Beach House e Waxahatchee: destaques de uma jornada de completo domínio norte-americano – Dia 2 do Primavera Sound Porto 2025

Waxahatchee, o projeto de Katie Crutchfield | mais fotos clicar aqui

Sexta-feira, 13 de junho, segunda jornada da 12ª edição do Primavera Sound Porto no Parque da Cidade.

Em tudo idêntico o escalonamento dos concertos em termos horários relativamente ao dia de abertura. Teve tem dois emparelhados, tal obrigou sempre a uma escolha preferencial. Houve apenas o concerto dos Fcukers sem concorrência horária. Podemos “picar” um bocadinho ali e acolá, é uma possibilidade, pois claro. Em todo o caso isto significou que podemos usufruir, no máximo, de um total de 9 concertos completos nesta segunda jornada.

Não temos, ao momento, dados oficiais sobre a adesão de público. Creio que terá registado num número semelhante à quinta-feira com cerca de 35 mil pessoas. Mais uma belíssima adesão portanto. Em comparação com o dia anterior, tomando por referência as 19h, nesta sexta-feira a essa hora o recinto estava com menos gente. Começou a ficar bem mais concorrido após esse horário. Até então circulava-se bem e até conseguia-se chegar à parte frontal dos palcos sem grandes stresses.

Sérgio na guitarra, Cátia ao meio e João à direita | mais fotos clicar aqui

O público português compareceu em força para ver A Garota Não, artista setubalense em estreia total, como artista e como público, no Primavera Sound Porto.

Cátia Mazari esteve acompanhada por mais três músicos entre os quais Sérgio Mendes (guitarra) e Diogo Sousa na (bateria), os seus dois habituais parceiros. João Mota foi o outro guitarrista.

Apresentou alguns dos temas novos lançados bem recentemente em ‘Ferry Gold’, seu registo discográfico lançado no passado mês de maio e cuja audição ficou primeiramente disponível somente no Bandcamp na artista.

Temas novíssimos como “Este país não é para mães”, “Primeira vez como tudo” ou “Temas que falam da vida” foram apresentados. Para fecho de concerto ficou guardado o tema que dá nome a este álbum.

Diogo Sousa, o baterista d’ A Garota Não | mais fotos clicar aqui

Êxitos como “Prédio Mais Alto”, “Urgentemente” e ”Dilúvio” foram interpretadas integralmente Já outros temas menos recentes foram englobados num medley, aonde houve ali uma dedicatória especial para o governo que recentemente tomou posse. Uma mensagem sobre o estado da cultural, pois claro.

Num final de tarde bem solarengo e com uma temperatura muito amena o quarteto rubricou uma performance bem agradável e calorosa naquele que foi o concerto de abertura do Palco Revolut ao segundo dia.

A Garota Não com a concentração habitual | mais fotos clicar aqui

Em termos de escolhas, o mais lamento desta jornada, foi não poder ver e ouvir os Been Stellar. Continuo com muita curiosidade em ouvir ao ‘Scream from New York, NY’, o álbum de estreia deles. Oxalá essa oportunidade possa surgir num futuro próximo.

A minha seleção recaiu em Waxahatchee, uma artista da qual sou fã e que sigo já há imensos anos, cerca de 10 anos se não me falha a memória. Tem tido um percurso em ascensão e felizmente tido o êxito que merece pese embora as “pedras na calçada” que teve de enfrentar na sua vida pessoa.

Com os trabalhos discográficos ‘Saint Cloud’ de 2020 e ‘Tigers Blood’ de 2024 a sua incrível valia musical ficou demonstrada de forma irreversível.

Waxahatchee junto aos fãs | mais fotos clicar aqui

À hora do início deste concerto estava ainda uma adesão calma de público. Aproveitei para chegar até à frontline e ficar junto às grades. Provavelmente este terá sido o único concerto que verei nesta condição. A passarela continua cá, não foi instalada propositalmente para Charli XCX como tinha imaginado inicialmente.

Katie Crutchfield, conhecida artisticamente como Waxahatchee regressou ao festival, tendo atuado pela segunda vez no Primavera do Porto. A primeira vez ocorreu numa bonita apresentação em 2018, nessa altura a sua irmã gémea Allison Crutchfield fazia parte da sua banda ao vivo.

Em 2024, Crutchfield editou ‘Tigers Blood’ e através da magnífica balada “Right Back To It” (acompanhada por MJ Lenderman) tema que fez furor, permitiu ao álbum ter a visibilidade merecida. Esse tema não faltou na setlist, uma bonita interpretação degustada por todos fãs na frontline.

Waxahatchee de regresso ao Porto | mais fotos clicar aqui

Outros temas como “Can’t do much”, “Problem With It” “Crowbar” ou “Lilacs” foram apresentados na Cidade Invicta no palco principal deste Primavera Sound Porto. A setlist deambulou entre temas dos álbuns já referidos de 2020 e 2024.

