
A “Lufada” é um ciclo de eventos iniciado no
passado dia 19 de junho cuja concretização envolve uma programação cultural a
vários níveis nos quais inclui alguns concertos de música. O ciclo terminará a
10 de julho. Esta é a resposta d’ A Oficina (a gestora do Centro Cultural Vila Flor em Guimarães)
no tempo pós confinamento na retoma da oferta cultural aos vimaranenses.
Foram privilegiados os espaços ao ar livre do
complexo do CCVF tais como os
jardins e o pátio. Assisti ao segundo concerto desta programação na passada
sexta-feira cujo interveniente foi Luís
Nunes mais conhecido pelo seu nome artístico de Benjamim. Desta forma foi o regresso do artista a Guimarães depois
da sua atuação na edição de 2019 do ‘Vai-m’à
Banda’ tendo tocado na Montanha da Penha: podem ver fotos deste evento aqui.
Dadas as restrições impostas pela Direção-Geral
da Saúde esta performance teve uma lotação extremamente limitada, menos de 100
pessoas, sendo que o evento contou com acesso gratuito por ordem de chegada. Logo
aí senti uma “lufada” dos novos tempos com as pessoas a fazerem fila
ordenadamente e toda a gente a procurar cumprir com as regras deste “novo
normal”. Toda a gente de máscara e a tentar respeitar as distâncias sociais
aconselhadas.
As tais normas da DGS foram cumpridas
cuidadosamente pela equipa do CCVF e
o público aderiu de forma ordenada. Com toda a gente sentada no seu lugar (com
o respetivo distanciamento) assistiu-se a mais um capítulo desse “novo normal”.
Algumas pessoas puderam assistir de um ponto elevado, a afluência foi elevada.

A espera pelas 19h (inicio aprazado) aconteceu
em silêncio sem conversas cruzadas nem burburinho, direi eu, num ambiente algo
confrangedor. A determinado momento no ar um ambiente tenso, com as pessoas na
expectativa de perceberem como proceder… Estamos todos a adaptar-nos a uma nova
realidade, logo ali senti esse impacto…
O ambiente animou com aquele som tão bom de
ouvir… As palmas na entrada de Benjamim
em direção ao seu posto. “Para mim é já a
melhor sexta-feira do ano” exclamou o artista já que esta atuação foi a
primeira com público no pós desconfinamento. Apesar do seu nervoso miudinho
pela novidade da situação esteve sempre comunicativo. Ao seu dispor teve o
piano e guitarra clássica nesta performance a solo. A sua “caixinha de sons”
deu-lhe as batidas necessárias a cada canção.
Iniciou o concerto com “As Berlengas – Parte 1”, uma canção de um disco ainda não
terminado e cujo título é precisamente “Berlengas”.
O disco ‘1986’
feito com o inglês Barnaby Keen foi
abordado inicialmente com “Dança com os
Tubarões”. Mais tarde viriam
outras como “Madrugada”, canção
sobre voltar tarde a casa.

O seu grande sucesso ‘Auto Rádio’ de 2015 não
podia faltar e antes de tocar “Volkswagen” (uma homenagem
ao seu antigo carro) revelou mais sobre o tema. Quando regressava a casa, no
dia seguinte a ter sido contratado para passar música num casamento, teve um
acidente no seu carro. O custo de reparação era muito maior que o valor do
carro pelo que foi o seu fim de viagem. Contou-nos essa história tendo-nos
revelado que não voltará a passar música num casamento.
Em 2018 o Multiusos
de Guimarães recebeu a final do Festival da Canção e nessa edição Luís Nunes colaborou com Joana Espadinha no tema “Zero a Zero” que fez parte dessa
edição. Apesar de algo enferrujado Benjamim
tocou a canção e relembrou essa ligação à cidade vimaranense.
‘Vias
de Extinção’ é o novo álbum de Benjamim. O
single homónimo lançado há algumas semanas foi uma das últimas músicas tocadas.
Do novo álbum foram tocadas outras como “Serviço
de Despertar”.
A última da setlist foi “Disparar” dedicada a uma das pessoas da plateia, à Teresa Colaço,
a responsável pela Revista Variações,
um dos bonitos projetos dedicados à música independente e alternativa.

Com algumas pingas a caírem do céu, cada vez
mais densas, Benjamim pediu para
começarem a desmontar e retirarem o piano. Ninguém abandonou os seus lugares e
o músico lisboeta não resistiu a finalizar em estilo “à capella” acompanhado da
sua guitarra clássica e sem recorrer ao microfone. Já bem mais perto do público
despediu-se com “Terra Firme”.
Iniciar um fim-de-semana com um concerto ao fim
da tarde é uma sensação de liberdade e descontração. Apesar de alguma
estranheza devido à envolvência o retomar destas performances ao vivo com
público só posso considerar de algo muito positivo.
A equipa do HeadLiner volta assim às reportagens e continuará a desconfinar com
toda a segurança!
Vejam toda a foto-reportagem pelo Jorge Nicolau: clicar aqui

Texto: Edgar Silva
Fotografia: Jorge Nicolau