
Grian Chatten dos Fontaines DC | mais fotos clicar aqui
Quinta-feira, 12 de junho, dia de arranque da 12ª edição do Primavera Sound Porto em 2025 no local do costume: Parque da Cidade. Comparativamente ao ano passado com algumas atualizações.
Em termos da localização de palcos, mantêm-se nos respetivos sítios, não há grandes novidades, apenas uma remodelação num patrocínio. Palco Porto (o principal), Palco Vodafone (na belíssima encosta), ao lado deste o Palco Super Bock e Palco Revolut este aqui com a tal novidade da troca do sponsor. A Plenitude deixa o patrocínio e surge a Revolut.
A maior novidade foi mesmo o reforço da estrutura do palco Vodafone. Provavelmente se estás a ler este artigo ainda estás recordado dos problemas no ano passado com a estrutura, levou mesmo ao cancelamento da atuação dos Justice. A organização revelou ter feito um esforço extra para consolidar os palcos, especialmente desse que tem o nome de uma operadora de comunicações.
Em termos de disposição geral de todo o recinto, se calhar a maior diferença é a existência pela primeira de um espaço de música eletrónica desenvolvido por uma marca de automóveis.
Em vez de três dias serão ao todo quatro dias com o último, no domingo dia 15, totalmente dedicado à música eletrónica. Igualmente dentro deste género musical há dentro do recinto um espaço apelidado de “Cupra Pulse” dinamizado pelo sponsor que está de regresso à Cidade Invicta

Ambiente antes do concerto dos Glass Beams | mais fotos clicar aqui
No que concerne aos restantes aspetos, como stands das marcas patrocinadoras, restauração e merchandising manteve-se tudo dentro dos sítios habituais como em 2024.
O escalonamento dos concertos teve dois emparelhados, tal obrigou sempre a uma escolha preferencial. Houve apenas o concerto dos The Dare sem concorrência horária. Podemos “picar” um bocadinho ali e acolá, é uma possibilidade, pois claro. Em todo o caso isto significou que podemos usufruir, no máximo, de um total de 9 concertos completos nesta primeira jornada.
Infelizmente, nesta edição, não pude fazer a minha incursão até ao recinto no dentro do meu costume: chegar por volta das 16h. Essa condicionante fez com que não pudesse apreciar os fluxos do dia de abertura, tal como gosto sempre de o fazer.
Somente consegui estar dentro do recinto do Primavera Sound Porto já depois das 19h. Devido a esse facto não visualizei as duas performances que tinha pensado: a de Débora Umbelino como Surma e a dos Momma.
A lotação máxima possível por dia no recinto cifra-se em 40 mil pessoas. Os organizadores revelaram estarem a contar com 35 mil pessoas diariamente tendo em conta o nível de vendas. Neste primeiro dia a jornada registou uma bela assistência, imagino que terá ficado perto das 35 mil pessoas.

Momma na estreia do Palco Revolut | mais fotos clicar aqui
Etta Friedman e Allegra Weingarten são as fundadoras dos Momma. São atualmente um quarteto do qual fazem parte também Aron Kobayashi Ritch e Preston Fulks. Fizerem sua estreia no Primavera Sound Porto com o seu projeto Momma. Foram responsáveis pela abertura do Palco Revolut.
Naturalmente tiveram um foco particular em ‘Welcome to My Blue Sky’, o mais recente álbum, editado no passado mês de abril.
Os ecos que me transmitiram é que proporcionaram uma atuação agradável. Esperam-se coisas boas desta jovem banda de indie rock oriunda da Costa Leste dos Estados Unidos da América.
Os DEHD são um trio rockeiro formado por Emily Kempf (voz e baixo), Jason Balla (voz e guitarra) e Eric McGrady (bateria). Estes norte-americanos regressaram ao Porto depois de terem atuado no Auditório CCOP em junho de 2023 pela mão da Crowdmusic. Na altura deixaram boas indicações e neste regresso tiveram uma oportunidade incrível. Apresentaram o seu repertório para uma audiência imensamente mais alargada.

Emily Kempf a voz dos DEHD | mais fotos clicar aqui
Foram realmente bastantes milhares de pessoas em frente ao Palco Porto durante os cerca de 50 minutos que tiveram para tocar. Toda esta gente esteve atenta a estes DEHD e a aderirem à performance com coreografias de braços bem levantados. Apresentaram um som vibrante e perfeito para um final de tarde ligeiramente fresco, sem chuva e com o tímido sol a espreitar.
Três elementos compõem os australianos Glass Beams e estiveram instalados em três palanques em linha reta na horizontal no Palco Vodafone. O vocalista Rajan Silva, ao centro, usou a habitual vestimenta facial dourada. Aliás, todo o seu traje tinha apontamentos dourados. Já os outros músicos apresentaram-se de roupas negras e igualmente mascarados.
Um som místico e fascinante a soar como banda ideal perfeita de um filme baseado no livro ‘As mil e uma noites’. Temas como “Orb, “Snake Oil” ou “Taurus” foram interpretada e claros exemplos desta misticidade.

