Mergulhamos no Ecos do Lima e acordamos entre sereias e capitães | Reportagem

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“O Festival Ecos do Lima
é um festival de Música e Artes. Pretende ser uma plataforma de mostra de
artistas portugueses, numa ambiência poética e bucólica, onde a muralha verde do
bosque e a corrente do rio Lima montam o cenário todos os anos.” É assim que
este festival minhoto se intitula, e tivemos que percorrer 50km para o
comprovar.

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Dia 13 de julho foi o
início desta viagem psicadélica na
terra encantada de Ponte da Barca banhada por um rio de cortar a respiração, o
Rio Lima, onde habitam criaturas misteriosas.

À chegada, percorremo-lo

passando pela lindíssima ponte romana, um dos marcos daquela vila minhota, até
chegar ao porto de abrigo de muitas sereias e marinheiros durante aqueles dois
dias seguintes, o campismo que se estendia ao longo da margem do rio. Estávamos
a matar o tempo por entre conversas quando começou a “ecoar” a primeira banda
desta 4ª edição do festival, os Malaboos. Zarpamos por caminho adentro até
atracar no Choupal, o local de todos os acontecimentos.

Em palco já estava a
banda, prata da casa, os Malaboos com Margarida Martins na voz, concorrente do
The Voice em 2017. Cantando em bom português, o seu leve rock com um baixo bem
marcado, vieram apresentar o seu EP de estreia “Matuta”.

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No Ecos do Lima também
tivemos proclamadores de Arte que preencheram o aMAZEing, exposição de
ilustrações, relatos de viagens, pinturas, grafite e fotografias de artistas da
terra, uma instalação feita em inúmeras paletes distribuídas pelo grande
recinto.

Os capitães a seguir não
necessitam de apresentação, já com muitos kms nos remos, a banda do porto Fugly
veio aquecer a já quente noite de Verão. Quem conhece este quarteto já sabe
para o que vem, rock sempre a rasgar as marés com muito headbaging, vozes cruas
a mostrar toda a pujança da banda. Vieram mostrar o seu 1º longa duração
‘Millennial Shit’ tocando grandes malhas como a faixa que dá o mesmo nome ao
álbum, “Take You Home Tonight“ ou uma das nossas favoritas “Yey”.

A banda foi uma das
grandes tripulações que passaram pela terra encantada do Ecos, tendo esta concerto marcado para o Festival Paredes de Coura deste ano. Aliás, Ponte da
Barca fica apenas a 30 kms, secalhar foi mesmo daí que tenhamos visto muitas
semelhanças àquela vila minhota que leva tanta gente todos os anos. Todo o
recinto é desenhado por dezenas e dezenas de árvores e com o rio a passar mesmo
ali ao lado.

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A noite ainda estava a
meio, quando por volta da meia noite sobem ao palco os capitães do planeta Zanibar,
ou como quem diz, de Lisboa. Os Zanibar Aliens acalmaram as águas agitadas do
concerto anterior, com o seu 70’s rock and roll com claramente influencias nos Led Zeppelin ou nos Deep Purple. Muitas vezes
víamo-nos mergulhados em longos solos de Filipe Karlsson, uma das partes Suecas
da banda a par de Carl na voz e nos teclados. O headbaging foi uma constante na
viagem com os lisboetas, talvez por muita culpa do baixista Ricardo Pereira que
em cima do palco foi bem provável que tenha feito a meia maratona dos 7 mares
contagiando toda a plateia.

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Já com terra à vista, a ultima
banda veio fechar o 1º dia, o duo QUELLE DEAD GAZELLE. Não foi preciso muito para encerrar em beleza a 1ª circum-navegação pelo Ecos do Lima, apenas uma guitarra e uma bateria. O post-rock
da dupla lisboeta embora com poucas alterações de “estado de espírito”, foi o
suficiente para levar a porto seguro as centenas de pessoas. As palavras foram
poucas, o rock foi muito que praticamente sem pausas hipnotizaram todos as
sereias e marinheiros.

Assim deu-se o
encerramento da frota que rumou a Ponte da Barca. 