A interpretação vivida mais intensamente por todos em cima do palco foi com ‘Tigers Blood’, a penúltima interpretada. A atuação terminou com a belíssima “Fire”.

Katie, vestida com calças e casaco de ganga, apresentou-se descontraída e sorridente. Veio junto dos fãs algumas vezes, fazendo uso da passarela, para regalo e o seu sorriso ficará como recordação tal como a bonita performance que ela fez com o auxílio da sua banda.

A troca constante de instrumentos, especialmente das guitarras elétricas e acústicas, não teve impacto no ritmo da atuação.

Spencer Tweedy na bateria, Colin Croom no piano, Clay Frankel na guitarra, Cole Berggren na guitarra de pedal e Eliana Athayde no baixo foram os músicos que vieram com a Katie (voz e guitarra acústica) para este concerto e tiveram um desempenho altamente profissional e notou-se que desfrutaram da performance.

Eliana Athayde, a baixista de Waxahatchee | mais fotos clicar aqui

Sem margem para dúvidas: a experiência de seguir um concerto junto à grade tem outra emoção e para quem é fã de Waxahatchee como eu, foi mesmo um momento emocionante.

Em boa hora fomos presentados com uma preciosa visita dos incríveis TV On The Radio. O sexteto esteve bem dinâmico, ancorado pela presença de enorme magnetismo do seu vocalista.

Eles regressaram aos concertos após cinco anos de interrupção. A banda nova-iorquina, existe desde 2001, trouxe música nova além de alguns clássicos.

Tunde Adebimpe dos TV on The Radio | mais fotos clicar aqui

Tunde Adebimpe é o vocalista deste projeto norte-americano e aos 50 anos trouxe o seu timbre tipicamente norte-americano, uma voz de impacto. Igualmente uma personalidade frontal como se pôde constatar.

No seu discurso não faltaram as referências habituais, dos eventos no seu país natal bem como na Palestina, aliás a bandeira estava colada numa das guitarras.

Conseguiu contagiar o público sendo que este respondeu à altura da ocasião. Todos os restante músicos dos TV On The Radio
acompanharam energicamente.

Kyp Malone dos TV on The Radio | mais fotos clicar aqui

Uma das partes curiosas da atuação foi quando Tunde pediu ao público para cantar os parabéns em português ao Jeff, um dos elementos da banda. Os milhares de portugueses, pois claro, não se fizeram rogados e acederam ao pedido.

Indie rock (de influências bem distintas) de intensidade bastante vibrante a cair no goto dos muitos milhares presentes abaixo encosta até bem junto do Palco Vodafone.

Jesske Hume dos TV on The Radio | mais fotos clicar aqui

Michael Kiwanuka teve, nesta noite, a sua oitava passagem por Portugal, a segunda pelo Porto depois do concerto a solo na Super Bock Arena em 2022.

Em setembro de 2024 o artista britânico editou ‘Small Changes’ e no Primavera Sound Porto pudemos escutar um bocadinho desse álbum. Por acaso a canção de abertura foi “Place I Belong”, uma das menos recentes, do disco ‘Love & Hate’ de 2016. Curiosamente “Cold Little Heart”, a faixa que encerrou a atuação, foi igualmente desse álbum.

Michael Kiwanuka cantou e tocou guitarra | mais fotos clicar aqui

Palco com uma cenografia expressiva com telas vermelhas, uma das quais rodeava o ecrã gigante de palco. Todos os músicos tinham indumentárias específicas e complementares entre si em tons claros.

A setlist circulou em ritmo de montanha russa, passamos intercaladamente entre temas mais suaves e outros em que as guitarras estavam mais despertas. Nota de destaque para o coro de Kiwanuka. Vozes de um poder incrível e tal foi reconhecido pelo público com fortes salvas de palmas.

O coro de Michael Kiwanuka | mais fotos clicar aqui

Gosto de alguns dos temas Michael Kiwanuka e esperava sentir alguma vibração com a sua performance. Não fiquei propriamente entusiasmado com o seu concerto, no entanto, devo dizer que pareceu-me uma atuação bem sóbria e competente de Kiwanuka e da sua banda.

A dupla Victoria Legrand e Alex Scally esteve de regresso a Portugal, a última passagem ocorreu em 2022 no Vodafone Paredes de Coura. Na altura não fiquei com o melhor feeling da sua atuação porém desta vez foi totalmente diferente.

No meio esteve Victoria Legrand (voz e teclado), do lado direito o baterista James Barone e à esquerda o guitarrista Alex Scally.

