CSS: Cativante Sensacional Sentimental – adjetivos perfeitos para a memorável e festiva despedida no Hard Club

CSS: Cativante Sensacional Sentimental – adjetivos perfeitos para a memorável e festiva despedida no Hard Club | Reportagem Completa

A vocalista LoveFoxxx | mais fotos clicar aqui

A derradeira, de 13 datas, de uma tournée europeia de despedida dos palcos (provavelmente terá mesmo sido isto que aconteceu) teve lugar num concerto ocorrido na sala principal do Hard Club do Porto. As Cansei De Ser Sexy (CSS) passaram pelo Reino Unido, por Paris, Barcelona, Madrid e Lisboa antes de tocarem na Cidade Invicta na passada noite de 7 de julho. A produção dos concertos em Portugal esteve a cargo da Setlist.

As CSS aproveitaram estes últimos meses para uma série de atuações nas quais comemoraram os seus 20 anos de existência. Regressaram em 2024, quebraram um hiato de 11 anos. Trata-se apenas de uma reunião limitada no tempo com um objetivo bem definido, uma tournée apelidada de “It’s Been a Number of Years”

Na verdade não são bem 11 anos de hiato, tal é referido em comunicações oficiais sobre estes concertos. A banda reformulou-se em 2019 e tocou em São Paulo, a cidade natal das CSS, numa atuação ocorrida no Popload Festival em substituição dos Beirut de Zach Condon.

Em 2013 editaram ‘Planta’, aquele que foi o 4º e último registo discográfico da banda. Para trás e para a história ficaram os discos ‘Cansei de Ser Sexy’ em 2005, ‘Donkey’ em 2008 e ‘La Liberación’ em 2011. Entre 2005 e 2013 alcançaram um hype bastante significativo no Brasil cujas ramificações alcançaram outros lugares no Planeta Terra, Portugal incluído pois claro, com bastante significado. Temas como “Alala”, “Music Is My Hot Hot Sex” ou “Hits Me Like a Rock” tiveram imenso sucesso.

A vida do projeto nem sempre foi pacífica. Adriano Cintra, um dos fundadores, abandonou o projeto em 2011 devido a falta de sintonia com os elementos femininos. A vida da banda continuou até 2013, temporada na qual ainda publicaram mais um álbum.

DJ Werdisbond na 1ª parte | mais fotos clicar aqui

Antes da entrada das Cansei De Ser Sexy em palco houve uma inesperada primeira parte com DJ set proporcionado por Werdisbond, não fora anunciada previamente, tendo-se iniciado por volta das 20:30h. O inglês já tinha atuado na noite anterior em Lisboa. Recorrendo a repertório no qual selecionou artistas como Rihanna, Diplo, Basement Jaxx ou Robyn. Desta última cantora soou nas colunas “Dancing on My Own”, hit cantado por muitos a plenos pulmões. Claro sinal que o pessoal já estava pronto para a próxima etapa da noite.

Aos poucos e poucos as pessoas foram entrando na sala principal do complexo do Hard Club, o acesso ficou disponível às 20h. A circulação até ao andar superior esteve encerrado. A sala esteve muito bem composta porém não chegou à lotação esgotada.

Um dos detalhes em palco | mais fotos clicar aqui

O primeiro detalhe que saltou-me à vista foi uma bandeira do Brasil em formato Orgulho LGBT+, com a utilização de determinadas cores pendurada num dos amplificadores. Uma mensagem transmitida de forma bem simples.

Luísa Matsushita conhecida como LoveFoxxx na voz principal, Ana Rezende na guitarra e teclados, Carolina Parra na guitarra e Luiza Sá igualmente com guitarra são o quarteto base que se apresentou neste concerto portuense. Já Chuck Hipolitho fechou a banda ao vivo ocupando a bateria, ele que foi apresentado por LoveFoxxx como seu namorado.

Chuck Hipolitho na bateria | mais fotos clicar aqui

Ao som de “We Like to Party” dos Vengaboys, pelas 21:30h, fizeram a sua aparição triunfal no primeiro momento de catarse coletiva. Uma entrada bastante festiva e que deu o tom certo para o remanescente da noite.

LoveFoxxx esteve sempre imensamente interventiva, quer fosse a livrar-se das várias peças de roupa que tinha vestido, quer fosse a comunicar com a audiência ou a oferecer presentes aos fãs.

Logo na parte inicial desdobrou-se em agradecimentos a quem acompanha a banda, como os técnicos de som e ao tour manager. Foi neste momento que revelou que “os últimos shows são sempre especiais”. Efetivamente foi esse o presente coletivo aos que marcaram presença.

A sorridente LoveFoxxx | mais fotos clicar aqui

Em “Music Is My Hot Hot Sex”, a terceira canção interpretada, o ambiente incrível e delirante vivido era a tonalidade indicativa de que tínhamos de aproveitar cada instante do concerto. As pessoas interiorizaram o conceito e aderiram à festa com vigor.

