Incontornável: a mente estava focada nos Pixies – Dia 5 do Vodafone Paredes de Coura 2022

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Frank Black dos Pixies [mais fotos clicar aqui]

A aventura da 29ª edição do Vodafone Paredes de Coura iniciada na
última terça-feira, 16 de agosto, terminou neste sábado, 20 de agosto. Ao longo
de 5 dias percorri diariamente cerca 200km (ida e volta) a partir do meu ponto
de origem até Paredes de Coura. No total formam, mais coisa menos coisa, 1000
quilómetros. Para uns, uma ideia louca fazer a viagem todos os dias, impensável
até. Acabou por ser a solução encontrada à alternativa de acampar ou de ficar
alojado algures perto da vila minhota. Correu muito bem e foi uma ideia bem
concretizada, até melhor do que pensei.

Depois de excelente convívio
durante os 4 dias anteriores e concertos incríveis numa atmosfera inspiradora e
refrescante, chegar ao último dia nestes moldes acarreta sempre uma boa dose de
nostalgia. Mesmo ainda antes do início dos concertos do dia derradeiro, chegar
perto do recinto e ver alguma azáfama com as pessoas já arrumarem os seus
pertences apenas solidifica o sentimento.

Voltar àquele habitat natural,
ao sítio que muitos apelidam de segunda casa, depois da privação de 2 anos do
tão acarinhado evento foi como voltar a respirar com nova intensidade, como se
tivéssemos deixado de o fazer por momentos.

Anunciada lotação esgotada
para este 20 de agosto, desde o dia 16, de forma inesperada direi eu, as
condições para um encerramento em grande estilo estavam devidamente criadas.
Efetivamente assim o foi, numa jornada eclética em que diversos estilos musicais
bastante diversificados estiveram presentes nos dois palcos do Vodafone Paredes de Coura. Tivemos
rock, rap, eletrónica experimental misturada com rock, entre outros.

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O vocalista dos Far Caspian [mais fotos clicar aqui]

Como era já previsível, o dia
começou em grande estilo com Manel Cruz a
solo no palco principal e foi brindado com uma bela moldura humana.
Ele esteve muito comunicativo, sua marca registada, e num set bem animado
apresentou alguns temas seus. O artista natural de São João da Madeira, já
tinha estado com os seus Pluto no 1º dia, deu um concerto bastante competente e
festivo, algo a que já nos habituou ao longo da sua carreira.

Joel Johnston trouxe
o seu projeto Far
Caspian
acompanhado por mais 5 músicos e tocou temas de ‘Ways To Get Out’, o seu álbum de
debute lançado no decorrer de 2021. O guitarrista e vocalista mostrou-se feliz
e abençoado por estar neste nosso lindo país e nem uma corda partida numa das
suas guitarras o fez refrear ânimos. Apesar do contratempo e do nervosismo de
estarem num grande festival, Joel até confidenciou estar espantado pela
dimensão do ecrã gigante atrás de si. Nele surgia apenas o nome do seu projeto
o que dispensava apresentação extra. Com um indie
rock bastante assertivo, a estreia em Portugal dos Far Caspian foi bem conseguida. Este que até foi o último concerto deles
neste verão de 2022.

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Xênia Rubinos no palco secundário [mais fotos clicar aqui]

Não tinha planeado aceder à atuação de Xênia
Rubinos
, no entanto, mudei de ideias e acabei pela opção de assistir a alguns
minutos da sua performance. A artista esteve acompanhada por Marco Buccelli, produtor e baterista.
Ali, no palco secundário, a partir das 19:05h aconteceu a atuação mais
diferenciada do dia. A artista norte-americana teve uma pose marcadamente
cénica, a sua vestimenta de estilo metalizado e uma luva na mão direita, uniram-se
ao som da sua música. As raízes cubanas e porto-riquenhas estão
bem presentes naquilo que posso descrever como um melting pot musical de jazz, hip-hop, funk, uma pitada de flamenco e
forte batida eletrónica. Uma atuação surpreendente e refrescante.

O prémio para a atuação mais
refrescante deste sábado vai direitinha para os La Femme. Todos os seus seis elementos vestidos de igual maneira num toque extra à sua apresentação enquanto banda.  Não faltou aquele sotaque francês
reconhecidamente sexy vocalizado por uma das suas vozes femininas. A banda
francesa rubricou um belíssimo momento num sonoro estilo muito próprio. Num mix
de ritmos electro franceses com vintage acid rock fornecem o seu sensual som
permitindo um pezinho de dança bem descontraído.

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La Femme ao final da tarde no palco principal [mais fotos clicar aqui]

Michael Alden Hadreas regressou ao Minho depois da sua passagem pelo Festival para Gente Sentada em 2017. Feliz pela sua 6ª vez como Perfume Genius em território português começou o seu concerto com “Without You”. Era uma das minhas curiosidades maiores, nunca o tinha visto ao vivo, e apreciei bastante esta minha estreia. “Fool”, “On The Floor” não faltaram na setlist que teve um final em apoteose com o público na sequência dos temas “Noting At All”, “Slip Away” e “Queen”. Este norte-americano merecia ter honras de palco principal.

