Das divertidas variedades de Mike El Nite à majestosa Emmy Curl e o seu folk eletrónico

A majestosa Emmy Curl | mais fotos clicar aqui

A mais recente edição do Sonoridades realizou-se no Centro Cultural Municipal de Vila das Aves, espaço cultural que tem sido a casa do evento desde sempre. Este ano, este certame musical, viu concretizada a sua nona edição. Iniciou-se na véspera do Dia do Trabalhador, nomeadamente na quinta-feira dia 30 de abril, tendo-se prolongado até domingo, dia 3 de maio.

A organização esteve ao encargo, como vem sendo hábito, da Câmara Municipal de Santo Tirso, a impulsionadora do evento. A direção artística e produção coube à 1bigo – Artistas e Eventos, promotora que repetiu este labor relativamente a anos anteriores.

Pela segunda vez, o Sonoridades teve apoio do headLiner como Media Partner, este foi o segundo ano consecutivo. O headLiner tem marcado presença constante desde 2023.

Dia 2 de Maio – Mike El Nite

O terceiro concerto do Sonoridades proporcionou mais uma estreia na vila das Aves. O cantor Miguel Caixeiro, mais conhecido como Mike El Nite, trouxe o seu repertório mais recente a palco. Falo pois de ‘Existencisensual’, editado já no decurso deste 2026, mais especificamente a 6 de fevereiro. O alinhamento do concerto esteve quase totalmente focado neste disco.

“Simplesmente Miguel” é um artista de variedades | Foto © Município de Santo Tirso

A atuação aconteceu em versão duo na qual o cantor teve o apoio de Baco. Este músico ocupou-se de todos os instrumentos: do teclado, do baixo e da guitarra. Ele ocupou um espaço atrás de uma mesa aonde estava instalada uma completa parafernália: teclado, computador, entre outros… A parte curiosa desta mesa, coberta com um pano negro, é que na parte frontal tinha um letreiro luminoso a dizer “Bar’ com a simulação de uma garrafa a deitar líquido dentro de um copo.

Mike El Nite oriundo de Telheiras em Lisboa trouxe até ao norte o seu universo da pop romântica e do neo-romantismo e proporcionou-nos uma matiné deliciosamente entretida.

Simplesmente Miguel esteve na voz e não se deixou abater pelas dificuldades que teve no soundcheck. Logo com “Existencisensual (É complicado)” conseguiu puxar para si o público que entrou de bom grado na sua onda. A sala esteve bem composta com público heterogéneo com predominância para idades de faixas etárias jovens.

Mike e Baco, o multi-instrumentista de serviço | Foto © Município de Santo Tirso

Arrancou logo risadas quando disse que este era provavelmente o concerto mais cedo da sua vida. Marcado para 18:30h iniciou-se apenas com 10 minutos de atraso. Em “50/50 (Metade Metade)”, o segundo tema interpretado, teve o apoio o público em coros de “metade metade”. Toda a gente ficou numa vibe descontraída logo desde o início o que garantiu um ambiente descontraído e leve até final. Mérito claro para Mike El Nite e para as suas canções leves e melódicas.

A interação de Simplesmente Miguel foi constante e quando perguntou à audiência quantas pessoas já tinham ouvido o seu disco apenas três levantaram a mão. O artista viu a coisa como copo meio cheio e como um desafio: o de captar o interesse do público durante o concerto para que mais tarde fossem escutar o álbum para casa. De certa forma surtiu como um estímulo com carga bem positiva.

“O Prazer É Meu”, “Conta Comigo” e “Amor Sintético” surgiram todas sequencialmente num claro reforço de ‘Existencisensual (É complicado)’. Este é um álbum que abre o caminho para uma fase diferente na carreira de Mike El Nite. Ao fim de 10 anos de carreira tem agora este seu alter-ego, imensamente personalizado, a caminho dum ponto de maturação ideal. Deixou o rap e acarinhou a synth-pop misturada com canção romântica.

Durante estes anos fez igualmente parte de David & Miguel, com David Bruno, e também colaborou em Agrupamento Musical Os Tais com João Não e Lil Non.

Perspetiva do palco | Foto © Município de Santo Tirso

Os pais do artista tiveram um bar em Lisboa e foi onde cresceu daí que tenha criado todo um imaginário de um bar noturno duvidoso para produzir estes seus temas mais recentes. Tudo com uma vibe a anos 80 e 90, claramente percetível. Mike El Nite é toda uma inspiração num dos personagens mais vibrantes do mundo das séries dos anos 80, falo pois claro de Michael Knight.

Recuperou “Dr. Bayard”, tema de 2018, altura em que ofereceu ao público os populares rebuçados com esse nome. O tema foi alvo de uma versão em que os acordes de um tema de Pedro Abrunhosa foram pura coincidência.

“Conta Própria” dedicada aos que trabalham a recibos verde e por conta própria. O tema teve um “problema técnico” (como diria David Bruno) em que computador falhou sendo que optaram por reiniciar a partir do refrão.

Mike El Nite abrilhantou a matiné de forma esplêndida | Foto © Município de Santo Tirso

Em “Oceano Pacífico” a bola de espelhos fez-se ainda mais notar, ela que já tinha estado presente no concerto de Mirror People. O jogo de luzes foi sempre conjugado com o estilo musical e nesta fase final do concerto foi mais marcante.

O final foi totalmente em total alto astral. Primeiro com “Grato”, um agradecimento sincero por parte de Simplesmente Miguel. De seguida o duo deixou a tocar uma música nova ainda não editada sobre o lamento do desaparecimento das esplanadas do espaço público, especialmente pela capital.

