Isaac Holman dos Soft Play em dinâmica acelerada | mais fotos clicar aqui
Já com cerca de 270 quilómetros acumulados, neste meu regresso após mais uma viagem a partir de Guimarães, eis que me vejo novamente às portas do Vodafone Paredes de Coura. Passei a rotunda onde tem a inscrição “bem-vindos a casa” em modo de passo apressado pois já ouvia os primeiros acordes dos Bed Legs.
Vale que a viagem de autoestrada é comoda e felizmente agora temos uma via rápida que nos traz à vila ao contrário de outrora. Este melhoramento efetivamente foi excelente pois permite um acesso rápido e uma saída rápida de Coura. Fica bem menos stressante alcançar o Couraíso.
Dia 2 – quinta-feira, 14 de agosto
Fernando Fernandes, o vocalista também conhecido como Ferna, Tiago Calçada na guitarra, Hélder Azevedo (baixo), David Costa (Bateria) e Leandro Araújo (teclas) são os Bed Legs. Tiveram ainda o apoio de um elemento extra. Esta banda oriunda de Braga regressou ao festival minhoto depois de duas passagens bem-sucedidas em 2016 e 2019.

Ferna é sempre muito expansivo | Foto oficial Vodafone Paredes de Coura @ Hugo Lima – www.fb.me/hugolimaphotography
Na abertura do Palco BacanaPlay nesta segunda jornada do Vodafone Paredes de Coura apresentaram os temas mais recentes incluídos em ‘Decadence’, álbum editado no passado mês de maio.
“Sixteen” e “Red River”, os singles do disco, não faltaram à chamada e são temas essenciais da discografia atual.
A energia de Ferna é inesgotável, sempre que o vi ao vivo tem esta pujança e consegue contagiar quem está a assistir um concerto de Bed Legs. Não foi minimamente diferente neste concerto. Ele que não se coibiu de descer do palco e vir junto do pessoal. O público estava algo tímido, junto do gradeamento não estavam muitas pessoas.
O som dos Bed Legs é alicerçado no rock & roll e conta também com pedaços generosos de rhythm & blues e garage rock. Mais uma atuação bem sólida desta banda bracarense.

Bed Legs de volta ao festival | Foto oficial Vodafone Paredes de Coura @ Hugo Lima – www.fb.me/hugolimaphotography
Tal como em ocasiões anteriores em que vi os Linda Martini o dress code foi igualmente black & white. Uma tarde bem mais quente comparativamente à jornada inaugural deste Vodafone Paredes de Coura.
O sol ainda estava lá bem no alto, o pessoal refugiava-se nos locais abrigados pelo palco e árvores com sombra. Algo saudado pela banda com um apelo à proteção solar.
Toda de branco esteve Cláudia Guerreiro. No centro consigo teve Rui Carvalho todo de negro. Nas margens tiveram Hélio Morais à esquerda e André Henriques eles que alternaram nas cores: Morais de calças brancas/camisa preta e Henriques todo de negro.

Black & White Linda Martini | mais fotos clicar aqui
Quando atuam dão tudo: por entre a exigência constante de Hélio Morais e o seu ritmo frenético; o impecável compromisso de Rui Carvalho e o seu contributo bem suado; a perícia e sensualidade rock de Cláudia Guerreiro (que bem fica de branco!!) e a sua contínua vivacidade e citar finalmente a determinação vibrante de André Henriques com a sua guitarra e voz. Todos eles fizeram uso das suas vozes, a principal foi a de Henriques.
Os ânimos aqueceram durante “Boca de Sal”, o terceiro tema tocado. Muitos fãs a dizerem presente, alguns a rigor com t-shirts dos Linda Martini.
Já em “Uma Banda” o pessoal fez uma roda-viva em honra à “ideia de merda” que é ter uma banda com 20 anos de existência. O público esteve à altura da banda.

