Quando a Locomotiva chega, a “escumalha” celebra sem ponta Bizarra

Quando a Locomotiva chega, a “escumalha” celebra sem ponta Bizarra | Reportagem Completa

Plena comunhão entre os Bizarra Locomotiva e a “escumalha” | mais fotos clicar aqui

A história dos Bizarra Locomotiva já é longa, são já 30 anos de trilhos percorridos. Tomaram a dianteira no género do metal industrial em Portugal e desde 1993 têm cultivado uma base com milhares de fãs bastante fiéis. Mais uma vez compareceram à chamada na passada sexta-feira, dia 8 de dezembro, ao Hard Club no Porto para mais uma celebração da música e da carreira dos Bizarra Locomotiva. A organização esteve a cargo da Free Music Events.

Com a abertura das portas às 21h, a fila foi-se formando. Era já longa, no entanto, a entrada era processada tranquilamente. O primeiro mimo foi terem direito ao que atualmente apelidam de “bilhete old school”. Num ambiente tranquilo, entre amigos, uns na conversa outros a reverem parceiros da “escumalha”, todos à espera das 22h numa maneira aprazível. Nesta hora antecedente ao concerto a sala foi compondo-se aos poucos e registou uma bela moldura humana.

A “escumalha” sempre em grande estilo | mais fotos clicar aqui

Uma trupe, na sua maioria, equipada a rigor com merchandising da banda. Um público maduro perfeitamente identificado com a banda e sobretudo de faixas etárias acima do que podemos considerar jovens adultos.

Pouco antes da subida ao palco soaram na instalação sonora, durante alguns momentos, acordes de “Invincible” dos Tool. Simplesmente perfeito como pré-aquecimento antes da celebração, sendo que a entrada dos músicos fez-se de forma bastante serena e sem grandes atrasos.

A “escumalha” desde logo a puxar pela banda nos primeiros segundos durante um curto interlúdio. Sentiu-se logo que estavam reunidas as condições ideais para uma excelente noite. Após o final de “Vendaval Utópico”, o primeiro tema interpretado, surgiu o coro: “bizarra, bizarra, bizarra”. Vozes afinadas ao alto e bem preparadas.

Os Bizarra Locomotiva um quarteto composto por Rui Sidónio (voz), Miguel Fonseca (guitarra), Alpha (sintetizadores) e Rui Berton (bateria). Tiveram a companhia de um quinto elemento, tratou-se de Carlos “Twiggy” Santos no baixo. Um habitual colaborador da banda, quer ao vivo quer em gravações para discos.

Rui Sidónio, o vocalista | mais fotos clicar aqui

Rui Sidónio é um vocalista ímpar no panorama da música em Portugal, desde o primeiro até ao último segundo está “com a ficha ligada” e a sua energia é inesgotável. Algo só possível pela sua forma física invejável. Deambula em cima do palco de forma constante e sempre em tronco nu. Ele não é um homem de falas, é apenas de ação. Faz uso da sua voz num registo literalmente gritante e que assenta como uma luva no registo musical.

Num plano mais resguardado surge Alpha, transporta um visual ousado e uma atitude ativa. Miguel Fonseca surge com uma pose demarcada pelos longos cabelos que lhe cobrem a cara bem como um outfit feminino. Rui Berton é o mais discreto em termos de vestuário já que em termos de prestação é bastante intensa.

Alpha nos sintetizadores | mais fotos clicar aqui

Os fãs, apelidados de forma curiosa de escumalha, vibram intensamente tema após tema. São positivamente influenciados pela postura vibrante do vocalista.

Em “Ergástulo”, o 9º tema interpretado, surgem os primeiros “hey” coletivos. Foram a força motriz para Sidónio vir cantar para meio duma frontline em êxtase completo. Ele voltaria a descer do palco novamente mais adiante na atuação.

Nesta fase, sensivelmente a meio da performance, já tinham sido tocados temas como “Gatos do Asfalto”, “ Mortuário” ou “Grifos de Deus”.

De ‘Volutabro’, na segunda metade do concerto foram tocadas “Vulnerável Prostituto” e “Volição dos Escravos”. Na primeira metade já tinham sido interpretadas “Vendaval Utópico”, “Vólupia” e “Vejo-me Fantasma”.

Rui Berton na bateria | mais fotos clicar aqui

Para final de festa, decorridos 1:30h de performance, houve uma invasão pacífica e energética do palco num ambiente insanamente festivo. As últimas duas interpretadas foram “O Anjo Exilado” e “O Escaravelho” num encerramento emocionante e em comunhão entre a banda e a “escumalha”. Mais uma vez por entre gritos de “bizarra, bizarra, bizarra”. Tratou-se de mais uma atuação musculada e proporcionada em alto nível pelos Bizarra Locomotiva.

Apesar do fim do concerto, o convívio continuou por entre muita conversa e recordações através de fotografias de grupo e não só. Houve também uma massiva adesão ao posto de merchandising cujas vendas estiveram em alto nível.

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Panorâmica sobre a banda durante a performance | mais fotos clicar aqui

Texto: Edgar Silva
Fotografia: Jorge Resende

Edgar Silva

Administrador de página e de conteúdos do HeadLiner

Adoro ouvir música. Ir a concertos é mesmo onde me sinto no meu elemento, é como um peixe na água. No headLiner junto ambos os gostos adicionando o gosto pela escrita: com artigos sobre música (bandas e eventos) e também umas coisitas acerca de alguns dos concertos a que assisto.