Com Vampire Weekend e Capicua a gente diverte-se imenso – Dia 1 do Vodafone Paredes de Coura 2025

Ezra dos Vampire Weekend bem recebido pelo público | mais fotos clicar aqui

Eis que volvidos 364 dias é tempo de regressar ao mítico festival ao Alto Minho, ao Vodafone Paredes de Coura, evento já reconhecido mundialmente.

Há quem realize peregrinações anuais por motivos religiosos, as minhas razões são musicais e têm como destino a minha “Meca” dos festivais portugueses de música indie e alternativa. Ainda o é apesar de “piscarem o olho” a outros géneros musicais como o Rap, o Hip-Hop e o Pop de há umas edições a esta parte. Trata-se de uma evolução natural de um festival que regista em 2025 a sua 32ª edição. Os tempos mudam, as gerações renovam-se e os gostos da juventude vão também sofrendo algumas mutações. Este é, efetivamente um festival que é muito procurado pelos adolescentes e jovens adultos até aos 30 anos.

Público em Don West | mais fotos clicar aqui

Tal como em ocasiões prévias segui rumo à vila minhota banhada pelo Rio Coura mais cedo, tal como é a norma ao primeiro dia. Desse modo dei início ao périplo repetitivo de quatro dias de viagens Guimarães – Paredes de Coura – Guimarães. Desta vez sem o meu habitual parceiro de viagem dos últimos anos, é uma peregrinação a solo.

Com tantos nomes fortíssimos, uns que quero ver pela primeira vez e outros com vontade na sua repetição, era mesmo uma oportunidade imperdível. Ainda antes do arranque os passes gerais esgotaram bem como os bilhetes diários para sábado (16 de agosto), um sinal claro do agrado pelo cartaz. “Esgotarem com esta antecedência só aconteceu em 2015” referiu João Carvalho, diretor do festival, um claro sinal do interesse pelo evento.

Dia 1 – quarta-feira, 13 de agosto

Being Dead é um trio composto por Nicole Roman-Johnston (voz e baixo), por Cody Dosier (guitarra, bateria e voz) e Falcon Bitch (guitarra, bateria e voz) e vieram a Portugal pela primeira vez. Todos participaram vocalmente e de registar a troca de posição e instrumentos entre Cody e Falcon

“Vocês estão prontos para rockar?” foi a questão efetuada por Falcon segundos após a entrada nem precisava de ser feita. A vontade de desfrutar ao máximo é sempre indómita aos primeiros minutos.

Falcon na bateria | Foto oficial Vodafone Paredes de Coura @ Hugo Lima – www.fb.me/hugolimaphotography

Trouxeram ao Vodafone Paredes de Coura a sua eclética junção sonora na qual incluem os estilos surf rock, freak pop e frantic punk.

‘EELS’, o registo discográfico editado no ano passado, foi apresentado com temas como “Nightvision” (o primeiro a ser tocado), “Problems” ou “Godzilla Rises” por exemplo. “Daydream” e “The Great American Picnic” foram também interpretadas.

Originários de Austin nos Estados Unidos da América proporcionaram uma vibe bem positiva e descontraída no primeiro concerto realizado na edição deste ano e que teve lugar no palco secundário, agora com novo patrocínio, nomeadamente do BacanaPlay.

Being Dead na estreia em Portugal | Foto oficial Vodafone Paredes de Coura @ Hugo Lima – www.fb.me/hugolimaphotography

Samuel Úria, músico português oriundo de Tondela, trouxe ao seu querido festival, ele que é frequentador assíduo como fã e no qual é repetente em cima do palco, alguns dos seus novos temas bem como outros menos recentes.

Veio acompanhado por 4 músicos: António Quintino no baixo, Jonatas Pires na guitarra, Silas no teclado e Tiago Ramos na bateria.

O mestre-de-cerimónias com Pés de Roque Enrole inaugurou o Palco Vodafone, o principal, com a sua habitual energia e humor sui-generis e com o tema “2000 A.D.”. Essa é a canção que dá nome ao álbum editado em 2024. Deste disco tocou também “Kuchisabishi” e “Daqui para trás”. Nesta última canção teve a participação da brasileira Carol em formato dueto sem a banda.

Samuel Úria a abrir o palco principal | Foto de Sérgio Monteiro @ _loudframes_ (instagram)

Úria afirmou ter sido “muito fixe” inaugurar o palco principal e também que os óculos de sol estavam no backstage à espera do João Carvalho, o diretor do festival.

O ecrã de fundo, em formato 4:3, mudava de cor a cada canção, mais ou menos a meio existia um painel em cartão com as letras estilizadas a dizer Samuel Úria.

