A estreia dos The Lemon Twigs em Guimarães foi sonho realizado por muitos fãs

Brian e Michael D’Addario | foto © Paulo Pacheco, A Oficina

A estreia em palcos nacionais dos The Lemon Twigs ocorreu no passado sábado, 25 de maio, no Centro Cultural Vila Flor (CCVF) mais precisamente na caixa de palco do Grande Auditório Francisca Abreu em formato Westway Live. Salvo erro, este foi o primeiro concerto que vi neste molde sem contar com as atuações do Westway LAB.

Cheguei à praça do CCVF pouco depois das 20:30h e o ambiente era extremamente calmo. O público chegava às pinguinhas… Tal como as gotas de chuva que caiam do céu… Um final de tarde/início de noite completamente oposto ao arranque solarengo e caloroso da jornada.

Ainda assim esta adesão em número algo limitado tornou-se mais intensa com o aproximar do evento. Certo foi que o espaço não esteve lotado, a audiência alcançou uma quantidade exata para um encontro bastante íntimo e emotivo para os fãs dos The Lemon Twigs.

Pessoas de diversas idades, até mesmo de faixas etárias acima dos 40 e 50 anos numa conjugação de público bastante heterogéneo. Facilmente registei desde logo uma presença bem notória de bastantes pessoas vindas de Espanha. Foi inesperado para mim, feita uma pesquisa online vi que o concerto de Madrid na Sala Copérnico de dia 28 deste mês acabou por esgotar de forma rápida. A banda tem ainda mais datas espanholas: Bilbau, Saragoça e Barcelona. Não passou pela Galiza provavelmente terá sido motivo para fãs galegos optarem pela vinda a Guimarães.

Destaque igualmente para a presença de alguns conhecidos músicos da “nossa praça” como Ed Rocha dos Best Youth, Ricardo Tomé dos Gator, The Alligator e ainda Helena Peixoto dos The Black Wizards.

Allegra Krieger na sua estreia vimaranense | foto © Paulo Pacheco, A Oficina

A primeira parte desta noite foi proporcionada por Allegra Krieger, uma cantautora norte-americana, oriunda da “Grande Maçã”. O relógio digital marcava 21:31h quando a artista, de guitarra nas mãos, entrou para o seu set deslocando-se até meio do palco para debaixo de dois focos de luz aonde ficou de pé.

Pela primeira vez fora dos Estados Unidos da América, como confidenciou Allegra durante a atuação, teve a simpatia e atenção de uma plateia em silêncio a escutá-la. Ela que tem-se revelado bastante empenhada, só em 2023 editou dois álbuns, ‘I Keep My Feet On The Fragile Plane’ e ‘Fragile Planes: B-sides’, este último com canções que nasceram durante o período de gravação do álbum principal, embora não necessariamente nas sessões tendo em vista o primeiro disco citado.

Sozinha em palco muniu-se do poder da sua doce e bastante agradável voz para presentear um público, na sua grande maioria certamente desconhecedor, de um pouco da sua discografia num registo de indie folk. Krieger percorreu um pouco pelo seu trabalho tendo dando ênfase aos seus singles, nomeadamente, a “Lingering” e “Nothing In This World Ever Stays Still” tendo também tocado “The Circumstance” e “Come In”, por exemplo.

Foram 30 minutos bem simpáticos assegurados por Allegra Krieger.

A norte-americana Allegra Krieger | foto © Paulo Pacheco, A Oficina

Agora é tempo para debruçar-me sobre a atuação dos The Lemon Twigs.

Este duo oriundo da zona de Nova Iorque é composto pelos irmãos Brian e Michael D’Addario, têm 2 anos de diferença e são muito parecidos. Ambos são multi-instrumentistas e cresceram numa casa rodeada de música já que o pai foi músico profissional, falamos portanto de Ronnie D’Addario, e a mãe era cantora. Começaram este seu projeto bem cedo, ainda durante a adolescência, algo que fez com que fossem rotulados de “jovens prodígios”.

Chegaram para este debute lusitano com uma discografia bem prolífera que inclui 6 álbuns (LP), 1 EP e 1 disco ao vivo, tudo produzido em 10 anos de carreira. O foco da performance desta tournée ibérica, no qual se inseriu esta atuação, foram os dois últimos álbuns: ‘A Dream Is All We Know’ editado a 3 de maio deste ano (uma edição ainda bem “fresquinha”) e ainda o trabalho editado em 2023 intitulado ‘Everything Harmony’.

Perspetiva da “caixa de palco” | foto © Paulo Pacheco, A Oficina

Foi isso mesmo que registei na atuação vimaranense. A banda tocou “My Golden Years” ; “Church Bells” ; “If You And I Are Not Wise”; “Peppermint Roses” ; “Sweet Vibration” e “Rock On (Over and Over)” do álbum ‘A Dream Is All We Know’ editado há poucos dias, mais precisamente a 3 de maio de 2024.

