
Vinicius de Moraes escrevia algures em 2004: ‘Sento-me, mar, a ouvir-te; Te sentarias tu, mar, para escutar-me?’, se este mar fosse o acrónimo de uma das mais pulsantes associações do Alto Minho e a resposta fosse traduzida pelos eventos do último sábado, diria a Vinicius: sim, sento-me para te ouvir, e rejubilo em ver-te em mim sentar.
Repito-me sempre vezes sem conta ao dizer que existe oferta cultural para dar e vender na sub-região mais a Norte do país, cabe a cada um de nós a responsabilidade de a aproveitar da melhor forma, exemplo perfeito disso foi o abraço familiar entre o Movimento Artístico de Refóios e a Comunidade Artística Limiana que teve lugar na já conhecida freguesia de Ponte de Lima.
A tarde começou direcionada para os mais novos com a Escolinha das Artes, um projecto dirigido pela Catarina Vale, membro da CAL, com lugar na sede do MAR. Dos 3 aos 12 anos várias são as crianças que semana após semana aproveitam para cultivarem a criatividade, alimentarem este bem tão único para o ser humano, através da pintura, ilustração, escultura, entre outras vertentes artísticas.

A noite chega e traz consigo a inauguração da exposição de Beckham, artista emergente do distrito vizinho, que abriu as portas aos seus estudos pictóricos, banhando as paredes da galeria com dezenas de obras marcadas pelas suas cores arrojadas e traços inconstantes. Pouco depois, e como associações locais que se prezem, o MAR e a CAL abriram espaço para a apresentação de um livro escrito por terras limianas de Iago Vendrell, para logo depois oferecerem o palco a uma banda originária de Viana e Ponte de Lima: WUDM, que com um público recheado de amigos e conhecidos se fizeram notar pela positiva.

O desfecho foi deixado a cargo dos The Lazy Faithful que no corrente ano apresentaram o álbum ‘Nice Price’ que, curiosamente, começou numa residência artística da banda no Movimento Artístico de Refóios no início de Outubro de 2018. E não podíamos pedir uma apresentação mais quente para a visita deste disco às origens! Dizer que o Tommy e a sua carismática presença no palco conquistaram todos naquela sala é dizer pouco.
Por isso sim. Sim o MAR senta-se para ouvir, com a CAL por companhia. Dão espaço à tua pintura, literatura, ilustração, música numa só noite, que fará num ano inteiro. Continuando assim a descentralização da cultural e o rasgar do tratamento preferencial de certas áreas artísticas, há núcleos que crescem de braços abertos para te receber, é só chegares lá.https://www.flickr.com/apps/slideshow/show.swf?v=261948265
Texto e Fotografia: Ariana Amorim
