
2017 marcou o ponto de partida da banda de Fafe, El Senõr. Na
calha veio o seu primeiro EP ‘Alvorada Beat’, um álbum que deu muito que falar. Aquele surf rock mais melancólico, com riffs a condizer e um
baixo tímido mas com linhas bem bonitas. Quem o ouve vai numa viagem de carro
à beira mar com a cassete a rodar num dia solarengo e calmo de verão. ‘Alvorada
Beat’ é um álbum bonito, que encaixa bem no ouvido.
Em 2019, após um pequeno hiato, eis que há uma substituição.
Sai Michel Oliveira entra
Duarte Arievilo, e aí a cassete que rodava no tal carro, muda de fita.
Em meados de maio deste ano, surge então uma pequena luz em
forma de alegria (joy) com a primeira
música da banda desde 2017, “Suburbs of Joy”. A primeira vez que a ouvi
perguntei-me: “Foda-se, isto são os El Señor??”. O baixo entrou-me logo pelo
ouvido adentro sem pedir licença com a batida que fazia já sentir. Guilherme, a
voz da banda fafense, mostra outra faceta mais rebelde e explosiva, muito à
imagem daquele baixo indomável. No refrão, há uma explosão de revolta nas vozes
em uníssono, e uma sala a fervilhar pelo punk.
Assim dizemos: Bem-vindos, putos rebeldes de ‘Suburbs Of
Joy’.
Ultimamente, tenho cada vez mais consumido o punk em toda as
suas vertentes, muito culpa do BOOM que tem havido de bandas da cena, uma delas
os inevitáveis Idles. Falo nisto pois,
ao ouvir pela primeira vez este álbum, comecei logo a fazer conexões com as
tais bandas que tenho andado a ouvir em loop.
“Laconic Mutter” é o cartão de visita de quem ouvir este
álbum do início ao fim. Começando por se ouvir aquela guitarra a rugir logo no
início, e por se fazer acompanhar do tal baixo demolidor, fez-me lembrar algo.
Não sabia o quê… até começar a ouvir a imponente voz. Quem conhece a banda
sueca Viagra Boys faz inevitavelmente a associação, e isso é bom!
A banda de Fafe deu um rumo diferente a este segundo trabalho
discográfico. Está mais pesado, mais “sujo” ora nas guitarras com mais fuzz e distorção, nas vozes – ora a solo
ora em uníssono – no baixo que agora é dono de si próprio e abraça cada música como
fosse tudo dele, ou na bateria que explode de batidas e marca o ritmo para uma
possível debandado ao vivo. Talvez por culpa da nova entrada? Provavelmente. Só
eles poderão responder a isso, mas a verdade é que a mudança é percetível a “ouvidos
nus”.
Uma das minhas favoritas é a track #5 “Sick and Tired”,
sempre num compasso marcado pela bateria de Vítor Silva, é esta que te faz
tirar ambos os pés do chão a balouçar ao ritmo dos seus BPMs. Não seria eu fã de Parquet Courts se não me lembrasse daquele
refrão “Rebels… Teachers… Strikers… Sweepers… Better… Protected… Whenever…
Collected” da “Total Football”, ao ouvir o refrão desta a entrar pelo minuto
0:35. Acabando por entre uns “wooooo wooooo” em uníssono (que farão muita gente
cantar) intercalados com uma guitarra a querer intrometer-se, este final é
lindo.
Como em qualquer bom trabalho, é indispensável aquela balada,
e esta aparece com “Boredom Dishes (Reminiscences/ Evaluations)”. Contrastando
bem ao resto do álbum, esta faz-se apenas e exclusivamente acompanhar pela
guitarra acústica e pela voz de Guilherme. Será aquele momento de abraços e
sorrisos fofos após um concerto cheio de
muito suor e pó no ar, vai ser bom.
‘Suburbs Of Joy’ é um álbum de mudança, um álbum que veio
agitar as águas do rock, e porque não dizer do da nova cena punk portuguesa?
Querem ouvi-lo primeiro que toda a gente? Pois bem, já no
próximo dia 20 de novembro poderás fazê-lo no 1ª Mão no Oub’Lá, em Guimarães, sabendo que o seu lançamento oficial será dia 22.

Alinhamento
- Laconic Mutter
- Suburbs of Joy
- None of Us (Have Ever Surfed Before)
- So Weak, So What
- Sick and Tired
- Boredom Dishes (ReminiscencesEvaluations)
- This City
- Self Spinning #3
- Dance on Chance (Sushi by the
Road) - Urgent Matters
- Rubber Speed
Texto: Luís Silva