Cláudia Guerreiro dos Linda Martini | mais fotos clicar aqui
‘Corações Rápidos” ou “Faz-se de Luz” foram dois dos temas apresentados de ‘Passa Montanhas’, o mais recente registo discográfico.
Totalmente merecido o slot no palco principal porém creio que podiam, perfeitamente e de forma natural, ocupar um horário de prime-time, como quem diz um horário mais à frente no escalonamento da jornada.
Um set de 50 minutos bem conseguido com o normal desempenho dos Linda Martini: sempre com máximo desempenho.
Final em apoteose com “Cem Metros Sereia” e os quatro músicos comovidos com o carinho emanado da plateia.

Hélio Morais dos Linda Martini | mais fotos clicar aqui
12 anos depois os Glockenwise regressaram ao Vodafone Paredes de Coura para um fim de ciclo. Para uma atuação feliz na “Natureza” nas margens do Rio Coura numa tarde de imenso “Calor”.
O quinto álbum, ‘Gótico Português’, foi devidamente tocado pelo quarteto formado por Nuno Rodrigues (voz e guitarra), Rafael Ferreira (guitarra), Rui Fiúsa (baixo elétrico) e Cláudio Tavares (bateria). Tiveram o auxílio de um quinto elemento na guitarra clássica.
Outros temas selecionados desse álbum, além do já foi citado, foram “Vida Vã”, “Lodo” “Besta” e a faixa que dá título a esse trabalho discográfico.

Nuno Rodrigues dos Glockenwise | mais fotos clicar aqui
Nuno utilizou uma t-shirt (estilo clube futebol) com a inscrição de “Palestine”. Ele que não teve receio e veio fazer crowdsurf em “Calor”, o último tema que eles tocaram.
“Estes são os meus melhores amigos. Sejam amigos” foi a mensagem final de Nuno Rodrigues, apontando para os outros elementos em palco.
A banda de Barcelos portou-se à altura e o muito público presente aderiu apaixonadamente à sua performance. Alguns fãs indefectíveis com as letras na ponta da língua.

12 depois os Glockenwise em Coura | mais fotos clicar aqui
Mike Hadreas, cujo nome artístico é Perfume Genius, repetiu a passagem pelo Vodafone Paredes de Coura. Em 2022 atuou no palco secundário numa belíssima atuação, agora em 2025 foi promovido ao palco principal.
Trouxe consigo mais quatro músicos e que prestaram um apoio maravilhoso à sua atuação, durante a qual o ecrã gigante de palco esteve sempre com cor azul fixa e forneceu um impacto mais reflexivo.
Perfume Genius teve uma pose imensamente teatral. Além de usar uma cadeira para se sentar, esse objeto serviu igualmente como adereço para efeitos dramáticos. Hadreas é um artista bastante expressivo com sua linguagem corporal que serve como complemento às suas letras de cariz tão instrospetivo.

O expressivo Perfume Genius | mais fotos clicar aqui
O seu sétimo álbum de estúdio, ‘Glory’, editado no passado dia 28 de março, surgiu naturalmente com o decurso da atuação. “In a Row”, uma das mais recentes, foi logo primeira mostrada. “No Front Teeth” e “It’s a Mirror” também emergiram.
“On The floor”, “Otherside” “Slip Away” e “Queen” (esta a última) foram introduzidas na setlist. Em boa hora pois são essenciais na sua discografia.
Uma atuação de efeito bem comovente e imensamente envolvente e que cativou grande parte da audiência na plateia e terá deixado os fãs com “água na boca” por mais uma performance tão veemente.

Maravilhosa atuação de Perfume Genius | mais fotos clicar aqui
Fat Dog é um quinteto britânico bem explosivo e isso ficou devidamente comprovado neste concerto. As expectativas eram bem altas devido com as performances apoteóticas por essa Europa fora. O espaço do recinto do Palco BacanaPlay foi manifestamente insuficiente para a demanda, com a plateia a rebentar pelas costuras. Muitas pessoas a ocupar os lugares da dianteira bem cedo.
Abriram com “Vigilante”, faixa que início o seu disco de estreia, e a partir daí foi um carrossel de corpos suados, num moche infindável e com corpos a sobrevoar.
Vieram mostrar o seu álbum de estreia,’Woof.’, editado no ano passado. “King of the Slugs” ou “Wither” foram duas das escolhidas desse disco para esta noite belíssima de verão. “F*c* Urself” coube também no alinhamento tal como “Pray to That”, lançada há poucos dias. Malhas simplesmente brutais.

