
Provavelmente o nome ‘Rodellus’ já não vos soa estranho, trata-se daquele
festival minhoto que vos desafia a não terem medo do campo. Neste ano de
2019, dentro de poucos dias portanto, vai acontecer a 5ª edição. A
concretização do evento tem sido ininterrupta desde o seu início em 2015.
A organização deste festival está a cargo da Rodellus – Associação Cultural formada por jovens de Ruilhe, Cunha, Tadim e Arentim.
Ganhou uma lufada de ar fresco há uns meses por sido premiado como Best Small Festival durante o Iberian Festival Awards no passado mês de março em Vigo. Este prémio vem na sequência da excelente edição do ano passado.
A
base de operações e realização da maioria dos concertos é em Ruilhe,
porém como em anos anteriores alastra também à freguesia vizinha de
Cunha.
Para quem (ainda) não conhece Ruilhe e Cunha, ambas fazem parte do concelho de Braga distanciando-se apenas cerca de 15 minutos do centro da Cidade dos Arcebispos. Uns 10 km, mais coisa menos coisa. Pese essa proximidade com uma das maiores cidades nacionais, Ruilhe é uma zona densamente rural possuindo na tranquilidade de uma zona de campo mais isolada contando apenas com pouco mais de 1000 habitantes.
Cartaz

Preços

“Eram perto das 4h da tarde, muitas nuvens cobriam o céu azul mas fazia-se sentir o calor no ar com o Volvo V40 de 2003 à pinha. Confiávamos no GPS que nos levava por entre ruinhas e ruelas, por vezes bem estreitas sem saber se o destino seria realmente a aldeia de Ruilhe. Após percorrermos uns kms desconhecidos, avistamos uma placa que dizia “Ruílhe”, sim, estávamos de facto no caminho certo.”
No ano passado começamos a vida no campo assim. Este ano a estória não será muito diferente. Será o segundo ano que iremos sair do conforto das nossas casas para abraçar o campo e o rock.
O cartaz do Rodellus é um cartaz de rock, um cartaz que explora todas as suas vertentes e que vai para além de fronteiras.
Há os vizinhos espanhóis FAVX– “O seu som punk, grunge, post-hardcore e pop não deixaram ninguém indiferente e a energia contagiante, os riffs a puxar pela distorção e as dinâmicas criadas puseram toda a gente a bater o pé e a fazer esquecer que o fim-de-semana já estava a acabar.”.
Ou o trio italiano Bee Bee Sea – “Tiveram uma atitude punk sempre alimentada a três vozes… A melhor descrição que podemos fazer do seu som é que são uma banda cheia de fuzz e vontade de fazer surfar os mais ousados.”.

Da armada lusa: De Braga que irá pôr muita gente a dançar, Quadra – “Funky Post-Rock, Math Rock? Podem chamar-lhe o que quiserem, a verdade é que por muitos palcos que tenham pisado pelo Verão que passou, tenham a certeza que vão ser levados para outro mundo onde a dança e a irreverência corporal é mote para a festa perfeita.“ .
Das Caldas de Rainha o trio Palmers – “Rapidamente despertamos para aquele som punk rock com travos intensos de surf e garage rock. Têm a curiosidade da contribuição de ambas as vozes femininas da formação e de alternarem entre si”.
Os barcelenses Gator, The Alligator – “Estes seus temas têm sido comparados aos dos King Gizzard & The Lizard Wizard pelas inúmeras mudanças de velocidade sempre com as suas guitarras a cavalgar antecedidas de gritos de revolta puxando pela distorção e pelo suor.”

