Especial: Foco headLiner com Grand Sun | Festival Rodellus 2021

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A sexta edição do festival Rodellus iniciou-se no passado sábado com David Bruno e Hause Plants naquele que foi um arranque a plenos pulmões. Neste primeiro de três sábado consecutivos as expetativas não foram defraudadas e o público vibrou com os os concertos. A nossa reportagem pode ser lida e vista aqui brevemente.

Em ano de pandemia, o Rodellus adaptou-se e preparou um cartaz dividido por 3 fins-de-semana consecutivos com duas bandas por cada um deles. A música feita em Portugal tem o seu devido destaque. Para ficarem a saber tudo sobre a edição deste 2021 podem ler o nosso artigo Rodellus à desbrava em julho e agosto.

Será já no próximo sábado, 31 de julho, o 2º round desta edição bem especial do Rodellus, festival que realiza-se em Ruílhe no concelho de Braga. Nesta etapa vão tocar os The Twist Connection, banda rock & roll de Coimbra. A outra formação que vão tocar são os Grand Sun.

Os Grand Sun são compostos por João Simões (guitarrista e vocalista), António Reis (teclista e guitarrista), Miguel Gomes (baterista) e por João Ribeiro (baixista). Oriundos da área metropolitana de Lisboa, vão dar um salto até Braga, terra da Gig.ROCKS!, a sua atual agência. Na bagagem levam o seu LP de estreia, ‘Sal Y Amore’.

Podem agora ler a conversa que tivemos com os Grand Sun. Além de servir de antevisão deste próximo concerto, permite melhor conhecer a visão da banda e as suas ideias acerca da situação atual e o seu impacto.

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foto pela: Beatriz Pequeno 

~  Entrevista aos Grand Sun

headLiner: Aos poucos e poucos os Grand Sun têm vindo a conquistar o
seu espaço no panorama musical nacional. Tivemos a oportunidade de vos ver pela
primeira vez no Festival Ecos do Lima em 2019, e já na altura sentimos a enorme
vontade de quererem fazer a festa em cima do palco. É esse o vosso grande
propósito como banda?

Grand Sun: Sem dúvida que Grand Sun enquanto banda vive do contacto com
o publico e de tocar live, mas também é importante esclarecer que não é o único
propósito da banda pois também é importante que nos divirtamos também, se não
estivermos a gostar dificilmente o publico vai gostar também, é mais uma
inter-relação. Acima de tudo, tentamos ser genuínos e honestos em cima do
palco, achamos que isso é que estabelece uma relação positiva com as pessoas,
calha bem que, honestamente e genuinamente, sejamos adeptos de folia.

headLiner: ‘Sal Y Amore’, o vosso mais recente trabalho discográfico foi bem acolhido pela
imprensa especializada na área musical. Também na nossa 1ª edição de
‘Quando Fala Um Português…’ (1ºs prémios da cena alternativa em Portugal)
no qual o público escolheu os melhores trabalhos de 2020, “ganharam” numa
das finais mais renhidas. Estavam à espera de um feedback tão positivo?

Grand Sun: E ainda estamos um pouco assoberbados por termos “ganho” a B Fachada, Filipe Sambado e a Galgo (risos). Sinceramente, dado que o álbum foi lançado em pleno início de pandemia e desta ser uma situação pela qual nunca passamos, não conseguíamos prever qualquer tipo de feedback. O facto de o pessoal estar em quarentena em casa um pouco à procura de distrações com certeza contribuiu positivamente para o feedback, porém não podemos dizer de maneira evidente e lúcida que o esperávamos.
Tendo em conta o panorama geral estamos muito contentes com a reação das
pessoas, deu-nos grandes oportunidades como o suberock ou entrar nos novos
talentos Fnac e tocar no coliseu dos recreios, e todas estas reações ao álbum meio
que mostraram que devemos estar orgulhosos de todo o percurso até aqui, o que é
muito gratificante para nós pois levamos muito a sério o que estamos a fazer e por
isso estamos muito gratos.

headLiner: Numa entrevista disseram que tentam levar para o disco o que fazem ao vivo, e não o contrário como normalmente acontece. O que querem dizer com isso?
Trazer o improviso e a alegria de tocar ao vivo para dentro do estúdio?

Grand Sun: O que normalmente acontece ao gravares discos é compores temas e arranjos
primeiro depois tentares reproduzir isso ao vivo, porém no ‘Sal Y Amore’, muitas das
musicas já foram gravadas depois de terem sido muito rodadas ao vivo, e por isso o
que fizemos foi reproduzir esse tal feeling de as tocarmos ao vivo com toda a
improvisação e energia inerente.

headLiner: Em ‘Sal Y Amore’ tem algumas faixas que de certo modo parecem conectar-se.
O caso de “Dear Ruby” e de “Dear Ruby II” e de “Palo Santo” e “Santo Palo”.
Querem-nos desvendar o jogo que fizeram por de trás desses dois pares de
músicas?

