
O regresso dos Black Sea Dahu a Portugal fez-se sentir na Sala 2 da Casa da Música, no Porto, numa noite longa, intensa e emocionalmente envolvente. Aconteceu na passada sexta-feira, 24 de abril, véspera do nosso feriado de comemoração da liberdade.
Desde a entrada no edifício percebe-se que aquele é um espaço onde a música se respira em todos os detalhes — da cortesia do staff à qualidade das instalações, com uma acústica irrepreensível. A Sala 2 confirma essa reputação: um ambiente íntimo, confortável e sonoramente equilibrado, ideal para propostas mais sensíveis e detalhadas.

A abrir a noite esteve Mel D, que subiu ao palco pelas 23h00 para um concerto a solo, apenas com guitarra. Durante cerca de 40 minutos, apresentou um registo simples, mas eficaz, criando uma atmosfera envolvente que preparou o público para o que se seguiria. Sem excessos, foi aquecendo a sala de forma gradual e segura.
Pouco antes da meia-noite, os Black Sea Dahu deram início ao concerto principal, prolongando-se já para lá da 01h00. O alinhamento percorreu vários temas da sua discografia recente, incluindo novas canções do álbum ‘Everything’, mantendo uma narrativa coesa e emocionalmente consistente.

Em palco, destacou-se desde cedo a componente vocal. As harmonias entre Janine e a sua irmã Vera trouxeram profundidade e delicadeza às composições. A banda demonstrou também uma grande versatilidade, com trocas de instrumentos entre os elementos, evidenciando não só competência técnica, mas também uma dinâmica de grupo bem consolidada.
Esta formação é oriunda de Zurique na Suíça e começou a ser formada por Janine Cathrein em 2018. Ao longo dos anos têm colaborado familiares e amigos.

Um dos momentos mais marcantes da noite aconteceu já para lá da meia-noite, quando a banda assinalou simbolicamente a chegada do dia 25 de abril. Sentados em palco, deram espaço ao público para cantar “Grândola, Vila Morena”, num instante espontâneo e carregado de significado, que reforçou a ligação entre banda e audiência.
Ao longo do concerto, temas como “In Case I Fall For You” assumiram-se como pontos altos, com o público — que preenchia mais de meia sala — a acompanhar em uníssono. Também “Ruth”, “One Day Will Be All I Have” e “Not a Man, Not a Woman” evidenciaram o crescente impacto da banda junto dos fãs, com uma receção calorosa e participativa.

Já na reta final, a própria banda fez questão de referir que este tinha sido o concerto mais tardio da digressão até ao momento, agradecendo ao público por se manter presente, atento e envolvido até ao fim.
Num registo que cruza indie folk, chamber pop e indie rock, os Black Sea Dahu confirmaram a sua identidade: música emocional, contida, mas intensa, construída com detalhe e entregue com autenticidade.
Uma noite longa, mas recompensadora — daquelas que não se impõem, mas ficam.
Reportagem fotográfica Completa: clicar aqui

Texto:
– Vítor Neves @ vitor_m_neves (Instagram)
Fotografia:
– Vítor Neves @ vitor_m_neves (Instagram)