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Se estás farto da rotina da cidade, vem viver o campo, vem viver o Rodellus –
Leiam toda a estória do ano passado aqui.
—— ENTREVISTA ESPECIAL RODELLUS ——
Uma
das pessoas fortes na organização do festival Rodellus é Jorge Alexandre Dias, um dos fundadores do evento. Ele respondeu-nos a algumas questões e vale a pena ler a entrevista!
HeadLiner: Sabemos que um dos grandes dos grandes objetivos do Rodellus é
descentralizar certos estilos musicais que não são tão comuns neste tipo de
meio rural. A pergunta é, sabendo a dificuldade de organizar um festival nos
moldes em que organizam e no sítio em que o fazem, qual foi realmente o
click/momento que vos fez arregaçar as mangas e de facto organizar um evento
destes num meio tão rural?
Rodellus: Em 2015 existiam duas vontades: a de criar um
momento com expressão cultural diferenciada na região, que fosse um reflexo da
nossa realidade e de, através deste, dar notoriedade à freguesia. O Rodellus
nasce com esse contexto mas também com muita paixão e espírito de luta. Depois
o “bebé” foi crescendo, foi ganhando dias e palcos, estendendo-se a outras
freguesias e é hoje algo do qual nos orgulhamos muito. O clique foi sempre a
música como retrato das nossas vivências, das nossas experiencias e como seria
bom fazer parte de algo que irá sempre ficar para a posteridade.
HeadLiner: Pegando nesse conceito da ruralidade e transpondo-o para o festival
Vodafone Paredes de Coura: quando o festival acontece, sabemos que do ponto de
vista económico e social, aquela vila renasce durante aquela época do ano e tem
até vindo a crescer. Em Ruílhe, dado que são pessoas da terra, também começam a
sentir essa marca?
Rodellus: Vai-se sentindo, sim. Seja nos negócios locais que
têm sempre mais movimento, seja nas próprias estadias. Temos cada vez mais
pedidos que nos chegam a pedir outras soluções de estadia que não passe pelo
campismo. Este ano até celebramos uma parceria com a Festicket de maneira a dar
resposta a essa necessidade. Coura foi crescendo à medida que o festival
crescia e isso, sem duvida, é algo que olhamos com bons olhos.
HeadLiner: O Rodellus já vai na sua 5ª edição ininterrupta. Qual o segredo para um
festival que mesmo sem qualquer patrocínio, traz bandas nacionais e
internacionais de renome a um a um
local dependente culturalmente do que se faz no centro de Braga?
Rodellus: O segredo? (lol) Acima de tudo reside na equipa
que trabalha diariamente para que as coisas sejam feitas pelo melhor. Tentámos
sempre surpreender no cartaz claro mas existe todo um rigor por trás no
controlo de custos e investimentos. Já fizemos coisas boas, coisas menos boas mas a verdade é que tentamos sempre não repetir erros. Fazemos esse registo e balanço e tentamos procurar soluções e alterar o que está mal. Claro que se tivéssemos um patrocinador as coisas ficariam mais fáceis mas em verdade te digo: se calhar não daríamos metade do valor. Crescemos muito a nível pessoal e profissional com esta aventura que é fazer um festival no campo mas é a paixão
que temos que nos move, e que, em alguns casos toca as pessoas. Hoje vemos
tanta coisa a ser feita sem gosto, sem paixão. Não conseguimos pensar dessa
maneira.

Jorge Dias em representação do Rodellus na entrega do prémio Best Small Festival em Vigo. Foto @ Aporfest
HeadLiner: Quanto a esta 5ª edição, um número tão bonito (risos), quais são as grandes diferenças que o público poderá ver e sentir comparativamente ao ano anterior?
Rodellus: Não querendo levantar muito o véu, confesso que este é o melhor recinto que temos desde 2015. O mérito vai todo para o Gabriel e respectiva equipa que desenharam algo diferente de outras edições, e que realmente celebra o campo e as suas gentes. O Palco Cunha também foi sujeito a
algumas alterações que prontamente irão denotar e claro, levamos a festa ao local
onde a ideia teve o seu tiro de partida. O Palco Músico vai dar às tardes um
conceito de arraial e festa a preceito para se celebrar estes 5 anos da melhor
maneira, seja com os pratos típicos, seja pela cerveja sempre gelada, seja pelo
Rock que vai invadir a Casa do Músico em Ruílhe.
HeadLiner: O Rodellus tem-se afirmado cada vez mais como um festival de rock,
independentemente de qual for a sua vertente. Como é que é montado o cartaz?
Quem faz as escolhas das bandas e o porquê? Criam o “festival dos vossos sonhos”?(risos)
Rodellus: O Rodellus é o festival dos nossos sonhos mas não
queremos parar de sonhar. O cartaz é reflexo disso. Em 2019 cumprimos o sonho
de trazer Mars Red Sky ao campo, conseguimos contar com Brutus que já era um
namoro antigo e para 2020 logo vemos o que conseguimos alcançar. É para nós
importante mostrar “boas colheitas” e tentar sempre diferenciar-nos pela aposta
em novos nomes da música portuguesa suportados por alguns nomes internacionais
entusiasmantes. Temos feito isso com alguma consistência e queremos continuar.
A escolha essa é pensada, recalcada, esmiuçada várias vezes. Por vezes em
demasia mas queremos manter algum critério com a programação. Acreditamos que
possa ser um factor diferenciador para com os restantes festivais que ocorrem
em Portugal.
HeadLiner: O que aconselham vivamente a ver e ouvir este ano no festival?
Rodellus: Recomendamos vivamente Unsafe Space Garden e
Cosmic Mass numa ronda aos novos talentos que vão surgindo. Um olho bem aberto
para Democrash, dois olhos bem fechados para Mars Red Sky, o acontecimento que
será Solar Corona e FAVX e claro, Brutus que trazem consigo um dos álbuns do
ano. A verdade é que são todas muito boas caso contrário não fariam parte desta
festa de cinco anos!
Toda a informação essencial pode ser consultada no evento do facebook:
