Vida longa ao rei King Krule – dia 2, NOS Primavera Sound 2022

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Archy Marshall a apresentar-se como King Krule [mais fotos clicar aqui]

 

A jornada do dia de abertura tinha sido tremendamente intensa. Regressei ao Parque da Cidade bem cedo, aproveitei para retemperar forças e relembrar momentos grandiosos vistos no dia anterior, como por exemplo, o concerto dos Diiv ou dos Tame Impala. Usando uma expressão bem peculiar: foi um dia do caraças!

Em dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas aconteceu o segundo dia da edição deste ano do NOS Primavera Sound. Para este dia havia também bons momentos por ansiar. Apesar das belas propostas, o dia 2 do festival, foi o único que não teve lotação esgotada. Ainda assim recebeu 30 mil pessoas. Tal como no dia anterior comecei a minha prospeção musical por obra feita em terras lusitanas. Assim, deste modo, a escolha recaiu nos Holy Nothing, uma formação que já tinha visto ao vivo e da qual tenho boas memórias.

Enquanto esperava pelo início do concerto, estava atento às movimentações no recinto.
Constatei facilmente uma menor afluência em comparação com o primeiro dia.
Efetivamente estava muito menos gente por volta das 17 horas.

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Holy Nothing na abertura do Palco Cupra no 2º dia [mais fotos clicar aqui]

Assim que a banda entrou notei logo uma grande diferença nos Holy Nothing, a banda apresentou-se em formato quarteto ao invés do trio base. Eles que apresentaram ‘Plural Real Animal’, álbum em que sonoridades tropicais são mescladas com o universo eletrónico. A banda portuense assenta o seu som nos sintetizadores, teclados e nas batidas da bateria eletrónica. No primeiro concerto do dia no Palco Cupra “Caixa Preta”, “UFO”, “Tropigal” e “Loop” foram alguns dos temas que constaram da setlist. A atuação, vale a pena frisar que foi bem conseguida, teve dedicatória especial: inteiramente destinada ao manager Bruno Rocha. Muito boa onda e para iniciar o dia a mexer o corpo.

Finda esta performance foi tempo para a formação norte-americana Beach Bunny. Este projeto musical surge a partir da carreira a solo da vocalista e guitarrista Lili Trifilio, jovem de Chicago com 25 anos. Ela que arriscou um bocadinho, logo após a sua entrada no Palco NOS, com o seu inusitado pedido para as pessoas se agacharem e levantarem ao seu sinal. Foi um simples pedido para uma coreografia na primeira música, em “6 Weeks”. O público estranhou porém aderiu e correu bem. A partir daí a interação de Lili com as
pessoas sucedeu-se mais naturalmente.

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Lili Trifilio com os Beach Bunny [mais fotos clicar aqui]

Junto do palco principal tivemos um público jovem e conhecedor das canções dos Beach Bunny. O quarteto deu bem conta de si num concerto bem animado e que terminou em alta com “Cloud 9” e “Painkiller”. Pelo meio tocou “Good Girls (Don’t Get Used)”, “Sports” e “Blame Game”, esta última dedicada por Lili a todas as meninas presentes na audiência.

Em 2014, depois de um longo hiato, os Slowdive voltaram a tocar ao vivo e o regresso deu-se no Primavera de Barcelona e do Porto. Deste modo, esta foi a segunda vez que o quinteto inglês visitou o festival. Já tinha conhecimento, através das redes sociais, que este era um momento muito esperado pelos fãs portugueses da banda. Veteranos do indie-rock/shoegaze tocaram num final de tarde com uma brisa fresca porém o seu
concerto foi bastante aconchegante. Pelo modo como o público reagiu a atuação
encheu as medidas. Guardo para mim uma sensação melancólica ao ouvir os temas
da banda que conta nas suas fileiras com Rachel Goswell, Nick Chaplin, Neil Halstead,
Christian Savill
e Simon Scott.

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Slowdive no Palco NOS [mais fotos clicar aqui]

Archy Ivan Marshall, britânico de Londres conhecido pelo seu nome artístico King Krule, proporcionou um dos melhores momentos da noite. Pelo menos de entre todas bandas/artistas que tive oportunidade de assistir.

Um dos concertos mais esperados do programa deste segundo dia confirmou a alta expectativa. O artista britânico conquistou a plateia, recheada de fãs seus, numa atuação no Palco Cupra. Teve momentos mais rockeiros e outros mais contemplativos como “Baby
Blue”
, um dos momentos mais solenes da performance.

A voz crua, meio rouca, de timbre indelével de King Krule é uma das suas imagens de marca e que cruza muito bem com o seu melting pot de estilos musicais criando uma personalidade sonora bem própria.

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Archy Marshall a apresentar-se como King Krule [mais fotos clicar aqui]

Sempre bem acompanhado pela sua banda, a hora do seu concerto passou a voar, perante
uma entusiástica assistência e que curtiu faixas como “Alone, Omen 3”, “(A Slide In) New Drugs”, “Underclass” ou “Easy Easy”, esta última para gáudio geral. De mencionar a curiosidade de terem passado fotos do cão de Archy Marshall em formato de slideshow no ecrã do palco enquanto a sua atuação decorria.

Quando as pessoas já estavam a desmobilizar rumo a outros locais, pararam a marcha e
voltaram a correr para atrás pois King Krule e a sua banda voltaram para um inesperado encore, onde tocaram “Out Getting Ribs”. Para êxtase final, diga-se em abono da verdade.

