Wednesday, Sleater-Kinney, Los Bitchos e Sprints: o girl power rockeiro está superlativamente bem entregue – Dia 2 do Vodafone Paredes de Coura 2024

Karla Chubb dos Sprints | mais fotos clicar aqui

Rumei pela segunda vez, a partir de Guimarães até Paredes de Coura, depois de cumpridas duas situações: descanso regenerador e tarefas inerentes às reportagens realizadas. Esta segunda, uma exigência que tomo de bom grado pese as dificuldades em torno de toda a operação. Realmente com a experiência acumulada dos últimos anos, a tarefa fica mais facilitada de executar é certo. Exigência essa que é mantida nas escolhas dos concertos a assistir para posteriormente conseguir dar uma “pincelada” escrita. Como óbvio sempre com um cunho pessoal nas seleções.

Os Moonshiners, cujo trio base é formado por Vítor Hugo (voz principal e guitarra), Gamblin’ Sam (voz e harmónica) e Susie Filipe (voz e bateria), apresentaram-se com reforços em palco. Neste formato quinteto contaram com a ajuda de baixista e teclista neste concerto de abertura cujo arranque aconteceu pelas 17:30h.

Moonshiners em palco | mais fotos clicar aqui

Susie Filipe, a baterista, com aquele toque feminino perfumado bem próprio. Gamblin’ Sam (voz e harmónica) atuou em tronco nu e esteve sempre bastante agitado. Vítor Hugo (voz principal e guitarra) mostrou o seu timbre vocal bem apropriado aos blues/rock & roll, que são a “assinatura sonora” bem própria e refrescante deste projeto natural de Aveiro.

Do mais recente álbum, ‘Monkey’s Poetry’, produzido por The Legendary Tigerman, tocaram “Rock & Roll Queen” e “High on Life”.

“H.O.R.N.Y.” e “Tipsy” temas menos recentes escolhidas para a setlist. Uma atuação bastante competente e entretida, foi só pena não ter tido uma maior audiência pois bem mereciam. Na abertura desta segunda jornada esteve bem menos gente do que no dia anterior… Foi pena, acho que o pessoal aqui passou ao lado de um concerto bem cativante e realizado por uma banda lusa.

Susie Filipe dos Moonshiners em palco | mais fotos clicar aqui

Os Quadra, uma formação originária de Braga, formada por Sérgio Alves (baixo), Gonçalo Carneiro (guitarra), Hugo Couto (bateria), Sílvio Ren (guitarra) e Lucas Palmeira (sintetizadores) neste concerto do Vodafone Paredes de Coura tiveram a participação vocal de Miguel do Mundo. Todos vestidos em tons de negro/azul-escuro.

A instalação sonora estava ao máximo e não estava a ser tão agradável curtir o som no seu esplendor, especialmente estando no setor frontal do palco.

Quadra em palco | mais fotos clicar aqui

Trouxeram as suas sonoridades vibrantes e interpretaram temas como “Stratos” (logo na abertura), “Tigre de Papel” ou “Solar Explosion”, só para citar alguns de entre 9 temas tocados. Incluíram na setlist e tocaram “Paixão”, uma canção cujo original pertence aos Heróis do Mar.

Em dia de bastante calor, sol ainda alto e a brilhar calorosamente, o público presente optou por resguardar-se à sombra. Não esteve assim tanta gente, bem menos do que à mesma hora na jornada inaugural. O final da atuação registou-se pelas 18:40h, mais minuto menos minuto.

“É um sonho chegar aqui” disse Hugo Couto relembrando que tocaram no ‘Jazz na Relva’ na edição de 2018. Para encerramento de festa tocaram “Tropicália”. Foi a última ao fim de sensivelmente 30 minutos de atuação.

Hugo Couto dos Quadra | mais fotos clicar aqui

Os Deeper são uma banda norte-americana da cidade de Chicago e os seus quatro elementos são Nic Gohl (guitarra, voz), Drew McBride (baixo/ sintetizador), Kevin Fairbairn (baixo) e Shiraz Bhatti (bateria).