Grand Sun: Sim! Esse duplo wordplay surgiu assim: a “Palo Santo” inicialmente era uma música com duas partes um bocado distintas, onde experimentamos fazer a coisa de
forma coesa mas lastly achamos que o que faria sentido cortar a fita ali e
transformar a coisa em duas faixas. Já no caso da “Dear Ruby”, foi logo a primeira
música a ser escrita para este disco, ainda tem muita da estética do EP mas por
outro lado obedece a essa ideia de continuidade, onde transformamos o solo de
teclas que costumávamos fazer ao vivo numa espécie de viagem psicadélica no
disco. No primeiro exemplo sentimos a coisa como duas faixas diferentes, daí
mudar a ordem das coisas, já na Ruby é como uma extensão, daí o I e o II.

headLiner: Um dos vídeosclips mais engraçados que vimos ultimamente foi o Talk Show
recriado em “Circles”. Ficou-me na retina esta frase: “Who Are They Again?…”
Esta frase sintetiza um pouco a mensagem que querem transmitir com este
vídeo?

Grand Sun: Estamos muito felizes com o resultado final do videoclipe da Circles. Divertimo-nos imenso a fazê-lo! Procurámos transmitir a mensagem que queríamos através de um humor absurdo e surrealista, com inspiração desde os grandes Monty Python até a algo mais recente como o Eric Andre’s Show. Este tipo de humor irracional e
imprevisível deu-nos a liberdade de expressar nas entrelinhas sem esperar fazer
muito sentido. A pergunta: “Who are they again?” serve não só para mostrar a
indiferença que muitas vezes os entrevistadores ou apresentadores têm nos
artistas, mas também a nossa própria luta enquanto banda para nos mantermos
relevantes e obviamente crescer. Esta frase também está intimamente ligada à
resposta que se segue “Ahah! We love you!” que acaba por ser uma crítica de como
os artistas lidam com essa indiferença e como acabam por valorizar aqueles que
não os valorizam.

headLiner:  O disco foi lançado dias depois de a pandemia atingir redondamente o nosso país. Tal retirou a possibilidade de mostrarem ao vivo as novas músicas e na
altura já tinham algumas datas fechadas. Para vocês que fazem de um concerto
uma festa como foi lidar com essa situação?

Grand Sun: Foi, como para toda a indústria das artes em Portugal, um golpe duro. Na altura vimos cair de um dia para o outro uma tour com mais de 10 concertos pelo país e a
oportunidade de apresentar o LP acabadinho de sair. No entanto, esperamos que o
facto do álbum ‘Sal Y Amore’ ter uma vertente tão “ao vivo” tenha levado a
experiência dos concertos às casas das pessoas durante o confinamento. É um
sentimento reconfortante! Felizmente já começa ser possível subir ao palco em
eventos que conseguem juntar as condições necessárias, como é o caso do
Rodellus. E com isto aproveitamos para agradecer esta oportunidade de tocar no
festival! Vamos conseguir matar saudades da festa e do espetáculo após estes
meses difíceis.

headLiner: Dia 31 de julho vão estar no festival Rodellus, um sonho finalmente a ser
realizado (risos). Desta vez parece que estamos mesmo a desconfinar em todas
as vertentes (aos poucos mesmo assim). O que pode esperar da vossa estreia
no festival de Ruílhe?

Grand Sun: A estreia no Rodellus vai ser como sempre somos: Dar tudo em palco. Sempre que vamos a Braga é uma grande festa e esta não vai ser exceção. Este festival é uma
boa oportunidade para mostrarmos ao norte que lisboa também tem roque e
principalmente, para voltarmos a ter esta conexão com o público que nos faz tanta
falta (e no fundo é por isso que ainda estamos aqui).

headLiner: É sempre difícil de falar de futuro quando se vive numa situação atual tão
complicada. Mas qual o grande objetivo para os Grand Sun para 2022?

Grand Sun: O futuro é fazer música. Temos alguns planos para lançar novo disco e esperemos muitos concertos para compensar. A nossa missão é fazer música seja em concerto com o nosso querido público ou no estúdio a pensar em novas maneiras de nos
reinventarmos. Quando tudo isto passar, ainda vamos cá estar porque esta é a
nossa paixão e temos a certeza que temos algo a dizer. Agora pensamos no
presente, no que pudemos dar ao nosso público e nos copos que vamos beber no
Rodellus.

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Edgar Silva

Administrador de página e de conteúdos do HeadLiner

Adoro ouvir música. Ir a concertos é mesmo onde me sinto no meu elemento, é como um peixe na água. No headLiner junto ambos os gostos adicionando o gosto pela escrita: com artigos sobre música (bandas e eventos) e também umas coisitas acerca de alguns dos concertos a que assisto.

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