“A Contenção”, “Lenço Enxuto” e “É preciso que eu diminua”, temas essenciais do seu repertório não faltaram. O público que assistiu ao concerto deu muito ânimo ao artista, muita gente cantarolou alguns temas de princípio até ao seu final. Havia fãs do tondelense na plateia.

O indelével traço musical de Samuel Úria e a sua relevância no contexto da música nacional ficaram devidamente fundamentados.

Samuel Úria incrível como sempre | Foto de Sérgio Monteiro @ _loudframes_ (instagram)

Nilüfer Yanya regressou ao norte de Portugal 6 anos depois de atuação no Primavera Sound Porto de 2019. Cresceu no bairro de Chelsea em Londres porém o seu nome não engana: o seu pai é turco.

‘My Method Actor’, álbum de 2024, foi abordado. A faixa que dá nome ao trabalho discográfico foi inclusive a primeira tocada. Outras interpretadas desde disco foram, por exemplo, “Like I Say (I runaway)”, “Call It Love” ou “Binding”.

A britânica Nilüfer Yanya | Foto de Sérgio Monteiro @ _loudframes_ (instagram)

De outros trabalhos discográficos destaco a interpretado de “Rid Of Me” e “midnight sun”. Fica a curiosidade de Yanya ter seguido a setlist que ela realizou no festival de Glastonbury.

Nilüfer agradeceu com um “obrigada” perfeitamente percetível no final de alguns temas. Ela que teve uma banda de 4 elementos a fazer-lhe companhia.

Ela teve uma audiência vasta pois a famigerada encosta já estava extremamente bem preenchida. O final de tarde estava delicioso e à sombra estava-se de modo divinal a assistir ao concerto.

A mistura de indie rock com influências de jazz e soul fazem da sua sonoridade uma textura bastante rica e apelativa ao ouvido. Nilüfer Yanya com a sua banda realizaram uma atuação sóbria e competente, da qual o público pareceu apreciar avaliando as reações.

A baixista de Nilüfer Yanya | Foto de Sérgio Monteiro @ _loudframes_ (instagram)

Este sexteto extremamente divertido apelidado de Unsafe Space Garden nasceu em Guimarães e veio até ao Vodafone Paredes de Coura “fazer das suas”. Trouxeram a USG Demolições Lda ao festival, a estreia de uma empresa de demolições, como fizeram questão de frisar.

O headLiner tem uma forte ligação à Cidade-Berço, portanto o nome deles já não nos é estranho. Já os acompanhamos desde quase o seu início.

Rebeldes, inquietos e coloridos, os Unsafe Space Garden tiveram uma audiência bem generosa. Aproveitaram até para tocar alguns novos temas que vão fazer parte do próximo álbum.

Alexandra Saldanha sempre expressiva | Foto de Sérgio Monteiro @ _loudframes_ (instagram)

Filipe Louro (baixo), José Vale (guitarra), João Cardita (bateria) e Diogo Costa (sintetizador e samples) juntam-se a Nuno Duarte (voz e guitarra) e Alexandra Saldanha (voz e teclados), as duas mentes pensantes e fundadoras deste projeto.

“Tremendous Comprehension” é já uma das faixas ícones da banda vimaranense e muito bem aceite pelo público, este que colaborou nas coreografias e que foi desfrutando da performance. “GROWN UPS!”, “DONDE ESTÁ EL SUELO?” e “PUM PUM PUM TA TA!” foram também escolhidas para a setlist das que fazem parte do álbum ‘WHERE’S THE GROUND?’ de 2023.

“Possível Dissolução” é uma das mais recentes e ainda não editada. Já durante “I AM THIS!” houve um snippet enérgico de “Killing In the Name Of” dos Rage Against The Machine. Em seguida passaram a mensagem “salvem o planeta”.

Sempre divertidos, sempre prontos a passar a mensagem certa, sempre disponíveis para partilharem alegria e amor.

Visão do palco secundário durante Unsafe Space Garden | Foto de Sérgio Monteiro @ _loudframes_ (instagram)

A minha estreia com Cass McCombs teve lugar no gnration em Braga decorria o mês de novembro de 2019. Na altura fiquei deveras impressionado com o seu virtuosismo e neste seu regresso ao norte de Portugal foi com imenso agrado que me reencontrei com ele.

O artista norte-americano foi apresentado, por um falante português, à medida que entrava com pedido de aplausos. Em formato banda com bateria, baixo e guitarra secundária. McCombs ficou encarregue da voz e da guitarra principal.

‘Seed Cake On Leap Yard’, editado em 2024, é o mais recente disco do artista norte-americano de 47 anos que o trouxe ao Vodafone Paredes de Coura. Das novas tocou “Baby” e “Always In Transit” por exemplo.

