
Linda Martini de regresso ao Hard Club 2 anos depois | mais fotos clicar aqui
Já não ia ao Hard Club, situado nas instalações do Mercado Ferreira Borges no Porto, há algum tempo. Mais precisamente desde o concerto dos Unknown Mortal Orchestra a 10 de julho do ano passado. Esta é uma das salas a que tenho ido com alguma regularidade e uma das que tenho gosto especial em deslocar-me.
Neste último sábado à noite, 1 de fevereiro, as experiências positivas vivenciadas anteriormente nesta sala portuense, em termos de condições de acesso e conforto na permanência no seu interior, infelizmente não tiveram um bom capítulo. Foram várias as causas para tal, como vim a descortinar, são situações recentemente implementadas. Cheguei cedo, como é meu apanágio, necessitei desde logo ir à casa de banho. Deparei-me aí com um torniquete à entrada do WC. Não estava a funcionar pelo que pude servir-me da instalação sanitária livremente. Imagino que será uma oportunidade de monetização por parte da gestão do mercado para breve.
Outra situação que pude observar: no acesso ao interior da sala, foi necessária a aquisição de uma pulseira, a qual tem de ser carregada, sendo o respetivo crédito útil para usufruto no bar.
As más surpresas não ficam por aqui, irei citar outra mais adiante…

O baterista Hélio Morais | mais fotos clicar aqui
Pouco depois das 21h já haviam pessoas na fila em modo sereno de espera pela abertura das portas. A minha entrada foi rápida, depois de levantada a credencial e “escapei-me” ao local aonde estavam a explicar e a colocar as referidas pulseiras. A sala foi-se enchendo aos poucos porém, por volta das 22h, não estava ainda totalmente composta. Há sempre algum público que chega tardiamente, imagino que a dupla situação do resgate “obrigatório” da pulseira e do controlo do bilhete, feitos na mesma zona, tenham contribuído para um fluxo bem menos rápido no acesso à Sala 1 do Hard Club…
Por tudo isto, os Linda Martini só fizeram a sua comparência em palco por volta das 22:20h. Um significativo atraso no debute da atuação. Por entre conversas e a fruição de uma banda sonora agradável, com temas como “Because the Night” de Patti Smith, o tempo foi-se passando num jeito aprazível.
‘Passa-Montanhas’, álbum editado a 24 de janeiro de 2025 através da Sony Portugal está ainda bem fresquinho nos escaparates, foi interpretado na sua totalidade e seguindo a sequência do disco. Na setlist houve o intercalar de um a outro tema menos recente. O punk-post-indie Rock continua com o mesmo poder empolgante de sempre.
Este novo trabalho discográfico conta com 10 temas novos que produzem uma carga elétrica bem poderosa. O álbum resulta de uma residência artística em Leiria tendo sido gravado em Barcelona. O primeiro em que o guitarrista Rui Carvalho participou a 100%. O músico, conhecido pelo seu projeto Filho Da Mãe, juntou-se à banda em 2022, para suprir o abandono de Pedro Geraldes. Geraldes não abandonou as lides musicais, tem colaborado ao vivo com Carminho, por exemplo.

O guitarrista Rui Carvalho | mais fotos clicar aqui
A abertura da atuação registou-se com “Assombro” um dos fenomenais temas deste LP ‘Passa-Montanhas’ e logo de seguida tivemos “Uma Banda” para o primeiro momento de efusividade com imensos rostos felizes e cantarolantes. Esta alegria e empenho por parte dos fãs foi constante ao logo de todo o concerto. Nem uma particular adversidade fez amainar os ânimos…
Na entrada para “Boca De Sal” houve “bocas” políticas por causa de um certo jantar registado 5 anos antes e um apelo para o público ocupar as salas de espetáculos: “são vossas, ocupem-nas” exclamou Hélio Morais.
Os fãs de Linda Martini viveram vigorosamente o concerto e tiveram de lidar com outra má surpresa, a que me falta referir… O ar condicionado não esteve a funcionar devidamente, só mesmo depois de muito suor por parte da banda é que não evitaram de o expressar verbalmente, isto já na reta final da performance. “Estamos a poupar no ar condicionado?” perguntou Cláudia em regime de desabafo e já com um ligeiro desespero… Se tivesse de dar uma classificação à organização do Hard Club seria necessariamente muito negativa. Já sei que fazem de propósito deixarem o ambiente ficar um pouco quente para que as pessoas consumam bebidas porém neste último sábado a situação claramente foi exagerada. Nas minhas vezes anteriores nunca tinha vivido uma situação neste nível.

