
Sábado, 14 de junho, terceira jornada da 12ª edição do Primavera Sound Porto no Parque da Cidade.
O escalonamento dos concertos nesta terceira jornada foi diferente dos dois dias prévios. A sequência foi mais densa pelo que só houve emparelhamento a duas bandas, nos mesmos horários, em três ocasiões. Devido a isso as escolhas tiveram de ser mais criteriosas: entre “picar” um bocadinho ali e acolá e ver concertos completos a tarefa foi mais exigente. Em jeito de conclusão, ao fim de três jornadas, estou bastante satisfeito com as opções tomadas. Apenas fiquei com um pouco de pena de ter não visto The Jesus Lizard, Been Stellar e Fcukers.
Nunca Mates o Mandarim é um projeto de indie-pop-rock orelhudo de efeito gostoso. Eles são portuenses e por isso foi uma atuação especial.
Começaram a dar nas vistas, nos ouvidos também, com versões de canções do universo popular como, por exemplo, “A Bela Portuguesa” e “Coisinha Sexy”. Ambas tocadas nesta atuação.
O trio é composto por João Amorim (guitarra e voz), Manuel Dinis (guitarra e voz) e João Campello (bateria). Tiveram o apoio de um quarto elemento.

Pelo meio estrearam músicas novas, foram os casos de “Desvio na Mealhada” e “Dominó”.
João Amorim revelou que o motivo para a sua estreia, em 2014, neste festival como fã foi pelos Neutral Milk Hotel. A primeira banda que viu e por ser considerado pela mãe demasiado jovem para ir sozinho ela fez-lhe companhia.
O público português aderiu em bom número e esteve participativo numa linda tarde bem mais quentinha do que os dias anteriores, bem solarenga.

Manuel Dinis , o guitarrista dos Nunca Mates o Mandarim | mais fotos clicar aqui
Os Nunca Mates o Mandarim tiveram uma estreia para recordar por muitos e bons anos. Atuação bem descontraída deste jovem quinteto numa estreia de sonho num dos maiores palcos nacionais.
dB em versão trio com Marquito na guitarra e António Bandeiras. David Bruno até “sacou” do seu melhor fato negro do seu roupeiro e mostrou-se como sempre: relaxado como quem acaba de sair de um SPA.
Adesão massiva ao ídolo português oriundo de Vila Nova de Gaia, do outro lado da ponte. O primeiro gajo de Gaia que veio ao Primavera Sound Porto duas vezes consecutivas, disse-o com muito orgulho. Esteve em 2024 com Conjunto Corona.

David Bruno, artista orgulhoso da sua origem | mais fotos clicar aqui
Bandeiras serviu como relações públicas: distribuiu rosas e demonstrou alguma dose de loucura ao trepar a estrutura de palco do lado direito.
Um dos vários pontos curiosos… Antes de “Mesa para dois no Carpa”, tema dedicado ao Carpa, o público deu vivas aos tascos.

Marquito, o guitarrista de David Bruno | mais fotos clicar aqui
Rui Reininho e Presto (dos Mind Da Gap) foram convidados especiais.
Uma performance de David Bruno é uma enorme miscelânea de acontecimentos diversos. Servidos em travessas de inox pois claro. 10/10
Horsegirl são um jovem trio norte-americano formado por três meninas da Geração Z: Nora Cheng (guitarrista/segunda voz), Penelope Lowenstein (vocalista/guitarrista) e Gigi Reece (baterista) têm um enorme potencial.
Penelope à esquerda, Gigi no meio um pouco recuada e à direita do palco esteve Nora. Esta foi a colocação em boa parte do concerto, mais tarde Nora e Penelope mudaram de lado e de instrumentos.

Penelope Lowenstein das Horsegirl | Foto oficial Primavera Sound Porto @ Hugo Lima – www.fb.me/hugolimaphotography
A estreia em Portugal foi muito boa na qual tocaram temas como “Option 8”, “Julie”, “In Twos” ou “Anty-Glory”.
Já contam com dois álbuns de estúdio e o mais recente, ‘Phonetics On And On’ editado este ano, demonstra a vitalidade destas meninas enquanto coletivo feminino indie.
Com bandas com esta pujança e originalidade o rock nunca estará em vias de extinção. O seu indie rock é sólido em versão disco e igualmente ao vivo.