Cass McCombs de volta ao Minho | mais fotos clicar aqui

“Bum Bum Bum” a canção de entrada, “Priestess” e “Missionary Bell” são três exemplos de outras canções mais antigas que entraram no alinhamento

Uma jornada com algumas crianças no recinto, provavelmente a maioria delas com a sua primeira experiência num evento desta magnitude. Neste concerto de Cass até houve miúdos a experimentarem a frontline devidamente acompanhados.

A determinado momento McCombs perguntou o tempo, no interlúdio entre temas, para saber se ainda podiam tocar mais. Pareceu satisfeito pelo sinal positivo.

A sua mescla de folk com indie rock é preciosa e emocional. Mais uma vez foi uma experiência bastante cativante e muitas pessoas concordarão com esta análise.

Cass McCombs, um virtuoso na guitarra | mais fotos clicar aqui

MJ Lenderman repetiu a passagem, este ano, pelo Vodafone Paredes de Coura. Desta vez com o seu material a solo e a sua banda The Wind. No ano passado tinha atuado com os Wednesday no palco secundário.

Agora em 2025 atuou no palco principal e mostrou ‘Manning Fireworks’, registo discográfico editado em setembro de 2024. Um estilo sonoro entre o americana indie rock e o indie folk, o seu talento é imensamente reconhecido no seu país, os Estados Unidos da América.

“This Is Lorelei Dancing in the Club”, uma bonita balada logo na abertura de atuação. A noite a cair e os seus temas com a sua cadência mais serena a serem perfeitos para a ocasião. “Hangover Game”, já de noite cerrada, foi a última.

MJ Lenderman no palco principal| Foto de Sérgio Monteiro @ _loudframes_ (instagram)

Zaho de Sagazan fez a estreia no Vodafone Paredes de Coura e logo com honras de primetime com a atuação a partir das 22:25h horas.

‘La Symphonie des Éclairs’, o álbum de estreia, teve assim a sua apresentação oficial em Portugal. O tema que dá nome a esse disco foi tocado num momento bem emotivo de ambos os lados da grade.

Uma performance abundantemente visual, muito trabalhada com um jogo de luzes bastante enérgico e psicadélico.

Zaho de Sagazan em estreia no festival | mais fotos clicar aqui

Houve uma enorme vibração por parte do público, uma performance muito aguardada. Pelas reações volumosas direi que ela cumpriu com as expectativas. A cantora não parou um segundo e conseguiu conectar-se com o público. Ajudou ter sido comunicativa e sincera nas suas palavras.

Mais uma artista vinda de França a ter sucesso neste festival. Ainda muitos têm na memória o impacto dos L’Imperatrice e no que representam para o evento.

“Eletro-indie-pop à la française” em todo o seu esplendor cuja voz de Sagazan é o ponto inicial e final.

Zaho de Sagazan bem recebida pelo público | mais fotos clicar aqui

A música soul esteve bem representada por Don West com a sua voz pop açucarada. Australiano nascido e crescido em Sydney na Australia é atualmente um dos artistas mais badalados no seu país.

Uma t-shirt de tom alaranjado, umas calças de cintura alta e óculos de sol estilosos foram a escolha de outfit. Ele tem um forte cuidado em termos de vestuário para realçar todo o seu charme.

Bem-parecido e de medidas fitness caiu bem ao olhar de muito público feminino… E não só… Inclusive ofereceu rosas à audiência para um toque de delicadeza extra.

Australiano Don West trouxe a sua soul | mais fotos clicar aqui

O seu EP de estreia, homónimo, tem somado milhões de audições e agora esses temas foram interpretados ao vivo pela primeira vez em Portugal.

“Friends” interpretada logo na abertura, “Send It Back”, “Never Love” e “What Turns You On” foram outras canções que o público do Vodafone Paredes de Coura ouviu. Nesta última o público colaborou com coros ao tom de “baby”.

“Small Change” foi a canção de fecho.

O cantor teve o auxílio de uma banda de 6 elementos em que pontificaram os instrumentos de sopro. Realçaram na medida certa a poderosa voz de Don West.

Don West e a sua estreia auspiciosa em Portugal | mais fotos clicar aqui

A rapper e escritora portuguesa Ana Matos Fernandes marcou presença no Palco BacanaPlay e trouxe as suas canções do seu registo discográfico ‘Um Gelado Antes do Fim Do Mundo’ editado em março deste ano.

Com Capicua a gente diverte-se imenso e isso foi a norma em temas como “Brava”, “Ao Ocaso” ou “Make Teenage Ana Proud”

“Que força é essa” foi dedicada a todas as mulheres depois de uma ovação a Sérgio Godinho. Cantada como se um hino se tratasse. Os seus temas têm um forte carisma de intervenção social e sabe bem ver alguém que trate de temáticas tão sérias com este tipo de sagacidade através da música.