Glass Beams em estreia no Primavera do Porto | mais fotos clicar aqui
O trio não é nada comunicativo, tal como já tinha tido a oportunidade de constatar, concentram-se apenas em tocar os seus temas num registo bastante competente, sem efusividades de maior. Durante a atuação dos Glass Beams a belíssima encosta esteve muito bem preenchida. O público optou interiorizar e escutar a música não tendo feito grandes alaridos, no entanto, pela vibe sentida deu para perceber que muitos aproveitaram para chilar, desfrutar do som ao mesmo tempo que retemperavam forças. Esse horário entre 19:40h e as 20:40h foi mesmo o ideal para os Glass Beams.
Este regresso a Portugal foi positivo no qual rubricaram uma performance segura e competente quanto baste. Eles tocaram no verão do ano passado no Vodafone Paredes de Coura e corroboraram as boas indicações dadas então.

O baterista dos Glass Beams | mais fotos clicar aqui
Na disputa de t-shirts entre Charli XCX e Fontaines DC, os irlandeses perderam claramente. Isso era apenas um indicador enganador. Efetivamente o primeiro grande momento do festival e respetiva enchente em frente do Palco Porto aconteceu com os magníficos Fontaines DC e uns bons milhares de fãs.
Conforme já esperado a bandeira da Palestina esteve bem visível na frente do cenário durante todo o concerto. Tal como os The Murder Capital, eles também são uma voz ativa no apelo à paz.
O letreiro luminoso com o nome dos Fontaines DC viajou também para a Cidade Invicta. O orgulho irlandês também se vê aqui quando o letreiro, além de passar por todas as cores do arco-íris, compõe-se igualmente com cores da bandeira do país de origem deste quinteto.
Grian Chatten, o vocalista, veio junto do público logo em “Romance”, a primeira canção interpretada. Foi um início a todo vapor.

Grian Chatten dos Fontaines DC | mais fotos clicar aqui
“Roman Holiday” foi um dos temas em que Chatten fez uso da longa passarela instalada em frente do palco. Ao longo da performance foi o elo com os fãs, muitos deles equipados a rigor com belíssimas t-shirts alusivas à banda irlandesa. A existência da passarela permitiu ao vocalista “ligar-se” aos fãs de forma intensa e Grian fez questão de “acender os ânimos”. Demonstrou-se bastante confiante e aproveitou da melhor forma a extensão do palco.
Gostei imenso da atitude de punk rocker de Chatten em “Big”. De modo geral, pareceu-me mais interventivo e confiante na ligação com o público em relação do que vi em Paredes de Coura no ano passado, no Alto Minho não dispôs de passarela e isso fez bastante diferença. Fez-me lembrar Joe Talbot dos Idles em 2018 quando também houve uma passarela no palco do Primavera em que atuaram. Houve ali algumas semelhanças na atitude, melhor exemplo é mesmo impossível.
Em “Death Kink” vi duas jovens fãs de pé na bancada a devorarem as letras com uma vontade indómita ao mesmo tempo que dançavam descontraídas e felizes. Fontaines DC, o projeto existe desde 2017, e em menos de 10 anos de carreira já somam fãs que cruzam diversas faixas etárias.

Fontaines DC em grande estilo | mais fotos clicar aqui
Já “Bug” mereceu o título do “momento para as lives de Instagram” tal foi a quantidade de smartphones em empunhados ao alto. A magnífica “Favourite” foi tocada em modo slow, num momento preciso e cirúrgico.
A veia politizada lá surgiu de maneira sonora com um tímido “Free Palestine” antes de “Nabokov”. Na parte final, em “I Love You” foi também altamente visível nos ecrãs com o próprio vocalista a envergar a banda da Palestina. Os ecrãs passaram em texto escrito na língua inglesa a mensagem: “Israel está a cometer genocídio. Usem a vossa voz”.
Fontaines DC estão a caminho de serem reconhecidos como “banda de estádio”. Às vezes têm-se isso como algo menos positivo. Neste caso é o reconhecer que o post-punk (e outros subgéneros do rock), não são somente alternativos, não são só para meia dúzia de pessoas.

