som, comunidade e território.

O concerto arrancou pelas 19h20, já com cerca de uma centena de pessoas reunidas na cave. Um espaço íntimo, mas suficientemente preenchido para criar um ambiente denso, quase imersivo, onde o corpo reage naturalmente ao som.

Trio norte-americano Glyders | mais fotos clicar aqui

Em palco, os Glyders apresentaram um registo assente num rock minimalista, hipnótico e repetitivo, onde o groove assume um papel central. Entre o garage rock, psicadelismo e uma certa herança kraut, as músicas vão-se estendendo, respirando e ganhando corpo ao vivo. Não há pressa — há construção.

Temas como “Hard Ride”, “Moon Eyes” ou “Stone Shadow” (presentes na setlist) mostraram bem essa dinâmica: riffs simples, mas eficazes, sustentados por uma secção rítmica sólida e uma abordagem quase ritualista à repetição. A música não explode — infiltra-se.

A meio do concerto, um pequeno imprevisto acabou por reforçar ainda mais essa ideia de continuidade. Uma corda da guitarra partiu, mas longe de interromper o fluxo, a banda manteve-se em andamento. Enquanto a troca era feita quase em modo “pit stop”, Joshua Condon foi preenchendo o espaço com arranjos espontâneos, acompanhando o ritmo da banda. O momento decorreu com tal naturalidade que pareceu fazer parte do próprio espetáculo — mais um exemplo da forma orgânica como o trio constrói o seu som em palco.

Joshua Condon, o guitarrista dos Glyders | mais fotos clicar aqui

Joshua Condon (voz/guitarra) e Eliza Weber (voz/baixo) mantêm uma presença contida, deixando que seja o som a ocupar o espaço, enquanto Joe Seger (bateria) segura a estrutura com precisão. O resultado é um concerto que não depende de grandes picos, mas sim de uma progressão constante, onde o envolvimento do público vai crescendo de forma quase inconsciente.

A cave da Lovers & Lollypops revelou-se o contexto ideal para este tipo de proposta. A proximidade, o calor e a própria configuração do espaço ajudaram a amplificar a componente física da música — mais sentida do que observada.

Sem grandes discursos ou interrupções, o trio percorreu o alinhamento de forma fluida, deixando a sensação de um concerto pensado como um todo e não como uma sucessão de momentos isolados.

Joe Seger, o baterista dos Glyders | mais fotos clicar aqui

A atuação no Porto surge integrada numa digressão europeia extensa, que tem levado os Glyders a várias cidades nos próximos dias, incluindo passagens por Espanha, França, Reino Unido, Alemanha, Países Baixos e República Checa, antes de regressarem aos Estados Unidos. Um percurso que reforça o momento ativo da banda e a crescente circulação do seu som em circuito internacional.

Reportagem fotográfica Completa:  clicar aqui

Trio Glyders na Cidade Invicta no espaço da Lovers & Lollypops | mais fotos clicar aqui

Texto:
– Vítor Neves @ vitor_m_neves (Instagram)

Fotografia:
– Vítor Neves @ vitor_m_neves (Instagram)

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