Já em “Alcohol”, o quarto tema tocado, começaram as ofertas: a primeira foi uma cerveja em lata de uma bem conhecida marca nacional.

Luísa Sá na guitarra | mais fotos clicar aqui

LoveFoxxx apresenta-se com bastante teatralidade. A vocalista é imensamente comunicativa, bastante expressiva e divertida tudo num tom bastante naturalíssimo. Promove também a interação com o público de modo atrativo.

Já Ana Rezende, Carolina Parra e Luiza Sá acompanharam Matsushita com um sorriso na cara fazendo-lhe o devido acompanhamento musical e ocasionalmente de forma vocal. Realmente é mesmo muito bonito quando vemos os artistas em palco sorridentes, a desfrutarem do momento e a darem o seu melhor.

Carolina Parra a preparar os pedais | mais fotos clicar aqui

Público heterogéneo com predominância para as camadas etárias dos 20s e 30s. Muito público feminino, já contava com tal situação. Quando LoveFoxxx questionou quem estava a vê-las pela primeira vez foram imensos os braços erguidos. Um indicativo bem forte que a discografia das CSS continua a ter um impacto bastante prolongado no tempo. Os seus tempos áureos foram marcantes e o seu legado musical continua a encantar gerações mais recentes.

Neste “último show em Portugal" como LoveFoxxx o apelidou houve vários momentos que nunca tinha visto. Um deles foi a entrega de vários presentes aos fãs durante a atuação entre os quais um CD e um vinyl. A particularidade é que foram autografados pela banda no decorrer do show.

Ana Rezende no teclado | mais fotos clicar aqui

Houve ainda o desafio para um milhão de euros, como ironicamente apelidado, no seguimento de uma história contada por LoveFoxxx sobre, uma vez, ter ido para um ensaio com uma t-shirt dos Motörhead. Disse que as pessoas usavam t-shirts de bandas conhecidas por serem itens da moda e não propriamente por serem mega fãs delas. Desafiou alguém do público a nomear 5 músicas dos Motörhead. Uma fã aceitou e completou o desafio. Recebeu como prémio uma cerveja enlatada, não quis e pediu antes uma garrafa de água. Assim prosseguia o concerto, interativo e bastante divertido.

Houve lugar a um tributo a Madonna com a interpretação de “Hollywood” no seguimento da performance dos temas “Move”, “Dynamite” e “Fuck Everything” e que decorria de modo bastante animado.

Em “City Grrrl” a nota era de alto-astral com corpos naturalmente dançantes e sorrisos abundantes. Já em “This Month, Day 10” os braços levantaram-se e deambularam para a direita e para a esquerda.

A participação do público foi muito calorosa | mais fotos clicar aqui

Se o ponto de “loucura” máxima ainda não tinha chegado, foi então em “Let’s Make Love and Listen to Death From Above” que o vivemos. Era a última antes do encore e o público não regateou o mínimo esforço para fazer sentir as Cansei De Ser Sexy acarinhadas e adoradas.

Durante o encore Matsushita revelou que a banda foi criada para terem um escape do trabalho, da selva empresarial de São Paulo. Disse-o com um sentimento de que, nessa altura, não imaginava as proporções que o projeto iria ter. Senti que ela estava com uma pitada de nostalgia por entre todo o ambiente festivo. Entretanto surgiu “Alala”, a terceira e música final do encore, e toda a gente focou-se em celebrar as CSS e o seu legado musical enquanto LoveFoxxx fazia crowdsurf.

LoveFoxxx a viver cada segundo intensamente | mais fotos clicar aqui

Regressamos a “We Like to Party” dos Vengaboys para a despedida por entre um sorriso nos lábios e uma ligeira lágrima no canto do olho.

O electro-rock-dance com uns pozinhos de punk das Cansei De Ser Sexy revelou-se Cativante, a energia em palco e na plateia foi Sensacional e a alegria misturada com nostalgia foram a parte da nota Sentimental sentida por quem esteve presente, mesmo para quem as via pela primeira vez ao vivo. Como foi, por exemplo, o meu caso.

Senti “mixed feelings” no final do concerto, algo um pouco estranho. Certamente não terei sido o único, isto de ver CSS pela primeira e última vez naquela que foi uma experiência incrível e memorável.

A atuação das Cansei de Ser Sexy foi mesmo “show de bola” e às 23:09h, hora de remate final do concerto, senti que a decisão de não deixar passar esta oportunidade como  uma das melhores que tomei este ano no que diz respeito a concertos.

Reportagem fotográfica completa: Clicar Aqui

A intensa despedida das CSS | mais fotos clicar aqui

Texto: Edgar Silva
Fotografia: Nélson Gomes

Edgar Silva

Administrador de página e de conteúdos do HeadLiner

Adoro ouvir música. Ir a concertos é mesmo onde me sinto no meu elemento, é como um peixe na água. No headLiner junto ambos os gostos adicionando o gosto pela escrita: com artigos sobre música (bandas e eventos) e também umas coisitas acerca de alguns dos concertos a que assisto.