“Build A Bridge”, “Lake Song” e “Glare” foram alguns dos temas que escolheram nesta aparição no Alto Minho. Além destes, deixaram para a reta final a interpretação de “Bite” e “The Knife”, foram as duas últimas.

Produzem um som indie rock/post punk e tiveram uma estreia segura e afirmativa no Vodafone Paredes de Coura numa atuação ocorrida no Palco Yorn, o cenário secundário, perante um público maioritariamente melómano do que apenas pessoas de passagem ou simplesmente curiosas.

Deeper em palco | mais fotos clicar aqui

Karly Hartzman, a mentora do projeto, é também a vocalista e guitarrista dos Wednesday. Os outros elementos são Jake Lenderman, voz de apoio e guitarrista, na guitarra lap steel esteve Xandy Chelmis, o baterista Alan Miller e o baixista Ethan Baechtold. Fizeram a sua estreia no Vodafone Paredes de Coura. Esta foi a segunda vez que tiveram pelo nosso país depois do Primavera Sound em 2022. Curiosamente ambas ocorridas a norte.

“Excited to be back” foram estas as palavras exatas de Hartzman revelando o contentamento no regresso a Portugal. Pelos sorrisos e pela alegria contagiante demonstrada não fiquei com a mínima dúvida.

Karly Hartzman dos Wednesday | mais fotos clicar aqui

“Hot Rotten Grass Smell”, “Chosen”, “Bath County” e “Quarry” são músicas essenciais dos Wednesday e não faltaram à chamada. A pitada de Country chegou com a interpretação de “Chosen to Deserve”.

O público correspondeu na medida certa ao concerto destes norte-americanos. Excelente vibe que incluiu mosh pits à maneira, bastante enérgicos como ainda não se tinha visto até ao momento no Vodafone Paredes de Coura de 2024. O mais tradicional crowdsurf também surgiu naturalmente.

Na parte final toda a banda, sobretudo Karly, receberam toda essa energia positiva, deram um bocadinho mais de si e proporcionaram um fecho estrondoso. Ainda mais do que até aí tinha sido.

Wednesday em palco | mais fotos clicar aqui

“Por aqueles que estão a sofrer em Gaza” na entrada para “Bull Believer”, tema que foi interrompido por momentos devido a problemas técnicos. Karly não se intimidou com este ligeiro percalço, finalizou em altíssima nota tendo-se notado que estava visivelmente emocionada.

Finalmente! Ao fim de 30 anos as Sleater-Kinney realizaram a sua estreia absoluta no noss país. Mereceram, pois claro, um slot no palco principal do Vodafone Paredes de Coura. O concerto no Alto Minho foi o primeiro de uma curta vinda à europa para 13 datas.

Elas cancelaram algumas datas bem recentemente nos EUA devido a Carrie Brownstein ter sido diagnosticada com uma infeção no peito. Pareceu ter sido coisa do passado, dada a enérgica atuação que realizou.

Carrie Brownstein das Sleater-Kinney | mais fotos clicar aqui

Corin Tucker e Carrie Brownstein, ambas vocalistas e guitarristas, são atualmente o núcleo duro da banda. Um tremendo girl power de uma das bandas ‘riot grrrl’ mais sobejamente conhecidas mundialmente. Incrível dupla feminina com guitarradas e riffs especialmente precisos.

Numa formação ao vivo só com mulheres, tiveram companhia duas artistas nos teclados e outra na bateria.

“Jumpers” e “Hunt You Down” foram dois dos temas que animaram as hostes num concerto iniciado às 21:50h desta quinta-feira.

