Aproveitamos o facto de sermos Media Partners do Rodellus, para entrevistarmos os barcelenses Solar Corona. Entrevistamos-os para que nos falessem do novo álbum e das suas expectativas para esta nova aparição naquele festival bracarense. Tocam na próxima sexta-feira, dia 20 de julho.

Apresentação dos Solar Corona
José Roberto Gomes (baixo), Peter Carvalho (bateria), Rodrigo Carvalho (guitarra e sintetizadores) e Julius Gabriel (saxofone) formam o colectivo Solar Corona cujas raízes estão em Barcelos. Julius Gabriel foi a última inclusão “obrigando” a banda a re-estilizar o seu som.
Constituíram-se há 6 anos e há 3 ano a banda passou por uma reformulação sendo que apenas Rodrigo Carvalho reste da formação inicial.
Neste presente ano surgiu ‘Lightning One’ em maio passado, o primeiro longa duração editado pela Lovers & Lollypops. Um álbum salpicado de rock e de punk-rock embora sem a existência de voz. Este trabalho discográfico tem vindo a ser tocado ao vivo e vem a ser recebido com entusiasmo.
Entrevista aos Solar Corona
HeadLiner: A banda foi formada em 2012, um ano em que se calhar a cena alternativa portuguesa ainda não tinha dado o seu boom como a conhecemos hoje. Quanto foi importante o fenómeno Rock in Barcelos para o vosso nascimento e crescimento?
Solar Corona: É bom ter gente que faz coisas interessantes e com gosto perto de ti, da
tua cidade pequena. Pode bastar isso para quereres juntar uma banda, e
vê-los sair da garagem faz-te querer sair também.
HeadLiner: Em 2016, numa entrevista, disseram que estavam com dificuldade em compor e que a vossa exigência estava cada vez maior. Acham que a entrada do vosso saxofonista Julius foi essencial para a banda definir melhor o seu som, e que trouxe por consequência a 1º longa duração ao fim de 6 anos?
Solar Corona: É sempre (ou quase sempre) difícil fazer um álbum. O Julius passou a ensaiar connosco enquanto escrevíamos a segunda metade do disco (não pela ordem que está lá), sendo que a primeira metade já estava escrita antes. Com ele fizemos um re-arranjo de tudo e nessa tal segunda metade já foi feita música para 4 pessoas. O facto de ele não poder estar sempre presente também trouxe alguma urgência em querermos fazer um disco, registar este capítulo. Por isso podemos dizer que sim, Julius Gabriel foi um dos catalisadores para chegarmos a este “Lightning One”, mas o som de Solar Corona não é estanque.
HeadLiner: O vosso mais recente disco, ‘Lightning One’, tem bastantes elementos parecidos com aquele “discozão” dos Black Bombaim com Peter Brötzmann. Talvez um pouco menos “jazzy” (pelo saxofone) e mais acelerado, mais punk-rock. Beberam um bocado daquele projeto? O que andaram a ouvir quando compuseram o ‘Lightning One’?
Solar Corona: Podemos afirmar que temos canções aqui, e acho que não se colocam a par
de um disco como o que os BB têm com o Sr.Brötzmann. Já foram a banda favorita de toda a gente de Barcelos a dada altura, agora são de muita. O som pesado também pode ter groove e acho que temos isto em comum com eles, mas acho que a abordagem que fizemos foi bastante diferente da de BB+PB. Procurávamos algo mais Stooges e Hawkwind, mas ao mesmo tempo Tangerine Dream ou até Jean Michel Jarre.
HeadLiner: Vão andar a apresentar o vosso disco por esse Portugal fora. Uma das datas é no Rodellus, um festival peculiar pelo sítio que é, mas também por ser um micro festival e que leva bandas de peso. Quais gostariam de ver, alguma recomendação especial?
Solar Corona: Ver alguns amigos que vêm de fora tocar lá. O Rodellus é um ótimo festival, recorre a muitas formas de tornar a experiência seja única, e é um prazer tocar a par de malta que quer criar coisas únicas. Destacamos os conterrâneos Gator The Alligator, rockam!
HeadLiner: Este será um regresso dos Solar Corona ao festival depois de 2016. Entretanto o festival já cresceu em várias vertentes. O que esperam do festival e o que irão mostrar ao pessoal que vos irá ver?
Solar Corona: Queremos ser surpreendidos também, por isso vamos lá ver! Quem nos for
ver, vai assistir a um concerto em formato power trio, pensado para estimular a audição, a visão e o tacto. O tacto é muito importante.
HeadLiner: Antes desta tour, estiveram noutra fora de fronteiras, passando pela França, onde andaram a gravar coisas, certo? O que podemos esperar desse dia de gravações, alguma revelação em 1ª mão? Já há data de lançamento?
Solar Corona: Podemos revelar que o Peter fala demais. Mas é bom sinal, está entusiasmado. Nós de facto tivemos a oportunidade de passar uma tarde num ótimo estúdio na França. Mas só porque foi fluído e soa bem não quer dizer que deva sair, podemos guardar para daqui a 50 anos ou um post-mortem (não sei qual chegará primeiro). Contudo estamos aí sempre em concertos por agora, venham ter connosco.
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