A primeira fila dos Linda Martini no Hard Club | mais fotos clicar aqui
Um painel retangular ia deambulando entre um jogo de sombras ou uma luz branca fixa. Esteve situado por detrás dos 4 elementos, eles que se perfilaram em linha reta no palco. A banda também fez esse jogo já que estavam vestidos com um dress code black & white. Toda de branco esteve Cláudia Guerreiro. No centro consigo teve Rui Carvalho todo de negro. Nas margens tiveram Hélio Morais à esquerda e André Henriques à direita, eles que alternaram nas cores: uma peça branca e outra preta em regime complementar.
A banda regressou ao Porto uma semana depois e não dois anos como quase Guerreiro disse. Tinham tocado no Maus Hábitos na famosa festa d’ O Salgado Faz Anos… FEST! como banda surpresa da noite. Efetivamente a vez anterior no Hard Club tinha sido em 2023.

O guitarrista e voz principal André Henriques | mais fotos clicar aqui
“Panteão”, uma das mais antigas interpretadas, foi vivida com imensa intensidade pelo público que transmitiu à banda a energia que ela precisava para o resto da atuação. Até esse momento os quatro em palco tinham já realizado uma brutal e incontornável entrega literalmente suada.
Não tivemos “Amor Combate”, tivemos uma guitarra de guerra. Uma das cordas da guitarra de Carvalho rebentou, foi trocada e num processo rápido a corda foi mudada mesmo antes do tema “Gravidade” ter finalizado. A equipa de roadies esteve sempre muito profissional. Voltou a “combate” rapidamente.
Há que afirmar em abono da verdade: este quarteto é um assombro de banda! Quando atuam dão tudo: por entre a exigência constante de Hélio Morais e o seu ritmo frenético; o impecável compromisso de Rui Carvalho e o seu contributo bem suado; a perícia e sensualidade rock de Cláudia Guerreiro (que bem fica de branco!!) e a sua contínua vivacidade e citar finalmente a determinação vibrante de André Henriques com a sua guitarra e voz. Todos eles fizeram uso das suas vozes, a principal foi a de Henriques.

A baixista Cláudia Guerreiro | mais fotos clicar aqui
Antes de “Pé de Guerra” o guitarrista e vocalista André Henriques agradeceu toda a paciência de ouvirem ao vivo “canções ainda pequenas” de um disco muito fresco.
O final registou-se pelas 0:13h depois de um encore de dois temas e não de três como tinha acontecido nos 2 concertos anteriores e como esteve igualmente previsto para esta atuação portuense. Um encore igual a muitos outros concertos dos últimos anos com “Dá-me a tua melhor faca” e “Cem metros sereia”.
Em 2023 estiveram em digressão com a tournée “Merda & Ouro”, uma celebração do 20º aniversário. Um marco na sua carreira e que tem, neste 2025, um prolongamento auditivo apetitoso. Eles dizem, com muita sinceridade, que estão espantados por terem conseguido todo este trajeto e o permanente apoio de muitos fãs, a quem agradeceram no concerto. Este longo percurso tem sido realmente de sucesso. Há uma notória, saudável e bem visível cumplicidade entre todos os elementos dos Linda Martini, é algo belíssimo de se ver. Sentimos na pele a mesma alegria. Isto e um repertório incrível fazem de qualquer performance desta banda oriunda de Massamá uma experiência primorosa.
Não sei se teremos outros 20 anos de história porém tudo o que tivemos até agora dos Linda Martini fica demarcado no registo musical português de forma positivamente indelével.
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Visão periférica e do andar superior | mais fotos clicar aqui
Texto: Edgar Silva
Fotografia: Aitor Amorim @ torstudio (Instagram)
