Muzz – ‘Muzz’ | HeadLiner On The Moon #6

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HeadLiner On the Moon é uma rubrica de análise de trabalhos discográficos elaborada por João Tavares do blogue Man On the Moon no qual são originalmente publicadas. Nesta parceria os álbuns lançados
nas últimas semanas terão um olhar sempre atento e uma audição sempre
sagaz!

Uma das grandes surpresas
discográficas do momento é o registo homónimo de estreia do super grupo
Muzz, um trio formado por Paul Banks dos Interpol, Matt Barrick dos The
Walkmen
e Josh Kaufman dos Bonny Light Horseman.

O projeto começou a
ser incubado há quase meia década por Banks e Barrick, amigos dos tempos
de escola que tiveram sempre em mente juntar esforços para compor e
criar música. Josh Kaufman, exímio multi-instrumentista e habitual
colaborador em diversos projetos, com especial destaque para os The
National
e o registo de estreia a solo de Matt Berninger, prestes a ver a
luz do dia, foi a cereja no topo do bolo dessa ideia feliz e que dá
agora frutos num alinhamento de doze canções com elevado travo indie e onde do rock alternativo à folk, funde-se o adn de Banks, que olhou sempre com gula para um registo eminentemente punk,
com as sonoridades mais atmosféricas e luminosas do agrado de Barrick,
admirador confesso de referências como Neil Young ou Bob Dylan.

Abrigado pela Matador Records, Muzz
tem como excelente exemplo de toda a trama que o sustenta, o modo como
um dramático piano se entrelaça com uma guitarra repleta de efeitos,
enquanto alguns sopros deambulam pela melodia de “Broken Tambourine”,
uma das canções mais bonitas do ano.

[youtube=https://www.youtube.com/watch?v=sfL4STVaG2U&w=540&h=304]

A partir daí, Muzz proporciona uma
jornada sonora em que limpidez e sobriedade dão as mãos convictamente,
para colocarem rédea curta num rock que não deixa de ser
sedutor, adulto e até charmoso, mas que é minuciosamente arquitetado e
alvo de um trabalho de produção irrepreensível. Mesmo quando as
guitarras distorcidas se fazem notar desenfreadamente em “Red Western Sky” ou “Knuckleduster”, nunca é permitido o resvalar para territórios mais progressivos e rugosos.

Apesar de Banks e Barrick
serem as figuras públicas maiores deste coletivo, é Kaufman quem, no
fundo, está na base a segurar todo o edifício sonoro do álbum, já que é
ele o responsável pelo adorno dos temas, o dono de grande parte dos
arranjos de cordas e o intérprete da maioria do arsenal instrumental
utilizado. O intimismo sintético de “Evergreen”, a salutar e impressiva acusticidade de “Everything Like It Used to Be”, o pendor clássico e até pastoral de “All Is Dead to Me” e o modo como folk e eletrónica sustentam “Patchouli”, só são possíveis devido aos múltiplos recursos que este músico possui e à sua ímpar capacidade interpretativa.

[youtube=https://www.youtube.com/watch?v=OsRSwQoOA68&w=540&h=304]

Outro aspeto interessante durante a audição de Muzz
é a percepção clara de que fica sempre à tona um salutar minimalismo
que, diga-se, é o registo instrumental interpretativo que melhor faz
sobressair a voz inconfundível de Banks, uma das mais sagazes do indie rock contemporâneo e que, podendo estar a perder alguma potência com a idade, está a ganhar claramente em afinação e sentimento.

Não
sendo ainda claramente percetível em que direção pretendem estes três
amigos talentosos caminhar, algo que até abona positivamente em relação
às expetativas futuras relativamente a este projeto, é já certo poder
dizer-se que Muzz é uma feliz e promissora estreia de um
conjunto de músicos que parecem ter encontrado o ninho perfeito para
deixarem a sua criatividade fluir livremente, sem os constrangimentos
óbvios do adn sonoro das bandas de onde são originários. Em
Banks, por exemplo, percebe-se que ele se sente feliz por finalmente
fazer parte de uma banda em que não precisa de vestir um fato cada vez
que tem de dar a cara por ela.

Espero que aprecies a sugestão…

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Tracklist:
1. Bad Feeling
2. Evergreen
3. Red Western Sky
4. Patchouli
5. Everything Like It Used To Be
6. Broken Tambourine
7. Knuckleduster
8. Chubby Checker
9. How Many Days
10. Summer Love
11. All Is Dead To Me
12. Trinidad


Avaliação pelo HeadLiner:

⭐⭐⭐⭐⭐⭐⭐⭐ (8/10)

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Review escrita por João Tavares.

### Autor do blogue Man On The Moon no
qual publica, desde 2008, análises bem pertinentes às bandas e artistas
mais interessantes do momento. Sem dúvida uma das leituras mais
aconselháveis sobre música indie e alternativa em português de Portugal.
###

Edgar Silva

Administrador de página e de conteúdos do HeadLiner

Adoro ouvir música. Ir a concertos é mesmo onde me sinto no meu elemento, é como um peixe na água. No headLiner junto ambos os gostos adicionando o gosto pela escrita: com artigos sobre música (bandas e eventos) e também umas coisitas acerca de alguns dos concertos a que assisto.

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