
A vinda de Kevin Morby em Braga inseriu-se no ciclo gnration@, iniciativa esta cujo
objetivo é o de dinamizar atividades culturais em locais emblemáticos de Braga.
Tendo em vista este propósito fora escolhido para a performance do talentoso
músico os jardins do Museu de Arqueologia de D. Diogo de Sousa. A história do concerto do cantautor norte-americano tem o seu primeiro episódio a cerca de 72 horas do dito evento.
A instabilidade climatérica, previsão de chuva, ditou a alteração do evento
para o Auditório do Espaço Vita. Com esta alteração ficaram disponíveis mais ingressos sendo que a lotação retornou ao ponto de esgotada no dia do espetáculo. Mais umas boas dezenas de pessoas tiveram a oportunidade de assistir a esta incrível performance deste ex-elemento da banda Woods.
O burburinho e azáfama na Rua de São Domingos começou a sentir-se pouco depois da hora para abertura de portas: as 21 horas. Certo é que esse horário não foi cumprido à risca, a fila à entrada ia-se definindo e engrossando com naturalidade por entre conversas
amiúde de uma ponta à outra.

Foto pelo Hugo Sousa @ gnration
O auditório com plateia e balcão foi-se enchendo aos poucos e pelas 22:15 horas finalmente entraram os músicos em palco. Apesar de ser anunciado como uma performance a solo Kevin Morby trouxe consigo o trompetista Hermon Mehari e mais uma convidada especial. Se seguem o artista provavelmente já saberão de quem se
trata.
O palco já devidamente enfeitado, com as teclas ao nosso lado esquerdo e a guitarra lá ao lado. Os três microfones em palco todos decorados com rosas vermelhas e brancas. Algodão a rodear a área aonde os artistas iriam atuar, muito provavelmente a simular nuvens como se estivéssemos no céu a assistir aquela aparição divina. Por entre as nuvens havia pequenas luzes fazendo lembrar os feixes de sol que rasgavam as nuvens sem pedir licença. O artista do Texas veio vestido a rigor, todo vestido de branco e umas asas desenhadas no seu casaco, um verdadeiro anjo no céu. Fomos todos convidados ao seu salão sagrado para ouvir os seus ensinamentos e que bom que foi.

Foto pelo Hugo Sousa @ gnration
O artista veio apresentar o seu disco ‘Oh My God’ e tocou praticamente na íntegra o seu mais recente longa duração, de uma maneira bem mais intimista, alternando entre o seu piano e os solos de guitarra que nos ia oferecendo, isto sem nunca esquecer o acompanhamento sublime do trompete.
Com o decorrer das músicas há uma coisa invariável nas letras do artista: a recorrente evocação à religião e a Deus. Demonstra a faceta espiritual omnipresente que ele tem.
A certo momento, os momentos angelicais que se iam passando até então, foram substituídos pelas clássicas “Halo” ou “Cry Baby” já sem trompete e onde o artista ficou a cargo apenas dele próprio de dar um ritmo bem mais acelerado.
Um dos momentos bonitos foi quando Kevin Robert Morby, chega-se ao público e começa a contar a razão pelo qual escreveu “Beautiful Stranger”, dedicando assim a todos os “presentes desconhecidos, mas que lhe enchem a alma agradecendo por estes gastarem o seu dinheiro nele”.
Outro momento especial da noite mágica que tinha chegado a Braga, foi dado pela presença da convidada especial Katie Crutchfield (conhecida pelo projeto Waxahatchee) onde ambos homenagearam o falecido Jason Molina tocando uma das suas “The Dark Don’t Hide It”, participando assim com a sua bela voz em mais temas até final do concerto.

Foto pelo Hugo Sousa @ gnration
Depois de uma das nossas favoritas “I Have Been To The Mountain”, aquela figura angelical fez uma ode a um dos seus locais favoritos do mundo e por onde já passou muitas férias, a cidade invicta, Porto, começando assim a tocar “Dorothy”, música que herdou o nome da sua antiga guitarra, que passa agora os dias na parede de sua casa.
Os concertos na Europa surgem no seguimento do lançamento discográfico ‘Oh My God’, lá está a tal sempre presente referência religiosa. Este álbum foi lançado em abril deste ano e como óbvio foi o prato forte da setlist.
Depois de já ter dado conta que ia voltar para um encore “nada esperado”, o artista regressou ao palco onde fez uma comparação ao auditório de uma sala de aula e que nós estávamos lá para ouvir os seus ensinamentos, e por um lado realmente estávamos… O artista regressou então com as inevitáveis “Parade” e “Harlem River”. Foi um concerto
com praticamente uma hora e meia numa odisseia não só pelo seu ‘Oh My God’ mas também por todos os seus grandes êxitos.
Finalizado o encore despediu-se com um “see you next year”, como quem diz, até ao próximo ano. O artista planeia regressar a Portugal em 2020 para concertos com a sua banda.
No final uma parte generosa das pessoas foi-se deixando ficar, a verem e adquirirem o merchandising do artista ou a darem umas fumaradas mesmo em frente ao Auditório Vita. Para contento de muitos Kevin Morby surgiu tendo dando autógrafos e convivido com os fãs. Do agrado de toda a gente, pois claro.

Foto pelo Hugo Sousa @ gnration
Texto: Luís Silva e Edgar Silva
Fotografia: Hugo Sousa @ gnration