Mike El Nite é um artista de variedades, de alma e corpo inteiros, do qual José Pinhal teria, com toda a certeza, muito orgulho.

Dia 3 de Maio – Emmy Curl

A tournée de apresentação de ‘Pastoral’ passou pela Vila das Aves e pelo Sonoridades no último dia do certame, no passado domingo, dia 3 de maio. Catarina Miranda, cujo nome artístico é Emmy Curl, foi brindada com sala lotada e com bastante entusiasmo também.

Emmy Curl sempre com muita vitalidade | mais fotos clicar aqui

Emmy Curl apresentou-se perante a sua ‘workstation’ às 18:41h, um ligeiro atraso relativamente à hora prevista. Esses 10 minutos permitiram às pessoas acederem aos seus lugares tranquilamente enquanto outras encetavam um burburinho bom. Tal terminou assim que a habitual a introdução falada de apresentação do evento surgiu na instalação sonora. Tal como já tinha escrito na reportagem que fiz do concerto da Emmy Curl em 2023 no Porto na sala Novo Ático (ler aqui) estava tudo certo: lugares sentados, lotação esgotada, sala agradável.

Catarina Miranda é cantora, multi-instrumentista, diretora de vídeo e fotógrafa por isso não foi de estranhar que toda a componente visual de imagem e vídeo que foi projetada numa tela atrás da artista fosse de sua própria autoria. Elementos multimédia que funcionaram perfeitamente como complemento aos seus temas.

Emmy focou a sua performance em ‘Pastoral’, álbum editado em 2024, tendo sido já merecedor de muitos elogios e alguns prémios. Já tinha tido a oportunidade de vê-la com os novos temas, aconteceu no ano passado no Westway LIVE (ler aqui) em Guimarães. A atuação no Sonoridades foi mais completa e proporcionou-me coisas novas. Cenários e enquadramentos diferentes há que dizê-lo.

Emmy Curl apresentou vários temas do seu mais recente álbum | mais fotos clicar aqui

Com muita luz e cor surgiram os primeiros temas: “Chegada”, “Candeia Amor” e “Poetas à Solta”. Com esta apresentação, a artista quis passar uma “mensagem de esperança para o mundo”, como referiu na introdução de “Vem Até Mim”, o quarto tema que interpretou. A artista oriunda de Vila Real desenvolveu um pouco do contexto desse tema: sobre empatia, sobre a maternidade e de ter um filho em pleno dia em que a pandemia foi oficializada em Portugal. Curl tocou guitarra clássica nesta canção, uma das poucas em que recorreu a esse instrumento.

Continuou com guitarra para duas versões, uma das quais “Maio Maduro Maio” de Zeca Afonso, em que reforçou a importância de transmitir às gerações mais recentes as canções que a marcaram na vida. Foram duas versões em versão acústica, duas sem quaisquer efeitos eletrónicos.

Catarina Miranda esteve sempre muito cénica com as suas danças em que foi deambulando pelo palco.

Emmy Curl trabalha bem o lado visual do seu concerto | mais fotos clicar aqui

Em “Mudança” vimos uma projeção 3D realizada por Emmy Curl e este tema foi dos mais saudados pelo público no final da sua interpretação. Tivemos uma maioria de público fã da artista e que vibrou com a performance, atuação essa que ia em ritmo animado e bastante vibrante.

Depois de “Encanto” surgiu em cena o coro de São Bartolomeu de Fontiscos para uma participação especial. A primeira em que deram o seu contributo foi em “Balabala” . Até final já não saíram do palco.

A ocasião mais interativa da noite aconteceu no arranque para “Botar Água na Vinha” em que Catarina pediu a ajuda do público. Com a sua batuta o público cantarolou “Será o que será, eu só quero botar água na vinha” e ela aproveitou para gravar um loop, gravação posteriormente dada a ouvir. Outra canção, uma das suas mais incríveis, falo pois de “Mirandum”, teve também o apoio vocal de um coro maioritariamente feminino, tinha apenas com dois elementos do sexo masculino.

O coro de São Bartolomeu de Fontiscos abrilhantou a segunda parte do concerto | mais fotos clicar aqui

Recuperou “Rapsódia da Paz”, interpretada no Festival da Canção em 2025 pois achou que valia a pena com o apoio coral. O público demostrou, de forma auditiva, o seu contentamento pela sua opção. Para o encore guardou “Senhora do Almortão” tendo assim fechado com “chave de ouro” a sua atuação bem como a edição de 2026 do Sonoridades.

No final desceu à plateia e distribuiu flores e carinho pelas pessoas. Foi um final bastante bonito e até acolhedor.

Em jeito de balanço devo dizer que a organização primou, mais uma vez, pela eficiência e simpatia. A curadoria revelou-se certeira, proporcionou duas casas lotadas (Emmy Curl e Mazgani) para duas matinés de belíssimo efeito. Os outros dois concertos, pese embora não tivessem atingido o epiteto de lotação esgotada, tanto os Mirror People como Mike El Nite ofereceram atuações seguras e bem aprazíveis.

Reportagem fotográfica Emmy Curl: clicar aqui

Emmy Curl bastante cénica | mais fotos clicar aqui

Texto:
– Edgar Silva

Fotografia:
– Ricardo Costa @ ricardojosecosta (Instagram)
– Município de Santo Tirso

Edgar Silva

Administrador de página e de conteúdos do HeadLiner

Adoro ouvir música. Ir a concertos é mesmo onde me sinto no meu elemento, é como um peixe na água. No headLiner junto ambos os gostos adicionando o gosto pela escrita: com artigos sobre música (bandas e eventos) e também umas coisitas acerca de alguns dos concertos a que assisto.

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