Carrie Brownstein das Sleater-Kinney | mais fotos clicar aqui

Ao som de “Heaven Is a Place on Earth” de Belinda Carlisle a banda feminina Los Bitchos deu entrada no palco secundário do Vodafone Paredes de Coura às 22:50h. O recinto do palco secundário foi demasiado pequeno para a demanda do público. Sem margem para dúvidas, as Los Bitchos são um dos fantásticos projetos atualmente existentes no planeta musical.

Regresso do quarteto a Portugal depois da estreia em terras lusas no Super Bock Super Rock em 2022. Diversão surf rock com energia punk.

Josefine Jonsson das Los Bitchos | mais fotos clicar aqui

O projeto nasceu em Londres e tem como elementos quatro meninas: Serra Petale, Agustina Ruiz, Josefine Jonsson e Nic Crawshaw. Neste concerto lusitano tiveram ainda apoio de um quinto elemento masculino guitarrista. Na setlist estava escrito “Have fun!” e foi isso que o descontraído quinteto fez durante a sua atuação. Pediram colaboração para uma coreografia com os braços no ar durante a interpretação de “Pista”. O público cumpriu rigorosamente e juntou-se igualmente a essa festa.

Da cúmbia psicadélica argentina ao rock psicadélico turco o mix sonoro deste projeto tem um travo intercontinental irresistível que nos submete instantaneamente para um pezinho de dança inevitável.

“Good To Go” e “FFS” foram dois dos tocados e altamente festejados, ambos do trabalho discográfico de debute apelidado de ‘Let The Festivities Begin’ cuja edição ocorreu em 2022.

Los Bitchos em palco | mais fotos clicar aqui

‘Talkie Talkie’ cujo lançamento ocorrerá no próximo dia 30 de agosto, foi obviamente introduzido nesta aparição. Em estreia tocaram, por exemplo, “1K” e “La Bomba”, dois temas bem fresquinhos e que farão parte desse novo trabalho discográfico!

Os L’Imperatrice são Flore Benguigui, Charles de Boisseguin, David Gaugué, Hagni Gwon, Achille Trocellier e Tom Daveau. Formação francesa, apelidada igual a nome de perfume.

Montaram todo um elaborado cenário, de glamour à francesa. Um deleite visual colorido em toda a sua largura. Uma performance impactante perante uma encosta repleta, provavelmente no seu ponto máximo da noite. Em termos de público só rivalizou mesmo com Slow J.

Flore Benguigui dos L’Imperatrice em palco | mais fotos clicar aqui

Um letreiro iluminado a dizer L’Imperatrice num mini palco que albergava o baterista tirava todas as dúvidas da banda a atuar…

Atuação bastante esperada por muita gente. Sinal disso mesmo foi a debandada no último quarto de hora do palco secundário onde atuavam as Los Bitchos.

Temas marcantes como “Danza Marilù” ou “Love From The Other Side” foram interpretados para gáudio de uma audiência que provavelmente conheceu-os há dois anos precisamente neste mesmo local.

Teclista dos L’Imperatrice | mais fotos clicar aqui

Saíram sob uma estrondosa ovação, algo que foi repetido, tal como aconteceu em 2022, naquela que foi uma atuação mágica e que estes franceses nunca mais esqueceram. Daí terem dito sim à repetição da experiência tida há 2 anos.

“Não voltes aos sítios onde já foste feliz”, lá diz a sabedoria popular. Os L’Imperatrice provaram precisamente o contrário. Há já quem queira que estes franceses sejam a “Ivete Sangalo” deste festival do Alto Minho.

Guitarrista dos L’Imperatrice | mais fotos clicar aqui

A banda Protomartyr de Detroit, cidade norte-americana dos EUA apresentou-se com os seus cinco elementos. A saber, eles são o vocalista Joe Casey, o guitarrista Greg Ahee, o baterista Alex Leonard, e o baixista Scott Davidson formam o núcleo duro. Ao vivo têm o auxílio de Kelley Deal como baixista e teclista desde 2020.