Joe Love, o vocalista dos Fat Dog | mais fotos clicar aqui
Joe Love, o vocalista, revelou-se um expansivo e bem interativo perante uma massa humana em êxtase. Ele que fez questão de cantar bem pertinho dos fãs. Todos os músicos em palco estiveram extraordinariamente vibrantes na do decurso de toda a performance nesta que foi a estreia em Portugal dos Fat Dog.
A banda fechou com “Running”, e aí foi o culminar de uma explosão de fio a pavio no palco secundário, não havendo uma vivalma arrastada por aquele mar de emoção e energia
A mescla de ska, com punk e eletrónica da pesada fazem destes insolentes londrinos uma banda perfeita para o enérgico público do Vodafone Paredes de Coura.

O vocalista dos Fat Dog a pôr o público em polvorosa | mais fotos clicar aqui
Lola Young ficou conhecida mundialmente em 2024 com o seu bombástico hit “Messy” que fez intenso furor e soma milhões e milhões de audições nas plataformas de streaming.
Uma canção na qual muita gente se reviu por falar de aceitação pessoal, das imperfeições e dos desafios da sociedade atual impõe. As suas canções têm esse “peso”, são sobre relações e assuntos pessoais que afetam toda a gente.
Tal como esperado “Messy” tocada no final em “ponto de rebuçado” durante a qual existiu uma vibe espantosa. Naturalmente, em vez de lanternas, vimos imensos smartphones no ar. Foi igualmente de bonito efeito.
Por falar em smartphones, algumas fãs na frontline foram bafejadas pela sorte e tiveram direito a selfies com Lola quando esta desceu à grade.

Uma estreia muito aguardada, a de Lola Young | mais fotos clicar aqui
Em “You Noticed” as lâmpadas ligaram-se, as que o principal sponsor tem oferecido ao longo dos anos e mais uma vez não faltou a oferta, deram uma belíssima colorida à encosta. Já em “Conceited” houve coros dos fãs bem afinados.
‘This Wasn’t Meant For You Anyway’ , o segundo álbum de estúdio, lançado há pouco mais de um ano, teve agora o seu momento de apresentação em Portugal. “Wish You Were Dead” e “F*ck” foram duas das escolhidas desse álbum.

A britânica Lola Young encantada com o público lusitano | mais fotos clicar aqui
Os mais recentes singles “d£aler” e “One Thing”, serviram como aperitivo do próximo álbum previsto para este próximo mês de setembro.
A britânica teve honras de prime-time no palco principal do Vodafone Paredes de Coura cujo concerto teve início às 22:40h no qual Lola Young esteve bastante comunicativa e teve elogios rasgados para o público.
Uma multidão mostrou-se ligeiramente ansiosa pelo momento de início da sua atuação. A vibração durou toda a performance, foi demonstrada pela permanente emoção e pelas constantes ovações. A estreia de Lola Young não foi minimamente uma bagunça e terá ganho mais uns novos fãs após uma apresentação segura e descontraída.

Lola Young acompanhada por banda | mais fotos clicar aqui
A dupla Laurie Vincent (voz, baixo e guitarra) e Isaac Holman (voz e bateria) compõem os Soft Play e são um duo de punk rock. Até ao ano de 2022 apelidavam-se de Slaves, trocaram por motivos de poder ser um nome conotado como ofensivo.
Ambos atuaram de tronco nu e não pararam um segundo sequer. Até tiveram a audácia de virem para meio da plateia por alguns longos momentos.
“Mirror Muscles” e “Act Violently” entraram das escolhas para esta atuação na qual teve a curiosidade de Isaac dizer que são só dois pois ninguém se quis juntar a eles.

