
5 de
agosto de 2015. Uma data histórica e
guardada com carinho por quem criou, fez erguer e por quem continua a fazer
acontecer o Rodellus. Nesse dia
aconteceu a 1ª edição deste evento sendo que nesse ano o festival foi apenas de
um dia. A organização está a cargo da Associação
Rodellus e tem contado com o apoio de diversas instituições locais tais
como a Câmara Municipal de Braga.
O
aparecimento deste acontecimento musical fez sobressair Ruílhe, uma pequena freguesia na zona sudoeste do concelho de Braga. Apesar de distar cerca de 10 km
do centro dessa cidade minhota, Ruilhe é uma zona altamente rural. Daí que em
2017 o lema do festival “Para Quem Não Tem Medo do Campo” tenha
ficado enraizado e definitivamente associado ao Rodellus.

Gator, The Alligator ao vivo no Rodellus em 2019
De
2016 a 2019 o festival Rodellus teve
4 edições, todas elas durante a época de verão e em finais do mês de julho. De
ano para ano o evento foi crescendo de relevância tanto no panorama local como
a nível nacional sendo inclusive reconhecido no estrangeiro.
O
fio condutor em conteúdos musicais foi sempre música rock e indie nos seus mais
diversos ramos. Desde o início tem sido possível um equilíbrio entre formações
lusitanas e estrangeiras nas bandas escolhidas. Escolhas seletivas e que sempre
se enquadraram muito bem com o contexto do evento.
Recordamos
agora as últimas duas edições antes da pandemia:
2018: A
nossa reportagem pode ser vista e lida aqui.2019: A
nossa reportagem pode ser vista e lida aqui.

Brutus ao vivo no Rodellus em 2019
O presente: 2021
Em
ano de pandemia por causa da doença Covid19 o festival reinventa-se e vai
acontecer em formato expandido por 3 sábados consecutivos: 24, 31 de julho e
ainda 7 de agosto. O resto da informação como, por exemplo, o cartaz podem ser
encontradas aqui.
De seguida apresentamos uma entrevista à organização onde passado e o presente deste bonito festival minhoto é abordado. A edição bem especial que vai ter lugar dentro de dias merece igualmente umas palavras importantes. João Araújo (programador), Hernâni Silva (presidente da associação Rodellus) e Gabriel Azevedo foram as pessoas ligadas ao Festival Rodellus que tiveram a gentileza de responder às nossas questões.
~ Entrevista à organização
do Rodellus
headLiner: O Rodellus é um
festival diferenciado no panorama nacional pela sua localização rural embora
perto de uma das maiores cidades do país.
Realiza-se em Ruílhe, uma pequena freguesia
bracarense, por ser o berço de vários membros da
organização. Como foram os primeiros momentos como “corajosos organizadores no campo” em que decidiram definitivamente
avançar com a vossa ideia?
Rodellus: A
ideia surgiu no final de 2014, quando alguns de nós (fundadores) em convívio de
café, nos apercebemos que tínhamos uma vontade e gosto em comum, dinamizar a
freguesia de Ruílhe e fazer um festival de verão e de música rock/alternativa.
A ideia foi partilhada com uma associação local (A.C.R.D. de Ruílhe) que nos
deu a estrutura necessária para realizar o festival. Depois de um primeiro ano com
muito rock e de sucesso, decidimos continuar e criamos, de raiz, a associação:
Rodellus – Associação Cultural, que até hoje é responsável pela organização do
Rodellus. Entre amigos, conhecidos e amizades que se fizeram, fomos avançando
com o projeto e ganhando, de ano para ano, o apoio e reconhecimento da
comunidade, do município, do público e do setor artístico.
headLiner:
De onde surge o nome Rodellus
para intitular o vosso evento?
Rodellus:
O
nome surge de uma pesquisa feita por alguns membros da organização que procuraram
entender a origem e evolução do nome Ruílhe. Reparamos que o nome tinha uma
significância considerável no que à história de Ruílhe diz respeito. Pensa-se
que o nome “Rodellus” surge como um vestígio da invasão dos visigodos/godos à
península ibérica, já que este é um topónimo germânico. Bem adiante, a manifestação
do povo local que se rejeitou aculturar aos romanos e à romanização, manteve o
nome que viria a dar origem a Ruílhe, depois de algumas transformações do
mesmo. Esse caráter disruptivo e de contracultura inspirou o nome e a missão do
festival, estendendo-se até à nossa narrativa e linha de programação, servindo
assim de homenagem a quem teve a força de defender a sua própria cultura.