Victoria Legrand dos Beach House | mais fotos clicar aqui

Tema de abertura dos Beach House foi “Lazuli”, interpretada no meio de um jogo de luzes na cor azul.

Os fãs lusitanos estão sempre preparados para uma adesão fortíssima a uma performance dos Beach House. Nesta noite de Primavera Sound Porto a resposta foi bem positiva.

Alex agradeceu de forma bem simpática. Disse que eles têm um bom momento sempre que tocam no Porto. Assim é desde 2008 quando fizeram a estreia no Passos Manuel.

Alex Scally dos Beach House | mais fotos clicar aqui

Um dos momentos melancólicos registou-se durante a interpretação de “Drunk In LA”. Por outro lado registaram-se diversos momentos para sessões live streaming de Instagram: em “Myth” e “Space Song”, dois dos temas mais reconhecidos da banda.

A dream pop adocicada dos Beach House navega entre estados melancólicos e outros mais etéreos. Deu vontade, amiúde, fechar os olhos e deixar o corpo sentir as vibrações musicais. Fiz a vontade ao que o corpo pedia e deixei-me flutuar algumas vezes.

Perante uma cenografia invulgar, de luzes e imagens de vídeo, o público teve direito a uma performance inspirada e compenetrada por parte dos norte-americanos Beach House.

O baterista James Barone dos Beach House | mais fotos clicar aqui

A generosa audiência dos Chat Pile ficou devidamente apresentada ao noise rock deste quarteto norte-americano. Eles que auto-intitulam de “banda rock” contudo são muito mais do que “apenas uma banda rock”.

Raygun Busch, pseudónimo do vocalista, atuou de forma solta e altamente descomprometida. Pese embora estar bem fresco, não teve problemas em estar de tronco nu e de calções.

Eles terão fornecido, quiçá, a atuação mais divergente de todas. Em termos sonoros e de atitude punk.

Chat Pile e o seu portentoso rock noise | mais fotos clicar aqui

O regresso dos Deftones foi altamente antecipado, não tocavam no nosso país desde 2017. Na altura marcaram presença no Super Bock Super Rock.

Trouxeram ao Porto, na primeira data da atual tournée europeia, uma performance pensada ao milímetro em termos de efeitos de luz e projeções vídeo.

Chino Moreno é o mítico vocalista dos Deftones cujo projeto iniciou-se em 1988 na Califórnia nos Estados Unidos da América. Aos 51 anos demonstrou vitalidade no físico, ele que deambulou de um lado para o outro. Nas aptidões vocais também, a forma como canta, maneira bem desgarrada. Com toda a certeza ao longo destes anos todos tem conseguido proteger contra um desgaste acentuado.

Chino Moreno uma personagem já mítica da música | Foto oficial Primavera Sound Porto @ Hugo Lima – www.fb.me/hugolimaphotography

De entre as primeiras estiveram “Be Quiet and Drive (Far Away)” e “Shove it”. Por altura da interpretação de “Digital Bath”, um pouco mais adiante, já o público estava devidamente aquecido e pronto para demonstrar a devida reverência à banda norte-americana.

A multidão rejubilava e mantinha-se bem entretida tema após tema. Durante o dia visualizei algumas t-shirts com referência a esta banda por isso não estranhei toda a azáfama em torno do aproximar da hora de debute da performance.

Uma viagem na “faixa da memória” aos bons anos 90 e aos tempos em que o nu metal surgiu sobretudo pela mão dos Deftones. A noite teve igualmente esse travo saudosista especialmente para os muitos quarentões e cinquentões presentes.

A banda está aí para as “curvas” e a vitalidade que todos os elementos dos Deftones foi um elemento muito bom de se ver. A banda rubricou uma atuação dentro da expetativa entregando aos fãs uma noite para eles sentirem fervor máximo.

Deftones incríveis no Palco Vodafone | Foto oficial Primavera Sound Porto @ Hugo Lima – www.fb.me/hugolimaphotography

Agora é hora de retemperar as forças e seguir para a reportagem sobre este terceiro e penúltima jornada do Primavera Sound Porto em 2025.

Reportagem fotográfica concertos: Clicar Aqui

Tunde dos TV on The Radio | mais fotos clicar aqui

Reportagem fotográfica público e ambiente: Clicar Aqui

Público do Primavera Sound Porto | mais fotos clicar aqui

Texto: Edgar Silva

Fotografia: Ana Lourenço @ blackphant.stage (Instagram)

Edgar Silva

Administrador de página e de conteúdos do HeadLiner

Adoro ouvir música. Ir a concertos é mesmo onde me sinto no meu elemento, é como um peixe na água. No headLiner junto ambos os gostos adicionando o gosto pela escrita: com artigos sobre música (bandas e eventos) e também umas coisitas acerca de alguns dos concertos a que assisto.