Dos insanos sons de Contrário até à “salivada” punk de MonchMonch foi tudo uma típica noite de Maus Hábitos

Dos insanos sons de Contrário até à “salivada” punk de MonchMonch foi tudo uma típica noite de Maus Hábitos | Reportagem Completa

MonchMonch com uma apresentação bastante enérgica | mais fotos clicar aqui

Uma das minhas coisas preferidas é ir a um concerto sem saber o que vou encontrar. Desta forma não existem expectativas, apenas um vazio, que será preenchido no momento exato em que a banda / artista começar a tocar. Pode ser um grande fiasco ou uma noite memorável. Felizmente, a noite de onze de abril foi a segunda opção e teve o selo da Saliva Diva.

Neste caso, apenas sabia que o projeto se chamava MonchMonch, que na primeira parte iria atuar Luís Contrário e que seria num dos meus locais preferidos do Porto, a sala de espetáculos do Maus Hábitos. Assim, tudo seria novidade, foi como um encontro às cegas. Este “blind date” musical ocorreu no passado dia 11 de abril, uma quinta-feira.

José Miguel Silva no teclado e Ricardo Cabral na bateria sempre com aquela inesgotável energia | mais fotos clicar aqui

Chegado à sala, reparei numa panóplia de objetos em cima de uma mesa instalada à frente do palco que estava tapado com uma cortina preta, instalação essa que seria a “mesa de trabalho” de Luís Contrário nessa noite. Assim que se ouvem os primeiros sons, prevê-se uma noite de caos sonoro, o experimentalismo e improvisação são os ingredientes preferidos de Luís e serão usados com abundância quer pelo Luís quer por MonchMonch. Loops de ritmos dançáveis, linhas de baixo insanas e outros sons diabolicamente enviados para o ar, antecipam o que virá aí. ‘Músicas de Dança Para Pessoas Tristes’, título do álbum de estreia de Luís Contrário editado em outubro de 2023, é sem qualquer dúvida, a melhor definição para tudo aquilo que ele nos mostrou no concerto dessa noite. O mote estava dado. 

MonchMonch é na realidade o projeto a solo do artista brasileiro que se autointitula dessa forma e que encontrou em Portugal um motivo para reencarnar e divulgar o seu primeiro longa-duração intitulado ‘Guardilha Espanca Tato’ cuja edição ocorreu a 21 de abril deste ano.

MonchMonch, Molarinho e Alice a darem tudo | mais fotos clicar aqui

No concerto no Maus Hábitos fez-se acompanhar de uma banda de amigos para darem corpo a todas as ideias do imaginário MonchMonch: Ricardo Cabral na bateria, Manuel Molarinho no baixo, José Miguel Silva nas teclas e uma segunda voz feminina graciosamente fornecida por Alice Rocha e o próprio na guitarra e voz principal. Tudo tinha um propósito e uma história para contar. A atitude irreverente punk é bem patente e a provocação é o veículo que usa para obter uma reação nas pessoas, ambas estão presentes nas suas composições e ganham uma dimensão extra na apresentação ao vivo.

Alice Rocha a “emprestar” a sua voz aos MonchMonch | mais fotos clicar aqui

A atuação inicia do nada, de entre rostos sem expressão que olham fixamente o vazio. Assim que surgem os sons melódicos e vozes de raiva que disparam gritos perturbadores, os rostos transformam-se e contam as histórias de prazer, tristeza, ódio, dor e todas as sensações que nos deixam desconfortáveis mas extasiados.

MonchMonch mais do que um projeto musical é uma experiência sonora durante a qual somos mordidos e devorados pelas canções intrigantes que partilha connosco, não fosse MonchMonch, como afirma o próprio, uma onomatopeia usada para expressar mordidas ou algo sendo devorado. Sem dúvida, uma experiência a ser repetida.

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MonchMonch com toda a sua expressividade e glamour | mais fotos clicar aqui

Texto: Jorge Resende
Fotografia: Jorge Resende

Edgar Silva

Administrador de página e de conteúdos do HeadLiner

Adoro ouvir música. Ir a concertos é mesmo onde me sinto no meu elemento, é como um peixe na água. No headLiner junto ambos os gostos adicionando o gosto pela escrita: com artigos sobre música (bandas e eventos) e também umas coisitas acerca de alguns dos concertos a que assisto.