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No dia seguinte, dia 14 de
julho, teremos mais uma mão cheias de navios prontos a navegar pelos acordes e
riffs do parque do Choupal.

Foi bem mais cedo que, o
capitão Caio, músico oriundo de Lisboa, atracou no Palco 30° à Sombra, palco bem ao lado do
campismo e com vista sobre o rio e a linda ponte romana. Acompanhado apenas
pela sua guitarra, o artista muitas vezes comparado ao sueco José Gonzalez,
veio mostrar a sua 1º longa duração ‘Mundo Incerto’.

Já muitas horas de sol e
calor tinham batido na nossa pele naquela quente tarde, apesar de bem mais fresco
que no dia anterior, quando entramos pela última vez nesta odisseia que se avizinhava
ainda com muita música. Pouco passava das 22:00h quando o quarteto do Porto
Marvin, subiu ao Palco Ecos para mostrarem o seu psicadelismo, com a maior
parte do reportório a viajar pelo ‘Mind Space Travellers’, seu primeiro EP.

A próxima tripulação vem
diretamente da terra de Vila Real, os Can Cun. O trio veio com um novíssimo álbum
na bagagem, o ‘Wanderlust’. Com a voz cheia de reverb e sintetizada, esta banda
oferece-nos uma viagem pelo além, é só fechar os olhos e seguir os teclados a
ecoar. A temperatura desceu bem durante a noite e apesar já de algumas pessoas
estarem a ocupar as linhas da frente, a temperatura nunca chegou a subir muito,
talvez mesmo pela talvez viagem do além, com os decibéis bem mais baixos e a
tornar o ambiente bem chill out.

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A próxima banda era uma
das mais esperadas do festival, muito provável pelos seus singles andarem a
rodar nas rádios nacionais. Falamos dos Madrepaz. A banda altamente inspirada
pela eletrónica dos MGMT ou pela simplicidade e beleza dos Pink Floyd, o
concerto com os lisboetas no lema fez tirar finalmente os pés do chão das
centenas de pessoas que vieram vê-los, até navegadores vindos do país vizinho que se
encontravam a ao nosso lado. Durante esta viagem bem smooth, com ventos por
vezes contra mas com as mares a ajudar, a grande agitação veio no “Sopra o Vento” a literalmente
soprar rasgados sorridos e letras na ponta da língua de alguns presentes.
Depois do vento ter soprado a favor o ritmo foi outro acelerando o concerto da
banda lisboeta, até começar a soar o solo de ‘Maria Maria’ de Santana na
guitarra e aí o Ecos do Lima tornou-se na maior pista de dança do norte do
país. A banda saiu de palco numa chuva de aplausos e de “Só mais uma, Só mais uma” que
infelizmente acabou por não se concretizar…

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Por fim esta viagem
pelos mares de Ponte da Barca chegou ao fim com My Trulies. Subiram à proa os 6 elementos da banda, o baterista com camisas às flores estilo Havaiano, o vocalista com blazer, camisa lisa (embora não tenha durado muito) e a sua calça de fato, uma mistela de estilos que só soubemos o que nos iam oferecer quando começam os primeiros acordes do seu rock and roll
que agitou as águas e fez muita gente gastar as últimos cartuchos. Sem dúvida um final com muito suor da banda que veio apresentar o seu 2º trabalho de estúdio ‘See You Next Summer’.

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Acabo este diário de bordo para todos os curiosos que gostam de boas viagens (aka festivais de música) felicitando toda a organização, pessoal jovem da terra com poucos fundos mas com muita vontade de navegar por oceanos maiores.

Siga a marinha para o Ecos do Lima 2019!  

Texto: Luís Silva

Edgar Silva

Administrador de página e de conteúdos do HeadLiner

Adoro ouvir música. Ir a concertos é mesmo onde me sinto no meu elemento, é como um peixe na água. No headLiner junto ambos os gostos adicionando o gosto pela escrita: com artigos sobre música (bandas e eventos) e também umas coisitas acerca de alguns dos concertos a que assisto.

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