Fontaines DC em grande estilo | mais fotos clicar aqui
Reconheço que não estava propriamente familiarizado com os Magdalena Bay. A vinda da dupla Mica Tenenbaum e Matthew Lewin, em formato banda, com seu indie pop florescente fez-me “acordar” para este projeto norte-americano.
Uma pop florescente e de belo efeito terá permitido aos Magdalena Bay angariar mais uns bons novos fãs. O público aderiu em força, sobretudo de faixas etárias mais jovens, demonstrou-se vibrante e enérgico na área do Palco Revolut.
Temas como “Watching T.V.”, “Love Is Everywhere” e “Feeling DiskInserted?” foram bem recebidos numa atuação bem luminosa, literalmente devo dizer. Imagens iam passando dentro de um “olho” com asas. Esteve sempre ativo no ecrã atrás da banda dando um brilho extra ao cenário.
Eles tocaram ‘Imaginal Disk’, o mais recente trabalho discográfico, editado em 2024 na íntegra
Tenenbaum deambulou de um lado para o outro e fez uso de uma plataforma. Esta esteve instalada na zona central e frontal do palco para onde Mica ia subindo amiúde. Mica acartou para si todo o foco e para as suas teatralidades enquanto cantava e dançava.
A escolha de passar uns longos minutos a ver os Magdalena Bay revelou-se acertada. Passarei a tê-los no meu radar musical.

Ambiente durante o concerto dos High Vis | mais fotos clicar aqui
Segui para outro lado. Uma performance totalmente oposta àquela que ocorria ao mesmo tempo com os Magdalena Bay. Um público mais maduro defronte do Palco Vodafone, ao contrário do Palco Revolut, onde existia muita juventude.
A artista transgénero Anohni de 53 anos em 2023 reapareceu com o formato banda tendo renomeado o projeto para Anohni and the Johnsons.
Nesse mesmo ano editou ‘My Back Was a Bridge for You to Cross’.
Ela esteve no NOS Primavera Sound em 2015 num dia de lotação esgotada tendo rubricado uma sublime performance. Agora, 10 anos depois, a sua performance teve igualmente imenso impacto.
Muita gente sentada na parte atrás da cabine de som a assistir sentada confortavelmente na erva. Um som mais solene a merecer honras de respeito como o fado ao qual o público respeitou mais uma vez. Atrás de Anohni esteve a sua banda, com a curiosidade de terem atuado sentados, foram o respaldo ideal para a sua delicada e incrível voz.
Com vídeos nos interlúdios, de pessoas a falarem em inglês, acerca do estado tremendamente frágil do planeta mais esteticamente sobre os oceanos. Passaram vários vídeos com essa temática oceânica durante a interpretação de temas como “You are Um Sister”, “Cripple and the Starfish”, “Another World” ou “Drone Bomb Me” . Uma setlist que deambulou entre o passado como Antony e o presente como Anonhi.
Na cronologia dos eventos os High Vis calharam numa slot ao mesmo tempo que a compatriota Charli XCX.

Vocalista dos High Vis com pujança logo desde o inicio | mais fotos clicar aqui
Quem optou pelo Palco Super Bock fê-lo com a clara noção ao que ia, preterindo a pop eletrónica que soma biliões de audições online. Foram ainda uns bons milhares. A banda foi presenteada com crowdsurf e animadas palmas de contentamento.
Com um indie-punk rock desenvolveram uma performance sem complexos e agitada. O vocalista Graham Sayle, os guitarristas Martin Macnamara e Rob Hammaren, o baterista Edward “Ski” Harper e o baixista Jack Muncaster não deixaram créditos por mais alheias e fizeram as delícias do público.
Para fechar a primeira noite, desloquei-me para o Palco Super Bock onde ia atuar The Dare. Vestido a rigor com o seu já habitual fato preto, camisa branca e gravata a condizer, fez-se rodear de strobes por um lado e pelo outro pelos seus inúmeros sintetizadores que debitaram os BPMs certos para levar as milhares de pessoas a dançar. Sempre muito efusivo, The Dare apresentou o seu disco editado do ano passado ’What’s wrong with New York?’ onde não faltaram “Perfume”, “Good Time”, “Girls” ou “Sex”, esta última do seu EP de 2023.
A popularidade de The Dare disparou em flecha quando este produziu “Guess” do muito aclamado álbum ‘Brat’ de Charli XCX, fazendo varias aparições em publico e em atuações com o ícone da musica pop, levando também com ele uma legião de fãs e que foi bem visível nas horas tardias que se apresentou no Primavera Sound Porto.
(por Luís Silva)
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Frontline em High Vis | mais fotos clicar aqui
Texto: Edgar Silva e Luís Silva
Fotografia:
Ana Lourenço @ blackphant.stage (Instagram)
Nuno Coelho @ iam_noizze (Instagram)
