‘Propeller’: a propulsão eletrónica que nos leva para a cena clubbing | Lê em 1ª Mão

‘Propeller’ é o mais recente e 5º disco dos Paraguaii, a sair no próximo dia 26 de Abril. Para entrar nesta experiência auditiva para onde a banda vimaranense nos transporta, tem de se esquecer tudo o que conhecemos deles. O trio que agora se faz acompanhar na bateria pelo seu amigo de longa data, Rolando Ferreira, mostra uma outra faceta que até então não tínhamos conhecido. Vá, talvez em discos anteriores pudessemos antecipar este desfecho, como é o caso de “Godz” do disco de estreia de 2016, ‘Scope’, “Dream About the Thigns You Never Do” do disco com o mesmo título editado em 2017, ou mesmo no seu trabalho mais recente, obscuro e experimental, ‘Kopernikus’, especialmente na faixa “One Step”.
Desta vez a banda toma uma posição diferente, na qual as guitarras e baterias tradicionais são trocadas pelos sintetizadores, pelos teclados analógicos repletos de cores intermitentes ou pelas batidas com os BPMs bem marcados e ritmos tresloucados que podemos encontrar num clube noturno.

Foi este o caminho que seguiram neste ‘Propeller’, um impulso criado por uma propulsão que nos leva para a cena clubbing e que nos fará dançar de olhos fechados num sítio quente e escuro, enquanto lá fora o sol já raia às tantas da manhã. A banda descreve este disco como: “o ‘Kid A’ dos Radiohead, onde há sombra, vemos luz e no momento em que vemos luz logo nos aparece o nublado”. São estes contrastes e este fluir natural da música, que o novo disco da banda de Guimarães nos proporciona.
“Peanut” é o nome da primeira faixa, e as já fortes batidas começam a antecipar o que virá durante as 8 faixas. Teclados e uma indumentária digna de um filme sci-fi, hipnotizando facilmente quem o ouve (recomendo vivamente o uso de headphones). “All my feeling fall in love” é o nome da segunda faixa, e é nesta faixa que fica bem percetível, que a voz de Giliano Boucinha, passa para pano de fundo deixando como personagem principal as fortes batidas prontas a serem dissecadas por corpos dançantes. Aliás, um dos grandes twists da banda vimaranense neste seu novo trabalho, é o protagonismo que deram aos ritmos e batidas, deixando ainda mais vincado a pretensão de ouvir estas faixas nas pistas de danças deste país fora.
“Skeleton”, 1º single a ser apresentado e o cartão de visita de ‘Propeller’, é provavelmente a única faixa onde os papéis são invertidos, passando a voz para um 1º plano. Contudo, é nesta faixa que os BPMs são acelerados, sincronizando não só com o nosso ritmo cardíaco, mas também com os passos de dança. Num comunicado quanto à saída do seu single de estreia, a banda escreveu: “A pista de dança é o lugar onde somos todos iguais na nossa natureza humana e onde nos ligamos uns aos outros, como que por milagre. Vislumbramos rostos, revelamos a verdade de cada um, espelhada nas luzes que caem sobre nós”.
‘Propeller’ é isso mesmo: movimentos criados a partir de uma força, que nos puxa para a pista de dança, onde os problemas são esquecidos. Tudo o que vivemos, vivemos lá, tornando-nos num só.

Alinhamento
- Peanuts
- All My Feelings Fall In Love
- Insecure
- Ground Control.
- Phisique
- Psychotic Scenes
- Skeleton
- Fish Balloon
Passatempo
Em celebração do nosso 7º aniversário, estamos a sortear 2 discos ‘Propeller’ em 1ª Mão no nosso Instagram: @headlinerportugal [brevemente]

Texto: Luís Silva