Kim Deal em estreia no Primavera do Porto | mais fotos clicar aqui
Com Kim Deal na parte dianteira, ela teve o auxílio de 9 outros músicos. Houve instrumentos de sopro e de cordas, incluindo violino e violoncelo. Uma mini orquestra portanto.
Dividiu a sua atuação entre temas da sua recente discografia a solo como, por exemplo, “Coast” ou “Big Ben Beat” e canções da sua banda anterior: The Breeders. O clássico “Cannonball”, grande êxito de 1993, marcou presença.
Nas canções dos The Breeders alguns dos músicos saíram de palco. A formação restante revelou-se mais do tipo habitual de banda rock.

Alguns dos 9 músicos no apoio a Kim Deal | mais fotos clicar aqui
Uma multidão ia em direção ao Palco Vodafone ao mesmo tempo que a artista norte-americana começava o seu set. Ainda assim, teve uma boa adesão à sua performance. Registei a presença de um público maduro. A maioria da juventude rumou a Parcels, tal como já era expectável.
Teve consigo um papel com anotações e arriscou a dizer algumas coisas em português. Valeu o esforço!
Para nota de rodapé e como apontamento extra citar que Deal fez parte dos históricos Pixies em dois períodos distintos.
Kim Deal e toda a sua entourage musical proporcionaram uma bonita viagem pelo histórico da artista.

Kim Deal trouxe também música dos The Breeders | mais fotos clicar aqui
Primeira grande enchente de sábado aconteceu em frente ao Palco Vodafone logo às 19:10h com a performance dos Parcels. Regressaram ao norte depois da aparição, muito bem-sucedida, no Vodafone Paredes de Coura em 2019.
Todo o hype em volta destes australianos capitalizou uma multidão, muitos deles já fãs há algum tempo.
Fim de tarde perfeito para o groove dos Parcels, céu limpo com o sol a brilhar. Apenas a brisa imensamente sentida quase estragava o momento.

Noah Hill, baixista dos Parcels | mais fotos clicar aqui
Em “Somethinggreater” a banda pediu ajuda com palmas e o público na parte frontal aderiu massivamente. “Tieduprightnow” e “Safeandsound” são outras duas também tocadas.
Houve também passagens mais suaves, como foi o caso de “Theworstthing”.
Foram várias as ovações bem ruidosas algo que deixou a banda surpreendida e sem entenderem, pegando nas palavras deles. Confessaram que este foi um concerto especial para eles.

Em palco os Parcels | mais fotos clicar aqui
A lusitana Maro surgiu em palco, algo já esperado pois no dia anterior já andava pelo festival. Participou em “Leaveyourlove” com a sua delicada voz e guitarra acústica.
Estes rapazes vindos do outro lado do planeta têm uma proposta sonora irresistível. Tocaram todos em cima de uma plataforma branca e bem próximos uns dos outros.
Uma matiné dançante bem aprazível!
Rhian Teasdale (voz principal/guitarra) e Hester Chamber (guitarra/coros) são as responsáveis pelo surgimento do projeto Wet Leg em 2019.

Rhian Teasdale a vocalista dos Wet Leg | mais fotos clicar aqui
Ao vivo têm o apoio de três elementos: Henry Holmes na bateria/percussões, Joshua Mobaraki na guitarra/sintetizadores e Ellis Durand no baixo.
A primeira foi “catch these fists”, um dos mais recentes singles. A seguir o massivo êxito “Wet Dream”. Outros temas relevantes como “Leg Ur Mum” ou “Chaise Longue” evidentemente foram também interpretados.
Rhian fez uso da passarelle e olhou os fãs olhos nos olhos. Uma interação persistente e apelativa, o que ajudou a criar uma vibe mais poderosa em volta de toda a performance.

Palco Porto ocupado pelos Wet Leg | mais fotos clicar aqui
A banda estava literalmente elétrica e desfrutou da performance, tal como muitos dos milhares presentes. Os Wet Leg são um dos projetos mais atraentes surgidos no universo do rock alternativo do Reino Unido nos anos mais recentes.
A banda Squid veio diretamente de Brighton, e após uma passagem pelo Vodafone Paredes de Coura em 2023, trouxeram desta vez ao Primavera Sound Porto o seu mais recente disco ‘Cowards’, editado a 7 de fevereiro deste ano. Arrancaram logo a primeira faixa do novo disco, “Crispy Skin”.
Outras das mais recentes tocadas foram “Building 650” e “Cro-Magnon Man”. Curiosamente os temas que foram singles de avanço. No resto da setlist houve um passeio por diversos temas menos recentes.