Palco principal do Rodellus em 2019
headLiner:
A organização do festival está a cargo de quantas pessoas? Isto
é, quantas estão diretamente envolvidas nos diversos processos, desde a seleção
de cartaz às montagens… Há também voluntariado comunitário em prol do evento?
Rodellus:
A
organização do festival é composta por 16 elementos. Temos sempre voluntariado
comunitário e o volume do mesmo é de cerca de 30 pessoas, à exceção deste ano
diferente, já que o formato não exige este número de colaboradores.
headLiner:
Sendo um festival de rock alternativo as bandas escolhidas,
embora algumas com algum nível de reconhecimento, não são propriamente do
conhecimento mainstream. Como é feita
a escolha?
Rodellus:
A
seleção das bandas é feita pelos responsáveis pela programação e direção
artística depois de algum estudo de mercado, que muitas vezes passa também por
assistir a muitos concertos locais e visitar também outros festivais, bem como
recorrendo ao meio digital. Bandas ou artistas que fazem sentido no Rodellus, devem
ser aquelas que essencialmente se levam a sério (embora seja relativo este
ponto); devem ser emergentes e/ou consagradas (ou a caminho de o serem), de
forma a compor um cartaz com artistas emergentes e outros que, de alguma forma,
garantam público para o festival. Geralmente, temos preferência por projetos
diferenciadores e, idealmente, com novos trabalhos. Essencialmente, tentamos
sempre ter uma oferta diversificada, embora centrada no rock e na música
alternativa, mas não nos fechamos a géneros ou estilos, estando sempre abertos
a novas correntes. Por último, devem ser artistas nacionais e internacionais,
de forma a mostrar o que se faz de bom em Portugal e além-fronteiras. Nesta
edição selecionamos apenas projetos nacionais, dado o contexto pandémico que
vivemos. Entendemos que este é um ano de apoiar, com mais enfoque ainda, os
artistas nacionais.
headLiner:
Analisando as 5 edições realizadas, quais as bandas mais
difíceis de contratar e/ou as que deram mais gozo em poderem contar com elas?
Há sempre umas preferências especiais certo?
Rodellus:
Há
sempre preferências sim, e por vezes somos impressionados (geralmente pela
positiva) quando as vemos e ouvimos ao vivo no Rodellus. Essa também é a beleza
da arte performativa e, por vezes, assim se alteram as preferências, já que
acabamos sempre por ter boas surpresas.
Normalmente,
as bandas mais difíceis de contratar são os headliners (passo a expressão 😉) e ainda mais quando se trata de artistas
estrangeiros. Podemos dizer que The Vintage Caravan, Brutus e Fai
Baba terão sido as mais difíceis de contratar, mas deu-nos um gozo especial
recebê-los e ficar com a sensação de que valeu muito a pena o esforço e o risco.
Para além destas, foi também especial ter recebido bandas como The Cavemen,
Mars Red Sky, First Breath After Coma, Solar Corona, Bee Bee Sea, entre outras.

Solar Corona ao vivo no Rodellus em 2019
headLiner:
Escolham pelo menos 3 momentos marcantes das edições já
realizadas…
Rodellus:
O
primeiro foi desde logo o ponto alto da primeira edição do festival, onde numa
quarta-feira conseguimos contar com cerca de 600 pessoas. Foi bonito vermos,
nos últimos concertos da noite, um público tão bem composto. O segundo momento
foi logo na segunda edição, onde a vinda dos islandeses The Vintage Caravan
(headliner) nos catapultou também para o público espanhol, tendo sido visitados
por alguns dos nuestros hermanos, que desde então marcaram presença nas edições
seguintes. A própria banda e respetivo concerto, marcou muito o nosso público e
comunidade local, pela qualidade musical e performance com que nos brindaram. O
terceiro momento, e não ficaríamos por aqui, foi a atribuição do prémio de
Melhor Festival Ibérico de Pequena Dimensão pela Iberian Festival Awards
e APORFEST, em 2019, correspondendo à edição de 2018. Esse prémio e toda
a motivação e responsabilidade que acarretou, levou a que na última edição
(2019) atingíssemos o maior pico de público num concerto, tendo sido também uma
das edições mais marcantes para o público e a organização.

