Fomos a jogo e vestimos a camisola da Joana Espadinha

Fomos a jogo e vestimos a camisola da Joana Espadinha | Reportagem Completa

Joana Espadinha em estreia no Novo Ático | foto @ Pedro Magalhães, Novo Ático

Em maio de 2022 o Coliseu Porto Ageas fez o anúncio da reabertura de uma das suas salas históricas: o Salão Ático. Renomeado de Novo Ático tem sido ocupado com programação em regime de matiné ao domingo, será sempre assim. Um pouco a fazer lembrar os chás dançantes realizados no século passado, desde 1941. A sala mantém a sua capacidade de 300 pessoas em pé e até 200 pessoas em formato de plateia sentada.

A Garota Não, Happy Mess, Club Makumba e Surma foram alguns dos artistas que atuaram por lá, nomeadamente, na segunda metade de 2022. Mirror People, O Gajo, Golden Slumbers e Mariana Dalot são alguns dos que já passaram pelo Novo Ático em 2023.

Em termos de concertos a programação em 2024 vai mais serena pelo que há basicamente estes nomes a destacar: Mila Dores e Os Senhores além da artista que iremos falar a seguir…

Uma programação musical bem diversificada, uma mais-valia na agenda cultural portuense, sem dúvida.

Em dia de final sénior masculina da Taça de Portugal entre Sporting CP e FC Porto a Rua da Santa Catarina e zonas adjacentes da Baixa do Porto estavam um pouco menos movimentadas do que é mais habitual para um solarengo domingo à tarde. Estes motivos, bem como tantos outros, podiam ser dissuasores de uma casa bem preenchida no Novo Ático, sala situada no 3° andar, no edifício do Coliseu. Certo é que as pessoas foram entrando aos poucos tendo ocupado os seus lugares não marcados nas cadeiras plateia. Acabou por estar muito bem preenchido, praticamente lotado.

Ao contrário do noticiado pelas fontes oficiais a banda de suporte da Joana Espadinha teve um outro elemento, assim sendo, foram 5 músicos em palco além da artista principal: Margarida Campelo (teclados e voz), João Firmino (Pir) (guitarra e voz), David Santos (baixo), Nuno Sarafa (bateria) e António Vasconcelos Dias (teclados, guitarra clássica e elétrica). Incrível banda de suporte recheada por elementos bastante competentes da nossa praça musical. Aliás António Vasconcelos Dias, o Toni como referiu Joana durante o concerto é o produtor do mais recente álbum.  Alguém com quem trabalha já há bastante tempo.

Da esquerda para a direita: João Firmino (Pir) ; António Dias, Joana Espadinha, Nuno Sarafa, David Santos e Margarida Campelo | foto @ Pedro Magalhães, Novo Ático

Devo escrever isto já: a visível alegria dos músicos revelou-se contagiante e alargou-se aos fãs. Aprecio imenso quando vejo os músicos a desfrutarem das suas performances e contentes por estarem a atuar, nos muitos concertos que vou vendo denoto que nem sempre é isso o caso…

Todos os presentes, incluindo-me pois claro, fomos a jogo e vestimos a camisola da Joana Espadinha logo desde a primeira faixa. Mesmo que “Vestir a Camisola” tenha sido somente a segunda a ser tocada.

“Vergonha na Cara”, álbum editado já em 2024, foi interpretado na íntegra em ordem um pouco diferente daquela oferecida no registo discográfico. Um álbum Pop, no qual este estilo é vestido de gala porém houve recurso a acessórios com traços indie rock para fornecer aquele visual ligeiramente malandro e irreverente. Como a camisa de franjas que a Joana Espadinha utilizou neste concerto, ora pois.

Teve fãs vestidos a rigor como foi o caso de um menino a usar um chapéu de “Ninguém Nos Vai Tirar o Sol”, tema que teve direito a interpretação impecável. Essa faixa dá nome ao seu álbum de 2021 e desse registo foram também tocadas “Queda Prá Desgraça” e “Mau Feitio”.

Joana Espadinha num registo expressivo através da sua incrível voz | foto @ Pedro Magalhães, Novo Ático

A voz da Joana esteve primorosa, tal como o som que pude desfrutar neste concerto no Novo Ático. Oxalá a francesinha com que Espadinha estava desejosa de jantar após o espetáculo tenha estado igualmente a preceito! Fez por merecer!

Em “Alibi” revela que é uma canção sobre a nossa relação com os smartphones. Em “Leva-me A Dançar” a interação é feita em dupla via com o público a ajudar, não regateou e foi sempre entusiasta.

Para um momento mais intimista, a interpretação de “Até Cair Em Mim” foi feita por Joana apenas com auxílio de Pir e de António que largou as teclas e veio à frente do palco pela primeira vez com guitarra clássica. O concerto foi assim, teve uns momentos mais calminhos e suaves, intercalados com as canções de maior pendor dançante.

Joana Espadinha numa atuação bonita e memorável | foto @ Pedro Magalhães, Novo Ático

Ficamos igualmente com a nota sobre “Ginger Ale” uma canção que ganhou nova roupagem depois de ter sido interpretada por Diana Castro no Festival da Canção. De sua autoria, Espadinha resolveu fazer a sua própria versão já que tem um significado pessoal muito especial, sobre ser mãe e o quão avassalador tal tarefa vem-se a revelar.

A audiência confirmou o entusiasmo com um acompanhamento auditivo em “Mau Feitio” e não quis fim de festa após "Estamos Conversados”.

Para o encerramento, com o encore, ficaram guardadas “Bala Perdida”, interpretada a dois com o apoio de António na guitarra elétrica em mais um momento mais compenetrado antes do fecho sem “Vergonha na Cara” e com toda a gente de pé a dançar até ao aplauso final pelas 19:21h.

António Dias e Joana Espadinha | foto @ Pedro Magalhães, Novo Ático

Joana Espadinha revela uma maturidade segura e num caminho em crescendo com este “Vergonha na Cara”, um álbum feito à sua medida e que tem captado o interesse da crítica bem como do público. A apresentação ao vivo é bastante viva, dançante e reconfortante pelo que não posso deixar de aconselhar que a vejam ao vivo numa próxima oportunidade se é que ainda não o fizeram.

Texto: Edgar Silva
Fotografia: Pedro Magalhães @ Novo Ático

Edgar Silva

Administrador de página e de conteúdos do HeadLiner

Adoro ouvir música. Ir a concertos é mesmo onde me sinto no meu elemento, é como um peixe na água. No headLiner junto ambos os gostos adicionando o gosto pela escrita: com artigos sobre música (bandas e eventos) e também umas coisitas acerca de alguns dos concertos a que assisto.