Louis Borlase dos Squid | mais fotos clicar aqui
Uma das referências musicais, de relevância maior, dos últimos anos no Reino Unido são os Squid. Estiveram de novo no Primavera Sound Porto, eles que são “repetentes da turma” de 2022.
Ainda com o público a formar-se no Palco Revolut, foi logo na segunda malha em “GSK” que a moche espoletou, apesar de ainda um pouco tímida. Correram os discos todos desde o ‘Monolithic’ com malhas como “Swing in a Dream” ou “Undergrowth”, passando pelo ‘Bright Green Field’ tocando “Peel St” e “Pamphlet”. No entanto a plateia reagiu de forma efusiva a uma das mais antigas da banda do Reino Unido, quando os primeiros acordes de “The Cleaner” começaram a sair colunas fora, explodindo como as muitas centenas (se não milhares) de pessoas compuseram uma bela moldura humana.

Arthur Leadbetter dos Squid | mais fotos clicar aqui
Este quinteto britânico oriundo da cidade de Bristol é composto por Louis Borlase (guitarra e voz), Ollie Judge (voz e bateria), Anton Pearson (guitarra e voz), Arthur Leadbetter nos teclados e Laurie Nankivell no baixo.
A veia experimentalista de post-punk dos Squid proporciona sempre uma vivência sonora ao vivo bastante particular e extremamente pujante.

Ollie Judge dos Squid | mais fotos clicar aqui
As irmãs norte-americanas Este, Danielle e Alana não necessitam de grandes apresentações.
As Haim são uma power house feminina fortíssima cujo crescimento sustentado e reconhecimento sucedeu de um modo bem natural devido ao talento nato para a música que têm vindo a demonstrar desde 2007.
A última passagem delas teve lugar no NOS Alive em 2022, agora em 2025 regressam ao Porto onde tocaram no Primavera em 2014. Um regresso realmente saudado 11 anos depois.

Haim no Palco Vodafone | Foto oficial Primavera Sound Porto @ Hugo Lima – www.fb.me/hugolimaphotography
O horário de entrada não foi respeitado, houve um atraso de mais de 10 minutos. Já a hora de saída foi respeitada, provavelmente ajustaram a performance à setlist previamente definida e que tinha um tempo inferior ao horário definido pelo Primavera Sound Porto. As duas primeiras canções interpretadas foram “The Wire” e “Now I’m in It”.
Foram passando frases, mensagens e histórias com texto a vermelho e fundo negros nos ecrãs nas quais a expressão ‘I Quit’ surgiu de forma repetida. Era tudo uma auto-promoção ao quarto álbum e estúdio que vão lançar no próximo dia 20 de junho.

Danielle das Haim no Palco Vodafone | Foto oficial Primavera Sound Porto @ Hugo Lima – www.fb.me/hugolimaphotography
Uma das mensagens curiosas surgiu antes “Don’t Wanna”, o terceiro tema tocado, e versava “I quit giving up”. Traduzindo: “Desisto de desistir”. A parte visual, com imenso texto, deu um impacto extra à atuação.
No arranque para “Relationships”, um dos temas mais recentes, Alana emocionou-se e disse que a relação mais longa que têm é com os fãs. Grande parte das canções versa sobre relações: amores e desamores.
Uma performance dentro da performance são as expressões faciais da Este, incrivelmente expressivas. Impossível não formular um sorriso quando são percetíveis através das filmagens dos ecrãs.

Este das Haim no Palco Vodafone | Foto oficial Primavera Sound Porto @ Hugo Lima – www.fb.me/hugolimaphotography
Danielle tem um jeito mais sóbrio e sério, ela que é a verdadeira multifunções da banda, além de cantar e tocar guitarra também deu um salto à bateria.
As irmãs Haim tiveram extremamente comunicativas, de forma bastante divertida, o que ajudou a criar uma ligação mais profunda com os fãs. Revelaram que “Gasoline” é o tema preferido dos pais e que eles não sabem realmente qual é o seu significado real, acerca de ejacular.
As minhas duas canções preferidas não faltaram: “Want You Back” e “Summer Girl”. Nesta última tiveram uma introdução emocionante com um solo de saxofone proporcionado por Nick Ellman. Outro dos músicos que esteve em palco foi Ryan McDiarmid na bateria.
A vontade que tinha em ver as Haim vinha de há uns bons longos anos e finalmente foi satisfeito o desejo. Foi uma atuação certinha, intensa quanto baste e que deixou os fãs com “água na boca”, soube mesmo a pouco. Queremos mais!