O guitarrista Laurie Vincent dos Soft Play | mais fotos clicar aqui
Toda a malta na plateia na parte frontal do palco viveu o concerto com uma vigorosa força para aguentar o persistente mosh. Tal como os seus conterrâneos Fat Dog, igualmente os Soft Play são uma banda totalmente ajustada ao pujante e jovem público do Vodafone Paredes de Coura.
Fizeram a estreia no nosso país e foi bem-sucedida. Terão feito novos fãs, com toda a certeza, e certamente irão regressar a Portugal a médio prazo. Uma das boas surpresas desta segunda jornada do festival.

O baterista e vocalista Isaac Holman dos Soft Play | mais fotos clicar aqui
Em 2017 os Portugal. The Man obtiveram reconhecimento planetário com o seu massivo hit “Feel It Still”, no entanto, esta sua carreira vai muito mais além desta faixa. Eles existem desde 2002 e desde então têm realizado um percurso sólido. Como previsto, esse hit, foi a canção interpretada para fecho de festa.
Tal como outras bandas, eles também são repetentes no festival de Coura, tocaram na edição de 2009 e na de 2016.
O nome deles nada têm a ver com o nosso país, surgiu como uma piada de amigos quando eles se mudaram do Wasilla no Alasca para Portland. Eles que deixaram a mensagem escrita em português: “Obrigado por nos emprestarem o vosso nome. Adoramo-vos”. Foi exibida no ecrã principal durante a atuação

John Baldwin Gourley dos Portugal. The Man | mais fotos clicar aqui
John Baldwin Gourley é o responsável por este projeto de rock americano com influências indie e psicadélicas. Ao longo dos anos tem formação tem mudado de elementos. Gourley teve consigo outros 6 músicos em palco.
Entraram ao som de “Unchained Melody” dos The Righteous Brothers e fou quando notamos o vocalista John com uma camisola alusiva ao Futebol Clube do Porto.
Embora com muito pessoal a curtir o som, senti o ambiente morno até meio da performance. Esperava mais vibração, confesso. Ficou uma vibe mais cool de meio até final, fase em que temas mais conhecidos como “Modern Jesus”, “So Young”, “Glide”, “Summer of Luv” ou “Live in the Moment” foram tocados. A banda proporcionou todos estes temas marcantes da discografia dos Portugal. The Man nesta visita que teve imenso significado.

Um dos elementos dos Portugal. The Man | mais fotos clicar aqui
Na parte final houve ainda um tema dedicado aos que estiveram em 2009 aquando da primeira passagem deles por Coura.
John agradeceu, de forma bem emotiva, por todo o apoio, especialmente no início quando era difícil vingar e serem reconhecidos. Portugal foi um dos primeiros países a dar-lhes atenção.
Os Portugal. The Man fazem eles também parte da história do Vodafone Paredes de Coura e serão sempre bem recebidos. Eles que rubricaram uma exibição competente, segura e emotiva quanto baste.

Portugal. The Man em palco | mais fotos clicar aqui
Pese embora oficialmente o dia de quinta-feira não estivesse esgotado dentro do recinto sentia-se que estava no seu máximo. Há gente muito curiosa para ver como será no próximo sábado, dia em que já sabemos que terá lotação esgotada.
Agora é tempo de retemperar forças para uma sexta-feira brutal com um alinhamento onde há Bar Italia, Lambrini Girls, Black Country, New Road e King Krule. Promete ser uma jornada fantástica.
Reportagem fotográfica concertos: Clicar Aqui

Primeira fila em Lola Young | mais fotos clicar aqui
Texto:
Edgar Silva
Fotografia:
Ana Lourenço @ blackphant.stage (Instagram)
Hugo Lima – www.fb.me/hugolimaphotography @ fotos oficiais Vodafone Paredes de Coura