Dada a enorme quantidade de pessoas no palco secundário a ver Yves Tumor não me foi possível desfrutar muito tempo do seu concerto. Deu para perceber que a sua potente voz passa pelo crivo do reverb acentuando-lhe uma dimensão digital. Yves Tumor & Its Band apresentaram a densidade experimental e industrial de um universo sonoro difícil de definir. Em mais uma performance em Portugal alguns fãs lusitanos não perderam esta oportunidade naquele que foi um bom momento.

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Perfume Genius de volta ao Minho [mais fotos clicar aqui]

A única coisa que posso, em boa verdade, dizer das atuações de Princess
Nokia
e de Slowthai é que tiveram o condão de animar o público fornecendo-lhes diversão. Sobre o conteúdo musical não há nada que possa exprimir…

Após um longo interregno entre a parca comparência de Slowthai no palco principal, eis que os Pixies entraram em palco às 00:20h. Este foi o momento mais aguardado pela maioria das 23 mil pessoas presentes. A moldura humana foi impressionante, como em dias anteriores, e seguimos para viver e curtir a mítica banda de Frank Black.  Foi uma experiência incrível ouvir ao vivo pela primeira vez temas como “Monkey
Gone to Heaven”
, “Here Comes Your Man” e “Where Is My Mind?”. Estes orelhudos hits já têm décadas, ainda assim, continuam bem vivos na mente e nas histórias das vidas de milhares de pessoas. Daí que o último dia tenha efetivamente esgotado. Frank Black, Joey Santiago, David Lovering e Paz Lenchantin foram muito competentes durante a hora e meia em que estiveram em palco. Talvez tenha sido um pouco demais, em determinados momentos o público esteve morno.

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Paz Lenchantin, a baixista dos Pixies [mais fotos clicar aqui]

O quarteto basicamente interpretou os temas, não houve praticamente interação com a audiência, faltou um pouco desse calor. Nas músicas menos conhecidas as pessoas tiveram uma pose mais contemplativa, as reações mais enérgicas ficaram todas guardadas para as ocasiões quando as “orelhudas” eram tocadas.

No final do concerto os ecrãs pediam às pessoas para aguardarem. Após uns breves minutos foi passado um aftermovie com imagens da zona do rio, do campismo, dentro do recinto e, pois claro, dos concertos de todos os dias. Mostrou imagens do concerto que tinha terminado instantes antes. Confettis e bolas gigantes das cores do principal sponsor do evento foram lançadas da zona VIP ao mesmo tempo que eram divulgadas as datas do próximo ano.

Em 2023 o festival regressa entre os dias 16 a 19 de Agosto de 2023. Na calha a hipótese de uma programação extra no dia 15 de agosto. No próximo ano o evento minhoto vai celebrar 30
anos.

Notas finais numa visão global ao festival

Num cenário o qual abarca pais com os seus filhos (alguns em idade pré-escolar), adolescentes indo até pessoas de meia-idade sempre num ambiente de sã convivência e amizade só é possível em determinadas situações. Em termos de festival de música o Vodafone Paredes de Coura proporciona isso como ninguém.

As opiniões divergem consoante os gostos e as visões de cada um. Vou dar a minha visão, sobre a questão de algumas escolhas de bandas, horários e palcos. Mema a solo no palco principal, Kelly Lee Owens no novo horário, Princess Nokia e Slowthai não funcionaram no enquadramento que tiveram. Alguns artistas podiam sair beneficiados de uma maior estabilidade nos estilos musicais e nas sequências dos concertos. As atribuições do palco são também influentes. Acredito que o público iria usufruir mais e melhor.

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Em algumas alturas tivemos intervalos sem concertos a decorrer, especialmente antes dos últimos do dia no palco principal em que a circulação no recinto, nos WCs e nas áreas de
restauração ficaram mais dificultadas. Apesar das pessoas poderem sair e regressar ao recinto o que acontece é que a maioria opta por ficar. Louva-se o espírito positivo do festivaleiro na paciência e nas filas.

De todo o modo, há que elogiar a organização pela forma como as coisas aconteceram. Ao contrário de outros festivais em Portugal, não houve problemas de filas longas para entrar ou de atrasos nas aberturas de portas. Os concertos começaram quase todos nos
horários marcados e sem problemas.

Vejam toda a foto-reportagem do 5º dia: clicar aqui

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Yves Tumor numa performance marcante do último dia [mais fotos clicar aqui]

Vejam toda a foto-reportagem no rio no dia 20/08: clicar aqui

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Texto:
Edgar Silva


Fotografia:
João Machado

Edgar Silva

Administrador de página e de conteúdos do HeadLiner

Adoro ouvir música. Ir a concertos é mesmo onde me sinto no meu elemento, é como um peixe na água. No headLiner junto ambos os gostos adicionando o gosto pela escrita: com artigos sobre música (bandas e eventos) e também umas coisitas acerca de alguns dos concertos a que assisto.

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