Alana das Haim no Palco Vodafone | Foto oficial Primavera Sound Porto @ Hugo Lima – www.fb.me/hugolimaphotography
James Thomas Smith ficou conhecido no meio musical por ser um dos integrantes dos The XX. Este projeto começou a ser reconhecido em 2009 com ‘XX’, um álbum magnifico e que teve um impacto brutal.
Através da sua veia de produtor e DJ, em 2015, destaca-se como o seu projeto de música eletrónica ao qual apelidou de Jamie XX. Nesse ano editou ‘In Colour’, registo discográfico imensamente enaltecido.
Como Jamie XX repetiu a passagem pelo Primavera Sound Porto, já tinha atuado em 2018. Mais uma vez criou uma experiência imersiva numa conjugação de temas como “Idontknow” ou “Breather” e jogo de luzes misturados com imagens do público ou pré-gravadas.

Jamie XX, um dos repetentes no festival portuense | mais fotos clicar aqui
Na memória de muitos estava ainda ainda a performance dos Turnstile no Vodafone Paredes de Coura em 2022.
Aguardávamos por uma atuação imensamente enérgica ao bom nível estilo de hardcore punk, não só ao registo do género música, igualmente da atitude com que nos habituaram desde que existem. Os Turnstile cumpriram com a expetativa e brindaram-nos com uma performance expressiva e arrasadora.
Efetivamente foi um concerto à velocidade feroz de ponta de um TGV principalmente na zona do público. Em seguida a “Never Enough”, tema de abertura, tivemos “T.L.C. (TURNSTILE LOVE CONNECTION)” e o caos aterrou mesmo em frente do Palco Vodafone.

Meg Mills dos Turnstile | mais fotos clicar aqui
“Tudo em todo lado ao mesmo tempo” pode ser o modo resumido para descrever tudo o que aconteceu: de crowdsurf ao moche, aos saltos frenéticos e às rodas vivas. Os seguranças no fosso nunca mais tiveram sossego.
Brendan Yates (vocalista), Meg Mills (guitarra), “Freaky” Franz Lyons (baixo), Pat McCrory (guitarra principal) e Daniel Fang (bateria) são os elementos que formam o quinteto Turnstile e demonstraram todo o seu poderio.
‘Never Enough’, registo discográfico editado no passado dia 6 de junho, chegou bem fresquinho a Portugal. Vários capítulos desse trabalho foram tocados: “Never Enough” logo na abertura, “I CARE”, “SEEIN’ STARS” e “Birds”. Estas duas últimas os temas finais.

Brandon Yates dos Turnstile | mais fotos clicar aqui
Brendan Yates é o vocalista, de personalidade vibrante e irrequieta, nunca esteve em modo parado deambulando por todo o palco em constante diálogo não-verbal. Por diversas vezes elevou e virou o microfone para o público para que participassem sonoramente. Nem era preciso esse incentivo na verdade.
Em “MYSTERY” o coro era perfeito e os smartphones quase viravam drones. Em “BLACKOUT” o cenário era em tudo semelhante. São temas de maior impacto junto dos fãs.
Fãs esses, os que ficaram junto ao gradeamento depois do término do concerto, tiveram um miminho. Yates veio ao fosso e cumprimentou imensos fãs para enorme regozijo destes.

Daniel Fang dos Turnstile | mais fotos clicar aqui
A atuação dos Turnstile cumpriu com a alta expetativa e os fãs vivenciaram como se tivessem numa bolha ou dentro de um sonho, só o aqui e o agora interessavam.
Neste domingo, dia 15 de junho, a 12ª edição do festival portuense encerrou com um dia totalmente dedicado à música eletrónica. Segundo a organização deram entrada no recinto mais de 110 mil pessoas.
Em 2026 o Primavera Sound Porto vai regressar entre os dias 11 a 13 de junho na sua casa mãe, o Parque da Cidade.
Reportagem fotográfica concertos: Clicar Aqui

“Freaky” Franz Lyons dos Turnstile | mais fotos clicar aqui
Reportagem fotográfica público e ambiente: Clicar Aqui

Vista panorâmica do Palco Vodafone durante os Turnstile | mais fotos clicar aqui
Texto: Edgar Silva e Luís Silva
Fotografia: Ana Lourenço @ blackphant.stage (Instagram)