Capicua uma força da natureza | mais fotos clicar aqui

Ela foi fortemente saudada ao som de coros de “Capicua, Capicua” e notou-se que ficou sensibilizada com o momento e muito feliz por estar de regresso 6 anos depois.

Ana Matos Fernandes (Capicua) contou com o apoio indispensável de Joana Raquel e Inês Malheiro nos coros ; Diego Sousa (D-One) como DJ; João Rocha (Virtus) como MPC a controlar os beats e Luís Montenegro na guitarra.

A portuense é uma força da natureza e de personalidade vincada, às gentes do norte é-lhes reconhecida facilmente essas virtudes. Capicua construiu uma carreira musical a pulso e o seu sucesso é totalmente merecido.

Visão do palco durante a atuação de Capicua | mais fotos clicar aqui

Formados em 2006, os Vampire Weekend ganharam popularidade mundial logo a seguir em 2008 com a edição do álbum homónimo de debute. “A-Punk” é a faixa mais facilmente reconhecida desse registo e uma das principais da banda norte-americana. Não falhou no alinhamento para delírio geral perante uma encosta totalmente preenchida. Oficialmente o dia não estava esgotado, no entanto, dava essa impressão de lotação esgotada.

Ao longo dos anos o hype manteve-se sempre em alta, mesmo quando estiveram durante 6 anos em hiato, sem edições discográficas, entre 2013 e 2019. Neste ano prévio à pandemia editaram o incrível ‘Father of the Bride’ e em 2024 chegou o registo ‘Only God Was Above Us’, álbum que andam a promover e que os trouxe de regresso ao nosso país.

Chris Baio dos Vampire Weekend sempre enégico | mais fotos clicar aqui

Atualmente continuam com Ezra Koenig (vocalista e guitarrista), Chris Baio no baixo e Chris Tomson na bateria. São acompanhados por diversos músicos, os quais rubricaram uma deliciosa performance fazendo o acompanhamento ideal ao trio

Uma tela gigante com fundo preto e letras gigantes em branco com a inscrição “Vampire Weekend” estava disposta em palco na zona frontal. O trio atuou à sua frente, todos vestidos de branco durante 2 temas. Durante o terceiro tema, em “Ice Cream Piano”, no qual Ezra esteve a solo, a tela caiu. Foi retirada prontamente por diversos assistentes com coletes fluorescentes e pôde-se ver toda a banda junta. Foi então que a festa ficou devidamente completa.

Trio Vampire Weekend no inicio da performance | mais fotos clicar aqui

A performance de “This Life”foi o primeiro momento mais forte. Até então tinham sido interpretados temas como “Holiday” ou “Unbelievers”.

A Koenig disseram-lhe que o Vodafone Paredes de Coura era um festival incrível e ele confessou ao público que tinham razão em tudo o que lhe confidenciaram.

“Gen-X Cops”, “Oxford Comma”  ou “Harmony Hall” foram outros temas interpretados e que tiveram uma maior influência junto das mais de 20 mil pessoas que preencheram o recinto em frente ao Palco Vodafone.

Vampire Weekend em palco. | mais fotos clicar aqui

Terminaram o concerto com “Hope”, um tema especial para a banda e interpretada de maneria sublime. Todos os elementos foram saindo um a um tendo todos tido a merecida ovação.

Eles mesclam indie-pop com world music como não há outro projeto a nível mundial, aliada à singular voz de Ezra, constroem um pack musical irresistível.

A atual tournée europeia conta apenas com 7 datas e arrancou precisamente em Paredes de Coura, com uma tremenda atuação e que ficará gravada na memória dos milhares de fãs que ocorreram ao festival.

A primeira jornada do Vodafone Paredes de Coura foi coroada de êxito com excelentes concertos e uma vivência particularmente sã entre as pessoas. Um festival, mais uma vez, familiar. Pais a proporcionarem às suas crianças para uma experiência festivaleira com tranquilidade e segura.

Reportagem fotográfica concertos: Clicar Aqui

O Couraíso do Amor | mais fotos clicar aqui

Texto:
Edgar Silva

Fotografia:
Ana Lourenço @ blackphant.stage (Instagram)

Sérgio Monteiro @ _loudframes_  (Instagram)

Hugo Lima – www.fb.me/hugolimaphotography @ fotos oficiais Vodafone Paredes de Coura

Edgar Silva

Administrador de página e de conteúdos do HeadLiner

Adoro ouvir música. Ir a concertos é mesmo onde me sinto no meu elemento, é como um peixe na água. No headLiner junto ambos os gostos adicionando o gosto pela escrita: com artigos sobre música (bandas e eventos) e também umas coisitas acerca de alguns dos concertos a que assisto.