
Em dia de feriado municipal pela celebração do Dia Um de Portugal, os Banhos Velhos nas Caldas das Taipas receberam Manel Cruz ao vivo em formato a solo. Expetativa estava alta até porque os pouco mais de 100 lugares disponíveis esgotaram no pré-registo em pouquíssimos minutos deixando inclusive uma lista de espera.
Neste final da tarde de 24 de junho, um céu azul em pleno vigor e um clima primaveril a puxar por um calorzinho de verão juntaram-se proporcionando uma conjugação ideal para o que aí viria.
O tom rosa das Termas conferiu uma cenografia ainda mais arrojada e distinta já que o palco no Largo das Termas estava localizado mesmo em frente a esse edifício.

A música instrumental dos Hermanos Gutierrez do álbum ‘Hijos del Sol’ embalou o público enquanto o evento não teve seu debute. O artista entrou poucos minutos depois das 18:30h, a hora inicialmente prevista. Logo ali exclamou “que bonito” ao olhar para a
plateia. De cavaquinho em riste, Manel Cruz iniciou a sua atuação com “Onde Estou Eu”
seguindo-se a interpretação de “Como um bom filho do vento”, reforçando a ideia de que o seu álbum, ‘Vida Nova’, seria o “prato forte” desta bela tarde. Na introdução para “Beija-Flor”, o artista fez questão de explicar que a canção fala sobre fazer música e para isso fez um paralelismo com o beija-flor.
O público foi brindado com novos temas compostos no decurso do confinamento e que
Manel Cruz fez questão de frisar que ainda não são canções editadas. São os casos de “Pode Beijar a Noiva”, “Acordou” e “Entre as Pedras”. As canções iam-se sucedendo de forma escorreita e perante uma audiência compenetrada e a acompanhar atentamente a performance. Público bem heterogéneo, com pessoas na casa dos 20 anos e outras de faixas etárias menos jovens.

A carreira nos Foge Foge Bandido foi também abordada com a interpretação de temas como “Falso Graal” e “Desce à Cama”, tendo o músico dito de forma muito cómica que a primeira destas canções só foi editada muito mais tarde devido a só então ter “passado na alfândega”. Momento de uma das primeiras risadas da tarde, outras seguiram-se.
“O céu aqui” e “Um lugar” de ‘Vida Nova’, foram igualmente interpretadas dando ênfase a este trabalho discográfico que marcou a estreia em nome próprio de Manel Cruz.
A “Canção Sem Título”, ainda não editada, que é de forma resumida, e segundo Manel: uma canção de “dor de corno” e um dos muito bons momentos desta matiné.
A discografia dos épicos Ornatos Violeta não foi esquecida e abordada com “Devagar”. A setlist apresentada foi realmente extensa e muito agradável de acompanhar.
O concerto viveu de momentos muito peculiares, ouvimos sinos e até a determinado
momento o som de gaivotas “forçaram” Manel Cruz a uma breve pausa. Tudo encaixou-se de uma forma mais natural do que a nossa sede. Até mesmo quando Manel se engana a interpretar uma canção inspirada num documentário sobre a indústria pornográfica e uma das suas personagens, Ginger Lynn. Pelo erro Manel pediu desculpas à senhora e reiniciou a canção.

A boa disposição do cantor foi sempre patente e a sua comunicação com o público
foi permanente e de forma sempre simples, eficaz e altamente cómica.
“Xiça nunca me enganei nesta música” exclamou o artista oriundo de São João da Madeira que só conseguiu interpretar corretamente “O Navio Dela” à terceira tentativa. Em seguida tocou “Vida Nova” antes de abandonar o palco.
Toda a gente ficou na incerteza se teríamos um regresso ou não. Manel Cruz irrompe e surpreende com um encore à capella, e em frente ao palco soltou-nos “Não te interessa pensar”, tema dos Foge Foge Bandido. Final mais épico e cativante era mesmo impossível. Aplauso de pé como rendição por esta performance memorável. A atuação foi filmada e deverá ser disponibilizada online por uma iniciativa cultural da Câmara Municipal de Guimarães.
Manel Cruz apreciou tanto este dia e concerto que basicamente se auto-convidou para estar regressar no mesmo local em 2022.
Notas finais para a organização: tudo foi preparado de maneira a que as pessoas
cumprissem com as exigências vigentes sendo que nesse sentido correu tudo de
forma muito positiva.

Texto:
Edgar Silva
Fotografia:
Jorge Nicolau