Já do trabalho discográfico ‘Everything Harmony’ foram interpretados “In My Head” ; “What You Were Doing” ; “Any Time Of Day” ; “Ghost Run Free” e “Corner of My Eye”.

“The One” ou “Only a Fool”, canções menos recentes, tiveram igualmente espaço na setlist.

Michael, Brian, Danny e Reza | foto © Paulo Pacheco, A Oficina

O som retro, inspirado pelas paisagens sonoras roqueiras dos anos 60 e 70, foi sempre uma imagem de marca dos The Lemon Twigs. Agora com os dois álbuns mais recentes são acrescentadas harmonias crescentes e em falsete facilmente associadas aos Beach Boys. O som torna-se mais completo. O tom notoriamente mais meloso em versão discográfica ganha uma roupagem mais elétrica com um revestimento rockeiro encorpado.

A primeira curiosidade a que assisti, antes da entrada dos irmãos D’Addario, naqueles minutos de transição entre Allegra e The Lemon Twigs, foi o facto do irmão mais novo ter rodeado a plateia pela parte do fundo e subido ao palco sem que grande parte das pessoas se tivesse apercebido. Foi efetivamente curioso.

Brian e Michael D’Addario com os seus parceiros de tournée Danny Ayala (teclado e guitarra) e Reza Matin (bateria e guitarra) subiram ao palanque pelas 22:18h para gáudio de ansiosos fãs, tanto dos lusitanos como dos espanhóis.

Danny e Reza | foto © Paulo Pacheco, A Oficina

Danny Ayala revelou-se um músico bastante desenvolto com passeatas pelo palco indo inclusive à frontal piscando um olho aos fãs. Acalmou quando em “Any Time Of Day” (oitavo tema interpretado) passou para o teclado. Já antes disso Brian D’Addario tinha trocado a guitarra pela bateria na qual deu o seu ar de show com as baquetas. No regresso à guitarra dois temas depois teve problemas com a afinação da guitarra tendo trocado por outra, algo que deixou o seu irmão em modo de “vamos ver como isto vai correr”. Já Reza Matin também alternou o seu instrumento preferencial: deixou a bateria e atestou dotes de guitarrista.

Tanto Brian como Michael demonstraram boa onda: estiveram bem comunicativos e divertidos o que ajudou a um ambiente mais suave e descontraído.

Michael na bateria Danny e Reza na guitarra | foto © Paulo Pacheco, A Oficina

Sinal disso foi a dedicatória de uma canção às pessoas que ficaram sentadas “Como no filme ‘A Origem’: tudo a ver de lado”. Efetivamente quem não optou por ver o concerto na caixa de palco em pé pôde ver o concerto sentado porém ficaram com uma perspetiva lateral do mesmo.

Repescaram o tema “I Don’t Wanna Cry” lançado em 1981 pelos The Keys, algo que têm feito recorrentemente ao vivo.

Antes do encore proporcionaram uma sequência bastante mexida com um trio de canções: “Sweet Vibration”, “Corner Of My Eye” e “Rock On: Over and Over”.

Michael D’Addario | foto © Paulo Pacheco, A Oficina

No referido encore “If You Give Enough” e “When Winter Comes Around” com solo de Brian antecederam o fecho da atuação com banda completa numa interpretação de “Hold Me Tight”, tema dos Beatles.

A estreia cumpriu plenamente a expetativa: foi de alto nível numa performance bastante segura e poderosa. Pode dizer-se que foi um sonho realizado por vários fãs esta atuação proporcionada pelos The Lemon Twigs em Guimarães.

Brian D’Addario | foto © Paulo Pacheco, A Oficina

Os fãs estavam ávidos no final do espetáculo e “atacaram” a bancada do merchandising logo ali à “mão de semear”. Os vinis e os CDs, especialmente os vinis, tiveram muita saída. Para muitos foi noite de “estrelinha” pois esses suportes foram autografados pela banda. Compareceram naquela zona para gáudio de várias dezenas de admiradores que puderam contactar mais de perto com eles de forma bastante amistosa.

O duo The Lemon Twigs atuou também em Lisboa no passado domingo. Prossegue a tournée em Espanha onde o ponto mais alto será uma dupla aparição em Barcelona: uma no evento principal do Primavera Sound a 1 de junho e outra na Sala Apolo inserida no programa do ‘Primavera A La Ciutat’ a 2 de junho.

Danny, Brian e Michael D’Addario | foto © Paulo Pacheco, A Oficina

Texto: Edgar Silva
Fotografia: © Paulo Pacheco – Fotos Oficiais A Oficina, entidade gestora do Centro Cultural Vila Flor

Edgar Silva

Administrador de página e de conteúdos do HeadLiner

Adoro ouvir música. Ir a concertos é mesmo onde me sinto no meu elemento, é como um peixe na água. No headLiner junto ambos os gostos adicionando o gosto pela escrita: com artigos sobre música (bandas e eventos) e também umas coisitas acerca de alguns dos concertos a que assisto.