Beck tocou pelas 22:30 horas no palco NOS e o norte-americano transformou o palco numa mini discoteca. Relevou-se muito feliz por estar em Portugal já que não vinha cá há muito tempo. Uma forte componente de luzes e de vídeo esteve sempre presente durante a sua atuação dando um colorido desmesurado ao palco. Vestido de branco e em constante movimento de um lado para o outro desfilou sucessos incontornáveis da sua carreira. Como óbvio as canções que lançou entre 1990 e 2000 e que tiveram um incontável airplay nas rádios e nas televisões foram as mais acarinhadas. Falamos pois de “Devil’s Haircut” tocada logo na parte inicial do show ou “Loser” e “Where It’s At” deixadas propositadamente para o final. Pelo meio tivemos o “Wow” ou “Qué Onda Guero” só para citar as mais alucinantes do seu set.

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Laura Les dos 100 Gecs [mais fotos clicar aqui]

Adupla norte-americana 100 Gecs formada por Dylan Brady e Laura Les encerrou a noite do Palco Super Bock com o seu hyperpop/noise pop no qual levaram a jovem audiência à loucura. Um estilo musical que, definitivamente, não vai ao encontro de públicos diferenciados…

100 Gecs foi o concerto que se seguiu. Para alguns pode não ser fácil de digerir um concerto desta dupla, mas o certo é que para uma grande massa que se amontoou ainda bem antes do concerto começar, o fenómeno 100 gecs veio para ficar. Laura Less e Dylan Brady fazem dos seus concertos montanhas russas de moches e headbangings. Lendo isto até poderiam achar que se trata de uma banda punk, metal, nada disso. Rotular este duo é impossível, sendo o som deles também uma montanha russa de géneros. O disco em destaque foi o auto-intitulado ‘100 gecs’, com malhas como “Money Machine”, “Stupid Horse” ou “Ringtone”. Mesmo não sendo conhecidos de muita gente,
para mim que me encontrava bem no coração do concerto, as letras e momentos certos para mergulhar por entre o pó, estavam muito bem ensaiados pelas centenas de pessoas que encheram o palco Super Bock. O concerto não terminou sem deixar passar as mais recentes “mememe” e “Doritos & Fritos”.

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Stephen Malkmus com todo o seu vigor [mais fotos clicar aqui]

Já os Pavement, banda de rock alternativo, liderada pelo vocalista e guitarrista Stephen Malkmus, proporcionou uma atuação nostálgica para muitos dos presentes com temas indie a recordar tempos dos anos 90 do século passado.

Eles que foram um dos responsáveis, assim como os Slowdive, por uma onda revivalista dos anos 80 e 90 e que levaram muitos quarentões e cinquentões a relembrarem etapas mais jovens das suas vidas.

Uma das escolhas difíceis do terceiro dia recaiu sobre os icónicos e lendários Pavement, e uma artista do qual somos grandes apreciadores: Jehnny Beth. A verdade é que me desdobrei em 2. Deixar passar ao lado de um concerto de uma banda que regressou e que influencia tantos artistas do qual ouvimos em loop, seria impossível. No entanto, pouco passava de metade do concerto dos Pavement, fomos espreitar a inigualável Jehnny Beth, no qual fiquei fã há muitos anos com o seu projeto, Savages.

Quando cheguei ao apinhado palco Binance, fiquei deslumbrado com a energia projetada do palco. Contrariamente ao que Savages oferecia, o projeto a solo de Jehnny Beth explora mais a parte eletrónica, experimental, sem nunca rejeitar as suas raízes da distorção, do rock e do noise que a tanto caracterizam. Bota de salto alto, calças de cabedal, sempre com uma mensagem feminista, de luta, de poder, a atriz e artista demonstrou mais uma vez toda a
sua performance visual que só ela consegue oferecer num concerto. Uma voz ímpar, única e poderosa que consegue exprimir a sua mensagem sem rodeios e sem merdas, deixou-me boquiaberto. Sem medo de se deitar para cima daquela moldura humana, mostrando ainda mais a sua veia punk, Jehnny
veio apresentar o seu disco de 2020 ‘To Love Is to Live’ com malhas como “I Am”, “I’m The Man”, passando por “Closer” dos Nine Inch Nails.

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Chico da Tina junto ao público no palco Binance [mais fotos clicar aqui]

Chico da Tina, tal como fizeram os 100 Gecs, puxaram pela juventude para fazerem em conjunto uma festa, a qual teve uma bela assistência apesar de já serem mais de 2 horas da manhã. A trapstar minhota ainda atrasou a sua entrada em palco alguns minutos puxando um pouco pela ansiedade. Tudo ficou bem quando o vianense acompanhado da sua trupe fizeram a sua aparição no Palco Binance.

Finda a segunda jornada de NOS Primavera Sound 2022, em modo de um cansaço avançado, foi tempo para regressar a casa para um belo repouso. Apesar de não ter sido um dia tão impactante como o dia inicial consegui ver vários artistas que já ansiava há algum tempo e isso deixou-me com o sentimento de dever cumprido.

* Texto atualizado a 18/06/2022 com texto de Luís Silva e que está devidamente colocado em destaque *

Vejam toda a foto-reportagem do 2º dia: clicar aqui

Texto:
Edgar Silva
Luís Silva (texto em destaque)

Fotografia:
João Machado

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Edgar Silva

Administrador de página e de conteúdos do HeadLiner

Adoro ouvir música. Ir a concertos é mesmo onde me sinto no meu elemento, é como um peixe na água. No headLiner junto ambos os gostos adicionando o gosto pela escrita: com artigos sobre música (bandas e eventos) e também umas coisitas acerca de alguns dos concertos a que assisto.

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