Ambiente no Rodellus em 2019
headLiner:
Já realizaram 5 edições do Rodellus. Conseguem descrever um perfil do festivaleiro que tem-se
revelado um “corajoso do campo” com tendência de usufruir do festival mais do
que uma vez?
Rodellus:
O
perfil do festivaleiro do Rodellus, que acaba por ser também transversal ao de
outros festivais muito interessantes que temos pelo país fora, deve ser
rebelde, no sentido de não ter receio de viver a experiência de campo, de
acampar, de explorar o Rodellus e Ruílhe e, principalmente, de ter a vontade de
conhecer novas bandas e artistas que, assim como para nós, nos diferenciam pela
escolha disruptiva que compõem os cartazes do festival. Devem ser,
essencialmente, festivaleiros com energia, que apreciem a festa, que se
misturem com e conheçam a comunidade e que apreciem a música que temos sempre
para oferecer.
headLiner:
Para quem estiver a ler esta entrevista e não conhece o
evento… Para os nossos leitores terem uma melhor noção, na vossa última edição,
qual foi a média de assistência diária?
Rodellus:
A
última edição foi a que teve a maior assistência diária, tendo atingido cerca
de 1200 pessoas, registadas no momento em que levamos com uma avalanche de rock
dos nossos headliners Brutus.

Brutus no Rodellus em 2019
headLiner:
O adiamento da edição de 2020 terá provocado um sentimento
devastador se bem que embalado por ter sido uma decisão lógica. Como é que
vocês lidaram com tudo o que aconteceu em particular ligado ao vosso Rodellus?
Rodellus:
No
momento em que a pandemia se vinculou, tínhamos já planeado o Rodellus 2020 em
praticamente todas as frentes, faltando apenas executar. À data (março, 2020) o
cartaz já se encontrava fechado e a comunicação teria sido iniciada pouco
antes, se o contexto de saúde e de segurança pública nos tivesse permitido. Foi
com enorme tristeza que vimos cancelada a nossa edição de 2020, tendo desde
logo feito o comunicado aos artistas, aos parceiros, às equipas técnicas e ao
nosso público. Fomo-nos mantendo a par o mais possível, de forma a prever
eventuais mudanças no cenário que se vivia na altura, mas infelizmente não foi
possível adaptarmos a edição de 2020 do Rodellus, por razões óbvias. Isso
levou-nos a ganhar uma força extra para que em 2021 pudéssemos olhar para o
festival, para a cultura e o setor, de uma forma adaptada e com a esperança de
poder finalmente fazer alguma coisa, fosse o que fosse. No fundo, a nossa forma
de lidar com o problema que é a pandemia foi pensar e desenhar um novo formato
adaptado à nova realidade, e que acabou por desaguar nesta edição do Rodellus
2021: à desbrava!
headLiner:
Este ano vamos ter
uma edição diferente ao longo de 3 sábados. O que pode esperar o público que
estará presente ao longo destes dias?
Rodellus:
Nesta
edição não podem perder os 6 concertos que temos para vocês: David Bruno,
Hause Plants, The Twist Connection, Grand Sun, Black Bombaim e Krypto,
divididos pelas 3 sessões. Os passeios rurais darão a conhecer um pouco melhor
a freguesia de Ruílhe e a experiência rural exclusiva para quem adquiriu
bilhetes para os lugares limitados, com direito a um Kit Rodellus alusivo à
cultura, ambiente e pandemia. Em suma, o público pode contar com boa música,
bom ambiente, segurança e muita partilha, numa edição que será diferente e
enriquecedora, assim esperamos.z