O post-punk dos Protomartyr chegou como um tsunami. Atuaram na sequência do concerto “mais fofinho” proporcionado pelos L’Imperatrice… Certo é que não tiveram a enchente dos dois  predecessores que tocaram neste mesmo cenário secundário.

Joe Casey dos Protomartyr | mais fotos clicar aqui

“Elimination Dances” e “Trust Me Billy” foram apresentadas na fase inicial sendo que “The Devil in His Youth” e “Pontiac 87” foram temas mostrados mais na reta terminal. Uma atuação sem grandes artifícios, estiveram concentrados e comprometidos com o seu desempenho.

1:50h já numa altura em que o cansaço começa a fazer mossa. Para muitos milhares de pessoas prostradas diante o Palco Vodafone isso já não queria significar grande coisa. Estavam ali para ver a performance de Slow J era nisso que as suas atenções estavam focadas.

Slow J em estreia no Vodafone Paredes de Coura | mais fotos clicar aqui

A banda entrou sem o seu “cabeça de cartaz” e iniciaram com um instrumental bastante apelativo. Foi o devido aquecimento para o rapper João Batista Coelho, mais conhecido por Slow J, fazer a sua entrada em tom triunfal. Revelou o sonho realizado “aos anos que que queria pisar este palco” e questionou “Estamos em família, não estamos Paredes de Coura?”. Pelas reações efusivas ninguém teve dúvidas.

“Where U @”, “FAM”, “Sem Ti” e “Teu Eternamente” foram acentuados pontos de contacto com o imenso público que vibrou, bebeu das letras tendo igualmente cantado as canções do seu ídolo.

Slow J e a sua banda | mais fotos clicar aqui

Formados em Dublin no decurso de 2019 os Sprints são um quarteto composto pela vocalista e guitarrista Karla Chubb, pelo baixista e vocalista Sam McCann, pelo guitarrista Colm O’Reilly e pelo baterista Jack Callan.

Apenas dois meses depois de terem atuado no M.Ou.Co. regressaram a Portugal para uma jarda intensa de garage punk alicerçado no poder vocal da sua vocalista Karla Chubb e na sua atitude perfeitamente descomprometida.

Karla Chubb dos Sprints | mais fotos clicar aqui

Já passavam das 2h da madrugada, enquanto a maioria fazia a debandada após o concerto dos Slow J, houve outros que aprontaram-se para um sprint bem rápido pelos temas enérgicos da banda irlandesa.

“Ticking” e “Heavy” foram as duas primeiras numa atuação que passou pelos temas “Delia” e Can’t Get Enough Of It” e terminou com “Literary Mind” e “Little Fix”. Uma atuação que teve tudo o que os fãs pretendiam. Foram mesmo estes que por lá estiveram. Ainda com ganas de desfrutarem de um concerto memorável pese embora a hora tardia. Haverá uma hora certa para um garage punk com esta vibração? Provavelmente não. Aliás estou mais do que certo que não.

Colm O’Reilly dos Sprints | mais fotos clicar aqui

O girl power rockeiro está superlativamente bem entregue, regressei a Guimarães e aos meus aposentos satisfeito por ter a noção que o rock nunca estará fora de moda com artistas com repertórios e atitudes incríveis como as das Wednesday, Sleater-Kinney, Los Bitchos e Sprints.

A minha alma ficou pacificada ao segundo dia do Vodafone Paredes de Coura em 2024.

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Público dentro do recinto | mais fotos clicar aqui

Público jovem em Slow J | mais fotos clicar aqui

Texto: Edgar Silva
Fotografia: Ana Lourenço @ blackphant (Instagram)

Edgar Silva

Administrador de página e de conteúdos do HeadLiner

Adoro ouvir música. Ir a concertos é mesmo onde me sinto no meu elemento, é como um peixe na água. No headLiner junto ambos os gostos adicionando o gosto pela escrita: com artigos sobre música (bandas e eventos) e também umas coisitas acerca de alguns dos concertos a que assisto.